por mais pessoas em mais bicicletas mais vezes | Mobilidade Urbana e por Bicicletas | Qualidade de Vida | Educação Cicloviária | Transporte Sustentável
Existem muitas ferramentas disponíveis para transformar cidades em cidades mais ativas e acessíveis; a bicicleta é uma delas. Ela é muito mais do que apenas transporte, já contribiu parao desenvolvimento urbano sustentável e pode contibuir significativamente para os objetivos globais e a Nova Agenda Urbana. Com isto em mente, a Federação Europeia de Ciclistas (ECF) está organizando um evento de networking durante o Habitat III, em QUito no Equador, reunindo partes interessadas de diferentes setores e origens para discutir e concordar sobre como podemos colocar em prática os resultados da Nova Agenda Urbana em combinação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (metas globais) para cidades acessíveis e ativas através da promoção do ciclismo.
Caso esteja em Quito, compareça no dia 20 de Outubro, às 14hs na sala MR18 da Casa de la Cultura Ecuatoriana Benjamin Carrion.
Neste mês de setembro, faz dez anos que a Transporte Ativo realizou o primeiro Desafio Intermodal deste século no Brasil, a primeira Vaga Viva e a “tradução” dos nomes para o português. O Desafio Intermodal veio do Inglês/Canadense Commuter Challenge. A Vaga Viva foi inspirada no americano Parking Day, trocadilho que em português não tinha o mesmo efeito. O nome veio de uma sugestão do Willian Cruz do ‘Vá de Bike’ de colocarmos na esquina uma placa dizendo “hoje, nesta rua, uma vaga ganhou vida”.
Ruas verdes já eram realizadas em Belo Horizonte pela organização Rua Viva, mas as vagas vieram com a ideia do grupo reBar de São Francisco – Califórnia, que no ano anterior lançou a iniciativa que conhecemos, rebatizamos e realizamos. O Parking Day cresceu mundo afora e no Brasil também, virou Parklet, passou de ativismo a politica pública e vem ganhando cidades no mundo e no Brasil. O Parking Day e as Vagas Vivas seguem seu caminho abrindo novas portas e janelas. É muito gratificante ver que aquela ideia que acreditamos vingou, se espalhou e hoje acontece com frequência por aí.
O Desafio Intermodal também se difundiu bastante. Hoje segue sozinho, anualmente, em mais de 20 cidades brasileiras. Gera e apresenta resultados que os que pedalam já sabiam, mas surpreendem a todos os outros.
No Rio, o Dia mundial sem Carros também começou como uma inciativa da sociedade civil, cresceu, a Cidade aderiu como evento oficial, mas nos últimos anos vem acontecendo de forma bem tímida. O Dia Mundial sem Carro mais marcante em terras cariocas foi aquele de 2007, inesquecível para os que participaram.
Nestes dez anos, muita coisa mudou, muito do que imaginávamos lá atrás já existe hoje, ou seja mudanças são possíveis! O caminho é longo, pois ainda há muito a ser feito, mas as forças se renovam, novos grupos e novas ideias surgem, como a que a Ameciclo realizou neste dia 22 de setembro, sinalizando resultados de contagens de ciclistas nas próprias ruas e avenidas onde foram realizadas.
Que venham novos pioneirismos, novos desafios e novas conquistas, os ciclistas tem feito por onde, chegaremos lá!
O Ministério dos Transportes da Alemanha publicou um amplo estudo sobre o uso de bicicletas para o transporte comercial. O potencial de bicicletas de carga, para contribuir com um transporte mais amigável e eficiente de mercadorias em áreas urbanas, especialmente no último quilometro, aquele onde o produto vai da loja ao consumidor final e até mesmo dos depósitos para as lojas, ainda é muito subestimado, afirma o secretário alemão Dorothee Bär.
O estudo estima que existam atualmente mais de 50 mil bicicletas de carga em uso na Alemanha, sendo 58% utilizadas para as entregas postais. O potencial calculado foi muito conservador, mesmo assim as 8% de viagens de carga realizadas hoje em bcicicletas, teriam potencial para subir à 23% do total. Os cálculos foram feitos pressupondo que o peso máximo das mercadorias transportadas é de 50 kg e a distância máxima percorrida por dia é de 20 km. Sabemos que muitas entregas por bicicleta chegam a transportar até 250 kg em triciclos pesados e que alguns ciclcistas chegam a percorrer 80 km em apenas um dia, ou seja o potencial aumentaria muito com valores mais realistas.
Dentro do estudo, exsiste a recomendação da European Cyclelogistics Federation em se formar redes de cooperações, a fim de aumentar a visibilidade e a eficiencia. O Ministério alemão também pretende publicar orientações com recomendações para diferentes regiões do país.
No Rio de Janeiro, uma vez chamado pela consultoria Dinamarquesa Copenhagenize de Cargo Bike Capital, o uso de bicicletas na logística urbana é muito comum, assim como em todo o Brasil e em cidades Latino Americanas. A Transporte Ativo já realizou levantamentos sobre o assunto em 2011 e 2015, trabalhos que renderam prêmios e diversas apresentações em conferências ao redor do mundo. Alguns resultados do potencial por aqui, podem ser vistos no Paper “Os Benefícios dos Veículos de Carga à Propulsão Humana: Cidades Podem Alcançar Menores Emissões e Maior Segurança”. Apenas no Bairro de Copacabana foram encontradas mais de 700 bicicletas à serviço e empregos diretos, que realizam mais de 10 mil entregas por dia, gerando diversos benefícios, como economia de emissões, de espaço e de ruídos entre outros.
Além do transporte de cargas e bens, as bicicletas de carga servem também como uma extensão ao comércio local, indo mais longe em busca de resultados.
