Diversão para o fim de semana em SP

Festival Ciclobr

Vai ter bike-polo, bikester e prova do cotonete. Vale passar pelo Parque das Bicicletas a partir das 9h desse sábado, 27 de fevereiro e no domingo 28.

Quanto as definições, bike-polo é um pouco como o tradicional polo, mas com bicicletas no lugar dos cavalos. Bikester é um campeonato de arrancada com bicicletas infantis em que não valer se levantar do selim. Já a prova do cotonete é similar ao desafios medievais em que cada cavaleiro tinha que derrubar seu adversário com uma lança. Nesse caso, novamente saem os cavalos e no lugar das lanças, tubos de papelão com luvas de boxe.

Haverá também infraestrutura para os espectadores com direito inclusive a manobrista de bicicletas no local.

Mais informações sobre o Festival Ciclobr.

Bicicletas para todos

A bicicleta felizmente está na moda, não custa repetir. Mas isso ainda é pouco, muito pouco. Ainda há uma grave divisão entre os usuários da bicicleta e principalmente na percepção em relação as magrelas.

Veículo dos pobres, excêntricos ou esportistas, a bicicleta ainda tem um longo caminho a percorrer, para ganhar escala no que sempre foi, o melhor meio de transporte urbano para distâncias médias e curtas.

O discurso “cicloativista” tende a ser messiânico, acredita em salvação e redenção. Como os evangélicos acreditam que não são pecadores porque foram lavados pelo sangue de Jesus. Ou tem sabor marxista, intelectuais orgânicos ou engajados, portadores predestinados da missão revolucionária sagrada de mudar o sistema político-social em nome de uma nova ordem mundial.

Com isto, podemos conseguir 2 ou 20 adeptos. Convencer vereadores a votarem “políticas cicloviárias municipais”. E construir “rotas cicláveis” a toque de caixa. Em que isto vai mudar a vida do Sr. Modesto?

Falta perguntar ao homem-de-gravata-que-vai-chegar-atrasado-no-trabalho e à mulher-de-calça-branca-que-leva-os-filhos-ao-colégio se eles querem ser redimidos ou se querem salvar o mundo. Talvez eles queiram apenas chegar aos lugares da forma que lhes for mais conveniente.

Para sensibilizarmos este cidadão mediano, precisamos saber como ele pensa, quais são suas ambições, aspirações e medos. Ainda não sabemos conversar com o “pobre” que usa a bicicleta hoje, mas assim que melhorar de vida um pouquinho, compra uma moto ou um carro usado. Tão pouco sabemos conversar com o cidadão classe média, convencê-lo a usar bicicleta assim como usa escova de dentes, sem fazer dele um ativista, sem levantar bandeiras do anti-consumismo e do ecologismo, batismo de iniciação na excentricidade.

Construir cidades para pessoas e com mais bicicletas é um caminho longo, com muito diálogo e pressão política, mas acima de tudo valorizando o que é mais importante em qualquer planejamento, a condição humana e nossas fragilidades diante do mundo e das máquinas complexas que criamos. Não somos assim tão diferentes de qualquer outro animal social, seguimos líderes, agimos em bando e sozinhos, somos fracos e medrosos.

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Uma homenagem

A bicicleta Branca de Brasília

Pedro Davidson estudava biologia e pedalava por Brasília. Foi morto por um motorista em excesso de velocidade, que havia ingerido álcool, trafegou em local proibido e não prestou socorro. No julgamento em primeira instância o júri aceitou a acusação de homicídio com dolo eventual. O motorista foi condenado a cumprir pena de 6 anos em regime semi-aberto.

A jurisprudência de crimes de trânsito no Brasil ainda é complicada e prevalece o entendimento de dolo eventual. A tese é polêmica e também um entrave para que motoristas que tiram vidas sejam punidos com mais rigor.

Nesse contexto é importante a união da comunidade ciclística de Brasília em torno do caso de Pedro. Através da perspectiva daqueles que utilizam a bicicleta no trânsito será possível espalhar a noção de que do lado de fora dos veículos motorizados as vidas são muito frágeis e qualquer risco é grande demais. Por hora esse discurso ainda não ecoou nos tribunais.

Mas é chegado o tempo da bicicleta e com mais ciclistas nas ruas, mais motoristas serão também ciclistas e mais bicicletas serão vistas. Nas palavras de Bob Dylan:

“(…)
Porque a roda ainda gira
e não há como saber para quem
Ela está apontando.
Porque o perdedor agora
Será mais tarde vencedor
Porque os tempos estão a mudar.

