Cidades amigáveis

Rua aberta para pessoas no centro histórico de Manaus

Rua aberta para pessoas no centro histórico de Manaus

E a mobilidade por bicicletas avança no país inteiro. Semana passada estivemos em dois eventos um em Sorocoba e outro em Manaus.

O 2º Encontro Cidades Amigáveis, realiazado em Sorocaba teve como foco principal cidades mais humanas e mais próximas das pessoas. As bicicletas naturalmente tiveram destaque especial. Uma mesa redonda formada por Goura Nataraj da Cicloiguaçu de Curitiba, Thiago Benicchio da Ciclocidade SP e Zé Lobo da Transporte Ativo.

O bate-papo girou em torno de como funcionam suas organizações e os resultados que aos poucos alcançam, tudo isso após uma bela dissertação da Natália Garcia e mediação de Alexandre Pelegi, assessor de comunicação da ANTP.

Ficou claro que as cidades amigáveis, tem nas bicicletas um grande aliado, Sorocaba já sabe disso e vem se destacando ano após ano em sua decisão de fazer das bicicletas parte do dia a dia da cidade.

Do interior de São Paulo para a Amazônia. Manaus, é uma cidade cercada de verde mas com os mesmos problemas de lixo e trânsito de qualquer grande metrópole brasileira.

A capital amazonense foi palco do 2ª Fórum da Bicicleta de Manaus, organizado pelo Pedala Manaus. Ficou claro que a cidade apesar de longe não fica pra trás no que diz respeito a participação cidadã em prol da mobilidade por bicicletas.

O Pedala Manaus vem fazendo um trabalho de deixar muita gente nas demais regiões do país de queixo caído com a eficiência e clareza de objetivos. Além de realizarem um belo evento que pela segunda vez apresenta à cidade as possibilidades das bicicletas, tem no dia a dia tido uma excelente relação de troca com o poder público.

Para esta edição do Fórum levaram três vertentes da promoção ao uso da bicicleta para falar aos manauaras, o projetista Antonio Miranda, Renata Falzoni, dispensa apresentações e Zé Lobo da Transporte Ativo. Cada um em seu estilo procurou apresentar tudo que a bicicleta tem a oferecer às cidades.

Em ambos os eventos e cidades, com formatos e perfil geográfico totalmente distintos um ponto em comum, Os benefícios que as bicicletas podem trazer para as cidades modernas e as do futuro.

O uso do espaço urbano por veículo

Espaço ocupado por uma pessoa a pé, em bicicleta, carro, ônibus e ônibus articulado

Espaço ocupado por uma pessoa a pé, em bicicleta, carro, ônibus e trem

Qualquer discussão sobre circulação urbana deveria começar com o gráfico acima. Nele está estampada de maneira clara o uso do espaço público de circulação de uma única pessoa de acordo com o meio de transporte escolhido.

O pedestre é o mais lento e o que menos espaço ocupa para circular, menos de 1 metro quadrado. Já um condutor dentro de um automóvel particular ocupa 60 metros quadrados de espaço público para circular a uma velocidade média de 40 km/h. Em velocidades maiores esse espaço é ainda maior. Mas a demanda crescente por espaço dos próprios automóveis reduz a circulação de todos causa congestionamentos e diminui a velocidade dos motorizados nas ruas nos horários de pico.

O problema da (i)mobilidade urbana está nas ruas todos os dias. Para construir e inspirar soluções, está no Studio-X Rio a exposição “Ciclo Rotas Centro – Uma malha cicloviária para o Centro do Rio de Janeiro“, onde é possível ver o gráfico que ilustra esse post e muito mais.

malha-cicloviaria-rio-de-janeiro

A exposição fica aberta até o dia 01 de novembro de 2013 e o Studio-X Rio fica na Praça Tiradentes, 48.

A maior conferência sobre bicicletas

O VeloCity 2013 foi o maior de todos até hoje. Mais de 1300 participantes com uma diversidade gigantesca de perfis, nacionalidades, idéias, soluções, resultados, apresentações. Viena foi o palco que uniu o “mundo da mobilidade por bicicletas”. Do ativista ao prefeito, do usuário ao fabricante/projetista.

O grande destaque foram as políticas de redução de velocidade dos motorizados nas ruas. O tema nunca havia sido abordado de forma tão ampla rendeu as palestras e plenárias mais aplaudidas do evento. 30Km/h, um número mágico para a mobilidade urbana.

Foi também o ano da logística ou “cyclelogistcs”, tema amplamente abordado, uma das tendências mais fortes que o evento apresentou. Com orgulho estávamos lá com a pesquisa realizada há dois anos em Copacabana e que teve resultados surpreendentes. Do “quintal de casa”, uma pesquisa vencedora do prêmio Visionary Award.

