Mais espaço para pedestres

Aos poucos Brasília pode deixar de ser apenas uma “cidade feita para carros”. Embora historicamente a mobilidade seja tratada com alargamento de vias e construção de viadutos, há sinais de que alguma coisa está mudando na cidade.

Estão acontecendo obras de melhorias para os pedestres em pleno Setor Comercial Sul, área crítica sempre citada na mídia pela falta de vagas e carros estacionados sobre calçadas. Nestas obras, que inclui ampliação das calçadas, estão sendo tomadas vagas de carros!

revitalização de calçada no SCS - Brasília
A foto mostra um calçada sendo construída próximo ao Hospital de Base. Foram tomadas pelo menos 10 vagas de carros, num local onde a procura por espaço chega a virar discussão raivosa entre motoristas.

revitalização de calçada - SCS
Esta outra foto mostra uma calçada com cerca de 50 metros, onde antes só havia estacionamento. Foram eliminadas no mínimo 20 vagas para dar mais espaço ao pedestre. E não é só: a calçada terá piso tátil, canteiros e árvores.

Em todo Setor Comercial Sul, calçadas e áreas de pedestres estão sendo revitalizadas, com alargamento, nova concretagem e instalação de piso tátil e rebaixamentos. Estas duas últimas características leva-nos a crer que a CPA está envolvida nestas melhorias.

A Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) é um órgão vinculado a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Seduma) e tem por finalidade acompanhar o desenvolvimento do Programa de Governo “Acessibilidade: Direito de Todos”.

Cada metro destinado ao pedestre torna a cidade melhor. Ainda falta muito. Uma sucessão de equívocos levou a cidade ao caos, a ponto de um administrador admitir que “a cidade hoje está escondida atrás dos carros”.

Mas sempre é o momento de recomeçar, de refazer, de mudar a direção e pensar no futuro que se faz hoje. A semente da mudança pode estar em uma única pessoa, num único órgão; mas se germinar com vigor, vira árvore e floresta.

Devagar também nas estradas

Um estudo preliminar holandês concluiu o que qualquer motorista atento ao consumo de combustível sabe, ir devagar na estrada ajuda a economizar. Ao manter velocidades menores durante uma viagem, é possível também diminuir as emissões de CO2.

A tese que os pesquisadores da CE Delft levantaram é que trata-se de uma boa política pública reduzir os limites de velocidade nas estradas. Para emitir menos CO2 e portanto contribuir menos para o aquecimento global. Os ganhos podem chegar a 30% com a redução do limite de velocidade para 80 km/h nas auto-estradas. Vale lembrar que em muitas estradas brasileiras o limite para veículos pesados já é de 90 km/h.

Vale destacar os custos e benefícios:

CUSTOS SOCIAIS:

– Maior tempo de viagem
– Redução no índice de passageiros transportados/veículo/quilômetro
– Custos de fiscalização

BENEFÍCIOS SOCIAIS:

– Redução da emissão de CO2
– Redução na emissão de poluentes
– Redução da poluição sonora
– Aumento da segurança viária
– Redução dos congestionamentos
– Diminuição nos gastos com infraestrutura
– Economia de combustível

Transplantando esse estudo para a realidade brasileira, os benefícios podem ser ainda maiores. Tanto por salvar vidas nas estradas e também por tornar possível igualar a velocidade máxima dos veículos leves e pesados.

Para ler o resumo:
– Why slower is better
(via treehugger)

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