Copenhague e o Futuro do Planeta
O século XX foi o ápice da expansão industrial desenfreada de um mundo sem limites. Nossas cidades foram modificadas para se adequarem a circulação de um bem material privado que necessitava cada vez mais de espaço público. Os impactos negativos dos excessos são sentidos todos os dias em consequência do consumo desenfreado de energia e materiais. Os combustíveis fósseis que fazem girar a roda da economia mundial são os mesmos que sujam o ar das cidades e alteram o balanço climático global.
O mundo está reunido em Copenhague na Dinamarca para atingir um consenso sobre maneiras de reduzir as emissões de gases do efeito estufa causadas por atividades humanas: da flatulência de vacas no campo ao escapamento de veículos motorizados, passando pela energia de termoelétricas e o lixo que produzimos. As soluções são acima de tudo políticas e os meios já estão dados, basta a mobilização de agir em direção a novos rumos. Os mesmos definidos pelo relatório Brundtland e “Nosso Futuro Comum”.
Mas não basta a retórica de um “desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. São necessárias ações que favoreçam atitudes sustentáveis por parte da população garantindo a todos o atendimento as suas necessidades básicas, sem que isso implique em impactos negativos ao meio ambiente que inviabilizem a existência humana.
Comunidades densas, onde o ser humano é prioridade, são certamente o caminho para o futuro e o que tem sido desenhado cada vez mais no século XXI. Afinal quando passarmos a pensar no ser humano e em suas necessidades principais, será mais fácil respeitar o ciclo de vida do planeta como um todo. As metas e acordos portanto terão de ser apenas os meios, e não fins em si mesmos para atingirmos um nível adequado de equílibrio entre a satisfação das necessidades humanas e as do Planeta.
Natal, Bicicletas e Eletricidade
No dia de abertura do COP 15, uma árvore de Natal especial foi montada em Copenhague. Com 17 metros de altura, todas as suas luzinhas são mantidas acesas pela força de voluntários que se revezam pedalando 15 bicicletas. A árvore foi montada para demonstrar como é fácil tomar medidas para economizar energia.
Um outro exemplo na Inglaterra mostra que 80 ciclistas são capazes de gerar eletricidade suficiente para gerar energia elétrica para uma casa durante um dia inteiro. A hora do banho no chuveiro elétrico foi o momento de maior esforço. Um exemplo de como a mais eficiente maneira de transformar energia em movimento é capaz de gerar eletricidade em quantidades significativas. Mas o consumo e a eficiência de eletricidade em nossas casas tem muito a evoluir e a ser racionalizado. Afinal nem todo mundo pode contar com a ajuda de 80 amigos para tomar um banho de chuveiro elétrico.
A lição de Copenhague é que uma comunidade pode se reunir para pedalar e manter acessa uma árvore de natal. Cada um fazendo um pequeno esforço para manter acesa sua parte.
Fatores Objetivos para Construção de Ciclovias

A relação entre velocidade dos automóveis e intensidade do tráfego é decisiva para determinar que infraestrutra se deve adotar para as bicicletas.
Uma avaliação criteriosa pode indicar se as condições atuais precisam sofrer pequenas modificações para que os ciclistas compartilhem a rua com automóveis, ou se uma ciclovia precisa ser implantada. Reduzir a velocidade dos veículos e o volume de tráfego são elementos mais importantes no planejamento de rotas para ciclistas.
Medir o fluxo e a velocidade dos automóveis é a primeira etapa na avaliação da necessidade de segregação, e deve ser complementada por um estudo mais amplo dos fatores locais.
A Transporte Ativo disponibiliza agora, em português, este gráfico clássico, apresentado pela primeira vez no documento “Sign Up for the Bike” editado pela CROW, na Holanda, em 1993.
A primeira vista, pode parecer complicado, mas é bastante simples, nossas vias precisam ter menos pontos vermelhos, com alta velocidade e/ou fluxo de motorizados, e manter-se mais dentro da parte azul clara do gráfico onde é seguro que ciclistas e motorizados compartilharem a via. Nas situações intermediárias de quantidade e velocidade dos motorizados, uma ciclofaixa pode ajudar.
Chuva e o Prazer de Viver

Arte: Igual a você / Soneto: Pensando Torto
Visto primeiro no: Ciclovenção Urbana
Soneto em Duas Rodas
Santo Pedro manda pra todos um recado
que só consegue ouvir quem está molhado.
É pra se ter de ouvido:
“Você tá vivo, menino!”
Chame a chuva pra chinfra; vem a chuva,
e o cheiro de chuva em chamas chamusca.
Chove em Quixotes
uma chuva-chicote.
Montados em suas magrelas
(que tratam como donzelas)
encontram-se seres humanos.
Cicloquixotes que chovem sozinhos
enfrentando gigantes-moinhos
voando ligeiro, anjos urbanos.
Transporte Não Motorizado

O Código de Trânsito Brasileiro menciona “veículos não motorizados” e o termo é costumeiramente aceito por planejadores urbanos e até mesmo promotores de meios de transporte ativos. Mas a terminologia deixa clara a importância de um sobre o outro. Algo que é o “não” tem uma relação de dependência com aquilo que é por si só.
Nós, frágeis criaturas, somos antes de mais nada seres que caminham. Foi assim que ganhamos o mundo e nos diferenciamos das outras espécies do planeta. Consolidado o caminhar, seguimos nosso caminho pelos mares afora, utilizando a força dos músculos que remam ou dos ventos que sopram. Muito recentemente surgiram os motores e as locomotivas a vapor foram as primeiras a alcançarem grandes velocidades em terra.
Apesar de todas as evoluções os conversores mecânicos de energia em movimento serviram apenas para facilitar o transporte de grandes volumes de pessoas e carga a velocidades nunca antes imaginadas. Continuamos sendo criaturas desprovidas de motor. A humanidade no século XX se iludiu em acreditar-se superior as forças da natureza e buscou distancia da nossa fragilidade. Grandes e poderosas máquinas motorizadas dominaram o cenário urbano e ganharam um protagonismo que é ruim para todos.
Retomar a essência das cidades como espaço para as pessoas passará também por colocar o que é mais importante primeiro. E o mais importante são os pedestres, ciclistas, patinadores, skatistas; transportes ativos enfim. Sinônimos existem: transportes inteligentes, à propulsão humana, etc… Já os “veículos não motorizados” continuarão sendo apenas aqueles que tiveram motor e hoje não tem mais.