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Espaco Publico
Medo não muda nada

Sobre a “Cultura do Medo“, livros foram escritos, teses, mestrados doutorados. Mas ciclistas apocalípticos que pedalam em condições longe da ideal sempre acabam ouvindo a mesma pergunta:
– Mas você não tem medo?
Quem nunca ouviu essa pergunta, ou a sua variante: “Mas não é perigoso?”, que atire o primeiro pedivela. Mas não vale escrever mais um livro sobre isso. A única resposta possível é a mais óbvia:
– A percepção do medo é sempre subjetiva e quanto mais bicicletas nas ruas, mais seguro para todos.
Liberdade é um exercício cotidiano praticado individualmente. O exemplo da primeira foto que ilustra esse post é de uma imagem corriqueira no Rio de Janeiro, registrada durante uma contagem fotográfica no túnel Velho em Copacabana. Pode parecer perigoso, mas o risco real e a percepção dele ao longo dos anos é que mudou. As bicicletas continuam bem parecidas.
Por exemplo, na outra boca do túnel:
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Foto de Augusto Malta – via: foi um RIO que passou
Entre os mais de 80 anos que separam as duas imagens nossas cidades mudaram para pior. As bicicletas são uma das ferramentas para as mudanças positivas e para usá-las mais, o mito do medo precisa ser derrotado. Para isso não adiantam estatísticas que comprovem a acidentalidade de veículos automotores ou pedestres. Precisamos apenas de mais vida nas ruas.
Primeiro mudam os cidadãos, com o tempo muda a infraestrutura das cidades. Pedalemos!
Outra leitura:
Fear is the mind killer – Cyclelicio.us
Relacionados:
– Barreiras Psicológicas
– Valores democráticos nas ruas
Espaço público e demanda reprimida

Carnaval é festa da carne, mas também festa das ruas. Os pequenos, grandes e gigantescos blocos ao redor do país mostraram isso.
Durante os quatro dias de festa e folia as ruas tornam-se espaços exclusivos para a circulação, ou simples presença de uma massa de pedestres. Os dois milhões do cordão do Bola Preta no Rio de Janeiro evidenciam que turistas e moradores das cidades anseiam por espaços públicos para a celebração.
Apesar da beleza das festas e das ruas exclusivamente para as pessoas, o carnaval concentra gente demais em um espaço físico muito restrito e em pouco tempo. Os banheiros químicos que não atendem à demanda e a quantidade de lixo nas ruas que o digam.
Passada a festa, fica a lição para o dia a dia. Com espaços públicos de qualidade ou simplesmente abertos e seguros para as pessoas, teremos ruas mais vivas. Uma população mais feliz e saudável.

No Rio de Janeiro os blocos se espalharam por toda a cidade, abrindo ruas para as pessoas e impondo restrições à circulação de veículos motorizados. Ainda assim, o intenso ir e vir de foliões pode seguir sempre. O transporte público e os táxis ajudaram nos deslocamentos, mas o número de viagens à pé em tempos de folia foi representativo, como sempre.

As dificuldades para a circulação motorizada não precisam ser tão grandes e nem a quantidade de pessoas a tomar as ruas. Mas nossas cidades precisam entender que o carnaval pode e deve se espalhar para além da quarta-feira de cinzas. Com espaços públicos de qualidade a total prioridade para a circulação de cidadãos.
– Posts relacionados:
– Carnaval, democracia nas ruas
– Folia e Demanda nos Transportes
– Crônica Carioca
– O valor de andar a pé
Novos bicicletários nas ruas
No Rio de Janeiro, hoje, se alguém ou alguma empresa quiser pedir a instalação de um bicicletário na rua, é um procedimento um tanto complicado.
Para mudar esta situação, a Prefeitura está preparando um novo modelo para pedidos de bicicletários.
A Transporte Ativo e a Coordenação do Programa Cicloviário estão trabalhando em conjunto para estabelecer novos procedimentos. O GT Ciclovias está preparando um documento com modelos e padrões que serão adotados pela prefeitura carioca na instalação de bicicletários em logradouros públicos.
O condomínio comercial Cidade do Leblon está participando como projeto-piloto. O bicicletário instalado num dia já era sucesso de público no dia seguinte.


Foram seguidos os padrões indicados nos manuais publicados pela TA, com opção para o suporte U-invertido (também conhecido como Sheffield).

Uma foto colocada no post Quanto custa um bicicletário inspirou o condomínio a fazer uma melhoria no suporte. Um adesivo plástico grosso foi colocado nos pontos onde o quadro da bicicleta encosta no suporte.

Desta forma, tanto a bicicleta quando o suporte ficam protegidos.
Agora você já pode estacionar sua bicicleta no Edifício Cidade do Leblon, na sombra e com segurança. O bicicletário fica em frente à entrada principal, onde há sempre seguranças.
Esperamos que este exemplo se repita pela cidade e que a iniciativa da prefeitura, de facilitar a instalação de bicicletários, torne mais fácil e seguro estacionarmos nossas bicicletas no Rio de Janeiro.
As cidades somos nós

A exposição Our Cities Ourselves chega ao Rio como As Cidades Somos Nós e apresenta projetos urbanísticos criados por dez escritórios de arquitetura de diversos países, com base nos princípios de design urbano elaborados pelo ITDP. Vista pela primeira vez em Nova Iorque, em setembro último, a exposição multimídia será exibida agora, simultaneamente no Rio de Janeiro e na Cidade do México.
Visite o blog oficial do evento em ascidadessomosnos.org
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Mais no blog: Nossas cidades nós mesmos. Com os 10 Princípios para o Transporte na Vida Urbana.
Pra quem quiser ir pedalando ao evento, uma galera combinou de sair da loja Pedal 2, na Rua Correa Dutra 16-B, Catete, às 19 horas. É só chegar.

