Explorando os dados cariocas da pesquisa Perfil Ciclista 2024

Metade dos ciclistas cariocas entrevistados pedalam há menos de 5 anos, sendo que 10% deles pedalam há menos de 1 ano, o que mostra que o número de usuários de bicicletas como meio de transporte segue crescendo, apesar de já ser algo comum na cidade.

1

Dentre estes, 69% pedalam mais de cinco dias na semana, ou seja, quem pedala, pedala mesmo!

2

Os principais destinos são o trabalho, compras e encontros sociais, como uma ida ao cinema, casa de amigos, praia, etc.

8

Outro dado muito interessante é que mais da metade das viagens, 78%, duram menos de 30 minutos. Tempo este que na velocidade média do ciclista carioca de 14 Km/h, permite percorrer 7kms. Essa distância hoje no Rio de Janeiro, cidade cuja frota de carros cresce ao ritmo de 263 carros por dia, é algo praticamente impossível de se fazer sem enfrentar engarrafamentos.

4

A principal motivação dos cariocas para pedalar, como na grande maioria das 18 cidades que participaram da pesquisa é a praticidade das bicicletas, e o que menos os motiva é o meio ambiente. Isso nos indica que mesmo com baixa motivação ambiental, independente disso, se está nas ruas pedalando, está contribuindo para os desafios de mitigação das mudanças climáticas!

5

Dente as opções disponíveis no questionário, 47,7% dos entrevistados indicaram que pedalariam mais com a ampliação das infraestruturas para bicicletas, assim o pedalar fica mais seguro e tranquilo. Esse resultado se repete nas outras cidades. Em seguida vem a educação no trânsito, que se fosse algo corriqueiro certamente diminuiria a necessidade de infraestruturas dedicadas às bicicletas.

6

No Rio, a pesquisa foi realizada em 40 bairros de todas as áreas de planejamento da cidade. Você pode conhecer mais detalhes como: faixa etária, de renda, escolaridade, raça, se já teve a bicicleta ou partes dela roubadas, se já sofreu assédio, se envolveu em sinistros de trânsito e até se faz integração com outros modais de transporte. Basta acessar todos os resultados da pesquisa clicando aqui. Você também poderá conhecer os resultados das outras cidades e ter acesso ao link para um Painel de Controle onde é possível comparar as cidades.

7

A Pesquisa Perfil d@ Ciclista, acontece a cada 3 anos, organizada pela Transporte Ativo, com Patrocínio do Itaú Unibanco, colaboração técnica do Observatório das Metrópoles e com o engajamento de uma extensa rede de organizações, dentre elas grupos de ciclistas, prefeituras e universidades. As entrevistas são feitas com pessoas de 12 anos ou mais de idade, que pedalam pelo menos uma vez por semana como meio de transporte, abordadas pedalando, empurrando ou estacionando a bicicleta. Para saber mais sobre a pesquisa, clique aqui.

Pesquisa Perfil Ciclista Brasil 2024

pp24B

Foram 11 meses de muito trabalho em parceria com universidades, prefeituras e organizações pró bicicleta pelo país afora, desde a divulgação, montagem de equipes, fase de campo e finalmente envio para a plataforma dos dados coletados nas ruas de 18 cidades brasileiras, sendo 9 capitais. Agora pedalamos rumo a fase final da pesquisa, com a validação, tabulação dos dados e preparo do relatório final.

No total, 252 pesquisadores realizaram 11.973 entrevistas, totalizando mais de 200 mil respostas! Em breve os dados estarão disponíveis, com previsão de publicação em Janeiro de 2025. Estamos muito curiosos para conhecer os resultados desta quarta rodada da Pesquisa e compartilhá-los com vocês!

pp24A

Enquanto isso, conheça a história da Pesquisa e os resultados das edições anteriores, clicando nos links abaixo.

Pesquisa Perfil Ciclista Brasileiro
Resultados 2015
Resultados 2018
Resultados 2021

A importância da bicicleta para o mundo só aumenta

IMG_1484b

As bicicletas ainda são as mesmas, com as mesmas qualidades. São leves, silenciosas, fáceis de usar, não engarrafam o trânsito, nem emitem poluentes e ainda são fáceis de estacionar. Também são baratas de comprar e de consertar, muito seguras e promovem a saúde do usuário – quatro virtudes exclusivas das bicicletas convencionais. Mas a relevância de seu uso está crescendo devido ao novo contexto da mobilidade motorizada, com aumento da eletrificação e do uso de motores híbridos (combustão + eletricidade).

A cultura do automóvel segue viva e muito ativa, apesar de todos os indícios inquestionáveis que a mobilidade por carros é um modelo retrógrado e fracassado. O espaço nas ruas está cada vez menor, já que hoje os carros são maiores e cada vez mais numerosos. Para se ter uma ideia, segundo o site do DETRAN-RJ, em 2024 e apenas na cidade do Rio de Janeiro, uma média de 300 novas licenças são emitidas diariamente! A poluição do ar, provocada principalmente por veículso com motor a combustão, é uma das principais causas de mortes evitáveis. Os sinistros de trânsito resultam em feridos, inválidos, mortos, e crescem num ritmo estarrecedor. Os prejuízos financeiros de todos os danos do uso excessivo do carro (engarrafamentos, atrasos, doenças, feridos, mortos) estão na casa dos bilhões de reais por ano.

