Pedalada ‘Chic’

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Foto: Thiago Benicchio

O incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte mira muito no percurso casa – trabalho – casa e muitas pessoas de fato usam a bicicleta nesse percurso e em muitos outros. Pedalando se vai às compras, ao dentista, à casa dos amigos, ao cinema, à praia, ao parque e, por que não, à festa e ao trabalho. Nestes dois últimos o traje é diferente, especial, ‘chic’, por assim dizer.
Tudo bem, algumas mudanças exigem tempo, mas se pudermos experimentar fica melhor para decidir.
Nesta terça à noite, no Rio de Janeiro, um grupo vai pedalar arrumadinho, bonitinho e cheiroso. È a Pedalada Chic, que unirá ciclistas de fim-de-semana aos de todo dia em torno do traje elegante para pedalar. Numa volta pela orla e pela Lagoa Rodrigo de Freitas todos poderão experimentar o que europeus, japoneses e dinamarqueses (Copenhagen Cycle Chic) já sabem: pedalar é bom demais mesmo em roupas ‘normais’.
Mas atenção! Serão devidamente barrados os que estiverem com trajes de ciclista.

Ponto de encontro: Aterro do Flamengo, Monumento Estácio de Sá, às 19h30. Roteiro: Aeroporto, Aterro, orla, Lagoa e retorno ao Aterro.

Veja FOTOS de ciclistas elegantes
Leia um POST sobre a Bicicletada dos Executivos
Fotos e vídeos da Bicicletada de Agosto de 2008

Barreiras Psicológicas

Instalar bicicletários e construir ciclovias até pode incentivar pessoas a mudarem rotinas diárias, trocando o automóvel pela caminhada ou bicicleta. As cidades precisam disto, o planeta depende disto, a própria saúde física e mental das pessoas exige isto pra já, mas a grande barreira a ser vencida não está fora das pessoas, mas dentro delas.

Mudar hábitos significa passar por 3 fases distintas:

  • adquirir conhecimento
  • mudar de atitude e
  • mudar de comportamento.

Primeiro, as pessoas precisam ser convencidas racionalmente, com argumentos lógicos, explicações, números, conhecer os benefícios de andar a pé ou de bicicleta e os males causados pela dependência do automóvel. Isto é facílimo de fazer, há dezenas de estudos científicos comprovando os benefícios da bicicleta e da caminhada, e outro tanto de estatísticas oficiais apontando a rua sem saída entupida de automóveis e mortos atropelados.

Depois, o conhecimento adquirido precisa mudar sua atitude perante o problema. Atitude pode ser definida como “aquilo que estamos dispostos a fazer”. No caso do trânsito, uma mudança de atitude pode ser percebida quando você disser ou pensar: não vou encontrar vagas, vou ficar no engarrafamento… bem que eu poderia ir de bicicleta. É uma disposição para agir de uma maneira e não de outra. Esta fase passa por caminhos psicológicos mais densos, que exigem uma percepção diferente da realidade. Hoje todo mundo tem uma atitude positiva com relação às bicicletas, até mesmo os governos e prefeituras.

Ainda assim, parece ser tão difícil que as pessoas nas ruas e as pessoas dentro dos governos mudem seus hábitos e percepções e adotem a bicicleta como solução para sua vida e para nossas cidades. Na verdade, isto exige uma mudança de comportamento. Atitude é intenção; o comportamento é ação. Se mudar de atitude já exige certas escavações psicológicas, mudar comportamento é algo extremamente bem mais complexo e profundo. O ditado popular diz com sabedoria que “é grande a distância entre intenção e gesto”.

As grandes tranformações fracassadas esbarram sempre em mudanças de comportamento, pois estas dependem da personalidade de cada pessoa, da imagem que cada um tem de si, dos estereótipos e das reações condicionadas, e dos sentimentos e emoções envolvidos no processo. Por exemplo, experimentar a sensação de liberdade e o prazer de pedalar é mais decisivo do que saber quantas toneladas de CO2 um carro lança no ar por mês. De outro lado, estereótipos como “bicicleta é para atleta” ou “de carro vou mais rápido” ou “não posso chegar suado no trabalho” são barreiras psicológicas quase intransponíveis se não forem confrontadas adequadamente. Ciclovias e bicicletários, por exemplo, não serão respostas satisfatórias para a necessária mudança de comportamento nestes casos.

