O paraíso das bicicletas se prepara

Em Copenhague, 37% das viagens para estudos ou o trabalho, são feitas em bicicleta. A cada nova ciclofaixa, o trânsito de bicicleta cresce 20% e o de motorizados diminui em 10% na via.

Além de tudo isso, de 22 à 25 de junho, a cidade sediará o Velocity Global 2010. Nada menos do que a maior conferência de bicicletas do mundo. Dentre os participantes, estarão três promotores da bicicleta do Brasil. Zé Lobo, pela TA, Leandro Valverdes em nome da Ciclocidade e o Cláudio Silva, do programa Bicicleta Brasil do Ministério das Cidades.

Boas pedaladas para quem embarca e que as cidades do mundo seja a cada dia um pouco mais Copenhague.

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Enxurradas urbanas

Quando a bicicleta é a opção, devagar e sempre, vão todos.

De trem, movem-se no ritmo das composições que vem e vão.

Congestionamento, originally uploaded by kassá.

Na enxurrada de carros, ninguém se move.

Cento e cinquenta pessoas em de Bogotá. Com ruas inteligentes a cidade pode ser de poucos, de muitos, ou de todos.

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Estilo para promover a bicicleta

Pessoas bem vestidas, pedalando. Um premissa simples que se alastrou pelo mundo. “Cycle chic” produz mais de 150.000 resultados de busca na internet. O termo se espalhou e para além das palavras, tornou-se comum defender o ato de pedalar como atitude estilosa.

Tudo começou com a foto acima, tirada em Copenhague, onde pedalar é norma e não exceção. Onde não existem cicloativistas, apenas ciclistas. Cidade onde a bicicleta está consolidada há muitos anos como veículo urbano e exatamente por isso é comum na paisagem.

Quase três anos depois dessa primeira foto, a Dinamarca tem embaixada das bicicletas e o mundo a cada dia pedala mais um pouco.

O “movimento” cycle chic e sua incipiante transposição para o Brasil traz uma renovação necessária para o esteriótipo de ciclistas como esportistas, excentricos ou miseráveis.

Pedalar é simples, é prazeroso, é para todos e não requer manual de instrução. Basta apenas que a cada dia, poder público, iniciativa privada e sociedade civil incentivem facilidades para quem pedala.

Os benefícios irão além de simplesmente termos mais ciclistas. Bicicletas são capazes de fabricar cidades melhores, e mais bonitas.

Leia mais:
– Cycle Chic – Copenhagen Girls on Bikes
– Cycle Chic: bicicleta com elegância (iG)

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Linhas de desejo e representatividade

Rios sempre foram obstáculos naturais. Em São Paulo são a grande barreira para os meios de transporte ativos. Os rios Pinheiros e Tietê formam uma linha real que separa o centro expandido da capital do resto da mancha urbana metropolitana.

Alças de acesso que permitem velocidades altas para os motorizados e a ausência de faixas de pedestres acabam por desencorajar viagens a pé e de bicicleta nas pontes. Em algumas delas caminhar e pedalar é até proibido.

Como forma de reforçar o desejo de pedalar em segurança sobre o rio Pinheiros, ciclistas pintaram uma ciclofaixa na ponte Cidade Universitária. O fluxo de pedestres é enorme por conta da USP de um lado e da estação de trem do outro lado do rio. Some-se a isso a grande oferta de empregos de um lado e moradias do outro.

O “cicloativismo apocalíptico” exemplificado na sinalização não-oficial carrega consigo o desejo ancestral de traçar o caminho mais curto e seguir por ele. Nas palavras do filósofo Gaston Bachelard, é a linha de desejo, ou trilha social. Foi desse modo humano de viajar que se fizeram caminhos na mata, que viraram trilhas, estradas. Por onde passaram boiadas, trilhos e estradas.

Caminhos em qualquer cidade, ou espaço humano habitado, serão sempre os mais curtos e fáceis. Durante as últimas décadas esse caminho era pensado para a utilização de veículos motorizados. A demanda e ineficiência em deslocar pessoas provaram a falência desse modelo. Para mitigar o colapso, resta investir em alternativas que encoragem o uso de meios de transporte inteligentes para as inúmeras demandas humanas por ir e vir.

Leia mais:
– atos de amor e coragem (pedaline)
– 23 de maio (apocalipse motorizado)
– Desire path (wikipedia)
– Subconscious Democracy and Desire (Copenhagenize)

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Espaço público em debate

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Almoço grátis não existe. E no uso do espaço público, tudo que é de graça na verdade tem seu custo dividido por todos. Um exemplo clássico é o estacionamento gratuito de automóveis particulares nas vias. Um espaço que pertence à sociedade é utilizado livremente pelo dono de uma propriedade particular.

No nobre bairro de Moema, em São Paulo, a prefeitura, reduziu o espaço para o estacionamento gratuito visando benefícios para a fluidez do trânsito. Além disso, para compensar a redução dos espaços para estacionar, implantou o estacionamento rotativo nas ruas. Tudo para gerenciar de maneira mais eficiente o território limitado das ruas.

A medida, infelizmente, gerou descontentamento junto a um grupo de moradores e comerciantes da região. Um caso claro de confusão entre interesses privados e o bem maior.

Reverter o cenário de imobilidade motorizada em São Paulo envolve uma série de medidas, muitas vezes polêmica. A restrição ao estacionamento em locais públicos é uma delas.

Isso implica na readequação da circulação de moradores e visitantes do bairro. Comerciantes precisam depender mais da clientela local que aos poucos terá mais incentivos para deixar o carro na garagem e circular a pé ou de bicicleta pelo próprio bairro.

Para qualificar o debate, estão sendo promovidas audiências públicas na Assembléia Legislativa:

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Serviço:
Audiência Pública
Terça-feira, dia 25 – às 19h
Local: Plenário José Bonifácio
Assembleia Legislativa de São Paulo
Avenida Pedro Álvares Cabral, 201, 1 andar
Em frente ao Parque do Ibirapuera

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