Pedalada Museu na Rua – Entre Ruas e Rios

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No último sábado 2 de março realizamos em parceria com o Museu do Amanhã a pedalada Museu na Rua, saindo da Praça Mauá até o Aterro do Flamengo. Com paradas na Praça XV, Largo da Carioca, Praça Luís de Camões, no Deck da Foz do Rio Carioca e no Monumento a Estácio de Sá os educadores do Museu trouxeram reflexões sobre os rios da cidade, que foram cobertos, canalizados, poluídos, esquecidos.

Novamente a bicicleta foi a parceira perfeita para esse misto de aula-passeio-exercício de mobilidade ativa. Tivemos duas pessoas cegas recebendo as informações por áudio descrição de seus guias. Cerca de 25 pessoas pedalaram pelas ciclovias e ciclofaixas entre o centro e o Aterro do Flamengo. A experiência completa de conhecimento de sua cidade é bem mais prazerosa e proveitosa quando a fazemos pedalando.

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Nenhuma cidade é perfeita, a sua história e o seu desenvolvimento podem ter episódios ruins, mas sempre há tempo de mudar, corrigir, evoluir. Passamos pela Praça da Justiça, inaugurada recentemente com calçadão, ciclovia, arborização, bancos, estação de bicicleta pública. Onde antes havia estacionamento para alguns carros agora há um espaço verdadeiramente público.

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Ao devolver a cidade para as pessoas elas podem conhecer a sua história (boa ou ruim), aprender sobre ela e se apropriar dela como verdadeiros cidadãos. Só daí virão as mudanças no planejamento urbano e principalmente no que as pessoas querem para a sua cidade no presente e no futuro. Nesses passeios vivenciamos a cidade como queremos, mais para as pessoas que para os carros.

A bicicleta inteligente

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Há uma novidade na rede: o acesso à inteligência artificial se popularizou e com ele vieram promessas de avanços antes inimagináveis e uma certa ‘surpresa’ com os problemas inéditos que surgiram. Não raro as pessoas ignoram que a tecnologia só é um avanço se o fator humano quiser e deixar.
Enfim, não demorou para que a inteligência artificial chegasse às bicicletas. Uma fábrica patenteou um sistema que em tese aprende com o ciclista e muda regulagens sem a atuação do ciclista. Altura do selim e ajustes de suspensão seriam feitos de acordo com uma interface entre os dados coletados pelo computador central e o retorno do ciclista sobre os ajustes serem bons ou não. Ao repetir o mesmo trajeto a bicicleta se ajustaria automaticamente para melhorar conforto e eficiência.

Polêmica à vista. O consumidor tem total liberdade de escolha sobre qual produto e com qual tecnologia comprar. Mas o lado lúdico da bicicleta está justamente em ser um dos veículos mais integrados ao ser humano. Usando até cinco pontos de apoio e propulsão humana na condução da bicicleta convencional a sinergia é total, sem dispositivos que interferem na relação com o movimento e com o que o ciclista sente ou quer fazer. Ao mesmo tempo ela só proporciona as sensações se o condutor fizer força nas pernas, nos braços, em todo o corpo e… pensar.
Ao colocarem um motor à combustão ou elétrico nas bicicletas a tal sinergia ligada à força que se faz para ela se movimentar foi parcialmente mascarada, anestesiada. Agora um computador poderá regular partes móveis da bicicleta diminuindo a sinergia do pensar no pedalar.

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Será mesmo necessário ou mesmo importante interferir tão profundamente nessa invenção fantástica cuja relevância para a humanidade nunca diminui? Muitos avanços tecnológicos caros e complexos chegaram à indústria e ao mercado da bicicleta e não conseguiram tornar obsoleta a bicicleta tradicional. Este provavelmente será mais um.

A bicicleta é aquele veículo simples que te leva perto (ou longe), com a força de seu corpo, sob controle da mente e com o rosto ao vento, transporta suas coisas, seus sonhos, sua liberdade, acelerando seu coração e seu metabolismo para te deixar mais saudável e feliz, tudo isso de forma compacta, limpa e silenciosa, por um custo acessível e que pode até ser consertada por você mesmo! Tem algo mais inteligente que isso?

