Compromissos Internacionais

Fim de Tarde no Rio

Líderes do mundo todo estão em Copenhague essa semana para discutir compromissos na 15ª Conferência das Partes (COP15). Muitos impasses, discussões, propostas e mesas de debate visam traçar um caminho. Apesar da natureza global do evento, muitos representantes de cidades estão presentes.

O Rio de Janeiro esteve na mesa que tratou sobre como as cidades podem acelerar o desenvolvivemto verde nas cidades. Os impactos negativos do transporte são um importante componente das mudanças climáticas, natural portanto que os prefeitos tomem atitudes para diminuir o impacto do ir e vir de seus cidadãos. O carioca tem tido o prazer de cada vez mais receber incentivos para pedalar mais. São bicicletários, infraestrutura de circulação e principalmente, a presença constante da bicicleta na agenda política da cidade.

Compromissos, quanto mais públicos se tornam, mais tendem a serem cumpridos. Em conversa com o I-Ce, a Transporte Ativo sugeriu que a mesa a cargo deles em Copenhague contasse com a participação do governo da cidade do Rio de Janeiro. A presença em um evento pode parecer pouco, mas ajuda a reforçar compromissos e ajudar para que metas sejam cumpridas. Dessa maneira, de maneira simples e direta, conseguimos aproximar pessoas e seguir no rumo de solidificar a bicicleta como componente cada dia mais importante na política urbana carioca.

O vice-prefeito e secretário do Meio Ambiente Carlos Alberto Muniz, foi a Copenhague representando o prefeito Eduardo Paes. Esteve ao lado dos líderes da Cidade do México, Lion e Amsterdã para afirmar que o Rio pretende dobrar o total da malha cicloviária para 340km. O número impressiona e fará do Rio de Janeiro a cidade com a maior infraestrutura pra bicicletas na América Latina.

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Sabia Mais:
Rio em duas rodas – Oikos Já!

Fatores Objetivos para Construção de Ciclovias

http://www.ta.org.br/blog/fluxo_velocidade_400pxs.jpg

A relação entre velocidade dos automóveis e intensidade do tráfego é decisiva para determinar que infraestrutra se deve adotar para as bicicletas.

Uma avaliação criteriosa pode indicar se as condições atuais precisam sofrer pequenas modificações para que os ciclistas compartilhem a rua com automóveis, ou se uma ciclovia precisa ser implantada. Reduzir a velocidade dos veículos e o volume de tráfego são elementos mais importantes no planejamento de rotas para ciclistas.

Medir o fluxo e a velocidade dos automóveis é a primeira etapa na avaliação da necessidade de segregação, e deve ser complementada por um estudo mais amplo dos fatores locais.

A Transporte Ativo disponibiliza agora, em português, este gráfico clássico, apresentado pela primeira vez no documento “Sign Up for the Bike” editado pela CROW, na Holanda, em 1993.

A primeira vista, pode parecer complicado, mas é bastante simples, nossas vias precisam ter menos pontos vermelhos, com alta velocidade e/ou fluxo de motorizados, e manter-se mais dentro da parte azul clara do gráfico onde é seguro que ciclistas e motorizados compartilharem a via. Nas situações intermediárias de quantidade e velocidade dos motorizados, uma ciclofaixa pode ajudar.

Baixe o PDF aqui.

Realidade Ciclointervencionista

Explicar fatos e relatar a realidade estará sempre aquém do vivenciar. E a bicicletada é definitivamente um evento que não pode ser traduzido em imagens ou textos. A Bicicletada Paulistana de Novembro teve seu ápice na invasão pacífica de um novo shopping. Em desacordo com a legislação municipal vigente, o centro comercial não foi inaugurado com o bicicletário.

Antes da bicicletada, uma única ciclista e a Folha Online não conseguiram estacionar uma única bicicleta. Para deixar a mensagem ainda mais clara, a massa de mais de 200 ciclistas adentrou o estacionamento em ritmo de festa, cantou clássicos hinos e novos gritos de guerra e voltou as ruas. Pairou o mistério nos seguranças, sem entender aquele movimento sem líderes e que da mesma forma que entrou, saiu. Mas o poder da massa ficou claro e espera-se que novos centros comerciais não mais sejam inaugurados sem respeitar a legislação em favor dos ciclistas.