O tema de 2013 foi “The Sound of Cycling, urban cycling cultures”, buscava mostrar as diferentes culturas da bicicleta que interagem e promovem cada vez mais seu uso, isso em pleno berço da música clássica em um ambiente onde cultura e música estão no ar e nas ruas.

Já o clima entre os participantes do evento era aquela sensação de ter muita gente boa ao redor do mundo vibrando na mesma sintonia. Uma sensação de que sim, um mundo mais amigo da bicicleta é possível. E claro, que cada vez mais as cidades e países tem investido na bicicleta e decretado o fim da velha mobilidade.

É apenas uma questão de tempo e de como acelerar o processo.

Fórum Internacional de Mobilidade Urbana

Nos dias 03 e 04 de abril de 2013, a Transporte Ativo esteve presente no Fórum Internacional de Mobilidade Urbana que aconteceu no Hotel Majestic em Florianópolis, Santa Catarina.

O Fórum contou com a participação de Gil Peñalosa do 8-80 Cities, do Canadá, e Ton Daggers da rede Cities for Mobility, da Holanda, além de outros especialistas e representantes de empresas do ramo.

Ambos os dias foram repletos de palestras onde foram relatados exemplos e estudos de caso sobre mobilidade urbana em diferentes localidades. Também foram realizadas apresentações sobre variadas soluções de transporte de massa aplicadas em diversos lugares do mundo e novas possibilidades para velhas e já conhecidas tecnologias, como monotrilhos e teleféricos.

A mobilidade por bicicletas foi tema central da palestra proferida pelo holandês Ton Raggers que apresentou e defendeu a utilização das bicicletas PEDELC, as “elétricas de pedal assistido” como são conhecidas aqui no Brasil, para a promoção e difusão da bicicleta como meio de transporte de cargas e pessoas. Tratou também da importância da bicicleta como parte de um sistema de transporte público, falou sobre as rodovias para bicicletas e encerrou sua explanação concluindo que é necessário treinamento e capacitação, dos técnicos e decisores públicos, para implantação de um cenário favorável a mobilidade por bicicleta nas cidades.

Um encontro em prol da bicicleta no Brasil

Foto: Luciano Aranha - Ciclourbano

Foto: Luciano Aranha – Ciclourbano

O workshop “A promoção ao uso da bicicleta no Brasil” começou com doze horas de contagem de ciclistas. Foi trabalho, mas também socialização e aprendizado dentre as 15 organizações participantes.

Durante a contagem, foi possível que os participantes pudessem se conhecer e conhecer também um pouco de como a Transporte Ativo trabalha, com simplicidade e eficiência.

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O primeiro dia de palestras começou com a participação do poder público municipal. Conversamos com o secretário Municipal de Transportes Carlos Osório e o subsecretário do Meio Ambiente Altamirando Moraes. Ambos falaram sobre a importância que a bicicleta ganhou nos últimos anos para a cidade e também sobre o papel fundamental que a sociedade civil tem como impulsionadora da mobilidade em bicicleta.

Ainda na manhã do primeiro dia aprendemos sobre a vibração que produz mudanças com o Luiz Felipe Carvalho da PUC-Rio, soubemos como funcionam as parcerias entre organizações do terceiro setor com Clarisse Linke do ITDP-Brasil e por fim Carolina Rivas nos falou sobre como o banco Itaú-Unibanco, patrocionador do evento, forma parcerias com atores relevantes do terceiro setor.

A tarde do primeiro dia foi reservada para a apresentação de quem faz a Transporte Ativo bem como de algumas das metodologias de trabalho.

O segundo dia premiou a todos com as apresentações dos quatro grupos selecionados para participar do workshop com todas as despesas pagas. Eles trouxeram um pouco da sua realidade local e o papel que buscam desempenhar em suas cidades para aumentar o número de ciclistas nas ruas.

Ao final do dia, alguns dos ciclistas fizeram um tour da infraestrutura cicloviária da Tijuca, na Zona Norte do Rio, numa pedalada de aproximadamente 30 quilômetros por ruas, ciclovias e ciclofaixas cariocas.

O evento agora segue, e cabe a cada um dos participantes disseminar aquilo que aprendeu para os ciclistas em suas cidades. Reforçar os caminhos corretos percorridos até aqui e a força que temos juntos para mudar a realidade atual.

A sociedade civil tem uma força fundamental e com foco, parcerias e organização, é capaz de impulsionar as mudanças que tantos querem, e precisam, na realidade das nossas cidades, sem esperar passivamente os esforços governamentais, mas pressionar para que a administração pública abrace cada vez mais a bicicleta.

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Leia como foi a contagem na Figueiredo de Magalhães. Leia a cobertura no portal Mobilize, o relato da Ciclo Urbano e o relato do Kiko Zaninetti – Btt Geraes.