Ser Ciclista é Ser Andorinha

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Ser ciclista em São Paulo é ser um pouco do contra, é viver a vida como em um poema de Mário Quintana. É ser andorinha antes da chegada do verão. Não se está sozinho, mas o momento histórico ainda não chegou ao ápice das andorinhas voando em grandes massas.

O fato de estarmos no hemisfério sul talvez seja uma explicação razoável. Na Europa cada dia mais vive-se uma “primavera ciclística” com as ruas das cidades cada vez mais sendo pensadas para bicicletas e pedestres. Lá em breve chegará o verão e as andorinhas juntas em forma de bicicleta dominaram a paisagem. Nós cá mais ao sul estamos talvez no outono e a moda da bicicleta ainda está para chegar as massas e ganhar totalmente as ruas.

Felizmente o momento cada dia mais é favorável para se pedalar nas cidades. Trata-se de uma tendência irreversível que ganha volume a cada dia. Ainda que muitas vezes a realidade das ruas possa ser dura e um ciclista urbano tenha de se deparar com situações desagradáveis, os motivos individuais e coletivos para a bicicleta seja mais utilizada estão dados. Os benefícios das pedaladas cotidianas são de fundamental importância para uma mudança de rumo necessária para as pessoas e a sociedade como um todo.

Fica a homenagem ao colega ciclista Vitor do nossoquintal.org que passou um aperto hoje.

POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana

Uma Ponte, Uma Cidade

Em uma única ponte cicloamigável em Portland, aproximandamente 7 mil ciclistas por dia, ou 20% de todo o tráfego na ponte em apenas 10% do espaço. Trata-se do reflexo de que algo muito certo está sendo feito naquela cidade e que cada dia mais as bicicletas se tornam parte da paisagem e principalmente, do planejamento urbano.

Definitivamente um exemplo a ser seguido e mais uma prova de que uma cidade que pensa e promove o uso das bicicletas garante mais qualidade de vida para toda a população.

Um pouco mais de informação sobre segurança viária para ciclistas: “Improving Bicycle Safety in Portland“. Um documento de 2007 produzido pela autoridade de trânsito local.

Le Bikeour

Seria o Biketrial a versão ciclística do Le Parkour? O nome do artista é Danny MacAskill.

Utilizar o mobiliário urbano, gradis, bancos escadarias, cancelas. Voar por cima de tudo pedalar em lugares inimagináveis. Não é um uso comum a bicicleta, requer muita prática e habilidade, mas a plasticidade das imagens é acessível a todos.

Pedalar como meio de transporte é uma atividade bem mais acessível, mas o vídeo apenas comprova que não é também o único uso para as magrelas.


Via @lucianocoelho, visto no blog Update or Die.

Dez Mandamentos para uma Cidade Melhor

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  • 1° Serás um cidadão solidário; darás valor aos intereses coletivos; serás sensível às necessidades de seus semelhantes.
  • 2° Não descuidarás de teu ambiente. Cuidarás de mantê-lo sempre limpo e seguro; nunca o poluirás e deixarás que o degradem.
  • 3° Não vilipendiarás o espaço público.
  • 4° Obedecerás às leis, exigirás reformas, permanecerás crítico e ativo.
  • 5° Respeitarás teu próximo e teu distante. Nada farás que incomodaria a ti mesmo, como cidadão.
  • 6° Exigirás teu lugar na tua cidade. Tomarás o espaço público também como teu.
  • 7° Lutarás pela recuperação da paisagem natural de tua cidade.
  • 8° Respeitarás o ambiente público como público. Exigirás das autoridades públicas o cumprimento de seus deveres na fiscalização, manutenção e melhoria de sua cidade.
  • 9° Circularás a pé pelo bairro onde moras e onde trabalhas. Frequentarás seus bares, as lojas, os restaurantes, cinemas, teatros, museus e galerias. Privilegiarás a rua como lugar de passeio e convívio.
  • 10° Nunca desistirás de tua cidade.

Esses mandamentos fazem parte do artigo: “O Caos se(m) cura – Dez Mandamentos para uma cidade combalidade.” Escrito por Sergio Kon e publicado no livro: “A (Des)construção do Caos: Propostas Urbanas para São Paulo” – Sergio Kon e Fábio Duarte (orgs.) – Editora Perspectiva.

Dê Uma Chance à Bicicleta

“Give peace a chance” foi a primeira canção solo de John Lennon, ainda quando os Beatles tocavam juntos. A música marcou a entrada de Lennon no ativismo e foi usada como hino do movimento contra a Guerra do Vietnam, em 1969. Ao lado de Happy Xmas tornou-se um dos maiores sucessos da dupla Lennon&Yoko e continua tão atual e necessária quanto naquela época.

Se o trânsito nas cidades tornou-se uma “guerra” todo dia, tudo o que a gente diz nesta releitura da canção é: dê uma chance para as bicicletas.

Ev’rybody’s talking about
Traffic jam, pollution, road rage, climate change, global warming
This-ism, that-ism
Isn’t it the most
All we are saying is give bicycle a chance
All we are saying is give bicycle a chance

Ev’rybody’s talking about
Lung cancer, obesity, car crash, children killed, women crying,
run over, man injured, quadriplegic, tetraplegic, paraplegic,
And bye bye, bye byes.
All we are saying is give bicycle a chance
All we are saying is give bicycle a chance

Let me tell you now
Ev’rybody’s talking about
motorway, highway, SUV, green cars, biofuel, pavement parking
crisis, industry, IPI, buy cars and save the nation!
All we are saying is give bicycle a chance
All we are saying is give bicycle a chance

Ouça a canção original aqui..