O jogo Pokémon Go foi o primeiro sucesso a unir o virtual com interações no mundo real. Para ser bem sucedido no jogo é preciso desbravar as cidades. Há um mapa, pontos de interesse e criaturas soltas a serem capturadas.
Para entender a dimensão do esforço de energia humana, o primeiro (e até agora único) grão mestre Pokémon teve de caminhar mais de 150 quilômetros para colecionar os 142 bichinhos virtuais diferentes disponíveis, tendo capturado um total de 4.269 monstros e emagrecido 4,5kg no processo.
Esse novo fluxo de pessoas e os dados georreferenciados que elas geram são um valioso recurso de megadados (ou bigdata), já devidamente capitalizado pelos criadores do Pokémon Go.
As pessoas se deslocam pela cidade para gastar dinheiro, consumir produtos, mas ao mesmo tempo geram efeitos negativos tais como a superlotação dos transportes públicos ou a poluição.
Entender o espaço urbano como uma pulsação de pessoas é fundamental para planejar melhor. Afinal, hoje no Brasil 86% das pessoas vive em cidades, quase 180 milhões em circulação de um total de 3,8 bilhões no mundo.
A realidade virtual é o flanar do século XXI?
No mundo em aceleração do século XIX, flanar era baixar a velocidade para imergir nas cidades cada vez mais rápidas. Ainda que a velocidade da época fosse a da tração dos animais ou das máquinas movidas a vapor.
Mais do que um jogo, Pokémon Go é uma técnica de trazer pessoas para os espaços públicos e principalmente um meio para unir o real e o virtual, a “realidade estendida” que se soma à “gameficação” das cidades.
Existem lições valiosas a serem aprendidas, certamente a maior delas é que a natureza humana anseia por interação e os espaços públicos estão aí para serem explorados, “conquistados” e, acima de tudo, melhorados.
Usar a inteligência dos dados do fluxo de pessoas no entanto vai muito além de um jogo de celular. Talvez o principal banco de megadados, ainda subexplorado, seja o das viagens em bicicletas públicas. O CitiBike de Nova Iorque tornou público em 2015 o seu relatório de uso após mais de 22 milhões de viagens.
Já a Fietsersbond (União de Ciclistas Holandeses) criou a semana de contagem de ciclistas, a maior pesquisa sobre o uso da bicicleta no país de 18 milhões de magrelas e 17 milhões de habitantes. Com um aplicativo de celular, foi possível descobrir dados sobre onde os ciclistas perdiam mais tempo em semáforos e onde havia potencial para a construção ou melhorias na infraestrutura cicloviária.
Seja para gerar riqueza para as empresas de software, ou benefícios para a população das cidades, os megadados estão aí para serem “minerados” em busca de informações valiosas.
Há alguns anos, ainda na primeira década do século XXI, um fenômeno começou a tomar conta das ruas do Rio de Janeiro durante o carnaval, foi o fenômeno da multiplicação dos blocos. Nos bairros, no centro da cidade, da zona sul à zona norte a ruas e avenidas passaram a pulsar com gente.
Hoje o samba e a alegria já estão consolidados muito além do sambódromo da Marques de Sapucaí. Todos os anos, quem gosta de espaços públicos democraticamente ocupados por pessoas pode ser deslumbrar com a diversidade da diversão. Seja rico ou seja pobre, o rei Momo sempre vem.
A consolidação da festa pagã durante o feriado religioso ainda coloca cidades no mapa, Salvador e Rio de Janeiro ainda são as praias famosas para quem quer tomar as ruas na busca de diversão. Tanto que em ambas, existe além dos consolidados roteiros, a aventura dos “pipocas” baianos, ou os “blocos clandestinos” dos cariocas.
Carnaval para redescobrir cidades
O ano de 2016 foi de consolidação da redescoberta das festividades de rua pelos paulistanos. Houve quem dissesse que a culpa foi da crise econômica que limitou os orçamentos e fez com que mais gente optasse por ficar em casa durante o carnaval. Uma análise mais ampla aponta para um fenômeno que se alastra Brasil afora. Carnaval deixou de ser a época de escapar dos grandes centros em busca de diversão sem limites nas cidades carnavalescas.
As pessoas continuam buscando as ladeiras de Olinda, Ouro Preto e tantas outras. Mas cada ano torna-se mais possível e razoável escolher entre ir dormir em casa depois da folia ao invés de enfrentar estradas ou aeroportos.
São Paulo é cidade de fugitivos. Destino de homens de negócio durante a semana e palco de gigantescos congestionamentos nas estradas causados por moradores em fuga para locais mais aprazíveis nos feriados prolongados. O necessário embate entre lazer/prazer e trabalho é ainda mais necessário na maior cidade brasileira, a noção de que a cidade é engrenagem de produção de riqueza e moedor de carne humana precisa ser reinventada.
Os cariocas descobriram primeiro que é possível ter prazer nas ruas da cidade em que se vive. Os paulistanos estão seguindo no caminho, e com seus superlativos, buscam espalhar a folia pela cidade para que o carnaval seja a apoteose da felicidade e menos parecido com o apocalipse da bebedeira, urina e lixo.
Saldo positivo para apresentar São Paulo já tem. A cidade arrecada mais dinheiro com o Carnaval de rua do que com o sambódromo do Anhembi e principalmente, desloca-se em massa através dos ônibus, metrô e trens. Mas acima de tudo, o reinado motorizado do resto do ano submete-se ao reinado das pessoas alegres, fantasiadas e dançantes.
Até quando o próximo carnaval chegar, o importante é tirar a purpurina do corpo, mas deixá-la guardada na alma.