Destaques
Exemplo Mexicano
Posted onAuthorJoão LacerdaLeave a comment
Uma excelente iniciativa da administração local na cidade do México é de grande valia para demonstrar um passo fundamental para a construção de cidades mais humanas.
Publicado neste 2 de abril no jornal mexicano “La Jornada” (1):
“Desde hoje, a primeira segunda-feira de cada mês, por ordem do chefe de governo do Distrito Federal, Marcelo Ebrard Casaubon, todos os funcionários de primeiro escalão da administração local, sem exceção, deverão transportar-se em bicicleta aos seus escritórios, com o objetivo de estimular entre a população, o uso deste meio de transporte.”
Os funcionários municipais contaram com a ajuda de organizações da sociedade civil envolvidas na promoção ao uso da bicicleta na capital mexicana. Além disso, como foi noticiado ontem na versão online do mesmo jornal (2), outros funcionários também foram ao trabalho de bicicleta ou utilizando transporte público.
Essa experiência pioneira certamente deveria ser copiada por governos ao redor do mundo, principalmente em países sem tradição no uso da bicicleta como meio de transporte entre todas as classes sociais.
Os países latino americanos em geral sofrem ainda com o preconceito em relação ao uso das bicis, já que as parcelas mais ricas da população dispõe dos incentivos e dos meios de utilizar o automóvel nos seus deslocamentos particulares.
Prioridade para as bicicletas e um sistema de transporte público de qualidade são cada dia mais necessidades para atender de maneira mais justa a todos os cidadãos.
Um política séria de incentivo ao uso da bicicleta nas cidades tem de partir também daqueles responsáveis pela administração municipal. Que seja apenas o começo e que cada dia mais pessoas em todos os escalões, possam utilizar e percorrer as cidades da melhor maneira possível.
- Mais informações:
> México estimula cidadãos da capital a irem de bicicleta para o trabalho
> Bicitekas
> ITPD
(1) Comienza la transportación en bicicleta de funcionarios del GDF
(2) Otros funcionarios también utilizaron el velocípedo
> Cumplen funcionarios capitalinos con su primer traslado obligatorio en bici
Cidades para Ciclistas
Posted onAuthorJoão LacerdaLeave a comment
Deslocar-se de bicicleta é uma atividade ainda desconhecida por muitos urbanistas e planejadores urbanos em geral. Um artigo bastante interessante aborda um tema difícil: “Por que ciclistas odeiam sinal fechado?”
A conclusão explicita claramente uma contradição hoje existente em nossas cidades. A necessidade de incentivos ao uso da bicicleta e a falta de um planejamento que atenda as necessidades dos ciclistas.
Motoristas se dizem confusos com a presença de bicicletas nas ruas, alguns desejam até que veículos de duas rodas simplesmente desapareçam. Os carros são a principal preocupação dos ciclistas em relação a sua segurança. Os técnicos de trânsito têm de descobrir maneiras de coexistência pacífica entre bicicletas e automóveis.
Um bom começo, é levar as preocupações dos ciclistas a sério. Quem pedala não será bem servido por um sistema viário desenhado para motorizados. A redução do número de paradas obrigatórias em rotas ciclísticas faria com que os deslocamentos por bicicleta se tornassem mais atraentes tanto para os atuais usuários, como os em potencial. Permitir que os ciclistas tratem sinais de parada obrigatória como sinais de “dê a preferência” poderia resolver o problema de uma maneira diferente.
Talvez as cidades devessem comprar bicicletas para os seus engenheiros de trânsito e exigir que eles as usassem frequentemente para ir ao trabalho. Não há maneira para que eles aprendam o que é pedalar no trânsito do que experimentando os riscos e alegrias de faze-lo.
Contando com a força das próprias pernas, ciclistas têm necessidades especiais para bons deslocamentos. Uma delas, como também aborda o artigo, é manter uma velocidade constante, que implica num bom ritmo de batimentos cardíacos que acarreta na diminuição do esforço para cumprir distâncias.
- Mais Informações:
> Why Bicyclists Hate Stop Signs
Joel Fajans & Melanie Curry
Ruas e seus Usos
Posted onAuthorJoão Lacerda1 Comment
[photopress:DSC054852.JPG,resized,centered]
Domingo em Ipanema – Dia
A cidade do Rio de Janeiro aos domingos e feriados conta com uma iniciativa que promove o bom uso do espaço público. Ao redor da cidade, durante 12 horas diversas ruas e avenidas são fechadas para o trânsito motorizado.
Na mais famosa dessas áreas, ao longo da orla da Zona Sul, milhares de pessoas caminham nas pistas de asfalto. Moradores de diversos bairros aproveitam seus dias de folga gratuitamente dessa maneira. São atraídos pelo espaço livre, pela concentração de pessoas e pela brisa do mar. Outras ruas cariocas contam com a iniciativa, mas certamente as junto ao mar são as mais populares.
A qualidade dos espaços públicos de uma cidade são um fator preponderante na valorização dos imóveis no entorno. A vista para o mar vale muito, mas não se pode desprezar a importância para toda a cidade que haja uma grande diversidade de áreas de lazer livres e onde possam sempre haver uma grande riqueza de interações humanas.