Esta mudança virá como crianças pequenas aprendendo a pedalar: a bicicleta está ajustada e a rua livre, alguém do lado dá incentivo, apoio e segurança, mas, sem vencer medos e bloqueios internos, toda tentativa de mudar será frustante.

Caminhos da Massa Crítica

Foto Gustavo Henrique

A Massa Crítica Paulistana ganhou vulto. É hoje um momento único de encontro de ciclistas. Sempre as centenas, saem pelas ruas e transformam por algumas horas o trânsito de São Paulo. Pedalam em silêncio ou clamam em uníssono por menos carros e mais bicicletas. Sem líderes comportam a diversidade e acima de tudo a anarquia. E na definição de anarquia mora a controvérsia.

Inegavelmente trata-se de um movimento que luta por mudanças e é contra o status quo. A ausência de uma liderança central é ao mesmo tempo o maior trunfo e um problema. Afinal manter a ordem na anarquia implica responsabilidades individuais para não descambar para a total desordem sem lei. A permissividade implica na maioria das vezes em contestação pela alegria, mas pode gerar confusões.

Cada participante tem objetivos diversos, mas ao mesmo tempo todos juntos formam uma utopia. Um momento em movimento em que as pessoas fluem pelas amplas avenidas, em forma de nuvem o grupo fica denso e depois se espalha para mais a frente adensar-se novamente. O desafio da Bicicletada agora é um pouco o desafio de todos os milhares de ciclistas da cidade. Ser respeitado como mais um componente do trânsito na metrópole. Respeito que não será feito pela afronta violenta, mas pela colaboração.

A massa crítica é o momento em que cada ciclista presente inverte a ordem que enfrenta diariamente nas ruas. A bicicletas em grande número passam a ser o elemento mais forte nas ruas. Mas a realidade no dia a dia não é essa e impedir que aflorem “delírios de poder” nos participantes é a única maneira de não matar o movimento.

A Bicicletada precisa ser vista pelo que é. Uma contestação em relação as dificuldades de transitar em São Paulo, seja qual for o meio de transporte escolhido. E essa contestação é boa para todos, é boa para a cidade. O desafio está em mostrar nas ruas, de maneira anárquica que cada ciclista em grupo ou individualmente é um aliado no trânsito da cidade e na construção de uma cidade mais humana.

O Centauro Moderno

Texto do Secretário do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo – Eduardo Jorge

Um cidadão reclama em artigo do JT do entusiasmo da SVMA com a causa da bicicleta em São Paulo.

É verdade, desde 2005 a SVMA tem se dedicado a mudar a relação da cidade com os ciclistas.

De parte do poder público, das empresas aqui sediadas e dos próprios motoristas de veículos motorizados em 2005 estávamos partindo praticamente do zero. Porém o que se ignorava e o que nós descobrimos é que 300.000 pessoas já usam mesmo assim a bicicleta como meio de transporte principal em São Paulo e vizinhanças. São na maioria trabalhadores e estudantes moradores de áreas periféricas e em menor número ciclista por opção de consciência que sabem que estão ajudando a cidade. Ajudando a diminuir a poluição, o aquecimento global, beneficiando a saúde pública e o trânsito da capital paulista.

O que já fizemos de 2005 para cá? O Prefeito criou um grupo executivo intersecretarial – Pró Ciclista – que está estudando todos os possíveis locais de apóio com infra-estrutura pública ou em parceria.

Como resultado a SVMA já licitou via Metro uma ciclovia de 12 km ao longo da Radial Leste que já foi inaugurada parcialmente e deve ser concluída este ano. Também em outros locais na Zona Norte e Zona Sul a SVMA vem implantando ciclovias em conjunto com Subprefeituras. Outros 100 km estão em diferentes estágios de concretização (projeto, licitação, etc).

