Mobilidade e o Futuro das Cidades

Nas grandes metrópoles o trânsito caótico parece ser um problema insolúvel pela proporção que atingiu, em outras cidades a situação é menos dramática. Medidas podem ser tomadas antes que a situação fuja ao controle.
É isto que mostra o projeto “Melhorias e incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte” elaborado pela Prefeitura de Montes Claros, MG, com apoio e consultoria técnica da TA.
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Montes Claros tem cerca de 400 mil habitantes; é a 5ª cidade de Minas em população; possui a única fábrica de insulina do país; a Unimontes é considerada uma das melhores universidades brasileiras; e é a terra natal de terra de Darcy Ribeiro e Beto Guedes.

Por tradição e condição sócio-econômica do município, o número de ciclistas é muito grande na cidade. A atual gestão tem como diretriz a governança solidária e decidiu voltar os olhos para as bicicletas. Se por um lado vai atender a maior parte da população, por outro lado é uma medida inteligente, que procura prever e conter o caos urbano: as estreitas ruas centenárias da cidade, desenhadas na dimensão das pessoas, já estão saturadas de automóveis.

O projeto prevê as seguintes medidas:

  • Rotas e sinalização específica para bicicletas
  • Campanhas de educação dos ciclistas
  • 350 vagas em bicicletários modelo inglês
  • uma vez por mês, ruas de tráfego exclusivo para bicicletas [medida pioneira no Brasil.]
  • Mesmo de longe se vê no horizonte os montes que circundam e batizaram a cidade. Com a recente implantação de um moderno sistema de transporte coletivo e, agora, com medidas de valorização e incentivo ao uso da bicicleta, Montes Claros mostra que as soluções existem e podem ser adotadas preventivamente. A cidade coloca-se voltada para seu horizonte, em busca de um futuro melhor para todos.

  • Mais:
  • Projeto Cicloviário
    Cidades para bicicletas, cidades de futuro – Manual da Comissão Européia

    Mais Bicicletários Cariocas

    Recebido por email:

    Pedalando
    Estações de metrô, trens e barcas poderão ter bicicletários

    Boa notícia para os usuários de bicicleta e para os amantes de uma boa pedalada. Bicicletários poderão ser instalados nas estações de metrô, trens e barcas do Estado do RIo de Janeiro. A idéia é do deputado João Pedro (DEM), que apresentou o projeto de lei nº 835/2007, com esta finalidade.

    Na proposta, o parlamentar sugere que o bicicletário seja construído com proteção para dias de chuva e suporte para segurança. “O projeto tem como objetivo incentivar o uso da bicicleta no Estado. A proposta também vem contemplar os atuais usuários de bicicleta com a instalação de bicicletários junto aos meios de transporte de massa”, disse o deputado.

    Estudos e pesquisas científicas comprovam que, dia-a-dia, o meio ambiente vem sendo cada vez mais comprometido pelos poluentes provenientes dos veículos automotores, aliado aos transtornos no trânsito dos grandes centros. É necessário a conscientização dos cidadãos do nosso Estado, em contribuir e amenizar os transtornos ocasionados pelo número excessivo de automóveis, que vem aumentando a cada dia. “Entretanto, não basta apenas a conscientização ou incentivos como o acima exemplificado, se não for propiciado ao cidadão, as condições básicas que lhe garanta a segurança e comodidade na utilização da bicicleta como meio de locomoção alternativa”, falou o parlamentar. “Além dos fatores sociais e ambientais, a bicicleta é um meio de transporte excelente para pequenas e médias distâncias; a bicicleta não polui, não emite gases e produz pouquíssimos ruídos; a bicicleta é econômica; o uso da bicicleta é saudável; a bicicleta integra espaços e possibilita a comunicação entre as pessoas”, concluiu.

    O projeto foi encaminhado às comissões técnicas e, se aprovado, será discutido pelos deputados no Plenário da Alerj.

    Passeio na Zona Norte Carioca

    No próximo domingo 16 de Setembro haverá um passeio ciclístico na Zona Norte do Passeio. A idéia não é unir os cariocas numa congregação para que se valorize o uso cada vez maior das magrelas em todas as regiões da Cidade Maravilhosa.

