Uma Solução Pronta

São Paulo já tem alguns bairros que tem toda a infraestrutura preparada para o compartilhamento seguro das vias entre o trânsito motorizado e os ciclistas. No Jardins, basta apenas sinalizar e divulgar rotas por dentro do bairro. Será um enorme incentivo para os ciclistas acessarem o parque do Ibirapuera, interligando a região de Pinheiros com o bairro de Moema e outros. Uma solução expansível por toda a baixada do rio Pinheiros, uma região perfeita para deslocamentos de bicicleta e que conta com diversas rotas seguras que não envolvem percursos por grandes avenidas.

O Rio de Janeiro tem investido em um programa piloto de sinalização viária em prol das bicicletas. Algo simples, rápido e que traz grandes resultados para a mobilidade urbana. Basta sinalizar algumas rotas ciclísticas em ruas por onde já se pedala e avisar a todos. Naturalmente mais ciclistas serão induzidos a ir pelos caminhos sinalizados e o trecho vai se tornar cada dia mais popular e por isso mesmo seguro para pedalar.

[photopress:DSC05702.jpg,full,centered]

Dispositivos de acalmia de trânsito já estão implantados e um projeto simples na região tem grande potencial de mostrar a viabilidade e os benefícios da bicicleta na cidade de São Paulo. Seguindo o modelo sugerido pelo Alfredo Sirkis no Rio de Janeiro durante os anos 1990: “Na hora de começar o faça sempre pelo ponto de maior visibilidade da cidade.”

O que foi feito em Berkeley na Califórnia e está exemplificado no vídeo abaixo merece uma tradução a altura na maior cidade brasileira. Certamente um exemplo capaz de inspirar o país inteiro.

Uma Pedalada a Frente

DSC04159

Foi promulgado na semana passada o Decreto Nº 50.708, que transfere para a secretaria de Transportes o Pró-Ciclista, o Grupo Executivo da PMSP para Melhoramentos Cicloviários criado em maio de 2006. Composto por diversos órgãos da prefeitura cuja principal missão é identificar oportunidades e articular as instituições para implantação de melhoramentos cicloviários.

No entanto o momento aponta para a necessidade de uma correção histórica no grupo, a inclusão da sociedade civil. Um dos pré-requisitos para que um grupo de trabalho em prol da bicicleta dê certo é a presença de ao menos um ciclista. Alguém que conheça a realidade das ruas, que saiba das dificuldades e aponte caminhos possíveis. Uma pessoa que diga “Jamais passarei por aí”! Ou “Precisamos disso e não daquilo”. Alguém que realmente coloque a bicicleta em seu devido lugar, com respeito motivação, que influencie os outros participantes do grupo até que este se torne autônomo por conhecimento e compreensão das bicicletas.

No Rio de Janiero foi criado também por decreto o GT Ciclovias no inicio dos anos 90 e muito se passou sem que nada de bom acontecesse para os ciclistas. Em 2003 este grupo passou a contar com os usuários e a sociedade civil. A visão das bicicletas começava a mudar, não que a sociedade civil tenha passado a comandar o GT, mas ela estava ali sempre dizendo que a bicicleta é boa também para isso , as vantagens são estas, esta solução será ignorada pelos ciclistas, sempre motivando e elevando os participantes do grupo a serem realmente pró ciclistas.
Hoje o Rio anda sozinho mas mesmo assim não dispensam nem por um minuto o apoio da sociedade civil organizada e dos usuários para os quais estão planejando. Resultado: uma cidade mais amiga das bicicletas e dos pedestres e com um futuro promissor pela frente.

A Transporte Ativo sempre se colocou a disposição do Pró Ciclista, para passar a experiência de anos no Rio adiante, para passar seu expetise no assunto, que conta com suporte técnico de organizações internacionais como ITDP e ICE, totalmente sem custo, visando apenas o crescimento do conhecimento interno do Pró Ciclista sobre seu assunto principal.

Uma parceria da TA com a cidade de São Paulo já foi feita através do Curso de Introdução ao Mundo Cicloviário (IMC). A CET ouviu os usuários e apresentou para mais de 200 técnicos da PMSP o IMC em parceria com TA e ITDP. Ali se desenhou um caminho para a mudança. A Transporte Ativo segue totalmente disponível para apoiar a administração da cidade no assunto.

