São Paulo, pelas bordas

Fim de Tarde na Paulista

São Paulo, maior pólo econômico da América do Sul. Com uma frota de 6 milhões de veículos automotores a cidade está parando. A pujança econômica, as facilidades de crédito e inúmeros incentivos fazem com que a cada dia quase 1.000 novos motores a combustão passem a girar na cidade. Com 17 mil quilômetros de vias, espaço é o maior problema nas ruas e avenidas.

A cidade foi pensada e modificada para o uso intensivo de veículos particulares. Facilidades de estacionamento, distâncias não ideais para se percorrer a pé. Nesse contexto um movimento lento se consolida e certamente tende a crescer. O uso do mais eficiente veículo particular já inventado, a famosa bicicleta.

Mesmo sem ainda receber a importância devida das autoridades, é possível ser ciclista em São Paulo.

O ano de 2008 já está na sua décima primeira semana e com uma pedalada de cada vez, é possível achar espaço nas bordas. Hospedar-se em um hotel e levar a “companheira” para o quarto:
No Hotel

aproveitar a baia de estacionamento nos shoppings e estacionar a bici:
No Shopping

nas lojas de rua entrar com a magrela para fazer compras.
Travesseiros Novos

São Paulo é grande demais, deve ser desfrutada aos poucos, uma pedalada de cada vez e lembrando de nunca buscar ter consigo mais do que se pode carregar.

Somente sendo livre é possível ser feliz na selva de pedra.

Na rua com Maiakóvski


Na primeira noite nós nos aproximamos
com nossa bicicleta e
plantamos um jardim.
E não dizem nada.
Na segunda noite, já não nos escondemos;
andamos por pontes
e bicicletários
e não dizem nada.
Até que um dia,
o mais frágil de nós
pedala sozinho na rua,
toma de volta a luz da cidade, e,
conhecendo a liberdade,
arranca-lhes a voz da garganta.
E já não podem dizer nada.

Alusão e reconstrução do famoso trecho do poema “No caminho com Maiakóvski”, de Eduardo Alves da Costa.

Bicicleta é saúde


7 de abril é o Dia Mundial da Saúde. O tema deste ano é ‘Protegendo a saúde frente às mudanças climáticas’.
Já se sabe há muito tempo que a bicicleta é ótima para a saúde das pessoas.

A novidade agora é ver a bicicleta como boa para a saúde das empresas. Rapidez, eficiência, satisfação dos clientes e redução de custos. Empresas como algumas seguradoras e as que prestam serviço de courier estão descobrindo os benefícios econômicos do uso da bicicleta. O transito tornou-se um devorador de tempo e dinheiro, por isto nada mais óbvio do que adotar a bicicleta como forma eficiente e limpa de se deslocar pelas cidades. Faz bem para a imagem e reduz os custos das empresas.

Para as pessoas que usam ou querem usar a bicicleta por questões de saúde, são muitas as informações sobre o assunto, na internet, em revistas, livros. Mas grande parte destas informações estão dispersas, ou geralmente focam apenas o uso da bicicleta por atletas.
Porém, não importa para quê usar a bicicleta, lazer, esporte ou transporte. Pedalar faz bem para todo mundo e em qualquer ocasião! Pensando nisto, a Transporte Ativo elaborou o folheto Bicicleta é Saúde, com as principais vantagens que a bicicleta traz para a saúde das pessoas, sobretudo agora quando o excesso de automóveis acelera o aquecimento global.

Vá de bicicleta, cuide da sua saúde e ajude a reduzir a poluição nas cidades. Consulte o folheto e use sem moderação.

Sementes para o futuro

A cultura do automóvel encontrou terreno fértil no Brasil.
A matriz exploratória como se faz a ocupação da terra em nosso país desde sua origem, firmada em monocultura e latifundios, lançou profundas raízes em toda a organização social brasileira. A forma como urbanistas e governos pensaram nossas cidades, sobretudo após a década de 50, é uma mera transplantação urbana das práticas latifundiárias mais perversas.
Assim como nas fazendas dos barões, de café ou de soja, nossas cidades são uma imensa e vasta plantação de automóveis. Margens dos rios, passeios, veredas, praças e quintais, tudo está sendo explorado em benefício de uma minoria, cada espaço urbano é planejado e feito para que mais carros sejam colocados nas ruas.
Mas como toda monocultura latifundiária traz dentro de si o germe da sua destruição, os malefícios da monocultura do automóvel estão ficando cada vez mais evidentes.

Vamos plantar bicicletas!
A terra está exaurida e cheia de vossorocas, um vento ressequido de CO2 e enxofre torna nossas cidades um deserto de asfalto e petróleo. Mas nossa plantinha é resistente. Melhor de tudo, ela se adapta facilmente a qualquer clima e relevo.
Vamos plantando uma semente de bicicleta aqui e outra ali. Com o tempo as sementes brotam e vão crescer plantinhas. Basta ter o cuidado de regar e adubar, sempre. As árvores vão crescer e elas próprias vão dar novas sementes, que cairão no chão ou serão levadas por passarinhos. Assim, em volta daquela primeira árvore de bicicleta, nascida com tanto sacrifício, haverá outras tantas brotando, e mais outras e outras. Um dia, as cidades serão uma floresta de bicicletas.

 

 

Incentivos para os Ciclistas

Muitas cidades pelo mundo afora estão descobrindo que a bicicleta faz parte da solução para uma cidade melhor. Mas o que fazer para beneficiar os ciclistas e incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte?
A Cycling Advocates’ Network (CAN), entidade que atua em favor das bicicletas na Nova Zelândia, elaborou um guia que sintetiza as principais medidas que podem ser tomadas para incluir a bicicleta no sistema de trânsito. Destinado principalmente aos prefeitos e técnicos que lidam diretamente com o trânsito, o guia é leitura obrigatória também para quem quer convencer o poder público a valorizar a bicicleta nas cidades.

O guia foi traduzido para o português com autorização da CAN, e está disponível no site da Transporte Ativo:

> 50 maneiras de favorecer os Ciclistas.