Visibilidade

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Números podem esconder dimensões humanas. Quantidade não pode medir felicidade ou satisfação. Centenas de milhares de paulistanos vão e vem para o trabalho todos os dias pedalando. Economia, talvez. Pelo meio ambiente, quem sabe. Pelo prazer, certamente. No entanto muito há para ser feito para induzir mais viagens em bicicleta por mais pessoas, mais vezes.

São Paulo ganhou pintura nova em grandes avenidas de uma área nobre da cidade. Uma grande bicicleta estampada no asfalto e a indicação de dia e horário. Domingo das 7h às 12h. Pouco ainda, um projeto piloto apenas. Mas uma iniciativa que já reverbera na grande mídia e que ajuda a cumprir uma missão hérculea para todos os que promovem a qualidade vida: dar visibilidade aos ciclistas.

Visibilidades se somam. O poder público age em seu próprio ritmo e a sociedade civil pressiona, demanda e até mesmo viabiliza iniciativas que aos poucos reverberam e promovem a qualidade de vida para todos. Sem líderes e sempre em consenso, a Bicicletada Paulistana em sua edição de agosto tomou o rumo do parque das Bicicletas para preencher os espaços vazios no asfalto sinalizado com bicicletas de verdade.

Números apontam 4 milhões de bicicletas esquecidas em garagens na cidade de São Paulo. São também mais de 300 mil viagens por dia em bicicleta e 700 mil aos fins de semana. Mas quando os números ganham as ruas em uma massa coesa, a alegria toma conta.

Cidades e Prostitutas

Além de sua inigualável eficiência nas cidades, a bicicleta é um veículo de qualidades únicas. Aproximam pessoas e resgatam nossa dimensão humana. No dia 23 de junho, o jornal Correio Braziliense publicou reportagem sobre uma boa ação realizada por donas de casa junto a prostitutas no entorno do DF. Chamou atenção este trecho:

Ana Maria, Marta Regina e Francisca Michele se uniram a outras mães de família para formar o grupo Guerreiras de Fátima. Realizam um trabalho social com o intuito de ajudar a quem precisa. E desde a última semana iniciaram um plano ousado: cadastrar todas as prostitutas da cidade para fazer exames ginecologicos no posto de saúde. […] Francisca e Ana saem de casa a pé para bater de porta em porta e registrar as mulheres. Elas usavam duas bicicletas, que quebraram.

Decidimos ajudar nesta ação social, doando bicicletas para substituir as quebradas. Contamos com a colaboração da Nilvanete Ferreira da Costa e do Alessandro Uccello, funcionários do Banco Central que doaram as bicicletas. A revisão mecânica ficou por conta da Transporte Ativo.

Bicicletas doadas

A viagem de entrega foi no dia 16 de julho. Saindo de Brasília foram 40 km até Águas Lindas para encontrar Ana e Michelle e presentea-las com as bicicletas.

Michelle, Denir e Ana, recebendo as bicicletas

Ficaram muito empolgadas ao receber o presente. Saímos pelo interior do Hospital Bom Jesus, para mostrar o trabalho que fazem, e a todo mundo elas anunciavam que estavam ganhando bicicletas novas naquele dia. Ao longo da manhã, contaram sua história de vida. A ação social delas não se restringe às prostitutas. Ajudam mães solteiras, idosos, pessoas carentes.

pedalando com bicicletas novas

Na despedida, ao vê-las pedalando para casa, ficou a certeza de que a bicicleta pode ir muito além de um equipamento de esporte, lazer ou um meio de transporte. De certa forma, nossas cidades estão prostituídas por interesses fáceis, pelo poder do dinheiro para a satisfação de uma minoria. Encontrar pessoas como a Ana, a Michelle e suas amigas da Associação Guerreiras de Fátima reforça a certeza de que é possível agir para o bem em situações de extrema adversidade. Bicicletas podem salvar cidades e prostitutas. Ou como resumiu a Ana com um largo sorriso no rosto: “bicicleta é só o ouro”.

Guerreiras de Fátima

  • a ação social está precisando de um triciclo para carregar cestas básicas, doações e outros volumes grandes. Se você puder colaborar, por favor entre em contato
  • Grande Fluxo, Baixo Impacto

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    As contagens fotográficas feitas pela Transporte Ativo visam acima de tudo dar visibilidade as bicicletas. Durante as tradicionais 12 horas em fotos, estivemos agora na esquina das Ruas Figueiredo de Magalhães e Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Muitas bicicletas eram esperadas e muita gente pedalou por lá. Exatamente 1420 ciclistas computados em uma média de 118 por hora.

    Os cliques foram constantes, mas a surpresa maior ficou na comparação com os dados da CET-Rio para o número de deslocamentos em automóvel.

    No pico da manhã (para os automóveis) (de 8 às 9 horas)
    – pessoas se deslocando por automóvel (considerando 1,4 pessoa por automóvel): 1364
    – por bicicleta: 72
    – relação ciclistas / automobilistas : 5%

    No pico da tarde (para as bicicletas) (17 às 18 horas):
    – pessoas se deslocando por automóvel (considerando 1,4 pessoa por automóvel): 1552
    – por bicicleta: 192
    – relação ciclistas / automobilistas :12%

    Ficou muito claro o potencial para o uso da bicicleta. São duas ruas muito movimentadas com trânsito pesado de ônibus e automóveis e sem qualquer tratamento cicloviário. Mas a infraestrutura para as bicicletas está a caminho e 3 meses depois de sua instalação a Transporte Ativo estará de volta, máquinas fotográficas em punho.