Ser original e inovador é usufruir do que a inteligência humana criou de melhor e mais acessível, democrático para facilitar nossa vida, amenizar desafios, proporcionar saúde, economia, desenvolvimento e sustentabilidade. Veja na bicicleta uma aliada como ela é e pedale que o mundo gira.

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Pedalada Entre Museus Acessíveis | maio/2023

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No retorno das Pedaladas Entre Museus Acessíveis 15 ciclistas surdos e 3 cegos inauguraram a temporada 2023 do já consagrado passeio guiado entre o Museu do Amanhã e o Museu da República. Com a renovação do projeto a previsão é de atender mais de 120 pessoas portadoras de deficiência auditiva e visual em 7 rodadas.
Como no ano passado fazemos várias paradas para pequenas e valiosas aulas sobre a história da nossa cidade maravilhosa que fica ainda mais bela quando é explorada com bicicletas.

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Na manhã do dia 20 de maio de 2023 partimos da Praça Mauá em direção ao bairro do Catete, mais especificamente para o belo jardim do Museu da República. Com paradas no Largo da Misericórdia e no Museu de Arte Moderna, educadores do Museu do Amanhã trouxeram histórias sobre o Carnaval e, com a ajuda da áudio descrição e de intérpretes de Libras, pessoas surdas e cegas são contempladas e incluídas em atividades culturais em que normalmente não conseguem participar plenamente.

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Entre Museus Acessíveis é curtir a cidade em duas rodas numa bela manhã de sábado, conhecendo parte da história do Rio, compartilhando a cidade e convivendo com pessoas tão especiais.

Preparar! Carga!

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As comemorações do Dia do Trabalhador no Parque Madureira contaram com shows, serviços,…. e uma corrida, mas uma bem diferente. A Secretaria Municipal de Trabalho e Renda e a TA organizaram uma competição de entrega com bicicletas de carga neste 1º de maio. A premiação? Uma bicicleta de carga novinha.

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Com oito inscritos e baterias de dois participantes vimos uma disputa acirrada para entregar ou buscar um saco de pedras com 15 kg num trajeto com 200 metros ida e volta. O público torceu e os ciclistas suaram para concluir cada bateria. No final um vencedor levou a bicicleta, mas todos se divertiram no evento que chamou a atenção de quem estava no Parque Madureira.

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Nos últimos anos aprendemos a conviver com o termo precarização do trabalho e o serviço de entregas por aplicativos está no meio dos debates sobre emprego, trabalho, direitos e deveres de empregadores e empregados. Dar visibilidade e valorizar o serviço de entregas por bicicletas é um dos caminhos para que a sociedade discuta o tema de modo a melhorar o trabalho cotidiano dos entregadores. O evento do Dia do Trabalhador trouxe justamente essa pauta para a data comemorativa e teve a presença do Secretário Everton, um entusiasta da bicicleta e que está colocando a ciclomobilidade e a logística por bicicleta na pauta da Secretaria de Trabalho e Renda. Secretarias como Meio Ambiente e Juventude também estiveram presentes apoiando a iniciativa.

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A bicicleta e a qualificação da pressa na vida moderna

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Campanhas e regulamentos de trânsito modernos e verdadeiramente focados na preservação da vida adotam diversas formas de acalmar os ânimos dos condutores de veículos motorizados nas ruas.
E a bicicleta? O que tem a ver com isso?
Como o veículo humanizado mais comum nas cidades o aumento do uso da bicicleta exerce um papel forte e natural na redução das velocidades praticadas por motoristas e motociclistas, sem a necessidade dos impopulares quebra-molas/lombadas e radares de velocidade.
Por outro lado, a falta de tempo é cada vez mais comum no nosso cotidiano e a bicicleta é, em várias situações, a forma mais rápida de se deslocar pelas cidades, especialmente as grandes, mas também nas cidades médias do Brasil.
Claro que ainda é preciso manter o senso de coletividade e não pedalar em uma velocidade relativamente alta nas calçadas, parques e afins. Pois aí você se torna o opressor, ameaçando a integridade de pedestres no espaço destinado para eles. Pensa bem! Não é porque algumas ruas tem trânsito hostil às bicicletas que você vai fugir para pedalar na calçada imitando a agressividade que motoristas praticam nas ruas para tornar a caminhada do pedestre menos segura.

