Panorama da Bicicleta no Século XXI

A Transporte Ativo foi convidada a redigir um artigo para o caderno especial da ANTP sobre a importância da bicicleta na mobilidade urbana.

O texto chama-se “UM PANORAMA DA BICICLETA NO SÉCULO XXI” e visa ilustrar o atual estágio e o futuro da bicicleta como peça fundamental na mobilidade urbana mundo afora.

Cidades saturadas, engarrafamentos constantes, poluição atmosférica, acidentes de trânsito aumento
do estresse, queda da qualidade de vida e a bicicleta retorna como elemento renovador, uma esperança na re-humanização das cidades. A bicicleta já ocupou vários degraus na pirâmide social. No início era uma diversão para os nobres, em seguida se tornou o principal veículo das classes operárias, sendo compreendida de diferentes formas ao redor do mundo durante o Século XX.

Escrito por José Lobo e João Guilherme Lacerda o artigo traz também depoimentos de especialistas em mobilidade urbana ao redor do mundo.

  • Mais:

Confira como adquirir o Caderno Técnico (ANTP/BNDES) que discute o transporte cicloviário no Brasil.

Base Legal

Pôr-do Sol na Lagoa

Foram publicadas hoje duas leis sobre bicicletas no Rio de Janeiro. A mais importante delas é a LEI N.º 4678 DE 11 DE OUTUBRO DE 2007 que:

Institui a política de incentivo ao uso da bicicleta na Cidade do Rio de Janeiro.

O parágrafo único da lei resume sua importância:

O incentivo ao uso da bicicleta como forma de mobilidade urbana tem por objetivo proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano, por meio da priorização dos modos de transporte coletivo e não motorizado.

As medidas que defende a nova lei já vem sendo implementadas pela prefeitura do Rio de Janeiro nos últimos anos. O fato de atitudes pela promoção da bicicleta serem sancionadas como lei é portanto apenas mais um passo rumo a uma mudança na mobilidade da cidade.

No entanto, toda lei requer atitudes para que seja devidamente cumprida e realize as boas intenções que visa valorizar. Cabe agora a sociedade civil e aos responsáveis pela administração da cidade fazer valer cada vez mais o que foi oficializado no papel.

A cidade de São Paulo já conta com o apoio legal desde o início de 2007 mas sem a adoção de medidas efetivas em uma velocidade condizente com a gravidade da situação da mobilidade na maior metrópole do país.

A outra lei sancionada hoje no Rio de Janeiro é a 4677/2007 que autoriza ao Poder Executivo ampliar e dotar de ciclovia a Rua Olinda Elis no bairro de Campo Grande. A ampliação pura e simples da malha viária dedicada aos veículos motorizados é sabidamente associada ao aumento do uso do automóvel particular. Novas ruas ou vias mais largas dotadas de infra-estrutura cicloviária visam colaborar para que aumente também o uso da bicicleta.

  • Mais:
  • Lei 4678-2007 (pdf)
    Bicicleta em São Paulo
    Diário Oficial do Município Rio de Janeiro

    Bicicletas são sensuais

    Os motivos são incontáveis, mas o fato é que diversas características das bicicletas podem ser apontadas como sensuais. E não só por serem esguias, simples e leves.

    O que define algo como atraente é a maneira com que o objeto se apresenta visualmente. Quem soube notar a beleza sensual de uma bicicleta deslizando livremente sabe reconhecer o apelo visual desse veículo.

    Uma bicicleta se desloca sem produzir fumaça e portanto nada de odores desagradáveis. Pedalar em meio a um campo florido é ao mesmo tempo sentir o cheiro das flores e não contamina-lo. Através do cheiro nos sentimos atraídos quimicamente. Pedalar é apaixonar-se pela beleza do mundo ao ar livre.

    Por fim as magrelas são tão atraentes por não emitirem ruído. Como casais apaixonados, a bicicleta e o ciclista conversam baixinho colados um ao outro.

    Sendo assim, cidades pensadas para as pessoas são também mais bonitas. Pois ao mesmo tempo contam com uma população mais saudável e também com veículos sensuais.

    • Mais:

    Sexy Cycling NYC? (treehugger)
    Sexual attraction (Wikipedia)

    Felicidade e Carga

    Uma reportagem bastante completa da Reuters mostra o transporte de carga e crianças em Amsterdam, meca dos transportes a pedal. O fabricante dos veículos aponta as distinção entre o mercado interno holandês e os consumidores de outros países. Na Holanda a cultura já está estabelecida e todos utilizam a bicicleta, enquanto no exterior, os compradores costumam ser pessoas a frente do seu tempo.

    O exemplo de Amsterdam e dos meios de transporte lá utilizados é claro, o futuro das cidades dependerá do uso massivo de veículos movidos a propulsão humana. Inclusive pelo potencial de gerar felicidade em seus usuários.

    Primeiras Impressões

    Entrada

    Após a inauguração do estacionamento subterrâneo da Cinelândia, já podemos desfrutar da tranquilidade de ir pedalando ao centro do Rio e não ter dúvidas que a magrela vai estar sã e salva na volta.

    Para quem tem de resolver pequenos problemas perto do estacionamento o preço certamente compensa. R$ 2,00 por uma hora ou R$ 3,50 por duas horas é menos do que se paga por uma única viagem de metrô.

    Boleto

    No entanto, nenhum calculo financeiro pode mensurar a experiência única de sentir-se num cidade um pouco mais amiga das bicicletas. Em um espaço construído para os carros pela iniciativa privada ao custo de milhões a bicicleta passou a ter vez. Melhor do que isso, não com as “migalhas” ou como “jeitinho” a que estão acostumados os ciclistas que pedalam diariamente pelo Brasil afora.

    Estacionada

    Ao chegar ao estacionamento da Cinelândia, somos tratados com presteza e dedicação pelos funcionários, fato que deveria ser corriqueiro, mas que nem sempre é. Não há discriminação contra a bicicleta.

    Abaixo a foto da primeira bicicleta estacionada, uma reclinada Zohrer do amigo Justo Sesto. Quem aparece na foto é o funcionário gente boa Humberto, responsável por abrir e fechar a grade do bicicletário.

    DSCN1722

    • Mais:

    > Dia de primeiro mundo, uma primeira experiência no estacionamento.

    > Detalhes sobre o Estacionamento Subterrâneo da Cinelândia.