(…)

A antiga estrada
Rapidamente envelhece”.

Enquanto se constroem as novas, que Brasília não tenha mais nenhuma bicicleta branca.

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Poder suave

Soft Power

Foi o professor Joseph Nye quem primeiro utilizou o termo “soft power” em seu significado corrente hoje. Nas palavras de Nye:

O conceito básico de poder é a habilidade de influenciar outros a fazer o que você quer. Há três maneiras de se fazer isto: uma delas é ameaçá-los com vara; a segunda é comprá-los com cenouras; e a terceira é atrair-los ou cooperar com eles para que queiram o mesmo que você. Se você conseguir atraí-los a querer o que você quer, te custará muito menos cenouras e varas.

Soft Power

Na Transporte Ativo até hoje nunca lemos a obra de Nye, mas é dentro do conceito de “poder suave” que agimos. Convencer pelo exemplo e prazer em detrimento da força e das recompensas. Afinal uma pessoa só é verdadeiramente convencida de algo quando quer.

Soft Power

Historicamente as mulheres sempre foram muito melhores na arte do poder suave do que os homens. Anos de guerras e expansão desenfreada contra tudo e todos são obras certamente creditadas aos homens. Atualmente cooperação e ajuda humanitária passou a ser também atributo de forças armadas.

Soft Power

Dentro dos preceitos desse “poder do futuro”, seguiremos firmes nos pedais de nossas bicicletas, essas máquinas femininas de transformar a força bruta das pernas em sensualidade de movimento. Ainda que as bicicletas tenham nascido no século XIX e o “soft power” seja uma teoria já defendida pelo Taoísmo há mais de 2500 anos.

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As fotos desse post foram tiradas durante a segunda etapa da campanha educativa “Rio Capital da Bicicleta”, realizada no posto 6 em Copacabana. Confira o álbum.

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Peça seu próprio bicicletário

O ciclista paulistano Palmas (@opalmas) bolou um modelo de carta que pode, e deve, ser enviado a todos os estabelecimentos comerciais frequentados por qualquer ciclista. Há menção a lei 13.995 equivalente no Rio de Janeiro a Lei Complementar 77 . Caso sua cidade não tenha uma lei que disponha sobre a obrigatoriedade de bicicletários, vale seguir o exemplo das duas maiores cidades brasileiras e sugerir a um vereador que proponha legislação semelhante.

No entanto, mesmo sem lei, o teor da carta é adaptável para qualquer cidade:

Caro responsável pelo supermercado do meu bairro,

Sou cliente assíduo da loja e gostaria de sugerir a construção de um local para prender as bicicletas em frente ao estabelecimento.

Sempre vejo outros clientes ciclistas amarrando a bicicleta em qualquer lugar. Vale ressaltar que segundo a lei municipal (xxx de xx de y de xxxx), todo estabelecimento de grande fluxo de pessoas é obrigado a instalar os estacionamentos para Bicicletas.

Abaixo alguns motivos que acredito podem ser suficientes para criar o bicicletário sem necessitar da obrigatoriedade da Lei:

1) o trânsito de (insira aqui sua cidade) está caótico, e as pessoas não aguentam mais perder tempo dentro do carro.

2)Com a bicicleta, podem chegar mais rápido. Afinal para distâncias de até 5 km pedalar sempre demora menos. E provavelmente a maior parte de seus clientes está a uma distância inferior a essa do seu estabelecimento.

3) o custo de ter um carro está cada vez mais caro, e pessoas de todas as classes sociais estão optando por outros tipos de transporte para economizar dinheiro.

3) a preocupação com sustentabilidade é cada vez maior, e cada vez mais pessoas tomam decisões que tendem a reduzir o impacto no meio ambiente. A bicicleta é um meio não-poluente e silencioso, e portanto uma ótima alternativa ao carro nesse sentido.

4)Última e mais importante: Sabiam que na vaga de um carro cabem 12 bicicletas? Então pensem o que trás mais dinheiro para o Supermercado, 12 clientes de bicicletas ou um cliente de carro?

Seguem como sugestão material informativo sobre bicicletários. Além de algumas empresas que podem providenciá-los caso não queiram recorrer a serralheria mais próxima:

Por fim uma reportagem recente de um shopping que acabou de inaugurar e recebeu uma mídia negativa devido ao desconhecimento da Lei.

Coloco-me a disposição para auxiliá-los, caso tenham alguma dúvida.
Grato pela atenção e no aguardo de uma resposta,

Ciclista Comprador

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