Estacionamentos de Bicicletas no Rio de Janeiro

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Seguro e bem localizado – Botafogo Praia Shopping

A Transporte Ativo nas últimas semanas fez uma vistoria em alguns shopping centers da cidade, principalmente na Zona Sul e na Barra. Buscamos saber quais se enquadraram a Lei Complementar nº 77 de 22 de abril de 2005 que dispõe sobre a obrigatoriedade em destinar áreas para estacionamento de bicicletas em shopping centers e hipermercados no município do Rio de Janeiro. Em 2015 esta resolução foi substituída pela Lei Complementar nº 195 de 9 de outubro de 2018, que amplia o escopo da legislação para qualquer local com grande afluxo de público e não mais apenas locais de compras como supermercados e shopping centers.

O resultado foi surpreendente, visitamos 24 dos 50 shoppings apurados, destes 75% possuíam bicicletário e do total de 50, 78% tinham o equipamento, ainda que nem sempre adequado. Quase todos eles são sub-utilizados. Principalmente devido a falta de divulgação e a alguns problemas técnicos como modelo de paraciclo e localização dos mesmos.

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Bicicletário bastante utilizado – Casa Shopping

O relatório completo sobre as visitas já foi entregue a Prefeitura em reunião do Grupo de Trabalho (GT) Ciclovias. Uma versão para download está disponível.

Acreditamos que a divulgação da existência destes bicicletários leve mais pessoas a utilizarem as bicicletas para irem aos Shopping Centers. Portanto, aos ciclistas do Rio de Janeiro, fica o convite para complementar a lista de shoppings. Vale também procurar a administração dos estabelecimentos e pedir para que os estacionamentos de bicicletas sejam melhor localizados e de boa qualidade. A lista de estabelecimentos, que possuem, apurada pela Transporte Ativo pode ser baixada do site e o modelo padrão aprovado pela prefeitura está disponível aqui.

Aos interessados em instalar um estacionamento para bicicletas com qualidade, disponibilizamos uma tradução de um manual inglês de implementação de bicicletários.

BarraShop

Um exemplo improvisado – BarraShopping

Ética do Transporte

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Caricatura Pedro Eboli

Um grupo de congregações cristãs nos EUA lançou a campanha “O que Jesus Dirigiria?”

http://whatwouldjesusdrive.org/

O mote é que o transporte é uma questão moral. O site menciona a importância de caminhar, usar a bicicleta e o transporte público. Coloca também bastante ênfase na pressão por combustíveis mais eficientes.

Não há no entanto bio-combustível mais adequado do que é a dupla arroz-com-feijão, que alimenta o motor do veículo mais energeticamente eco-eficiente que as mãos do homem já criaram, a bicicleta.

Bicicletas em São Paulo

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Foto Zé Lobo

Foi oficializada ontem a criação do Plano Cicloviário da cidade de São Paulo após ser sancionado o projeto de lei 599-05, aprovado pela Câmara Paulistana em 2006.

Trocando em miúdos, a lei 14.266 funcionará com um ponto de partida e uma linha mestra para a condução das futuras políticas de inserção da bicicleta como meio de transporte na capital paulista. Principalmente pelo fato de não haver qualquer punição.

Aos poucos os legisladores brasileiros estão agindo em prol da maioria de usuários de bicis do país. De acordo com dados da Abraciclo, 53% do mercado nacional de bicicletas é para transporte. A frota total é de aproximadamente 60 milhões de veículos, com uma produção anual de 5 milhões de unidades, o que nos torna auto-suficientes em relação a produção de bicicletas. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial e o quinto maior consumidor.

> Maiores informações sobre a lei:
Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente (SVMA)
Apocalipse Motorizado.

A questão Cicloviária

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Foto Zé Lobo

Uma ciclovia recém-construída e subutilizada em Portugal foi motivo para um email notadamente contra a construção pura e simples de ciclovia.

A questão é polêmica e tem defensores e opositores ferrenhos e com argumentos fortes em ambos os lados. Seja como for, o importante é que mais e mais pessoas possam utilizar a bicicleta com segurança. E acima de tudo, que o sistema viário das cidades seja pensado para transportar pessoas de maneira saudável, para ela e para o planeta.

Um argumento contra ciclovias diz simplesmente que elas “não deveriam existir”. Em seu lugar, deveria haver a cultura de se compartilhar as vias. No entanto, nas palavras do ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa, a construção de ciclovias funciona como um símbolo de que um cidadão numa bicicleta de 30 dólares tem os mesmos direitos que um motorista num carro de 30 mil.

Por hora, argumentos anti-ciclovia.

Ora bem, o que aconteceu com a ciclovia de Odivelas não surpreende ninguém que utilize a bicicleta no seu dia-a-dia, pois as ciclovias , nomeadamente em meio urbano, só servem para gastar dinheiro e deseducar as pessoas, pois cria-se a ideia de que as bicicletas só podem circular no passeio (completamente errado e até ilegal) ou se houver uma risca a separá-las dos carros!

