Destaques
Nichos e Marketing de Massa
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O termo em inglês “bike-hype” já circula livremente pelas bocas dos ciclistas. A bicicleta começa a aparecer cada dia mais na mídia, e além dela. A quantidade de aparições da bicicleta é notável, mas a qualidade pode sempre melhorar. Muitos erros no discurso ainda são cometidos, mas a forte presença em diversos círculos ajuda a fortalecer a visibilidade.
Qualificar a visibilidade é o desafio em curso e que vai além do hype, ou da “moda”. O ciclista urbano brasileiro ainda pode ser visto como parte de uma tribo, ou simplesmente pobre demais para utilizar o transporte público. E essa dicotomia entre pobreza urbana e conduta tribal são maléficas para alastrar o uso da bicicleta.
A bicicleta está na moda e seus benefícios já se alastraram para o discurso de todos. É impossível falar em sustentabilidade urbana ou mobilidade e não mencionar bicicleta. Todos falam de como pedalar faz bem para a saúde e o trânsito das cidades. O ciclista ganhou aura de herói e defensor do ar que respiramos. Mas isso é pouco.
Os administradores e cidadãos de nossas cidades precisam encarar a bicicleta não como um futuro utópico ou atividade para poucos. Pedalar tem que ser para todos e ser incentivado de tal forma que mães possam levar filhos aos colégios e crianças maiores possam ir sozinhas pedalando a escola. A bicicleta pode revolucionar as cidades, mas para isso tem de ser encarada com a devida seriedade.
Abaixo um video clipe que inspirou essa reflexão. Visto primeiro no Copenhagenize.com
A beleza das imagens impressiona e emociona, um tratamento digno de grandes campanhas publicitárias que vendem sonhos. A banda é 30 Seconds to Mars e a música “Kings and Queens” fala sobre os que eram reis e rainhas da esperança. Fica clara a intenção de associar os ciclistas ao futuro, como uma promessa. Mas a bicicleta já é para hoje, para o século XXI que está em curso.
Pedalada Histórica
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Foram mais de 90 pessoas presentes, ciclistas todos e o motivo, único. Fundar a Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo. A burocracia é grande, mas já era passada a hora de os engajados ciclistas paulistanos unirem-se institucionalmente. A maior bicicletada do país não poderia seguir sendo apenas mais um movimento de ciclistas sem líderes e rizomático.
Representatividade é certamente algo que os paulistanos souberam construir para a bicicleta. O trabalho pioneiro do pessoal das antigas, Renata Falzoni, Arturo Alcorta, Teresa D’Aprile, ou saudoso Sérgio Bianco, e etc… encontrou eco junto a muitos ciclistas que se conheceram ou simplesmente se fortaleceram através da bicicletada.
As mudanças sempre foram feitas por pequenos grupos que viram um pouco a frente um bom e novo caminho a ser trilhado. Assim tem sido muitos ciclistas em São Paulo. Face as dificuldades de se viver e de se transitar na metrópole se unem, seja em passeios de ativistas e de não-ativistas e agora numa Associação, oficialmente fundada.
Boa sorte a primeira diretoria e força nos pedais a todos os ciclsitas que se unem para ganhar força pelo Brasil afora.

A diretoria. Foto: Wadilson
Visite Ciclocidade.org, informe-se, participe.
Breve Fábula sobre Caminhos
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Era uma vez uma universidade com um gramado novinho. A grama verde e frondosa cresceu durante as férias e travou-se um importante debate: onde construir os caminhos para os estudantes? Alguns argumentaram que o melhor era ter somente calçadas ao redor dos prédios, para deixar a grama frondosa e verde intocada. Outros sugeriram que o calçamento fosse feito em diagonal, ligando todos os prédios. Mas então surgiu um sábio professor e sugeriu que a grama permanecesse intocada.
– Não façamos nenhum calçamento este ano. Ao final do semestre basta olhar onde a grama está mais desgastada e fazer as calçadas nesses trechos.
Todos louvaram a idéia do sábio professor e assim foi feito.
Moral de História:
Conhecimento é algo que se constrói com o tempo e nem sempre devemos nos apressar em construir soluções de acordo com nossas idéias. Seres humanos são um pouco como a água, fazem sempre o caminho mais fácil e direto para onde querem ir. A diferença é que a água segue sempre o rumo da gravidade enquanto as pessoas tem diversos interesses dentro e fora do tecido urbano. Olhar para o que já fazem pedestres e ciclistas em nossas cidades é portanto o caminho mais curto para o bom planejamento de uma mobilidade humana.
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Livremente inspirado nesse texto:
– Let pedestrians define the walkways
Frágeis Criaturas
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O arquiteto David Sim, representando o escritório do Jan Gehl, veio recentemente ao Brasil para ministrar um curso de dois dias para técnicos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Realizado no auditório do Instituto Pereira Passos, o workshop contou com a presença da Transporte Ativo e deu a todos uma grande lição para pensarmos e repensarmos as cidades.
A primeira premissa deve ser as pessoas, já que a condição humana não se modificou ao longo dos poucos anos de urbanização. Seres humanos ainda são as mesmas frágeis criaturas que precisam de abrigo, conforto e principalmente se sentirem seguros. Qualquer técnico ou administrador municipal deverá ter sempre em mente que apesar dos avanços tecnológicos, da capacidade técnica de construir complexas infraestruturas de aço e concreto no fundo somos apenas “humanos, demasiadamente humanos”.
Através da arte e da filosofia o ser humano sempre vislumbrou um novo futuro para a espécie. Arquitetos e urbanistas tem formação artística em suas grades curriculares de graduação certamente por esse e outros motivos. Ver além do que existe hoje sempre foi prerrogativa dos artistas. Além disso, a arte é sempre mais rica quando atinge as pessoas, quando fala sobre o ser humano e principalmente para o ser humano.
Mas há um problema grave no que tange a imaginação de quem planeja as cidades. E foi esse justamente o tema da primeira palestra do curso ministrado por David Sim: “A Dimensão Humana do Planejamento”. Pensar as cidades do futuro é dar a devida importância ao destinos das vidas das pessoas em detrimento a cidade que temos hoje, pensada para reluzentes objetos que se movem.
Nossa espécie construiu diversas culturas, diversas formas de ocupar o espaço, mas nunca deixamos de ser lentas, pequenas e sensíveis criaturas. E a grandeza de nossas capacidades residiu sempre na capacidade de organização em grupo. E tudo que a arquitetura puder fazer para unir e aproximar pessoas, será o caminho a ser trilhado para maximizar a real grandeza das cidades, seus habitantes.
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– Saiba mais sobre os projetos e a visão do Gehl Architects.
Força nos Braços
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Dois remos, muita disposição e alguns dias no mar. Uma viagem de Copacabana até a histórica Paraty em um caiaque para duas pessoas. Jornada entre amigos com belas imagens e a independência de se levar contra o mar e movidos pela própria força. Apesar de não ser a solução mais rápida, nem talvez a mais prática é certamente a melhor maneira de conhecer o litoral sul do Rio de Janeiro em suas belezas e mazelas.
Quem tiver conta no Orkut pode conferir as fotos no album do Vinil (parte 1 e parte 2).

