Deslocamentos Femininos e Proletários

Copenhague dos Tropicos

A segunda contagem na Rodolfo Dantas teve uma mudança muito pequena nos números o que mostra que por hora somente a infraestrutura não foi responsável por um incremento nas viagens. No entanto, pode-se concluir de maneira mais otimista que o trânsito de bicicletas por ali é consistente e com alguns usuários fieis.

Novamente as bicicletas de entrega formaram o maior bolo, com 50% das viagens. Dentre as bicicletas particulares, apenas 10% eram mulheres. A eficiência da bicicleta como ferramenta de trabalho e a insegurança viária em algumas vias é certamente um dos motivos para que explicar o alto número de entregadores e o baixo número de mulheres.
Triciclo de Entrega

As políticas públicas para Copacabana estão no rumo certo, mas ainda há muito trabalho a ser feito para que o bairro realize o potencial de ser o paraíso carioca das bicicletas, inspirando a cidade inteira a ser uma Copenhague dos Trópicos.
Mãe e Filha de Bicicleta

Mais:
– Confira o relatório da II Contagem da Rodolfo Dantas
Saiba mais sobre as contagens
Todos os relatórios da Transporte Ativo

Bicicleta e a Cidadania

Seminário Campos

A Transporte Ativo estará presente no I Seminário “A Bicicleta e a Cidadania” que vai acontecer no Instituto Federal Fluminense (IFF) em Campos no norte do estado do Rio. As inscrições podem ser feitas no local no dia do evento.

Representando a TA, Zé Lobo vai participar da mesa sobre “A Cidade Saudável”. A presença da TA se encaixa perfeitamente no tema. Toda cidade que quer ter cidadãos mais saudáveis precisa investir para que mais deles optem por caminhar e pedalar mais vezes. A equação é simples, pessoas ativas, tem uma saúde melhor e mais pessoas com saúde melhor, compõem uma cidade saudável.

Mais informações no site do IFF.

Pedaladas Rotineiras

Contagem Rodolfo Dantas

04 de Junho de 2009 – 11:04

As contagens em Copacabana tem aumentado o banco de fotos da Transporte Ativo, mas principalmente nos ensinado sobre a regularidade e possibilitado conhecer os hábitos de alguns ciclistas que ficaram “famosos”. A feliz coincidência de rever em fotos os mesmos ciclistas mostra que a rota tem usuários rotineiros, sempre presentes.

Contagem Rodolfo Dantas

05 de Novembro de 2009 – 09:00

Contagem Rodolfo Dantas

04 de Junho de 2009 – 11:31

Por hora os números apontam que não houve grande variação no fluxo de ciclistas na Rodolfo Dantas antes e depois da implementação da sinalização da faixa compartilhada. Pode-se no entanto auferir que a segurança viária percebida pelos ciclistas melhorou ou manteve-se igual. Rotas de bairro são usadas em viagens mais curtas e o fluxo é majoritariamente local, as variações dos números tendem a aparecer em um prazo mais longo. Mas ao menos um ciclista passou a sorrir mais.
Contagem Rodolfo Dantas

05 de Novembro de 2009 – 09:15

Em breve o relatório completo. Ambas as contagens fazem parte de uma parceria entre a Transporte Ativo e o ITDP. Saiba mais sobre a primeira contagem na Rodolfo Dantas.

Um Plano Cicloviário em Lei

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São Paulo foi pioneira na consolidação de uma lei que dispunha sobre a criação de um sistema cicloviário. Uma maneira de o poder legislativo municipal exercer pressão em prol do uso da bicicleta na cidade. No entanto leis precisam também de adaptações a novas conjunturas e por conta disso foi redigida uma nova lei para melhorar a antiga.