Os promotores das ciclovias, aproveitam-se de um medo irracional – sim irracional, pois todos os estudos indicam que as probabilidades de acontecer são muito baixas – de sermos (os ciclistas) colhidos por trás; com isso aumentam as probabilidades de acidentes que mais acontecem: nos cruzamentos e devido a ciclistas andarem na contra mão – o que normalmente aumenta sempre com as ciclovias!

A ideia das ciclovias começa logo inquinada, pois baseia-se na segregação!
Esta, segregação de veículos, nunca veio melhorar as condições de segurança mas serve simplesmente para permitir que os automóveis circulem mais depressa; continuam colocando as bicicletas junto às bermas, onde existem muitos obstáculos desde as sarjetas, passando aos carros estacionados, as portas dos carros estacionados e todo o lixo que os carros ao passar vão limpando da estrada para as bermas.

O melhor método para melhorar as condições de circulação para as bicicletas (e também para todos os outros utilizadores) é simplesmente a educação:
Educar todos os condutores – independentemente do veículo seja ele bicicleta, automóvel ou camião – a respeitar as regras de trânsito, nomeadamente as velocidades!
Educar para que todos saibam como se comportar quando se cruzam com um tipo de veículo diferente: os condutores dos automóveis, sobre como devem reduzir a velocidade quando encontram um veículo mais lento e no espaço que devem deixar quando o vão ultrapassar, e os condutores das bicicletas como se devem posicionar na estrada tendo em atenção para onde se dirigem – nos cruzamentos só se devem encostar à direita os veículos que vão virar nessa direcção, coisa que as ciclovias simplesmente não permitem, aliás até colocam os diversos veículos numa posição incorrecta!

Se a Câmara de Odivelas quer realmente melhorar as condições de circulação para as bicicletas então sugiro o meio mais simples de todos: servir de exemplo!
Podem começar por colocar alguns parqueamentos para bicicletas à porta da edilidade e de outros locais de interesse – serviços municipais, juntas de freguesia, estações dos correios, etc. – e o Sr. Vereador (e restantes membros da Câmara, eleitos e não só) começar a ir de bicicleta para a Câmara e indicar à polícia municipal para começarem a ter uma atitude educativa neste aspecto, chamando a atenção dos condutores (todos eles) que estacionam de modo a impedir a circulação, andam em contramão ou no passeio, queimam sinais vermelhos e sinais de STOP, andam em excesso de velocidade fazendo com que os outros utentes da via pública tenham medo – é a expressão correcta – de utilizar as vias, etc.
Finalmente, outro ponto onde podem incentivar a utilização da bicicleta é se começarem a trabalhar no intuito de que as empresas transportadoras (nomeadamente o Metropolitano) permitirem que as pessoas levem a bicicleta consigo quando vão para o trabalho, ou seja nas horas de ponta!

Por último sugiro que, antes que qualquer medida neste assunto seja tomada, se contacte a FPCUB (Federação Portuguesa de Cicloturismo e UTILIZADORES de BICICLETA), porque para além de serem representantes de facto dos utilizadores de bicicleta, são também conhecedores da problemática.

Cumprimentos,
Frederico Bruno Ferreira
http://www.VouDeBicicleta.eu

Ligações de interesse sobre o assunto:
FPCUB
Vehicular Cycling
John Franklin, Cyclecraft

Grupo Anti-Ciclovia da Espanha.

A Importância dos Estacionamentos

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Não basta a paisagem.

Foto Edu

A falta de confiança na bicicleta como meio de transporte tem basicamente dois grandes motivos: a insegurança no trânsito (e aqui se incluem maus motoristas, incivilidade do brasileiro, falta de ciclovias) e a ausência de locais seguros para guardar a bicicleta. Este segundo problema é o mais fácil de ser atacado tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada.

Contudo, mesmo quando há boas intenções e a prefeitura ou loja/escola/clube instala um paraciclo, o que temos geralmente é uma péssima tradição de instalar suportes mal-feitos, uns trem bem xinfrim e pobrim, feitos de vergalhão e que mal prendem o pneu da frente de uma bicicleta.

Como ativistas e defensores, devemos bater firme nesta tecla e divulgar a cultura não só de “ciclovias” mas de paraciclos bem feitos e bem instalados. O suporte tipo inglês (ou Sheffield) é aprovado por associações de ciclistas tanto na Inglaterra quanto nos EUA. Para irmos na mesma linha, foi traduzido o folheto “Bicicletários” do Sustran-UK. Com a mesma intenção, já foi iniciada a tradução de outro texto técnico semelhante: o folheto da Associação Americana de Pedestres e Ciclistas Profissionais, cujo original em inglês já está na página da TA.

Estes dois folhetos contém tanto explicações claras e precisas sobre o que fazer e o que não fazer, bem como trazem especificações técnicas muito úteis para que possamos sair do bla-bla e ajudar efetivamente na prática. O que me falta apenas é saber qual seria o custo de um suporte deste, aqui no Brasil. Antes de finalizar a próxima tradução, irei numa serralheria para colher preços aproximados. Se tivesse preços de outras cidades, poderíamos fazer uma média nacional e adaptarmos os folhetos para nossa realidade, que tal?

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Paraciclo adotado como padrão pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
Foto do dia em que foi apresentado à TA.

Zé Lobo