Em busca da velocidade ideal

TA

O carro mais rápido do mundo atingiu 1223 km/h em 1997 num deserto dos EUA, enquanto o recorde da motocicleta mais veloz do mundo é de 600 km/h. Mas estes não podem ser comprados. Excluído o fator preço o carro mais rápido disponível para o público chegou a 500 km/h, é elétrico e custa R$ 13 milhões. E a motocicleta de rua mais veloz chega a 258 km/h…  Dentro de um contexto motorizado mais popular e acessível, carros e motos de hoje aceleram mais rápido e são mais velozes.

A paixão pela velocidade é uma febre mundial. A emoção e a excitação das altas velocidades conquista homens e mulheres de todas as nacionalidades, cores, credos e classes sociais. A alta velocidade gera emoção e isso é inegável. Mas ela vem com um risco diretamente proporcional ao número alcançado no velocímetro, claro. Se algo der errado a colisão ou queda cobrará um preço, bem alto e nem sempre “pago’ apenas por quem buscou aquela ’emoção’.

Qual a finalidade da velocidade? No esporte, o mais rápido ganha a competição; na economia a velocidade da produção reduz custos e aumenta lucros. No comércio, pode ser o diferencial que conquista aquele cliente. É o famoso “Tempo é dinheiro”. Então gastar menos tempo em qualquer processo pode significar mais dinheiro para a pessoa/empresa/cidade/país.

Na mobilidade humana a velocidade é uma questão complicada e polêmica. Será que quanto mais veloz o transporte, mais eficiente na missão de levar pessoas para lá e para cá? A princípio sim, mas a velocidade aumenta o risco de sinistros de trânsito que provocarão congestionamentos, fazendo todos demorarem mais para chegar ao destino.

Qual é a velocidade ideal dos transportes? Aquela que permite que pessoas e cargas se locomovam no melhor tempo possível. Sim, há o menor tempo e o melhor tempo de deslocamento. A busca por fluidez/maior velocidade, um anseio lá dos anos 1950 e que ainda está no foco de órgãos de engenharia de trânsito pelo Brasil e pelo mundo tem se mostrado cada vez mais uma prática ultrapassada, inadequada e cara. As perdas de vidas, os feridos e o prejuízo econômico associado aos congestionamentos por conta de sinistros são grandes demais. E quanto maior a velocidade, mais graves as colisões, com mais perdas de vidas, congestionamentos maiores e mais prejuízo. Isso prova o fracasso da busca por fluidez, por mais vias expressas, viadutos e túneis expressos. Reduzir a velocidade do trânsito de veículos diminui o tempo médio de deslocamento de pessoas e cargas, de quebra reduz custos, poluição, estresse, perda de saúde.

As bicicletas ajudam a regular a velocidade de veículos motorizados nas cidades de forma orgânica, ao mesmo tempo que contribuem com a redução do uso de carros em trajetos curtos com as já comprovadas virtudes de reduzir poluição do ar, poluição sonora, ocupação do espaço público e melhorando a saúde em geral dos que pedalam.

Há que se ampliar a divulgação de estudos que comprovam os benefícios de se buscar a melhor velocidade do trânsito nas cidades, estimular o uso de modais mais lentos, porém mais seguros, como bicicletas e as próprias pernas. A sociedade precisa refletir e discutir o impacto das bicicletas eletrificadas e dos autopropelidos no aumento da velocidade dos deslocamentos, que afasta das ruas a melhor velocidade, aquela que garante que todos chegarão aos seus destinos com baixo custo, conforto, no menor tempo possível e acima de tudo, com a certeza que a sua segurança está garantida, que nenhuma colisão vai ocorrer, mas que se por acaso acontecer, não será grave.

Há uma velocidade ideal para o deslocamento humano, a da caminhada, mas a bicicleta pura, sem motor, é uma ferramenta que aumenta essa velocidade na medida certa, sem comprometer a segurança. Pedale mais e sua cidade será mais segura, mais eficiente e mais humana.

Rua Dois Coqueiros

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Após um longo período buscando soluções para usar o contador de tráfego Telraam em ambiente externo, finalmente conseguimos, através de parcerias feitas em Ilhabela – SP. O equipamento foi instalado em uma caixa estanque feita especialmente para isso, e foi acoplado a um painel solar e a uma bateria externa de lítio. Além disso, a parceria com a Telraam foi renovada e nos permite acesso a todos os dados coletados, o que nos deixa prontos para novas contagens.

