Destaques
Vida, Liberdade e a Busca pela Felicidade
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O título deste post é a tradução de um dos mais famosos trechos da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América. Essa simples frase é repetida como um pequeno mantra ético do país e foi reescrita no streetsblog para se adequar a uma nova lógica em nascimento nos EUA e ao redor do mundo. Cidades cada vez mais adotam o lema da “Vida, Liberdade e Busca pelo Espaço Público“.
O século XX do automóvel redistribuiu o espaço urbano e fez das ruas local de fluxo. A perda de qualidade de vida salta aos olhos e está sendo revista. Urbanóides mundo afora já promovem a mudança de percepção que irá construir as cidades do futuro. Um espaço onde o mais importante seja a vida, a liberdade e a busca pela felicidade.
Enquanto isso, ao ver um gatinho na rua, grite!
“Scream With Me” // PeaPod Pilot from Nate Byerley on Vimeo.
A Invisibilidade da Diáspora
Posted onAuthorJoão Lacerda1 Comment
Relações possíveis e impossíveis entre um plano cicloviário e a barroquíssima Capital Reconvexa
Lucas Jerzy Portela*
A população cicloviária de Salvador é quase toda pobre, negra e periférica (lembrando que como o Rio de Janeiro, Salvador tem “periferias” no centro, inclusive entre bairros nobres – e não apenas na periferia propriamente dita, como em São Paulo ou Recife). Uma população que não faz idéia de que a bicicleta é um meio legítimo de transporte, sobre o qual incide algumas regras. Em geral ela sequer deduz intuitivamente estas regras, achando que o correto é andar na contra-mão dos carros, e que os refletores atrapalham ao invés de ajudar…
Isso se dá pela pobreza de capital linguístico em que se encontra (além da material), mas também pela posição de invisibilidade que ocupa. É comum o visitante de Salvador se surpreender: “onde estão os tão falados 80% de população negra?”. Estão invisíveis.
Se a bicicleta já é por si um veículo em diáspora e da diáspora, invisível, em Salvador ele se faz invisível exponencialmente, e duplamente diaspórico: é bicicleta de preto (isto é: pobre) – e de preto que não se autoriza a usá-la como outro veículo qualquer. É uma bicicleta que não se coloca apenas à margem – mas à margem da margem.
Claro está que isso vem de uma histórica segregação da população em relação a cidade. A reforma do Pelourinho, durante o carlismo, retirou de lá uma população identificada com o bairro – e mandou pra conjuntos habitacionais no subúrbio. E o Pelô virou um shopping pra gringo, que nem como Shopping funciona. Mais do que isso: antes, seis linhas de ônibus chegavam até sua principal entrada, a Praça da Sé. Hoje, apenas 4 vão até a Rua da Ajuda. A Sé foi lacrada para carros, mas isso não significa uma boa apropriação para os pedestres. Ao contrário, como Shopping, a principal via de acesso ao Pelô são estacionamentos, pagos, entrando pelos fundos – isto é, pelo Vale da Barroquinha.
A diferença é gritante se se compara com a única etapa da reforma já feita fora do carlismo, o Carmo e o Santo Antônio Além do Carmo – em que a população continua morando, e por conseguinte os índices de violência e pobreza são muito menores. Curiosamente, é um bairro pedestre, apesar de histórico é pouco turístico – e se usa bicicleta, não obstante seja no topo de uma montanha.
Não é sempre que a população pobre, e negra, de Salvador deixa de sentir a cidade como patrimônio seu legítimo e que deve usar sem vergonha – embora isto seja a regra. O Solar do Unhão, Museu de Arte Moderna da Bahia, com belíssima praia dentro e ao lado da favela da Gamboa de Baixo, é totalmente apropriado. Moleques mulatos vão a nado para o MAM, abusam dele como querem – e o amam e cuidam. Não se envergonham de lá estar de calção de banho, enquanto a alta burguesia toma café e ouve jazz. Fazem parte visível da paisagem – sem o que o MAM não teria a menor graça. Seria um MAM sem pôr-do-sol.
Oxalá esta venha a ser a regra – também para que as bicicletas, um dia, como os Tambores da Liberdade, e o Tapete de Turbantes dos Filhos de Gandhy, ocupem as ruas da SanFrancisco Nagô-Malê, da Lisboa Sudanesa revisited. A bike bem que poderia ser um atributo mágico de um novo Exú, em banda-larga, nascido do rum, do rumpi e do lé, lá no Terreiro do Afonjá. Larô-iê!
* Lucas Jerzy Portela é psicólogo, mantem o blog de crítica cultural O Último Baile dos Guermantes e é ex-namorado de arquiteto – o que acaba por ser um atributo importante para um cicloativista newbie.
Mais:
– Bó de Bike, Salvadô
– Tuas ladeiras e montes, tal-qual um postal
Propostas para o Clima Urbano
Posted onAuthorJoão Lacerda1 Comment
A conferência da ONU sobre mudanças climáticas irá começar no dia 07 de dezembro em Copenhague. Até lá os países debatem entre si e internamente qual será o papel que irão se comprometer a assinar quando chegarem na Dinamarca. O Brasil por hora está comprometido com a redução do desmatamento da Amazônia, maior gerador de emissões do país. No entanto os compromissos a serem firmados podem colaborar para desenhar um futuro de prosperidade ambiental para os brasileiros.
