por mais pessoas em mais bicicletas mais vezes | Mobilidade Urbana e por Bicicletas | Qualidade de Vida | Educação Cicloviária | Transporte Sustentável
Acontece em Montes Claros (MG), neste domingo 28 de junho, um passeio ciclístico organizado pela Universidade Estadual Unimontes.
Em 2007, a Transporte Ativo elaborou uma proposta concreta para começar a introduzir a bicicleta na política de transporte e mobilidade da cidade. Talvez o projeto saia do papel quando ciclistas e setores atuantes da sociedade aceitarem o desafio de quebrar paradigmas e preconceitos. Nada mais propício do que o ambiente universitário para que isto aconteça.
A Unimontes tem todas as credenciais para discutir e revelar o valor das bicicletas para o trânsito e as pessoas de Montes Claros. Que este Passeio Ciclístico seja o começo deste caminho.
Um texto curto escrito pelo colega Palmas na lista de discussão da bicicletada paulista:
Sou uma pessoa que tenho sobrando uma vontade tremenda de mudar o mundo para melhor e por livre e espontânea vontade, faço a doação, gratuitamente, de um pouco dessa boa vontade, transferindo desde já a você toda posse, ação e domínio para que seja a diferença que você quer ver no mundo, em vez de esperar que algum poder externo faça o trabalho por nós.
Fica o convite, sejamos um pouco como Ghandi que moldou seu mundo. Fica um outro exemplo em vídeo do Doutores da Alegria.
Todos os dias, milhares de pessoas nas grandes cidades brasileiras pegam suas bicicletas e saem para as ruas. Seja qual for o propósito do uso da bicicleta, esses brasileiros recebem o adjetivo de ciclistas, alguns bicicleteiros. Mas antes de saírem de casa, espera-se que todos tenham escovado os dentes, e nenhum deles é chamado de “escovador de dentes”.
Temos hoje nas ruas um tipo diferente de ciclistas, são os cicloativistas. Aqueles que agem em prol da valorização do uso da bicicleta. As maneiras de agir são as mais variadas, mas o objetivo é sempre o mesmo. Colaborar para a boa imagem da bicicleta e convencer mais pessoas a utilizá-la.
Mas incrivelmente, não existem ativistas em prol da escovação dentária. Pais e mães, professoras e naturalmente os dentistas incentivam o uso das escovas de dentes, mas ninguém se define como ativista. A bicicleta cada vez ganha espaço como veículo de transporte, lazer e esporte. No entanto, para que esse uso se alastre melhor, uma atitude simples pode ser tomada, trocar o foco.
A marcha da promoção as bicicletas precisa sair da coroa pequena que gira muito sem alcançar velocidade. Precisamos ir mais rápido na coroa maior. Ativismo muitas vezes implica em confronto, negação e até mesmo uma visão pessimista da sociedade, focada nas dificuldades. Andar de bicicleta seja como for e para onde for deve ser encarado como a atividade prazerosa que é, capaz tornar as pessoas e as cidades mais felizes.
Inserir a bicicleta no cotidiano urbano irá eventualmente implicar na morte completa do cicloativismo e a transição para o foco total na promoção ao uso da bicicleta. Nos mesmos moldes propostos pelos dinamarqueses e a Embaixada das Bicicletas.
Ser ciclista em São Paulo é ser um pouco do contra, é viver a vida como em um poema de Mário Quintana. É ser andorinha antes da chegada do verão. Não se está sozinho, mas o momento histórico ainda não chegou ao ápice das andorinhas voando em grandes massas.
O fato de estarmos no hemisfério sul talvez seja uma explicação razoável. Na Europa cada dia mais vive-se uma “primavera ciclística” com as ruas das cidades cada vez mais sendo pensadas para bicicletas e pedestres. Lá em breve chegará o verão e as andorinhas juntas em forma de bicicleta dominaram a paisagem. Nós cá mais ao sul estamos talvez no outono e a moda da bicicleta ainda está para chegar as massas e ganhar totalmente as ruas.
Felizmente o momento cada dia mais é favorável para se pedalar nas cidades. Trata-se de uma tendência irreversível que ganha volume a cada dia. Ainda que muitas vezes a realidade das ruas possa ser dura e um ciclista urbano tenha de se deparar com situações desagradáveis, os motivos individuais e coletivos para a bicicleta seja mais utilizada estão dados. Os benefícios das pedaladas cotidianas são de fundamental importância para uma mudança de rumo necessária para as pessoas e a sociedade como um todo.
Fica a homenagem ao colega ciclista Vitor do nossoquintal.org que passou um aperto hoje.
POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana
Um acostamento a beira da Marginal Pinheiros acabou gerando grande repercussão e um debate dentro da esfera municipal e entre os cicloativistas. A discussão foi além da transformação de uma faixa de acostamento da via expressa em faixa de rolamento.
Vias expressas são locais inadequados para o compartilhamento entre ciclistas e o restante do tráfego, mas para os “apocalípticos” o acostamento acabava sendo o único caminho. E como tem sido notório, o número de ciclistas que pedalam “apesar de qualquer condição desfavorável” tem aumentado constamente em São Paulo.
A evidência da presença crescente das bicicletas nas ruas e a notória imobilidade urbana que acomete São Paulo aos poucos colocam a cidade diante de uma escolha que remete a mesma encruzilhada macroeconomica mundial. Qual o tipo de desenvolvimento que podemos e queremos ter?
Economicamente o automóvel a a indústria automobilística tiveram um importante papel para a geração de riqueza para o Brasil e principalmente para a região metropolitana de São Paulo. Hoje o mesmo dinheiro que fez e faz girar a economia na cidade é responsável pelos congestionamentos que imobilizam a população, independente do meio de transporte escolhido.
Bogotá nos provou que mais do que dinheiro, o desenvolvimento urbano precisa de vontade política para traçar seus rumos. São Paulo e seus administradores precisam decidir se seguem rumo a promoção da qualidade de vida e da mobilidade sustentável ou se irá continuar a ser privilegiada a “Velha Mobilidade” e os efeitos negativos que conhecemos.
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