São Paulo precisa melhorar a sua mobilidade como um todo e a bicicleta tem um papel fundamental nessa mudança. Trata-se de rever paradigmas e de pensar qual cidade queremos. Em que departamento as bicicletas estarão torna-se um problema menor enquanto não for construída a vontade política e o conhecimento técnico que valoriza a bicicleta e os transportes sustentáveis.

—-
Saiba sobre o histórico do Pró-Ciclista no Apocalipse Motorizado.

Sustentabilidade Urbana

DSC04126

Cada momento histórico tem seus erros e acertos, mas todos eles tendem a ficar sempre no passado. Muito se fala e se luta em nome do conceito de sustentabilidade. Nossas cidades precisam ser capazes de manter o equilíbrio para que possamos ter um estilo de vida urbano que seja compatível com o meio ambiente.

O crescimento das cidades foi baseado na expansão do concreto, aço e asfalto durante o século XX. As consequências são visíveis em qualquer grande cidade. As perdas econômicas podem apenas ser estimadas e são imensas. Cidades nasceram para facilitar trocas, sejam elas financeiras ou não. As oportunidades concentradas nas metrópoles continuando atraindo até hoje um grande fluxo migratório. No entanto faz-se necessário planejar e antever caminhos para o futuro,
investimentos precisam ser feitos, mas não podem continuar obedecendo a mesma lógica do passado.

DSC03897

Três peças da mobilidade urbana. Transporte sobre trilhos, planejamento cicloviário e transporte individual motorizado.

O conceito de sustentabilidade precisa caminhar ao lado da diversidade. Quem vive e circula pelas cidade precisa de opções em seus deslocamentos e naturalmente opções de moradia também. A aprendizagem histórica nos trouxe até aqui, mas não podemos insistir no que não pode ser sustentado indefinidamente. Precisamos aprender com nossas cidades e olhar para os acertos vindos de fora ou de dentro. Só assim será possível vivermos em cidades nas próximas décadas.

Mais uma vez Copacabana

DSC00706

Acontece nesse momento mais uma contagem em Copacabana no Rio de Janeiro. Dessa vez a escolhida foi a rua Figueiredo de Magalhães, esquina com a Nossa Senhora de Copacabana. Uma esquina de trânsito intenso de motorizados com a presença massiva de ônibus. Local por onde passam bicicletas em todos os sentidos e que precisa de um bom tratamento cicloviário.

Em parceria com o ITDP, a contagem está sendo feita antes da implementação da estrutura cicloviária que virá nos próximos meses. Depois de implementadas as melhorias, haverá uma nova contagem para medir o impacto delas no fluxo de ciclistas na área.

Por hora os dados já impressionam. Foram 325 bicicletas nas primeiras 4 horas, ou 1,35 por minuto.

DSC00338

Novos Rumos em Copacabana

http://www.ta.org.br/blog/inaugcopa.jpg

As novas rotas cicloviárias de Copacabana são apenas um projeto piloto, mas os poucos quarteirões no bairro representam muito mais. A pintura no asfalto serve para informar da presença das bicicletas nas ruas e de seu direito de estar ali. Servem também para incentivar os ciclistas a se concentrarem nesses caminhos reforçando o conceito de “segurança pela quantidade.

Durante a inauguração, o prefeito Eduardo Paes aproveitou para pedalar um SAMBA ao lado do secretário estadual de Transportes Julio Lopes. Como não poderia deixar de ser, Paes se empolgou com o sistema. Essa empolgação, espera-se, será traduzida numa futura expansão para além das 50 estações inicialmente previstas. A praticidade e deficiência das bicicletas públicas as tornam excelentes aliadas do transporte público, mas para o efetivo sucesso, o número de estações e a proximidade delas tem de ser grande.

O futuro da cidade do Rio de Janeiro se desenha cada dia mais sobre duas rodas. Complementares ao transporte público e acima de tudo, indutoras da promoção a qualidade de vida urbana.

http://www.ta.org.br/blog/inaugcopa1.jpg

Saiba mais:
– Princesinha do Mar, Rainha das Bicicletas
– Melhor a cada Por do Sol
– Primeiros Vestígios
– Infraestrutura como Incentivo

Reportagem na Tv Globo, que infelizmente utilizada o termo “ciclofaixa”, uma definição incorreta para o que foi implantado.