O modelo de desenvolvimento do século XX já se mostrou fadado ao insucesso e as nações mais ricas do mundo já começaram a rever diversos conceitos. Todas as grandes capitais européias já estão refazendo o desenho de futuro urbano, e o uso da bicicleta naturalmente não para de crescer e ser incentivado. Nessa disputa informal entre as cidades, Amsterdã e Copenhague saíram a frente no planejamento cicloviário. Ambas redescobriram a bicicleta nos anos 1970 e hoje oferecem excelentes condições para que seus cidadãos possam pedalar para todos os lugares.
Reduzir as emissões de CO2 dentro das cidades é uma meta a ser debatida e que implicará diversos ganhos. No contexto urbano a queima de combustíveis fósseis mostra suas desvantagens comparativas de maneira mais clara. Natural portanto que o transporte público e o uso da bicicleta sejam prioridade absoluta. Reduzir o uso de derivados de petróleo no transporte urbano ajuda a reduzir as emissões globais de dióxido de carbono além de melhorar a qualidade do ar nas cidades.
As esferas locais, estaduais e o governo federal no Brasil tem nas metas de redução das emissões de carbono uma maneira de se alinharem ao futuro que já está sendo traçado. Os erros cometidos no século XX nas cidades mais ricas do planeta não precisam ser repetidos por nós para chegarmos a conclusão de que as melhores cidades do futuro serão aquelas em que todos podem ir e vir sem impactar negativamente o clima global, nem poluir o ar que respiram.
Mais cedo ou mais tarde o Brasil terá de se alinhar a “nova economia de baixo carbono” e o quanto antes for iniciada a transição, maiores serão os benefícios e menores os custos.
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Mais:
– Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (AM)
– Política de Mudança do Clima no Município de São Paulo
– Projeto de Lei da Política Estadual sobre Mudanças Climáticas (SP)
– Rich cities: Don’t repeat our mistakes – Cop15.dk
– Brasil não deve ter meta de emissão de CO2 – estadao.com.br
Abaixo um vídeo da Campanha TicTac sobre as cidades:
22 Pessoas, 2 Cachorros e o Clima from Leão Filmes on Vimeo.
Democracia à Propulsão Humana
Posted onAuthorDenirLeave a comment
O trânsito e o transporte afetam a sociedade como um todo. Todas as pessoas, indistintamente, têm necessidade de se deslocar de um lugar a outro, por qualquer meio de transporte que tenham ou estejam dispostas a usar.
A característica fundamental da sociedade brasileira é a desigualdade social. Em vez de atuar como indutor de mudanças, o Estado é usado secularmente como mantenedor de privilégios. No caso dos automóveis, soma-se uma política econômica que serve e submete-se a interesses de grandes grupos nacionais e multinacionais, há décadas.
Com isto, políticas públicas de trânsito e transporte têm sido exclusivamente favoráveis aos automóveis particulares, historicamente patrimonialistas, sem distinção entre interesses públicos e privados. Calçadas e espaços públicos são invadidos por proprietários particulares, sem que haja fiscalização ou embargos. Ruas e avenidas são duplicadas para atender pequeno número de moradores de condomínios de luxo. Permite-se estacionamentos em ruas e sobre calçadas para satisfazer interesses de comerciantes locais. Não há estudo do impacto destas obras na cidade como um todo. Ou, no máximo, as ruas são vistas como via de passagem e não espaço democrático.
Valorizar pedestres e ciclistas, impondo restrições a automóveis e priorizando o transporte público coletivo, são medidas que necessitam de uma verdadeira mudança de paradigma nas políticas públicas do município, estado e país. É necessário que os órgãos técnicos de trânsito estejam abertos à participação comunitária, por meio de orçamento participativo, grupos de trabalhos representativos e canais de comunicação eficientes e funcionais, seja na internet ou em debates abertos e audiências públicas.
É imprescindível que qualquer projeto de melhoria ou expansão da malha rodoviária passe por discussões abertas, que sejam consultados e ouvidos representantes de pedestres, ciclistas e deficientes físicos, e não unicamente orientados por interesses econômicos ou eleitoreiros.
Obras cicloviárias precisam passar pelo mesmo crivo. Se forem mal projetados e construídos, bicicletários, ciclovias e ciclofaixas não serão usados. Tornam-se um desperdício de recursos e fonte de argumentos para manutenção da cultura rodoviarista que teoricamente aquelas facilidades pretendiam contrapor.
Quanto mais democrática uma administração pública, mais obras para pedestres e ciclistas ela fará.
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Mais no blog:
– Calçadas e Democracia
Transporte Ativo na Escola.
Posted onAuthorZe Lobo2 Comments
A escola, por exercer importante papel social, é o local ideal para abordar as questões sobre trânsito. Nas salas de aula os conceitos de mobilidade sustentável e a função social das ruas como espaço democrático, e não apenas como via de passagem para automóveis, devem ser incorporados à prática pedagógica.
De forma a colaborar com este novo paradigma, estamos lançando, neste Dia da Criança, o Projeto TA na Escola, uma proposta inovadora composta de dois módulos: 1) criação e manutenção de um site dedicado às crianças; e 2) apresentação de palestras para alunos de pré-escola e ensino fundamental, de forma a aproximá-los dos conceitos de mobilidade sustentável, transportes limpos, com foco para a bicicleta, apresentando-a conceitualmente como veículo e meio de transporte.
Na página para as crianças, encontra-se material para desenhar, colorir e se divertir aprendendo. Além de informações para pais e educadores. Confira aqui: Transporte Ativo na Escola.
É necessário mostrar às crianças que as escolhas que fazemos determinam não só nossa vida, mas o futuro do planeta e das cidades.

