Aproveite o Dia

wallpaper TA de abril
Entramos em novo mês. Como diz o provérbio latino, tempus fugit. Os dias passam, os dias voam. Muita coisa já foi feita, muito há o que fazer.

Fazendo uma releitura de outro ditado latino, ars longa vita brevis, a vida é breve, mas as bicicletas vieram para ficar.
E para acompanhar a mudança dos dias com bicicletas, instale na tela do seu computador o wallpaper de abril, da série Benefícios da bicicleta o ano todo.
Veja aqui.

Buenos Aires, Europa Sulamericana

Buenos Aires apresenta características marcadamente européias. Uma mistura de Barcelona, Madri e Paris. Os prédios, as amplas avenidas, os parques. Até mesmo os portenhos são fisicamente mais europeus do que a população brasileira.

O perfil histórico é complexo mas estão lá os traços europeus no urbanismo, na fisionomia das pessoas e em suas roupas. Mas nada disso é “puro” ou simples mimetismo. Só a presença de imigrantes italianos e espanhóis em um mesmo território já traria características únicas. Mas a mistura com os nativos e entre os imigrantes aconteceu. Ainda que tenha sido bastante diferente da que ocorreu no Brasil.

Talvez o caracter tão europeu da população seja o motivo da melancolia Argentina, dos tangos, da rebuscada arquitetura. A necessidade de aproveitar o sol nos parques no outono também é comum na Europa. E aí está a interseção entre o urbanismo portenho e o caráter majoritariamente europeu dos seus habitantes.

Buenos Aires é uma cidade que tem espaços públicos de grande valor. Um cidade que se desenvolveu ao longo dos anos e hoje é o centro da segunda maior região metropolitana da América do Sul. Mas ao mesmo tempo soube preservar espaços de qualidade para as pessoas.

Não são só os parques que impressionam, mas as amplas avenidas e o traçado das tranquilas e arborizadas ruas secundárias. A cidade durante anos foi capaz de preservar um caráter fundamental de uma grande metrópole, ser um local agradável de estar e de circular.

O Brasil, maior pais do continente, tem duas cidades de nível mundial. No entanto em diversos aspectos tanto São Paulo, quanto o Rio de Janeiro tem muito a aprender com Buenos Aires. A construção das “cidades globais sulamericanas” é certamente fundamental para fortalecer aos países e também ao Mercosul.

Toda e qualquer cidade de projeção mundial precisa ser um ambiente que possibilite a realização de negócios, mas precisam acima de tudo serem lugares em que se possa circular e que seja agradável viver, trabalhar, ou visitar.

Bicicletas Portenhas

Buenos Aires é uma cidade planejada, com amplas avenidas e ruas transversais arborizadas. Sofisticada e cheia de personalidade a capital Argentina está também repleta de bicicletas. Trancadas em postes, circulando pelas ruas tranquilas e nas grandes avenidas. Nas pistas preferenciais para bicicletas ou dentro dos parques.

Assim como no Brasil, aparentemente as magrelas ainda são novidade para os portenhos e precisam ser incluídas no planejamento urbano da cidade. Fazem falta principalmente os bicicletários. E como os ciclistas não são bobos, as trancas sólidas em U são maioria absoluta.

Confira mais mensagens curtas e links sobre Buenos Aires no twitter da Transporte Ativo.

Barreiras Psicológicas

Instalar bicicletários e construir ciclovias até pode incentivar pessoas a mudarem rotinas diárias, trocando o automóvel pela caminhada ou bicicleta. As cidades precisam disto, o planeta depende disto, a própria saúde física e mental das pessoas exige isto pra já, mas a grande barreira a ser vencida não está fora das pessoas, mas dentro delas.

Mudar hábitos significa passar por 3 fases distintas:

  • adquirir conhecimento
  • mudar de atitude e
  • mudar de comportamento.

Primeiro, as pessoas precisam ser convencidas racionalmente, com argumentos lógicos, explicações, números, conhecer os benefícios de andar a pé ou de bicicleta e os males causados pela dependência do automóvel. Isto é facílimo de fazer, há dezenas de estudos científicos comprovando os benefícios da bicicleta e da caminhada, e outro tanto de estatísticas oficiais apontando a rua sem saída entupida de automóveis e mortos atropelados.

Depois, o conhecimento adquirido precisa mudar sua atitude perante o problema. Atitude pode ser definida como “aquilo que estamos dispostos a fazer”. No caso do trânsito, uma mudança de atitude pode ser percebida quando você disser ou pensar: não vou encontrar vagas, vou ficar no engarrafamento… bem que eu poderia ir de bicicleta. É uma disposição para agir de uma maneira e não de outra. Esta fase passa por caminhos psicológicos mais densos, que exigem uma percepção diferente da realidade. Hoje todo mundo tem uma atitude positiva com relação às bicicletas, até mesmo os governos e prefeituras.

Ainda assim, parece ser tão difícil que as pessoas nas ruas e as pessoas dentro dos governos mudem seus hábitos e percepções e adotem a bicicleta como solução para sua vida e para nossas cidades. Na verdade, isto exige uma mudança de comportamento. Atitude é intenção; o comportamento é ação. Se mudar de atitude já exige certas escavações psicológicas, mudar comportamento é algo extremamente bem mais complexo e profundo. O ditado popular diz com sabedoria que “é grande a distância entre intenção e gesto”.

As grandes tranformações fracassadas esbarram sempre em mudanças de comportamento, pois estas dependem da personalidade de cada pessoa, da imagem que cada um tem de si, dos estereótipos e das reações condicionadas, e dos sentimentos e emoções envolvidos no processo. Por exemplo, experimentar a sensação de liberdade e o prazer de pedalar é mais decisivo do que saber quantas toneladas de CO2 um carro lança no ar por mês. De outro lado, estereótipos como “bicicleta é para atleta” ou “de carro vou mais rápido” ou “não posso chegar suado no trabalho” são barreiras psicológicas quase intransponíveis se não forem confrontadas adequadamente. Ciclovias e bicicletários, por exemplo, não serão respostas satisfatórias para a necessária mudança de comportamento nestes casos.

Esta mudança virá como crianças pequenas aprendendo a pedalar: a bicicleta está ajustada e a rua livre, alguém do lado dá incentivo, apoio e segurança, mas, sem vencer medos e bloqueios internos, toda tentativa de mudar será frustante.

Carro de Luxo ou Bicicleta?

É possível ter um automóvel de luxo na garagem e ir de bicicleta para o trabalho. A Holanda é famosa por suas bicicletas e a geografia do país explica em parte esta opção por um transporte que exige pouco espaço urbano. Mas a adesão pela bicicleta entre os holandeses também decorre de mudanças de atitude das pessoas e intensa promoção do uso da bicicleta.

Uma série de vídeos produzidos pela NFTA é exemplo disto. Entre eles há um vídeo especialmente bonito:

A frase que aparece no final, diz: “Se gostamos tanto de pedalar, por que ficar presos em engarrafamentos? Vá de bicicleta para o trabalho – uma boa idéia!”

A trilha sonora é um trecho da canção “Op Fietse” (De bicicleta), com forte pegada folk estilo Bob Dylan, gravada em 1997 por uma banda chamada Skik. A letra da canção fala como é maravilhoso pedalar, ir para qualquer lugar sentindo o vento pelas florestas e margens dos rios da Província de Drenthe, situada no nordeste da Holanda.
A música fez sucesso e entrou para a lista das mais tocadas. Veja o clipe:

Então, deixe seu carro na garagem e vá de bicicleta!

  • Mais:
    A view from the cycle path