Deslocamentos Femininos e Proletários

Copenhague dos Tropicos

A segunda contagem na Rodolfo Dantas teve uma mudança muito pequena nos números o que mostra que por hora somente a infraestrutura não foi responsável por um incremento nas viagens. No entanto, pode-se concluir de maneira mais otimista que o trânsito de bicicletas por ali é consistente e com alguns usuários fieis.

Novamente as bicicletas de entrega formaram o maior bolo, com 50% das viagens. Dentre as bicicletas particulares, apenas 10% eram mulheres. A eficiência da bicicleta como ferramenta de trabalho e a insegurança viária em algumas vias é certamente um dos motivos para que explicar o alto número de entregadores e o baixo número de mulheres.
Triciclo de Entrega

As políticas públicas para Copacabana estão no rumo certo, mas ainda há muito trabalho a ser feito para que o bairro realize o potencial de ser o paraíso carioca das bicicletas, inspirando a cidade inteira a ser uma Copenhague dos Trópicos.
Mãe e Filha de Bicicleta

Mais:
– Confira o relatório da II Contagem da Rodolfo Dantas
Saiba mais sobre as contagens
Todos os relatórios da Transporte Ativo

Independência Energética

Nos momentos de crise, quanto mais simples, melhor. Diversos estados brasileiros e o Paraguai ficaram sem fornecimento de energia elétrica no final da noite do dia 10 de novembro. Milhões de brasileiros nas maiores cidades e também nas bem pequenas foram afetados. Dramas particulares se avolumaram com pessoas presas em elevadores, ou tendo de caminhar por trilhos desenergizados.

Foi um momento de crise emergencial em que pequenas coisas tinham valor fundamental para apaziguar e tranquilizar os ânimos. Tragédias de grandes proporções aparecem com frequência nas telas de cinema. Um apagão não é uma grande tragédia, mas, assim como os filmes, reforça o valor das coisas mais simples. Aquelas que mais se pode depender nos momentos de crise.

Pedestres, passageiros dos trens e metrô estavam sempre melhores em grupo do que isolados. O mesmo com as famílias dentro de suas casas as escuras. Para obter informações o mais simples meio de comunicação de massa ao vivo, o bom e velho rádio. Para quem precisou se deslocar pelas ruas, a bicicleta foi a melhor solução, bastou ativar o dínamo ou ligar os fárois e pedalar com cautela em meio ao breu urbano.

O mundo tornou-se complexo, mas a natureza humana é simples e continua sendo a mesma desde a pré-história. Em caso de crise, dependemos da nossa capacidade de nos mantermos unidos em um objetivo comum, de termos as informações que precisamos e os meios de deslocamento para chegar ao nosso destino. A lição é que quanto mais complexas e dependentes de energia externa forem nossas ferramentas, menor será nossa indepedência.

Portanto em caso de apagão, ative o dínamo para acender luzes e ouvir o rádio. Já para os deslocamentos, mantenha sua bicicleta em perfeitas condições de uso, sempre.

Mais:
E você, como foi de blecaute? – Luddista, Apocalipse Motorizado
Sem luz: Prefeitura mantém rodízio de carros, hoje – Milton Jung, CBN-SP

Pedaladas Rotineiras

Contagem Rodolfo Dantas

04 de Junho de 2009 – 11:04

As contagens em Copacabana tem aumentado o banco de fotos da Transporte Ativo, mas principalmente nos ensinado sobre a regularidade e possibilitado conhecer os hábitos de alguns ciclistas que ficaram “famosos”. A feliz coincidência de rever em fotos os mesmos ciclistas mostra que a rota tem usuários rotineiros, sempre presentes.

Contagem Rodolfo Dantas

05 de Novembro de 2009 – 09:00

Contagem Rodolfo Dantas

04 de Junho de 2009 – 11:31

Por hora os números apontam que não houve grande variação no fluxo de ciclistas na Rodolfo Dantas antes e depois da implementação da sinalização da faixa compartilhada. Pode-se no entanto auferir que a segurança viária percebida pelos ciclistas melhorou ou manteve-se igual. Rotas de bairro são usadas em viagens mais curtas e o fluxo é majoritariamente local, as variações dos números tendem a aparecer em um prazo mais longo. Mas ao menos um ciclista passou a sorrir mais.
Contagem Rodolfo Dantas

05 de Novembro de 2009 – 09:15

Em breve o relatório completo. Ambas as contagens fazem parte de uma parceria entre a Transporte Ativo e o ITDP. Saiba mais sobre a primeira contagem na Rodolfo Dantas.