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    Mais:
    – Leia o relatório da Contagem na Figueiredo. (PDF)
    – Albúm de fotos.
    – Conheça outras contagens fotográficas de ciclistas.

    As Amarelinhas já Chegaram

    Está funcionando desde Junho, na Universidade de Brasília, um sistema de bicicletas comunitárias gratuitas. O Projeto de Extensão que nasceu dentro da Faculdade de Educação Física da UnB, é inspirado nos moldes do “Plano das Bicicletas Brancas”, que aconteceu a década de 60, em Amsterdã e que culminou em grandes mudanças políticas e de relações interpessoais naquele lugar.

    A idéia era bem simples: Fazer uma grande campanha de doação de bicicletas usadas, reformá-las, padronizá-las e soltar as magrelas livremente pelo campus, para uso de alunos e funcionários. Em torno dessa idéia, juntou-se um bom grupo de alunos e outros voluntários que não tem nenhuma relação com a Universidade.

    Este ano, o Projeto Bicicleta Livre recebeu uma grande doação de bicicletas da ONG Rodas da Paz em parceria com a rádio Transamérica. As bicicletas foram captadas, numeradas e enviadas para uma sala de aula, onde atualmente funciona a oficina. Todos os sábados a partir das 10:00, os voluntários do projeto chegam e botam a mão a graxa.

    O processo pode parecer simples: Desmontar, pintar e remontar as bicicletas, para em seguida, liberar para a utilização. E deveria mesmo ser bem simples, não fosse a escassez de peças e muitas vezes até mesmo de mão de obra para a manutenção, já que são os próprios voluntários que consertam as bicicletas sem a ajuda de nenhum mecânico profissional.
    Mesmo com esses contratempos, o Bicicleta Livre segue firme na sua proposta e desde o seu lançamento, vem agregando mais e mais pessoas.

    O Projeto Bicicleta Livre, impulsionado pela simplicidade e praticidade de seu sistema, prima pelo pioneirismo, afinal não existe no Brasil nenhum outro sistema similar em funcionamento. Atualmente mantém diálogos com alunos de outras universidades, como a UNICAMP e a USP, no sentido de trocar informações e experiências para que projetos similares sejam implementados também nessas universidades.

    Além disso, o sucesso do projeto despertou grande interesse da comunidade acadêmica e apoio indiscriminado por parte da Reitoria.
    Vale lembrar ainda que, desde o lançamento, as bicicletas se encontram completamente soltas pelo campus Darcy Ribeiro. O grande sucesso do projeto se reflete na consciência das pessoas: Apesar das dificuldades com a manutenção, nenhuma bicicleta sumiu e esse que num primeiro momento era motivo de grande preocupação, é agora motivo de orgulho para os voluntários do projeto.

    Mudança Volumosa

    Ônibus e bicicletas rotineiramente compartilham espaço pelas ruas de qualquer cidade. O código de trânsito brasileiro estabelece que o ciclista deve seguir pelos bordos da pista, exatamente por onde circulam os coletivos no para e anda do embarque e desembarque de passageiros.

    A diferença de massa e volume dos veículos coloca essa disputa por espaço em condições desfavoráveis para quem vai de bicicleta. Cria-se assim a necessidade de um maior respeito do motorista pelo ciclista. Foi justamente com essa intenção que o André Pasqualini do Ciclobr ministrou palestras para multiplicadores. A mensagem era simples e visava sensibilizar os motoristas dos ônibus urbanos para compartilhar a rua com os ciclistas.

    A idéia é mostrar ao motorista as diferentes posturas do ciclista no trânsito, seu comportamento e as situações que os levam a tomar certas atitudes. Não é uma defesa parcial do ciclista, não é uma classificação de melhor ou pior, mas um estudo para que o motorista, ao cruzar com um ciclista, possa prever suas ações e com isso, tomar ações defensivas mais adequadas.

    Entre os ciclistas, as histórias de respeito dos motoristas sempre impressionam e tem sido cada vez mais comuns. Reflexo do treinamento ministrado inicialmente pelo Pasqualini e multiplicado pelas garagens? Fruto da presença constante e crescente de ciclistas nas ruas? Seja como for, os ciclistas agradecem. Seguindo invariavelmente em uma velocidade média maior do que a dos ônibus.

    Na parábola da lebre e da tartaruga, a primeira era leve e ágil e a segunda pesada e lenta. Nas ruas a bicicleta é uma lebre que segue devagar e sempre e o ônibus com seu grande casco atinge velocidades mais altas. No entanto nas ruas de qualquer grande cidade não há bandeira quadriculada no final da disputa, apenas semáforos, pontos de ônibus e cruzamentos que dividem os rumos.

    – Mais:
    – Notícia sobre a “Palestra aos Motoristas de Ônibus de São Paulo” – ciclobr.com.br
    As palestras estão disponíveis para consulta e replicação.