Já instalamos quase 2.000 paraciclos na cidade e estamos apoiando o Governo Estadual, via Metro e CPTM, na implantação de bicicletários e aluguel de bicicletas (o primeiro deste tipo na América do Sul).

A Secretaria de Esportes criou a escola de ciclismo para criança da rede pública de ensino.

Com a Secretaria de Transporte estamos iniciando um esforço de educação para cultura de paz no trânsito primeiro com os motoristas de ônibus e depois para o conjunto dos motoristas.

Este é o investimento mais importante. Mudar a cultura imperante de que os veículos motorizados são donos da cidade. Aliás, as maiores vítimas não são os ciclistas. São os pedestres, principalmente idosos e crianças. É só estudar as estatísticas de São Paulo e de todo Brasil.

Mesmo em cidades com boa estrutura de ciclovias e ciclofaixas elas cobrem uma parcela relativamente pequena das vias públicas. Na maior parte destas cidades as vias são compartilhadas por bicicletas e veículos motorizados. Pacífica e educadamente.

Na Grécia mitológica os centauros eram famosos por seu comportamento selvagem e turbulento. No Século XXI temos centauros modernos com cabeça, tronco, braços e quatro rodas. Realmente é um trabalho para Hércules trazer este tipo de ser vivo para uma convivência civilizada com os demais habitantes da cidade.

Carta Aberta aos Correios

Os Correios são uma instituição muito importante para o Brasil. É a única empresa presente em todos os municípios. A ECT também se destaca pelo fato dos carteiros usarem meios não-motorizados para cumprirem sua importante missão social. A pé ou de bicicleta, eles completam a capilaridade dos Correios, atingindo não apenas todos os municípios, mas todas as casas do Brasil.

Por causa desta capilaridade, a ECT tem em mãos uma grande oportunidade de confirmar sua responsabilidade social e demonstrar suas preocupações sócio-ambientais. Mais do que dar o exemplo com carteiros ciclistas, a ECT pode incentivar o uso de meios não-motorizados de transporte, ao adotar as seguintes providências:

– instalar bicicletários nas agências dos Correios. Bons e adequados estacionamentos para bicicletas serão usados pelos próprios carteiros, mas são importantes e úteis também para os clientes dos Correios que usam a bicicleta como meio de transporte. Hoje, as agências dos Correios são um centro de encontro social, aonde as pessoas vão colocar cartas, receber encomendas, pagar contas. O acesso a elas deve ser facilitado e atraente para todos. Um modelo adequado de bicicletário pode ser visto neste folheto informativo.

– fazer dos carteiros agentes multiplicadores de segurança no trânsito, onde a prudência e o respeito são fatores críticos. Andar na contramão dos carros é tão perigoso quanto não usar capacetes. Pedalar sobre calçadas coloca o ciclista em conflito com pedestres e também pode ser causa de acidentes graves, no momento em que o ciclista, por exemplo, desce da calçada para atravessar uma rua. A ECT, em seus produtos e serviços, pode ela mesma agir rumo a uma educação para um trânsito seguro – abordando o assunto numa série de selos, por exemplo.

– promover campanha interna para incentivar o uso da bicicleta pelos funcionários dos Correios. Colocamos à disposição a série de cartazes sobre incentivos ao uso da bicicleta como transporte para o trabalho, traduzidos de original inglês, e o guia De bicicleta para o trabalho.

Além dos benefícios ótimos para a saúde das pessoas, ao incentivar o uso da bicicleta com campanhas e facilidades, a ECT contribuirá positivamente no combate à poluição e ao caos urbano.

A Transporte Ativo coloca-se à disposição para iniciarmos uma parceria neste sentido. Por favor, visite nossa página www.ta.org.br, com ampla diversidade de material informativo/educativo. Temos disponibilidade também para apresentar palestras sobre as vantagens e benefícios do uso da bicicleta nas cidades.