Um Número Mágico

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A velocidade média do trânsito motorizado nas grandes cidades diminui a olhos vistos. Trata-se de uma excelente oportunidade para promover a segurança viária e ao mesmo tempo colaborar para a fluidez de pessoas e veículos. Reduzir a velocidade máxima permitida é o caminho mais fácil. Velocidades menores geram menos colisões e também possibilitam compartilhar de maneira mais eficiente a via entre os diferentes modos de transporte. Além disso, velocidades máximas mais baixas implicam em menos acelerações e desacelerações bruscas o que também facilita a fluidez dos motorizados.

O código de trânsito brasileiro (CTB) estabelece que nas vias arteriais a velocidade média permitida deverá ser de 60km/h e nas coletoras de 40km/h. Além disso, diz também que esses limites poderão ser alterados pelo orgão ou entidade com circunscrição sobre a via. Um levantamento da CET-SP do começo da década de 1990 mediu as médias de velocidade em um eixo de vias coletoras e arteriais. Nas coletoras a média mais alta foi de 28,1 km/h em situação de “trânsito livre” e nas arteriais em situação análoga mediu-se 35,3 km/h. Naturalmente a média dos dias de semana em “mês útil” são bastante inferiores e melhoram um pouco durante as férias escolares.

A discrepância entre as máximas permitidas e as médias reais é enorme e comprova a tese de que limites mais baixos não irão alterar em nada a realidade dos deslocamentos. O jornal O Globo por conta da implementação das Zona 30 em Copacabana percorreu de carro as ruas que teriam o limite de velocidade reduzido e constatou que a nova máxima era compatível com a média alcançada. Trata-se de um outro elemento de promoção a segurança viária já que a proximidade entre a máxima permitida e a velocidade de deslocamento acaba por incentivar o motorista a respeitar o limite.

Inúmeras ruas e avenidas Brasil afora teriam muito a ganhar com um limite de velocidade reduzido. Uma maneira simples e efetiva de promover a segurança viária para todos e ao mesmo tempo garantir que os mais frágeis sejam expostos a menos riscos.

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Mais:

Variação da Velocidade Média no Trânsito de São Paulo – CET
CTB – CAPÍTULO III – DAS NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA
Velocidade média dos carros em SP cai em um ano

Desejos Femininos

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O conceito de “mais mulheres em mais bicicletas mais vezes” é central para o bom planejamento cicloviário. Diversos estudos apontam que elas tem maior aversão ao risco e portanto preferem sempre rotas mais seguras. Mas além disso são elas que fazem mais viagens “utilitárias”, pedaladas até o supermercado, até a escola, a creche…

Uma outra variável tem um papel fundamental em conquistar mais mulheres para o uso cotidiano da bicicleta. Homens apresentam maior facilidade no que se refere a “não precisar de um carro”, mas ainda é papel feminino um número maior de viagens que tem “funções domésticas”. A igualdade entre os sexos ainda não é completa e mesmo com ajuda masculina em casa, as preocupações com administrar uma casa ainda pesa mais para as mulheres.

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Para além do feminismo ou de disputa entre os gêneros, nossas cidades tem muito a aprender com o que querem as mulheres. A bicicleta é o veículo ideal para adequar o espaço dos pedestres nas cidades. Já as mulheres são a “espécie indicadora” no que tange melhorias cicloviárias e quanto mais fácil for para elas optar pelas pedaladas, melhor será para todos os ciclistas, sem distinção de gênero.

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As três fotos de uma mãe em Copacabana nesse post ilustram o papel da bicicleta no cotidiano feminino e o potencial para que mais ciclistas ganhem as ruas do bairro. As duas primeiras imagens foram captadas durante a realização da Contagem de Ciclistas na rua Figueiredo de Magalhães.

Mais informações disponíveis em inglês no artigo da Scientific American de Outubro intitulado: How to Get More Bicyclists on the Road