O teste com a caixa estanque e o painel solar, está sendo realizado na Rua Dois Coqueiros em Ilhabela – SP, os dados básicos podem ser acessados clicando na imagem acima. Em breve o contador irá para a estação das Barcas de Ilhabela, onde ficará por um período, antes de seguir para novas contagens. Publicaremos as novidades por aqui.

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A conversa continua: 8 anos depois, voltamos a refletir sobre a “Ditadura do Automóvel”

Olá, comunidade Transporte Ativo!

Toda vez que pedalamos ou caminhamos por nossas cidades, nós sentimos na pele uma verdade: o espaço não é neutro. Ele nos convida ou nos repele, nos protege ou nos expõe. E, muitas vezes, ele parece ter sido projetado contra nós.

Essa inquietação não é nova. Folheando os arquivos do blog da TA, encontrei um post de março de 2018 que anunciava a vinda do cartunista Andy Singer ao Brasil para o lançamento do seu livro CARtoons. Oito anos se passaram, e aquela conversa fundamental continua atualíssima e ainda mais relevante para o cenário pós COP 30, onde há expectativas sobre um acordo para implementação de planos concretos de adaptação às mudanças climáticas para as cidades.

É com essa sensação de estar continuando um diálogo que tive o prazer de escrever o Capítulo 15, intitulado “Desvendando a Ditadura do Automóvel: Representações, Injustiças e Futuros da Mobilidade em Diálogo com Cidades Ativas, Seguras e Saudáveis”  do recém-lançado livro “Interfaces entre Representações Sociais, Educação Física e Esporte”.

Capa_Livro

O título do livro já entrega a chave da nossa análise: a Teoria das Representações Sociais (TRS). Essa teoria nos ajuda a entender como as ideias e valores compartilhados em uma sociedade não são apenas “opiniões”, mas forças poderosas que moldam nossa realidade. O capítulo 15, aplica essa lente para entender nossa complexa relação com a mobilidade.

Como fã da obra de Andy Singer, vislumbrei a oportunidade de usar suas charges como um dispositivo de análise que materializa essas representações. A partir daí, a análise se desdobra com o apoio de referências cruciais:

A Justiça da Mobilidade (Mimi Sheller): Se a TRS nos ajuda a entender o porquê de pensarmos como pensamos, o trabalho de Sheller nos dá a lente para analisar as consequências injustas disso.

A Sociologia Crítica do Corpo e do Espaço (Bourdieu e Wacquant): E para entender como essas ideias e injustiças se manifestam em nosso dia a dia, recorri a sociólogos como Bourdieu e Wacquant. Eles nos ajudam a explicar como o automóvel deixa de ser um simples objeto para se tornar uma extensão do corpo, um marcador de status que disciplina e organiza a vida na cidade, muitas vezes de forma violenta e excludente.

Em resumo, o capítulo combina a Teoria das Representações Sociais para desvendar o imaginário, a Justiça da Mobilidade para qualificar as injustiças e a Sociologia Crítica para entender os mecanismos de poder por trás da cultura do automóvel.

O texto busca mostrar como as charges, quando lidas com essas ferramentas, revelam a profunda injustiça de um modelo que impacta nossa saúde pública ao projetar o sedentarismo e que nos nega o direito de lutar por cidades mais ativas, seguras, inclusivas, saudáveis e sustentáveis.

E a boa notícia é que essa conversa se expande dentro do próprio livro! Tenho a imensa alegria de dividir as páginas com os amigos Heloant Abreu e Pedro Pagliaro Cooper, que trazem contribuições enriquecedoras também. Helô nos provoca a pensar sobre a “Tarifa Zero: além das ideologias?” no capítulo 16 e Pedro, no Capítulo 14, lança um olhar fundamental sobre as “Representações Sociais do Uso de Bicicletas pelas Mulheres”.

O livro está disponível para download gratuito e/ou compra da versão impressa e é uma ferramenta para todos nós que sonhamos e trabalhamos por cidades feitas para pessoas. Oito anos depois daquele encontro com Andy Singer, a luta continua, mas agora com novas ferramentas e uma compreensão ainda mais profunda do nosso desafio.

Afinal, para mudar nossas cidades, precisamos primeiro mudar nossa forma de pensar sobre elas.