Pouco antes das 18 horas, há a troca entre os dois usos distintos da Avenida Vieira Souto em Ipanema, um dos metros quadrados mais caros da cidade. Todos os domingos e feriados, sempre no mesmo horário o trânsito é aberto aos motorizados pela Guarda Municipal. Os veículos se acumulam a espera do espaço de circulação. Após a passagem dos carros, resta o vazio.
[photopress:DSC04942.JPG,resized,centered]
Domingo em Ipanema – Após as 18 horas.
Fotos Zé Lobo
Mais bicicletas para a Cidade luz
Posted onAuthoradminLeave a comment
No dia 15 de julho, dia posterior ao feriado nacional da Queda da Bastilha, os franceses, mais especificamente, os parisienses, terão mais um motivo para comemorar. Nesta data será lançado um grande programa de aluguel de bicicletas, que pretende instalar estações eletrônicas de retirada e devolução a cada 250 metros por toda a cidade e chegar em 2008 com mais de 20.000 bicicletas disponíveis para a população.
Segundo declaração de autoridade da prefeitura de Paris, o objetivo do programa: “não é só modificar o equilíbrio entre os meios de transporte e diminuir a poluição do ar, mas também modificar a imagem da cidade, ter uma cidade onde os seres humanos ocupam um maior espaço.”
Em tempos de consolidação da União Européia e da globalização, nos quais milhares de trabalhadores têm grande mobilidade quanto ao local onde querem trabalhar e viver, as cidades começam a competir entre si, preocupando-se em investir na qualidade de seu espaço urbano, melhorando a qualidade de vida de seus habitantes, para atrair mais trabalhadores e mais capital e promover um maior desenvolvimento econômico e social.
Bom para Paris, bom para os parisienses e para os mais de 22 milhões de turistas que a cidade recebe a cada ano, que poderão descobrir os encantos da “cidade luz” com a agilidade e eficiência que só as magrelas podem proporcionar. Paris a velo, c’est formidable!
Os termos da parceria entre a Prefeitura de Paris e a empresa prestadora dos serviços, a Cyclocity, subsidiária da empresa de propaganda JCDecaux é também muito interessante. Serão 10 anos de concessão, com investimento inicial de 85 milhões de euros. Toda receita das operações serão pagas à Prefeitura, que também receberá da empresa a taxa anual de funcionamento no valor de 3,2 milhões de euros.
A contrapartida para a empresa será a exploração dos mais de 1.600 outdoors pertencentes à prefeitura pelos mesmos 10 anos. Mesmo assim, quase metade deste espaço deverá ser disponibilizado à prefeitura sem custos para campanhas de interesse público. Infelizmente o bom exemplo parisiense não chegou à São Paulo, onde ao que tudo indica, a prefeitura começa a instalar por si própria mobiliários urbanos, que serão provavelmente explorados pela mesma multinacional francesa, informa o Apocalipse Motorizado.
- Mais informações:
Bicicletas em Paris no Washigton Post (em inglês).
via blog Vou de Bicicleta
Pedaladas Pacíficas
Posted onAuthorJoão Lacerda4 Comments
Deslocar-se no trânsito em meio aos veículos motorizados pode acabar gerando conflitos. Fechadas em geral são o mais comum. No entanto o ciclista deve sempre evitar produzir uma escalada de eventos e promover a “Fúria Automobilística”.
Engarrafamentos são fonte de grande tensão e ansiedade para os motoristas. Imune as retenções, cabe ao ciclista no mínimo ser solidário ao sofrimento alheio. Até porque tendo uma máquina poderosa, os motoristas podem eventualmente optar por oprimir a frágil bicicleta.
Para contornar essa situação, o ideal é que após algum episódio desagradável envolvendo um motorista protestar de maneira comedida e incisiva. O nível de tensão e desatenção dos motoristas impede que ouçam mais que uma frase.
Um roteiro geral pode contar com as seguintes palavras:
“O senhor (ou senhora) reparou a distância e velocidade que passou de mim? Respeite o código de trânsito, você colocou a minha vida em risco pra ficar parado no sinal 10 metros depois”.
A simpatia, um sorriso ajudam muito mais do que envolver-se em um bate-boca. A tendência em situações de tensão é que as coisas piorem exponencialmente. A melhor coisa é o bom humor. Quando não der, é respirar fundo, respirar fundo de novo e com a maior calma do mundo mandar uma única frase que esteja no CTB e ir embora. Esse motorista ao ver o ciclista sumir em meio ao enfarrafamento terá bastante tempo para pensar. Prevalecendo a lógica de deslocamentos cotidianos, as velocidades médias serão no mínimo equivalentes e poderão haver novos encontros que irão reforçar a mensagem fundamental. Um ciclista no trânsito é capaz de, sem se esbaforir, manter uma média de velocidade maior do que a do trânsito motorizado.
Pedalar é também espremer limões e fazer limonadas, todos os dias.
“Três quartos das misérias e mal-entendidos do mundo desaparecerão se nos colocarmos no lugar de nossos adversários e entendermos o ponto de vista deles.”
- Mais informações:
CTB de Bolso.
Resolução de Conflitos.
Fúria Automobilística.