O novo texto com as contribuições de melhorias foi protocolado na Câmara Municipal de São Paulo, recebeu a numeração de Projeto de Lei (PL) 655/2009, e traz algumas novidades complementando a criação do Sistema Cicloviário do Município de São Paulo como:

– Equiparação dos triciclos não motorizados a bicicleta;
– Permissão por lei de transporte de bicicletas dobráveis em trem, metro e ônibus;
– Convênios com municípios vizinhos na implantação de projetos de melhoramentos cicloviários criando ciclovias intermunicipais;
– Definição de instalação de paraciclos no formato “U” ao contrário, devido ao formato “grelha” danificar bicicletas;
-Ampliação de locais e estabelecimentos que devem prever áreas para estacionamentos de bicicletas;
– Criação do Conselho Municipal de Melhoramentos Cicloviários, composto pelos membros do atual Pró-Cliclista e sociedade civil organizada, de forma deliberativa;
– Estabelecimento de prazo para adequação da em 360 dias;
– Criação de penalidades em casos de inobservância da lei.

Mesmo já apresentado, o PL ainda está em debate e novas alterações poderão ser incorporadas antes da votação. Já está inclusive programada uma Audiência Pública onde a sociedade está convidada uma vez mais a debater e propor mudanças ao projeto.

São Paulo já tem quase 15 mil leis, praticamente uma por quilômetro de viário. Para que a nova lei do Plano Cicloviário não fique “na gaveta”, a participação e o debate do Projeto de Lei é fundamental, afinal o legislativo responde sempre a demandas populares. A voz dos ciclistas tem portanto uma boa oportunidade de ser ouvida.

O texto do PL foi posto em debate na última reunião da Comissão de Bicicletas da ANTP e os participantes já estão em contato com o Gabinete do Vereador Chico Macena para melhorar o que for possível. Fica o convite para os ciclistas, paulistanos ou não, para colaborar na melhoria da futura lei. Mais do que um simples PL, o texto tem sido reproduzido (no todo ou em parte) em outras cidades e tem potencial para sair da câmara da capital paulista e ajuda a definir melhores políticas cicloviárias pelo Brasil afora.

Um Número Mágico

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A velocidade média do trânsito motorizado nas grandes cidades diminui a olhos vistos. Trata-se de uma excelente oportunidade para promover a segurança viária e ao mesmo tempo colaborar para a fluidez de pessoas e veículos. Reduzir a velocidade máxima permitida é o caminho mais fácil. Velocidades menores geram menos colisões e também possibilitam compartilhar de maneira mais eficiente a via entre os diferentes modos de transporte. Além disso, velocidades máximas mais baixas implicam em menos acelerações e desacelerações bruscas o que também facilita a fluidez dos motorizados.

O código de trânsito brasileiro (CTB) estabelece que nas vias arteriais a velocidade média permitida deverá ser de 60km/h e nas coletoras de 40km/h. Além disso, diz também que esses limites poderão ser alterados pelo orgão ou entidade com circunscrição sobre a via. Um levantamento da CET-SP do começo da década de 1990 mediu as médias de velocidade em um eixo de vias coletoras e arteriais. Nas coletoras a média mais alta foi de 28,1 km/h em situação de “trânsito livre” e nas arteriais em situação análoga mediu-se 35,3 km/h. Naturalmente a média dos dias de semana em “mês útil” são bastante inferiores e melhoram um pouco durante as férias escolares.

A discrepância entre as máximas permitidas e as médias reais é enorme e comprova a tese de que limites mais baixos não irão alterar em nada a realidade dos deslocamentos. O jornal O Globo por conta da implementação das Zona 30 em Copacabana percorreu de carro as ruas que teriam o limite de velocidade reduzido e constatou que a nova máxima era compatível com a média alcançada. Trata-se de um outro elemento de promoção a segurança viária já que a proximidade entre a máxima permitida e a velocidade de deslocamento acaba por incentivar o motorista a respeitar o limite.

Inúmeras ruas e avenidas Brasil afora teriam muito a ganhar com um limite de velocidade reduzido. Uma maneira simples e efetiva de promover a segurança viária para todos e ao mesmo tempo garantir que os mais frágeis sejam expostos a menos riscos.

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Mais:

Variação da Velocidade Média no Trânsito de São Paulo – CET
CTB – CAPÍTULO III – DAS NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA
Velocidade média dos carros em SP cai em um ano