Promover o uso da bicicleta pode ser feito de diversas formas. No Rio de Janeiro a Transporte Ativo buscou a diplomacia para convencer os shoppings a cumprirem a lei e terem infraestrutura para bicicletas. Em São Paulo a voz sem líderes da bicicletada tem sido uma grande responsável por dar visibilidade as bicicletas e também pressionar para que os ciclistas sejam vistos e respeitados.

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Saiba mais sobre a Bicicletada Paulistana de Novembro de 2009

Breve Fábula sobre Caminhos

Era uma vez uma universidade com um gramado novinho. A grama verde e frondosa cresceu durante as férias e travou-se um importante debate: onde construir os caminhos para os estudantes? Alguns argumentaram que o melhor era ter somente calçadas ao redor dos prédios, para deixar a grama frondosa e verde intocada. Outros sugeriram que o calçamento fosse feito em diagonal, ligando todos os prédios. Mas então surgiu um sábio professor e sugeriu que a grama permanecesse intocada.

– Não façamos nenhum calçamento este ano. Ao final do semestre basta olhar onde a grama está mais desgastada e fazer as calçadas nesses trechos.

Todos louvaram a idéia do sábio professor e assim foi feito.

 

Moral de História:

 

Conhecimento é algo que se constrói com o tempo e nem sempre devemos nos apressar em construir soluções de acordo com nossas idéias. Seres humanos são um pouco como a água, fazem sempre o caminho mais fácil e direto para onde querem ir. A diferença é que a água segue sempre o rumo da gravidade enquanto as pessoas tem diversos interesses dentro e fora do tecido urbano. Olhar para o que já fazem pedestres e ciclistas em nossas cidades é portanto o caminho mais curto para o bom planejamento de uma mobilidade humana.

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Livremente inspirado nesse texto:
Let pedestrians define the walkways

Frágeis Criaturas

O arquiteto David Sim, representando o escritório do Jan Gehl, veio recentemente ao Brasil para ministrar um curso de dois dias para técnicos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Realizado no auditório do Instituto Pereira Passos, o workshop contou com a presença da Transporte Ativo e deu a todos uma grande lição para pensarmos e repensarmos as cidades.

A primeira premissa deve ser as pessoas, já que a condição humana não se modificou ao longo dos poucos anos de urbanização. Seres humanos ainda são as mesmas frágeis criaturas que precisam de abrigo, conforto e principalmente se sentirem seguros. Qualquer técnico ou administrador municipal deverá ter sempre em mente que apesar dos avanços tecnológicos, da capacidade técnica de construir complexas infraestruturas de aço e concreto no fundo somos apenas “humanos, demasiadamente humanos”.

Através da arte e da filosofia o ser humano sempre vislumbrou um novo futuro para a espécie. Arquitetos e urbanistas tem formação artística em suas grades curriculares de graduação certamente por esse e outros motivos. Ver além do que existe hoje sempre foi prerrogativa dos artistas. Além disso, a arte é sempre mais rica quando atinge as pessoas, quando fala sobre o ser humano e principalmente para o ser humano.

Mas há um problema grave no que tange a imaginação de quem planeja as cidades. E foi esse justamente o tema da primeira palestra do curso ministrado por David Sim: “A Dimensão Humana do Planejamento”. Pensar as cidades do futuro é dar a devida importância ao destinos das vidas das pessoas em detrimento a cidade que temos hoje, pensada para reluzentes objetos que se movem.

Nossa espécie construiu diversas culturas, diversas formas de ocupar o espaço, mas nunca deixamos de ser lentas, pequenas e sensíveis criaturas. E a grandeza de nossas capacidades residiu sempre na capacidade de organização em grupo. E tudo que a arquitetura puder fazer para unir e aproximar pessoas, será o caminho a ser trilhado para maximizar a real grandeza das cidades, seus habitantes.

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– Saiba mais sobre os projetos e a visão do Gehl Architects.