    A idéia é levar a família e se divertir pelas ruas. As inscrições podem ser feitas gratuitamente na Loja Biketech do Norte Shopping ou antes do passeio. Haverá o sorteio de duas bicicletas e lanches.
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    Uma Semana Livre em Angra

    “A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo vai aderir, pelo sexto ano consecutivo, à “Semana Europeia da Mobilidade”. De 16 a 22 de Setembro, os carros deixarão de circular nas artérias principais da cidade Património Mundial.”

    Jornal A União.

    Essa notícia vem diretamente de Portugal e trata de uma cidade nos Açores, arquipélago português no oceano Atlântico. No Brasil temos também uma Angra, mas dos Reis. Além de diversas outras cidades históricas que poderiam se beneficiar da participação na Semana da Mobilidade. Para este ano, já são 24 cidades brasileiras inscritas.

    • Mais:

    > European Mobility Week
    Lista de cidades brasileiras participantes.

    A notícia foi obtida via menos1carro.blogs.sapo.pt

    Flanemos

    Uma excelente crônica de Zuenir Ventura no Jornal O Globo faz um convite a reflexão sobre nossas cidades e a maneira que nos deslocamos nelas.

    PRIMEIRO CADERNO – 08/09/2007

    A ditadura das quatro rodas

    Outro dia, dois amigos vieram andando a pé, à noite, da altura do Posto 4, em Copacabana, até o Posto 9, em Ipanema. Percorreram uns quatro ou cinco quilômetros conversando, olhando a paisagem, sem cansaço e sem medo. Só fizeram isso porque não são daqui, são de Porto Alegre. O carioca já foi definido como o ser urbano que pega o carro, anda uns mil metros, demora a estacionar, desce e então caminha dois, três quilômetros no calçadão. Não lhe passa pela cabeça aproveitar o trajeto de sua casa até a praia para se exercitar. Não que ele seja sedentário ou ocioso; até que se agita muito, é aerobiótico.

    Basta observá-lo numa manhã de sol ao ar livre, mexendo braços e pernas, fazendo exercícios, correndo.

    O que ele não sabe mais é flanar, um verbo que, se não foi inventado pelos franceses, é certamente sua especialidade. O que é flanar? Pergunta João do Rio, nosso cronista maior do início do século passado e um grande “flaneur” pela “alma encantadora das ruas”. Ele mesmo responde: “Flanar é ser vagabundo e refletir, é perambular com inteligência, é ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite”. Sei que há várias alegações para não se fazer mais isso, como a insegurança da cidade. Mas o verdadeiro vilão é o automóvel, com toda a cultura que o acompanha e que dela nos faz dependentes: o culto da velocidade, a obsessão de ultrapassar, a pressa de chegar. O engraçado é que no dia-a-dia cada vez mais se obtém o efeito contrário: a lentidão dos engarrafamentos, a demora, o estresse.Sem falar que os acidentes transformaram o automóvel num dos principais instrumentos de morte nas grandes cidades brasileiras.

    Por isso é que uma notícia como a dessa semana deveria acender um sinal vermelho junto ao governo. Se o Rio ganha 5.500 carros novos por mês, se há um automóvel para cada três habitantes, se a nossa frota já é de 2 milhões de veículos e se nada se faz para compensar essa explosão _ nem novas vias, nem medidas de ordenação do caos _ pode-se prever o que nos espera para breve. São Paulo instituiu o rodízio, outras cidades investiram em transporte público e criaram o pedágio urbano, Paris, Amsterdam, Barcelona, Bogotá, entre outras, adotaram a bicicleta como solução alternativa. O Rio parece que se rendeu mesmo à ditadura das quatro rodas.

    Existe uma idéia, bem radical, que tem muitos adeptos, inclusive o ex-prefeito Luiz Paulo Conde, que
    chegou a lançá-la, mas não a levou adiante: implodir o viaduto sobre a Praça 15. Isso mesmo. Bum! E
    assim comemoraríamos os 200 anos da chegada da família real ao Brasil. A medida de saneamento urbano não só devolveria à cidade um de seus espaços mais bonitos, como seria o marco simbólico de uma nova era. Serviria para mostrar ao mundo que no Rio, daqui pra frente, o pedestre vale mais do que o automóvel

    Há que se discordar do nobre cronista acerca da “rendição” do Rio de Janeiro. Cada vez mais ciclistas tomam as ruas e aos poucos a cidade caminha também para a humanização dos espaço público, basta procurar os exemplos.

    • Mais:

    Calçadas e Democracia
    A Liberdade da Propulsão Humana