Pedalar para o futuro

Uma menina de 13 anos discursa durante a ECO-92 no Rio de Janeiro. A mensagem não é simplesmente para os líderes de nações ao redor do mundo. Como ela enfatiza, antes de serem líderes, são pais, mães, tios, tias, avós. Acima de tudo, somos todos filhos. Seremos portanto sempre crianças aos olhos daqueles que nos antecederam.

Além disso, somos o reflexo de nossas atitudes e pedalar não é só agir para ir a algum lugar. Pedalar é promover um mundo melhor através da eficiência do potencial humano. É valorizar o que de melhor nos deram nossos antepassados, para que hoje possamos garantir qualidade de vida aos que ainda não nasceram.

Assista ao vídeo:

Emplacamento de Bicicletas

O assunto é bastante polêmico. Não há informações de países aonde o emplacamento de bicicletas seja obrigatório. Existem no entanto pontos localizados, até mesmo no Brasil, aonde as bicicletas tem de ser emplacadas obrigatoriamente. O exemplo mais notório é a cidade de Lorena no interior de São Paulo.

O argumento principal para justificar a medida é coibir o roubo. No entanto, mirando-se no exemplo dos veículos auto-motores, emplacar não coibiu que eles fossem alvo de ladrões. As desvantagens do emplacamento de bicicletas seriam mais taxas, mais burocracia. A imprudência de alguns colegas ciclistas, outra justificativa, pode ser combatida com educação ou apreensão do veículo e multa, mesmo sem placa, como já acontece em Santos e em Ubatuba.

Durante o Seminário “Bicicletas e a mobilidade Urbana no Brasil”, técnicos e especialistas de todo o Brasil puderam conhecer um pouco melhor a mobilidade por bicicleta na cidade paulista. Abaixo trechos de apresentações sobre Santos e Lorena e um pequeno relato sobre o seminário:

A CET-Santos, Rogério Crantschaninov, apresentou suas linhas de ação em infra-estrutura e educação. Dentre elas a sensacional blitz de fiscalização e educativa. Ciclistas infratores, nas ruas e ciclovias, são abordados e orientados a agir corretamente, aqueles que não acatam a orientação, são abordados mais a frente por outro grupo, comunicado por rádio, e o infrator será autuado pelo artigo 255 do CTB tendo sua bicicleta apreendida. A fiscalização visa principalmente o pedalar na contra-mão, avanço de sinais e pedalar nas calçadas. Os agentes de trânsito contam com apoio da PM nestas blitzes. Uma ação simples, barata e de grande eficácia educativa. Em Santos a fiscalização anda junto a educação.

[photopress:Untitled_1_1_2_3.jpg,full,pp_image]

Placa para ciclistas em Lorena, SP.

A palestra que mais causou polêmica no seminário, “Disciplinamento da Circulação das Bicicletas” com Marcelo Pazzini da Prefeitura de Lorena. Cidade aonde as bicicletas tem a obrigatoriedade do emplacamento. A palestra foi muito boa e foi bom conhecer mais de perto iniciativas deste tipo. São aproximadamente 80 mil habitantes para 70 mil bicicletas e pouco mais de 25 mil carros. Todas as bicicletas devem ser emplacadas, o emplacamento começou em janeiro e aproximadamente mil já estão emplacadas. Qualquer infração o infrator tem a bicicleta apreendida no ato sem direito a apelação ou recursos. As principais vantagens do sistema apresentadas por eles: diminuição de roubos; perfil dos ciclistas da cidade; regulamentação do veículo; disciplinamento do trânsito; auxílio na fiscalização; diminuição de acidentes e melhor harmonia no trânsito. Benefícios também tangíveis com outras medidas que não o emplacamento. A impressão que ficou foi de desconhecimento e discriminação da bicicleta e que a repressão antecedeu a educação, as pesquisas e mesmo a infra-estrutura.

No caso de Lorena, as bicicletas foram tratadas como vilãs, em Santos e Ubatuba elas são tratadas com respeito. No Rio de janeiro foi feito um estudo para analizar qual a melhor forma de regulamentar as bicis e a conclusão foram medidas semelhantes as de Santos e Ubatuba, educar e autuar sem a necessidade do emplacamento que é algo que sem dúvida iria inibir o uso de bicicletas, algo negativo sobre qualquer ponto de vista.

Na Europa, as bicicletas são multadas e apreendidas também sem a necessidade de placas. Holanda e Dinamarca, países campeões no uso da bicicleta como meio de transporte, também não emplacam sua bicicletas.