Eis que surge e se consolida nas ruas um novo elemento, o veículo elétrico. Com poluição e ruído zero, baixíssimo custo de abastecimento e menor custo de manutenção que um motorizado a combustão, ainda que mais caros de se comprar. E, no caso dos ciclomotores e bicicletas elétricas, sem necessidade de emplacamento. Tudo isso embalado em um papel verde, bonito e brilhante de que é um veículo mais amigo do meio ambiente faz cada vez mais pessoas adotarem o elétrico. Girar a economia e atender os anseios dos consumidores é louvável, mas em meio  a tantas e boas intenções, é preciso considerar que a velocidade sempre seduziu mentes e corações.
E o elétrico, com sua forte aceleração tem conquistado cada vez mais o consciente e o sub-consciente dos seus condutores. Mas uma parcela dos humanos nascidos aqui (e o mesmo acontece em outras partes do mundo) deixa o bom senso e o espírito de coletividade em casa ou joga fora mesmo, e aí abusa. Nas ciclovias e ruas é crescente o conflito entre pedestres/ciclistas e ciclomotores elétricos conduzidos em velocidade incompatível. Aumentou a pressa e a vontade de correr, o elétrico atende a essa dupla ânsia por velocidade e o perigo é maior.
É claro que algo precisa mudar.
Com legislação e fiscalização diriam uns, com educação e conscientização diriam outros. Banir é um caminho obtuso, polêmico, adotado em algumas cidades, mas regulamentar tem sido o mais usual.
E aqui sugere-se um outro caminho.
Vamos qualificar nossa pressa, refletir sobre a relação da economia de tempo com aumento da insegurança. Até onde vale a pena correr (com elétricos ou não) para ganhar uns poucos minutos? O quanto de nossa pressa tem a ver com falhas de planejamento e organização antes de sair para algum compromisso? Sair atrasado e tentar compensar no trajeto é coerente e racional? Ou será que conduzimos rápido apenas por prazer/ satisfação com a velocidade?
Condutor de bicicleta, ou de ciclomotor elétrico, não precisa ter pressa pois será mais rápido que qualquer um no trânsito engarrafado. É um paradoxo, o veículo mais lento cumpre alguns trajetos mais rápido que os velozes a combustão. E se equilibrar a velocidade vai cumprir seu trajeto com muito mais tranquilidade, prazer e segurança, sem perder tempo. Saia mais cedo para ir mais devagar e chegar ao destino na hora desejada/marcada sem perder o tempo de aproveitar o espaço público de onde você mora, humanizando sua rua, seu bairro, sua cidade. Inverta a lógica da pressa para a lógica de qualificar seu tempo.

Vento e sorriso no rosto, mais calma na pilotagem e o trânsito vai ficar mais agradável e seguro por ação dos próprios condutores. Viva a sua cidade! Sem pressa e com gentileza!

Tem até música para embalar sua reflexão (letra abaixo):

Os curiosos atrapalham o trânsito
Gentileza é fundamental
Não adianta esquentar a cabeça
Não precisa avançar no sinal
Dando seta pra mudar de pista
Ou pra entrar na transversal
Pisca alerta pra encostar na guia
Pára brisa para o temporal
Já buzinou, espere, não insista,
Desencoste o seu do meu metal
Devagar pra contemplar a vista
Menos peso do pé no pedal
Não se deve atropelar um cachorro
Nem qualquer outro animal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Motoqueiro caminhão pedestre
Carro importado carro nacional
Mas tem que dirigir direito
Para não congestionar o local
Tanto faz você chegar primeiro
O primeiro foi seu ancestral
É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial
A cidade é tanto do mendigo
Quanto do policial
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Travesti trabalhador turista
Solitário família casal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Sem ter medo de andar na rua
Porque a rua é o seu quintal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Boa noite, tudo bem, bom dia,
Gentileza é fundamental
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Pisca alerta pra encostar na guia
Com licença, obrigado, até logo, tchau.
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual