Devagar também nas estradas

Um estudo preliminar holandês concluiu o que qualquer motorista atento ao consumo de combustível sabe, ir devagar na estrada ajuda a economizar. Ao manter velocidades menores durante uma viagem, é possível também diminuir as emissões de CO2.

A tese que os pesquisadores da CE Delft levantaram é que trata-se de uma boa política pública reduzir os limites de velocidade nas estradas. Para emitir menos CO2 e portanto contribuir menos para o aquecimento global. Os ganhos podem chegar a 30% com a redução do limite de velocidade para 80 km/h nas auto-estradas. Vale lembrar que em muitas estradas brasileiras o limite para veículos pesados já é de 90 km/h.

Vale destacar os custos e benefícios:

CUSTOS SOCIAIS:

– Maior tempo de viagem
– Redução no índice de passageiros transportados/veículo/quilômetro
– Custos de fiscalização

BENEFÍCIOS SOCIAIS:

– Redução da emissão de CO2
– Redução na emissão de poluentes
– Redução da poluição sonora
– Aumento da segurança viária
– Redução dos congestionamentos
– Diminuição nos gastos com infraestrutura
– Economia de combustível

Transplantando esse estudo para a realidade brasileira, os benefícios podem ser ainda maiores. Tanto por salvar vidas nas estradas e também por tornar possível igualar a velocidade máxima dos veículos leves e pesados.

Para ler o resumo:
Why slower is better
(via treehugger)

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O paraíso das bicicletas se prepara

Em Copenhague, 37% das viagens para estudos ou o trabalho, são feitas em bicicleta. A cada nova ciclofaixa, o trânsito de bicicleta cresce 20% e o de motorizados diminui em 10% na via.

Além de tudo isso, de 22 à 25 de junho, a cidade sediará o Velocity Global 2010. Nada menos do que a maior conferência de bicicletas do mundo. Dentre os participantes, estarão três promotores da bicicleta do Brasil. Zé Lobo, pela TA, Leandro Valverdes em nome da Ciclocidade e o Cláudio Silva, do programa Bicicleta Brasil do Ministério das Cidades.

Boas pedaladas para quem embarca e que as cidades do mundo seja a cada dia um pouco mais Copenhague.

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Enxurradas urbanas

Quando a bicicleta é a opção, devagar e sempre, vão todos.

De trem, movem-se no ritmo das composições que vem e vão.

Congestionamento, originally uploaded by kassá.

Na enxurrada de carros, ninguém se move.

Cento e cinquenta pessoas em de Bogotá. Com ruas inteligentes a cidade pode ser de poucos, de muitos, ou de todos.

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Estilo para promover a bicicleta

Pessoas bem vestidas, pedalando. Um premissa simples que se alastrou pelo mundo. “Cycle chic” produz mais de 150.000 resultados de busca na internet. O termo se espalhou e para além das palavras, tornou-se comum defender o ato de pedalar como atitude estilosa.

Tudo começou com a foto acima, tirada em Copenhague, onde pedalar é norma e não exceção. Onde não existem cicloativistas, apenas ciclistas. Cidade onde a bicicleta está consolidada há muitos anos como veículo urbano e exatamente por isso é comum na paisagem.

Quase três anos depois dessa primeira foto, a Dinamarca tem embaixada das bicicletas e o mundo a cada dia pedala mais um pouco.

O “movimento” cycle chic e sua incipiante transposição para o Brasil traz uma renovação necessária para o esteriótipo de ciclistas como esportistas, excentricos ou miseráveis.

Pedalar é simples, é prazeroso, é para todos e não requer manual de instrução. Basta apenas que a cada dia, poder público, iniciativa privada e sociedade civil incentivem facilidades para quem pedala.

Os benefícios irão além de simplesmente termos mais ciclistas. Bicicletas são capazes de fabricar cidades melhores, e mais bonitas.

Leia mais:
Cycle Chic – Copenhagen Girls on Bikes
Cycle Chic: bicicleta com elegância (iG)

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Linhas de desejo e representatividade

Rios sempre foram obstáculos naturais. Em São Paulo são a grande barreira para os meios de transporte ativos. Os rios Pinheiros e Tietê formam uma linha real que separa o centro expandido da capital do resto da mancha urbana metropolitana.

Alças de acesso que permitem velocidades altas para os motorizados e a ausência de faixas de pedestres acabam por desencorajar viagens a pé e de bicicleta nas pontes. Em algumas delas caminhar e pedalar é até proibido.

Como forma de reforçar o desejo de pedalar em segurança sobre o rio Pinheiros, ciclistas pintaram uma ciclofaixa na ponte Cidade Universitária. O fluxo de pedestres é enorme por conta da USP de um lado e da estação de trem do outro lado do rio. Some-se a isso a grande oferta de empregos de um lado e moradias do outro.

O “cicloativismo apocalíptico” exemplificado na sinalização não-oficial carrega consigo o desejo ancestral de traçar o caminho mais curto e seguir por ele. Nas palavras do filósofo Gaston Bachelard, é a linha de desejo, ou trilha social. Foi desse modo humano de viajar que se fizeram caminhos na mata, que viraram trilhas, estradas. Por onde passaram boiadas, trilhos e estradas.

Caminhos em qualquer cidade, ou espaço humano habitado, serão sempre os mais curtos e fáceis. Durante as últimas décadas esse caminho era pensado para a utilização de veículos motorizados. A demanda e ineficiência em deslocar pessoas provaram a falência desse modelo. Para mitigar o colapso, resta investir em alternativas que encoragem o uso de meios de transporte inteligentes para as inúmeras demandas humanas por ir e vir.

Leia mais:
atos de amor e coragem (pedaline)
23 de maio (apocalipse motorizado)
Desire path (wikipedia)
Subconscious Democracy and Desire (Copenhagenize)

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