Uma ótima leitura!
Um grande abraço,

Juliana DeCastro

Abram caminho para caminhadas e uso de bicicletas

PATH COP30 Open Letter - Main Visual

Apelo a todos os governos nacionais para que tornem a caminhada e o ciclismo centrais nos compromissos climáticos antes da COP30

A Parceria para a Mobilidade Ativa e Saúde (PATH) apela a todos os governos nacionais para que se juntem à iniciativa de integrar a caminhada e o uso de bicicletas nas suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) antes da COP30.

Permitir que mais pessoas caminhem e pedalem com segurança é cada vez mais reconhecido como uma forma rápida, confiável e acessível de reduzir as emissões dos transportes pela metade até 2030 e ajudar a alcançar as metas do Acordo de Paris. As pesquisas da PATH mostram que dois terços dos países têm agora políticas de mobilidade ativa, mas os compromissos atuais muitas vezes não alcançam os objetivos necessários para garantir que atendam ao imperativo climático. Novas políticas de países como Brasil, Camboja e Lesoto mostram o que é possível. Suas ações planejadas vêm com metas e financiamentos, prometendo experiências de caminhada e uso de bicicletas mais seguras, limpas e agradáveis. Isto permitirá que milhões de pessoas que caminham e pedalam evitem as potenciais emissões que seriam geradas e incentivará os poluidores existentes a mudarem os seus hábitos e se beneficiarem de melhores condições.

Formuladores de políticas podem seguir o Modelo de Política de Deslocamento Ativo (2025) da PATH , um guia passo a passo abrangente, para a criação de políticas eficazes. A estrutura contém exemplos inspiradores de 20 ações que, quando implementadas, têm um impacto mensurável.

A COP30 é uma oportunidade crucial para incorporar a mobilidade sustentável à ação climática global. A PATH e seus apoiadores estimulam todos os governos nacionais a apresentarem NDCs ambiciosas sem demora. Agora é o momento de ampliar a ambição, os investimentos e incorporar a caminhada e o uso de bicicletas às estratégias climáticas para reduzir a poluição, beneficiar a saúde pública e criar sociedades vibrantes, inclusivas e equitativas.

PATH COP30 Open Letter - TA Logo

180 organizações de 47 países de 6 continentes já aderiram à carta.
Saiba mais sobre a Parceria pela Mobilidade Ativa e Saúde clicando aqui.

Agora é a vez da Gávea!

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A Rua Marquês de São Vicente na Gávea, Rio de Janeiro, conta com tráfego intenso e muitos ciclistas circulando. São estudantes, moradores, trabalhadores, entregadores, mães e pais, que seguem por esta via, com diferentes motivações.

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Fazem dois anos que aos poucos, temos mostrado por aqui e nos boletins mensais, diversas atividades que realizamos no Bairro da Gávea, em parceria com a Escola Parque, apoio da AMA Gávea e outras escolas do bairro. Tudo começou com alguns pais de alunos que levam seus filhos de bicicleta para a escola, em busca de mais segurança, para eles e para as centenas de alunos que circulam de bicicleta pelo bairro, fora os demais.

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Fizemos mapeamentos com os alunos do ensino médio, indicamos o Projeto A Caminho da Escola da CET Rio para o ensino fundamental, nos reunimos com pais, associação de moradores, Prefeitura do Campus da PUC Rio, realizamos pesquisas com pais e funcionários dentre outros, realizamos contagens e buscamos conhecer a realidade local e envolver aqueles que pedalam ou gostariam de pedalar com segurança na região. Tudo seguindo estratégias e metodologias já realizadas antes, com sucesso, como o Ciclo Rotas Centro, Tecnologia Social certificada pela Fundação Banco do Brasil.

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Com dados e fatos em mãos, veio o momento de apresentar a proposta à Prefeitura, via CET Rio, uma vez que o traçado já estava delineado no plano Cicloviário da Cidade. O Projeto foi muito bem recebido, vistorias na via foram feitas e hoje temos a implantação em andamento, já repleta de ciclistas circulando com maior segurança e respeito.

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Existem ainda muitos desafios, por ser uma via cheia de escolas com seus horários de entrada e saída, ônibus e trânsito intenso em vários horários do dia e da noite. Mas, dentro do possível a presença do ciclista agora está validada na via. Alguns ajustes já estão sendo pensados, seguiremos acompanhando, em breve realizaremos nova contagem e voltaremos a Escola Parque para apresentar aos alunos o resultado daquelas oficinas.

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