Mapa Cicloviário Unificado do Rio de Janeiro

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Uma habilidade fundamental do ser urbano é ter um mapa mental minimanente completo de sua cidade. Mais do que conhecer nomes de ruas e avenidas, saber navegar por elas mantendo um rumo. Cada cidadão tem seus marcos de orientação, seus trajetos e vivencia a cidade dentro da sua própria dinâmica.

Ciclistas tendem a vivenciar a cidade de maneira distinta, e como ainda são um grupo minoritário nas ruas brasileiras, tem uma tendência colaborativa natural. É um caminho lógico portanto que existam mapas da cidade feito por ciclistas e para ciclistas.

O Rio de Janeiro ainda não tem uma versão completa de rotas recomendáveis, nem tão pouco um mapa unificado que inclua todas as ciclovias e pontos de interesse do ciclista. Para corrigir essa deficiência, a Transporte Ativo buscou unificar os mapas colaborativos disponíveis na internet ao mapeamento da infraestrutura cicloviária carioca disponível em nosso site.

Em conversa com os desenvolvedores destes mapas, o Arlindo Pereira, Marcos Cavalcanti, Rodrigo Abreu e Zani, chegamos a conclusão que unir todas as informações em um só mapa seria maravilhoso.

Era hora de começar a criar um mapa unificado de consulta pública, bastaria apenas organizar os dados, criar um grupo de trabalho com os que já iniciaram seus mapas e aos poucos incluir novos colaboradores. Estabelecemos padrões, nomenclatura, simbolos e informações

O resultado ainda é um processo em produção e os cariocas estão convidados a participar. Basta se inscrever no grupo de discussão sobre o tema, para saber como proceder, e colocar a mão na massa. A idéia é juntar em um único mapa as melhores vias de circulação além de pontos de apoio e estacionamentos.

Ganhe um exemplar do livro “Crianças em Movimento”

Como forma de promover a bicicleta para as crianças, a Transporte Ativo traduziu em 2010 o manual “Kids on the Move” uma publicação da Comissão Européia. Com o nome de “Crianças em Movimento”, e tradução de Patrícia Casela, o livro está disponível para download gratuito desde então.

Através do patrocínio do Itaú, a Transporte Ativo tem agora diversas cópias impressas. Para divulgar esse conhecimento para pais, professores, alunos e demais interessados em educação, iremos sortear 10 exemplares através das nossas redes sociais. Cinco entre os seguidores do @TransporteAtivo no twitter e outros cinco entre os membros da fan page da TA no Facebook.

Para participar através do Facebook, visite nossa fan page e clique na aba “Promoções” e depois em “quero participar”. Para participar através do twitter, o usuário deverá tuitar o seguinte linK: http://kingo.to/10j8 acompanhado de uma frase de incentivo ao uso da bicicleta por crianças.

O sorteio será no dia 29 de fevereiro de 2012 entre os usuários do Facebook, e no dia 01 de março entre os usuários do twitter.

Saiba mais sobre o “Crianças em Movimento”.

Uma fonte para inspiração

Prédios modernos, ruas e avenidas, monumentos, museus, paisagens. Uma cidade tem tudo isso, mas é mais que o somatório de infraestruras. A verdadeira riqueza urbana é produzida por seus habitantes e vai além daquilo que se produz em fábricas. Atualmente o maior produto em circulação nas cidades são serviços. Idéias produzidas por mentes criativas nessa nova economia tem portanto mais valor do que a produção fabril.

Dentro dessa ótica, uma cidade no sul dos Estados Unidos buscou uma forma inovadora de se destacar dentre milhões ao redor do mundo. Local de moradia de dois tipógrafos, Chattanooga no Tenesse passou a contar com uma fonte tipográfica única que poderá ser usada livremente pelos órgãos governamentais e empresas locais.

A idéia é dar uma unidade visual à Chattanooga mais em acordo com a imagem propagada nos últimos anos pela cidade, que já foi uma das comunidades mais sujas do mundo nos anos de 1960.

A revitalização da região ribeirinha e um projeto de atração de artistas foram o motor da inovação e requalificação urbana até agora. A fonte exclusiva é mais um passo para tranformar essa cidade de 167 mil habitantes em um pólo da indústria criativa, aquela que depende da criatividade humana para prosperar.

Certamente um exemplo para cidades brasileiras, principalmente para São Paulo, que hoje está imersa na encruzilhada da (i)mobilidade urbana. Ainda que nem sempre tenha sido assim, capital paulista em 1907:

A cidade é uma das maiores e mais atraentes do Brasil, sendo notável por seus belos edifícios públicos, parques bem conservados e lindos bairros.

Os últimos 100 anos foram duros com São Paulo, a riqueza produzida na cidade serviu para uma expansão urbana desenfreada focada na mobilidade individual motorizada. As consequências estão estampadas diariamente no noticiário, congestionamento, poluição e perda da qualidade de vida.