Ainda assim estão lançando mão de tecnologias supostamente ecológicas para “pintar de verde” a imagem dos carros e motos. Por exemplo, com a hibridização que é mais complexa e cara, tanto para comprar como para manutenção, e que só reduz um pouco o consumo de combustível e a poluição. Mas alguns estados podem estar anulando essa vantagem ao dar incentivos exagerados a esses modelos. Desconto de 50 a 100% no IPVA e liberação do rodízio estão na contramão de medidas de redução do uso do carro nas cidades. A poluição e a perda de tempo deverão aumentar, pois mais carros nas ruas resultam em… mais engarrafamentos.

Já no transporte público a bola da vez é a eletrificação total da frota, as possibilidades e oferta de energia elétrica são enormes, mas seu armazenamento e distribuição tem se mostrado precários para as necessidades cada vez maiores. Além do que, novas tecnologias são caras, favorecem os favorecidos e desfavorecem os demais. Os ônibus elétricos novos são caríssimos e ao entrarem no circuito, não eliminam o alto potencial de emissões dos ônibus antigos a diesel, que acabam indo para cidades menores ou para países em desenvolvimento, onde seguem poluindo da mesma forma, apenas em outro local.

Guerras e mudanças climáticas não nos permitem mais aguardar e buscar soluções que em sua grande maioria tem sido pensadas para manter o estilo de vida que temos hoje. Políticas públicas para o futuro, devem ser voltadas para soluções diversificadas, de baixo custo e alta eficiência, para que a transição energética possa ser justa e de fácil adaptação. Precisamos ir além e pensar soluções que realmente resolvam ou amenizem o futuro difícil que está se desenhando.

Por isso que cada vez mais aquelas vantagens da bicicleta listadas lá no começo estão cada vez mais importantes. Toda vez que você pedala para o trabalho, para a escola ou por qualquer motivo, você não só está reduzindo o engarrafamento, a poluição, o barulho, o estresse e a insegurança das ruas, está ajudando a resistir a uma cultura que só tem beneficiado uma parcela pequena da população, ao passo que prejudica cada vez mais pessoas, inclusive as que realmente precisam muito usar um carro para se deslocar.

Quanto mais bicicletas nas ruas melhor para todos, até para quem não as utiliza.

elet920

TA recebe Prêmio Bicicleta Brasil

IMG_0062

Em 2005 ganhamos nosso primeiro prêmio: o ANTP-ABRADIBI, melhor iniciativa de promoção ao uso de bicicletas, que muito nos motivou e impulsionou. Em 2013, nosso primeiro prêmio internacional o Cycling Visionaries Award na conferência Velo-City em Viena, que mais uma vez nos motivou a seguir adiante e nos mostrou estarmos no caminho certo. Agora, com a Pesquisa Perfil Ciclista ganhamos o Prêmio Bicicleta Brasil na categoria “Fomento à Cultura da Bicicleta”, que é exatamente o que buscamos desde a fundação em 2003.

Logo

Ao  termos nossa candidatura habilitada, recebemos o selo Bicicleta Brasil, com validade de um ano. O Prêmio foi lançado pela Semob e pelo Ministério das Cidades em julho de 2024 para reconhecer e incentivar iniciativas técnicas, científicas e artísticas que promovam o uso da bicicleta no Brasil.
Voltado para o poder público, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições de ensino foi dividido em 6 categorias, as 4 primeiras com direito a troféu e prêmio em dinheiro aos vencedores:

  1. Segurança viária;
  2. Sistemas de informação e redes;
  3. Mobilização e incidência política;
  4. Fomento à cultura da bicicleta;
  5. Projetos, planos, programas e urbanização (menção honrosa);
  6. Incentivo ao uso da bicicleta (menção honrosa).

No total 76 projetos inscritos foram habilitados e avaliados. Para conhecer os outros vencedores clique neste link.

Receber esse prêmio, ao lado de outras iniciativas realmente inspiradoras, nos motiva mais uma vez a seguir adiante em busca de cidades melhores e mais pessoas em mais bicicletas mais vezes!

Bicicletas na COP29 | Carta PATH para Governos Nacionais

COP29_PATHPelo quarto ano consecutivo, assinamos cartas abertas que apelam para que governos nacionais incluam caminhadas e ciclismo em seus compromissos climáticos.

A Partnership for Active Travel and Health (PATH) apela para que governos se comprometam com caminhadas e uso de bicicletas na próxima rodada de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) para atingir metas climáticas e melhorar a saúde e a vida das pessoas.

Permitir que mais pessoas caminhem e pedalem com segurança e acessem o transporte público a pé e de bicicleta pode ajudar a reduzir as emissões de transporte pela metade até 2030. E ainda é uma maneira rápida de atingir o progresso em metas climáticas urgentes e no Acordo de Paris. No entanto, a pesquisa inovadora da PATH mostra que caminhadas e ciclismo são significativamente subvalorizados nas NDCs dos países. Apesar de dois terços das nações terem políticas de viagens ativas em vigor, ainda há uma necessidade urgente de maior ambição, ação e investimento em seus compromissos climáticos para desbloquear totalmente os benefícios de caminhadas e ciclismo.

Nas COP26, COP27 e COP28 outras cartas foram redigidas, mas houve pouco ou nenhum avançou, e o tempo urge! Veja um texto nosso sobre o assunto em artigo no Vá de Bike | COP26 deixou a desejar. Ao que tudo indica, nada mudou!

Conheça também o Painel com dados do PATH Report 2023.

Leia e assina a carta COP29.