Bicicleta e a Cidadania

Seminário Campos

A Transporte Ativo estará presente no I Seminário “A Bicicleta e a Cidadania” que vai acontecer no Instituto Federal Fluminense (IFF) em Campos no norte do estado do Rio. As inscrições podem ser feitas no local no dia do evento.

Representando a TA, Zé Lobo vai participar da mesa sobre “A Cidade Saudável”. A presença da TA se encaixa perfeitamente no tema. Toda cidade que quer ter cidadãos mais saudáveis precisa investir para que mais deles optem por caminhar e pedalar mais vezes. A equação é simples, pessoas ativas, tem uma saúde melhor e mais pessoas com saúde melhor, compõem uma cidade saudável.

Mais informações no site do IFF.

Super Poderes Ciclísticos: Pertencimento

O uso da bicicleta no meio urbano tem um papel fundamental em reconstruir individualmente o olhar. Quem pedala não é simplesmente mais saudável e pontual, mas principalmente passa a olhar para o ambiente onde vive de uma maneira distinta. As ruas deixam de ser apenas local de passagem rumo a um destino, passam a ser parte indissociável do diário ir e vir.

A cada dia, em cada rua que um ciclista cruza, por breves instantes, o asfalto pertence a quem pedala e vice-versa. A bicicleta é o único veículo capaz de tornar seu usuário proprietário e propriedade do espaço onde circula. Essa ligação efêmera se desfaz e se renova a cada giro dos pneus e segue. Sem deixar marcas, mas capaz de mudar para sempre o olhar de quem se locomove nas duas rodas a pedal.

Mais: Super Poderes Ciclísticos

Independência Energética

Nos momentos de crise, quanto mais simples, melhor. Diversos estados brasileiros e o Paraguai ficaram sem fornecimento de energia elétrica no final da noite do dia 10 de novembro. Milhões de brasileiros nas maiores cidades e também nas bem pequenas foram afetados. Dramas particulares se avolumaram com pessoas presas em elevadores, ou tendo de caminhar por trilhos desenergizados.

Foi um momento de crise emergencial em que pequenas coisas tinham valor fundamental para apaziguar e tranquilizar os ânimos. Tragédias de grandes proporções aparecem com frequência nas telas de cinema. Um apagão não é uma grande tragédia, mas, assim como os filmes, reforça o valor das coisas mais simples. Aquelas que mais se pode depender nos momentos de crise.

Pedestres, passageiros dos trens e metrô estavam sempre melhores em grupo do que isolados. O mesmo com as famílias dentro de suas casas as escuras. Para obter informações o mais simples meio de comunicação de massa ao vivo, o bom e velho rádio. Para quem precisou se deslocar pelas ruas, a bicicleta foi a melhor solução, bastou ativar o dínamo ou ligar os fárois e pedalar com cautela em meio ao breu urbano.

O mundo tornou-se complexo, mas a natureza humana é simples e continua sendo a mesma desde a pré-história. Em caso de crise, dependemos da nossa capacidade de nos mantermos unidos em um objetivo comum, de termos as informações que precisamos e os meios de deslocamento para chegar ao nosso destino. A lição é que quanto mais complexas e dependentes de energia externa forem nossas ferramentas, menor será nossa indepedência.

Portanto em caso de apagão, ative o dínamo para acender luzes e ouvir o rádio. Já para os deslocamentos, mantenha sua bicicleta em perfeitas condições de uso, sempre.

Mais:
E você, como foi de blecaute? – Luddista, Apocalipse Motorizado
Sem luz: Prefeitura mantém rodízio de carros, hoje – Milton Jung, CBN-SP

O Ciclista que Calculava

Quantidade de bicicletas para cada grupo de 1.000 pessoas (1990)
Nos Estados Unidos…385
Na Alemanha…………..588
Na Holanda…………..1.000

Percentual de viagens urbanas feitas em bicicleta (1995)
nos Estados Unidos…1%
na Alemanha………….12%
na Holanda…………….28%

Percentual dos adultos que sofrem de obesidade (2003)
nos Estados Unidos…30,6%
na Alemanha…………..12,9%
na Holanda……………..10,0%

Percentual da despesa total com saúde em relação ao PIB (2002)
nos Estados Unidos…14,6%
na Alemanha…………..10,9%
na Holanda……………….8,8%

Quantidade de pessoas que podem se deslocar no espaço equivalente a um metro de largura, em 1 hora:
Automóvel……..170
Bicicleta………1.500
Ônibus…………2.700
Pedestre……..3.600
Trem/metrô…4.000

Energia gasta por passageiro/milha (em calorias):
Automóvel….1.860
Ônibus…………..920
Trem……………..885
Pedestre……….100
Bicicleta………….35

Teoria do Ovo

A bicicleta é o veículo urbano mais eficiente.

Esta comparação entre meios de transportes exige cálculos complexos. A eficiência pode ser medida em termos de consumo por unidade de distância por veículo, consumo por unidade de distância por passageiro ou consumo por unidade de distância por unidade de carga transportada. Pode-se medir também redução de gastos e impacto nos orçamentos da sociedade, empresas ou pessoas.

Há um complicador nestas equações comparativas, que é o fato dos combustíveis utilizados serem diferentes. Trens, automóveis e ônibus usam combustíveis fósseis. O combustível de bicicletas e pedestres é um café da manhã ou um almoço e uma taça de sorvete. É preciso fazer uma matriz de conversão para consumo calórico, em joules ou watts, e mesmo assim os cálculos comparativos exigem algum esforço de compreensão.

De um modo mais simples e direto, podemos usar a teoria do ovo para comparar a eficiência energética entre os meios de transportes urbanos. Veja neste novo folheto produzido pela TA.

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