Quebrar o ciclo vicioso de degradação urbana não é tarefa fácil, mas é o único caminho a ser seguido para que uma cidade possa atrair pessoas e gerar riquezas, um dos papéis milenares das ocupações urbanas.

Com informações da revista Good.is sobre Chattanooga e do Cidade para Pessoas sobre São Paulo.

Bicicleta e participação cidadã

O prazer de pedalar gera efeitos colaterais, o principal deles é a vontade de pedalar mais e disseminar o hábito entre amigos, conhecidos e até desconhecidos. Condições adversas de circulação para a bicicleta acabam inclusive por reforçar a união entre ciclistas. Quem pedala acaba por buscar transformar problema em pressão para a resolução.

Um excelente exemplo da união dos ciclistas em prol de uma solução propositiva aconteceu em São Paulo. Acessar o sistema de trens metropolitanos e o metrô é permitido em São Paulo em determinados horários, mas o ciclista deveria subir e descer escadas carregando a própria bicicleta. Esse pequeno detalhe operacional era um grande desincentivo para a integração modal da bicicleta com o transporte sobre trilhos. Mas as perguntas certas e um vídeo bem produzido foram capazes de reverter a situação em favor dos ciclistas.

Por conta do vídeo acima e sua repercussão, os operadores do sistema (CPTM e Metrô) passaram a permitir que os ciclistas utilizem as escadas rolantes, mas somente para subir. Um passo importante para que os técnicos das empresas entendam a dinâmica de circulação e para que os ciclistas ajudem a comprovar que bicicleta na escada rolante é seguro e não atrapalha os demais passageiros.

Pedalemos pois. Para mais informações e detalhes visite o Vá de Bike, Na Bike e a Cicloliga.

Bicicleta é muito mais do que ciclovia

Pelas Pogovias – Revista Naipe

Por conta das qualidades da bicicleta, ciclistas sentem uma certa superioridade em relação aos outros meios de transporte. Essa distorção é apenas aceitável por vivermos em uma sociedade que ainda precisa reconhecer os benefícios universais da bicicleta e implementar de maneira consistente medidas de valorização do ciclista. Por aceitável, entenda-se que precisa ser revertida.

O ciclista urbano, aquele que escolheu a bicicleta por opção, precisa deixar de ser um iluminado membro de uma seita secreta que se veste de lycra ou prefere o cycle chic. A bicicleta já é conhecida pelo seu potencial, mas quem busca promove-la ainda tem um longo caminho a percorrer na formatação do discurso.

O vídeo que ilustra esse post é claramente uma piada, mas esconde uma faceta que prejudica o reconhecimento da bicicleta como instrumento fundamental para a readequação urbana. Ciclovias, pogovias, carrovias, ferrovias, vias de pedestres, corredores de ônibus, ringues de patinação, pistas de skate. Qualquer um desses elementos só faz sentido quando se costura no tecido urbano.

Dentro dessa lógica, uma cidade saudável tem dois elementos principais o espaço de circulação e o de permanência, sendo que esses dois elementos se dividem entre públicos e privados. Ruas e calçadas são espaços públicos de circulação, um estacionamento de um hipermercado é um espaço privado de circulação. Uma praça é local de permanência (ou visitação) pública, um centro de compras é um equivalente privado.

Tornar nossas cidades melhores é pensar além dos espaços segregados, é compartilhar as ruas, criar espaços agradáveis para permanência, pensar nas necessidades humanas acima de todas as outras. O conceito é bastante simples ainda que possa parecer de difícil implementação. A realidade é que por meios dos incentivos certos os primeiros passos podem ser dados.

Trazer pessoas para circular nas ruas é fundamental e para isso é preciso que o espaço de circulação humana seja seguro e agradável. Infraestrutura adequada implica em mais pessoas que optam por ir à pé, de bicicleta, patins, skate, pogobol, etc. Serão essas pessoas que ao mesmo tempo irão requalificar o espaço e atacar o que hoje costuma ser um dos impedimentos para a circulação em meios de transporte ativos, o excesso de tráfego motorizado.

Incentivar pessoas a percorrerem distâncias curtas em meios de transporte ativos vai além da infraestrutura de circulação, é preciso pensar o zoneamento urbano e incentivar a proximidade entre locais de moradia, trabalho e lazer. Ainda assim, nem todos poderão resolver todas as suas necessidades dentro do seu próprio bairro. E para integrar os diferentes microcosmos urbanos é preciso transporte público que seja rápido, fácil e integrado. Afinal pegar três ônibus lotados logo cedo, ficar parado no trânsito e demorar horas para cruzar a cidade é o maior incentivo ao transporte individual motorizado que nossas cidades oferecem hoje.

O caminho é longo, mas através de opções individuais inteligentes pelo meio de transporte mais adequado para cada percurso e pressão junto ao poder público para melhorias na infraestrutura de circulação humana e do transporte público estaremos no caminho certo para cidades melhores.