Dentre os grandes benefícios das bicicletas está a liberdade. Vantagem que diminui com o emplacamento. Na Espanha existe um cadastramento voluntário de bicicletas feito por uma organização local. Seu objetivo é coibir o roubo mas só cadastra quem quer, como no projeto-lei 5368/2005 que foi arquivado aqui no Brasil.
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=288137

Ainda restou mais uma dúvida em relação a Lorena, não esclarecida pelos representantes locais no seminário, como seria para o cicloturista em passagem pela cidade.

  • Mais:

> Seminário ANTP “Bicicletas e a mobilidade Urbana no Brasil

> Matéria no programa Raio X com Renata Falzoni fala sobre Santos e seu sistema cicloviário.

> Vídeo institucional de Ubatuba e seu sistema cicloviário.

> Noticia de maio de 2006 sobre o emplacamento em Lorena.

Pólo Urbano

A popularização da bicicleta na mobilidade individual contribuiu para que o cavalo tivesse uma presença cada vez menor nas cidades e vilas ao redor do mundo. Hoje a propulsão por tração animal é raridade na maioria das cidades e proibida em muitos casos.

Há no entanto uma aura de glamour ao redor dos cavalos que são utilizados na prática esportiva. As duas rodas à propulsão humana no entanto também estão presentes nesse esporte inusitado que é o bici-pólo. Geralmente é jogado por entregadores de bicicleta em grandes cidades da América do Norte. O esporte envolve ainda o reaproveitamento de sucata para a confecção dos tacos, além da preferência por bicicletas sem marcha ou roda livre.

Um vídeo convida para a participação da edição de Chicago, realizada na grama.

  • Mais

> Versão urbana do pólo é febre em Nova York

Gentileza gera Gentileza

Nos anos de 1970 um andarilho cruzou diversas vezes a cidade do Rio de Janeiro. Levava palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Tornou-se conhecido como o Profeta Gentileza e sua mensagem maior pode ser traduzida pela expressão:

gentileza

Estão marcadas em 56 pilastras de um viaduto carioca muitas das palavras desse andarilho. O local é inóspito e tem um fluxo de pedestres pequeno ao longo do percurso de 1,5 km por onde se estendem as pinturas.

A mensagam no entanto não é tanto para ser lida, mas para ser vivida. O local escolhido não poderia ser mais emblemático. Afinal, o trânsito das grandes cidades muitas vezes é conhecido por fazer aflorar nas pessoas momentos que em nada lembram a máxima de que a gentileza é atitude capaz de gerar um círculo virtuoso.

Montado nas rodas de uma bicicleta o ciclista é certamente o mais capaz de impulsionar a gentileza tão necessária no trânsito de nossas cidades. Respeito ao pedestre antes de mais nada, um sorriso ao motorista preso no engarrafamento, um agradecimento aquele que cede passagem. Todas atitudes simples que certamente colaboram para melhorar a vida de todos, uma gentileza de cada vez.

  • Mais

José Datrino, Profeta de Gentileza
Profeta Gentileza na wikipedia.

Bicicletas a mais

A revista “Go Outside” deste mês publicou um excelente guia sobre a bicicleta na cidade. Vantagens, dicas, opiniões de quem entende do assunto, além de um excelente depoimento de um paulistano que por opção largou as quatro rodas a motor e hoje só usa duas rodas à propulsão humana na cidade.

O editoral da revista resume o espírito da publicação:

Temos o objetivo de difundir a prática das atividades ao ar livre, dos esportes de natureza e de aventura, assim como de ajudar a preservar o nosso playground. Acreditamos que, com o corpo mais bem preparado e em contato com a terra molhada, com o sal do mar ou com o vento de uma colina, nossas mentes também trabalham melhor.

A introdução sobre o especial da bicicleta na cidade traz um convite aos amantes da natureza e do esporte, em sua grande maioria, moradores das grandes cidades.

Não adianta esperar pela utopia – as magrelas têm é que sair às ruas e dominar o espaço que é delas por direito.

Hoje a maioria dos brasileiros já vive em cidades, é esse portanto o nosso habitat que tem uma série de necessidades especiais em relação ao meio ambiente não construído. Promover melhores formas de vida e que gerem menos impactos nocivos por parte dos citadinos é um desafio que tem de ser encarado por todos. De preferência, uma pedalada de cada vez.

  • Mais

Leia a íntegra da reportagem “Um Carro a Menos” na revista Go Outside.