Sustentabilidade Urbana

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Cada momento histórico tem seus erros e acertos, mas todos eles tendem a ficar sempre no passado. Muito se fala e se luta em nome do conceito de sustentabilidade. Nossas cidades precisam ser capazes de manter o equilíbrio para que possamos ter um estilo de vida urbano que seja compatível com o meio ambiente.

O crescimento das cidades foi baseado na expansão do concreto, aço e asfalto durante o século XX. As consequências são visíveis em qualquer grande cidade. As perdas econômicas podem apenas ser estimadas e são imensas. Cidades nasceram para facilitar trocas, sejam elas financeiras ou não. As oportunidades concentradas nas metrópoles continuando atraindo até hoje um grande fluxo migratório. No entanto faz-se necessário planejar e antever caminhos para o futuro,
investimentos precisam ser feitos, mas não podem continuar obedecendo a mesma lógica do passado.

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Três peças da mobilidade urbana. Transporte sobre trilhos, planejamento cicloviário e transporte individual motorizado.

O conceito de sustentabilidade precisa caminhar ao lado da diversidade. Quem vive e circula pelas cidade precisa de opções em seus deslocamentos e naturalmente opções de moradia também. A aprendizagem histórica nos trouxe até aqui, mas não podemos insistir no que não pode ser sustentado indefinidamente. Precisamos aprender com nossas cidades e olhar para os acertos vindos de fora ou de dentro. Só assim será possível vivermos em cidades nas próximas décadas.

Mais uma vez Copacabana

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Acontece nesse momento mais uma contagem em Copacabana no Rio de Janeiro. Dessa vez a escolhida foi a rua Figueiredo de Magalhães, esquina com a Nossa Senhora de Copacabana. Uma esquina de trânsito intenso de motorizados com a presença massiva de ônibus. Local por onde passam bicicletas em todos os sentidos e que precisa de um bom tratamento cicloviário.

Em parceria com o ITDP, a contagem está sendo feita antes da implementação da estrutura cicloviária que virá nos próximos meses. Depois de implementadas as melhorias, haverá uma nova contagem para medir o impacto delas no fluxo de ciclistas na área.

Por hora os dados já impressionam. Foram 325 bicicletas nas primeiras 4 horas, ou 1,35 por minuto.

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Novos Rumos em Copacabana

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As novas rotas cicloviárias de Copacabana são apenas um projeto piloto, mas os poucos quarteirões no bairro representam muito mais. A pintura no asfalto serve para informar da presença das bicicletas nas ruas e de seu direito de estar ali. Servem também para incentivar os ciclistas a se concentrarem nesses caminhos reforçando o conceito de “segurança pela quantidade.

Durante a inauguração, o prefeito Eduardo Paes aproveitou para pedalar um SAMBA ao lado do secretário estadual de Transportes Julio Lopes. Como não poderia deixar de ser, Paes se empolgou com o sistema. Essa empolgação, espera-se, será traduzida numa futura expansão para além das 50 estações inicialmente previstas. A praticidade e deficiência das bicicletas públicas as tornam excelentes aliadas do transporte público, mas para o efetivo sucesso, o número de estações e a proximidade delas tem de ser grande.

O futuro da cidade do Rio de Janeiro se desenha cada dia mais sobre duas rodas. Complementares ao transporte público e acima de tudo, indutoras da promoção a qualidade de vida urbana.

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Saiba mais:
Princesinha do Mar, Rainha das Bicicletas
Melhor a cada Por do Sol
Primeiros Vestígios
Infraestrutura como Incentivo

Reportagem na Tv Globo, que infelizmente utilizada o termo “ciclofaixa”, uma definição incorreta para o que foi implantado.

Planejar uma Cidade Global

O Brasil tem duas metrópoles globais. Rio de Janeiro e São Paulo são cidades cuja influência e importância vão além das fronteiras brasileiras e até mesmo Latino Americanas. No ranking urbano global (GaWC), São Paulo está entre as mais importantes dada a relevância dos negócios aqui conduzidos o que a coloca na condição de um importante nó na rede mundial das cidades. O Rio de Janeiro vem logo atrás.

Manter-se bem colocado no GaWC requer uma série de medidas e principalmente a visão dos seus administradores para que facilitem um ambiente favorável aos negócios sem inviabilizar a qualidade de vida da população desses grandes centros. As duas cidades no topo do ranking são unanimidades históricas que mantiveram desde o século XIX sua importância mundial. Londres e Nova Iorque, principalmente a primeira, inventaram o conceito de cidade global, mas para manterem seu papel de destaque, souberam se atualizar e acompanhar a marcha da história.

O progresso industrial do passado que fez explodir o tamanho das cidades deu lugar a uma nova abordagem do que é importante para que a metrópole não fique para trás no competitivo ambiente de negócios globalizados. Para não perderem competividade e principalmente produtividade, Londres e Nova Iorque tem dado muita ênfase ao transporte sustentável e ao espaço público. A qualidade de vida da população e a capacidade de “fazer mais negócios em menos tempo” são duas medidas que tem que ser encaradas de frente para que a cidade não perca importância econômica e política diante das demais cidades ao redor do globo.

São Paulo e Rio de Janeiro tem muito o que aprender com as duas mais importantes metrópoles mundiais. Em Londres e Nova Iorque o uso da bicicleta só faz crescer por meio de uma série de iniciativas da administração local. A mobilidade urbana cada vez mais irá diferenciar as cidades que ficarão presas no passado e as que irão seguir rumo ao futuro.

O Rio de Janeiro até hoje não se recuperou totalmente da perda política da transferência da capital federal para Brasília e do êxodo empresarial para São Paulo. Os atuais administradores de ambas as metrópoles precisam encarar a mobilidade com a devida seriedade e também como uma importante maneira de promover a sustentabilidade urbana. Precisam deixar de lado a velha mobilidade centrada no uso do transporte individual motorizado e dar prioridade absoluta para o transporte público e os descolamentos de pedestres e ciclistas. A palavra “progresso” mudou de sentido e esse novo significado está intimamente relacionado com a sustentabilidade ambiental.

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No Blog: Velha Mobilidade.
Confira na Wikipédia o conceito de Cidade Global.

Saúde das Cidades

ANTP Bicicleta

O Seminário Nacional de Política de Transporte Cicloviário da ANTP em Sorocaba serve para reforçar o intercâmbio e as trocas entre velhos conhecidos e ajudar a informar e formar novos planejadores e promotores da bicicleta.

Durante o primeiro dia as reflexões começaram pelo que já foi feito e será feito na cidade de Sorocaba. O prefeito Vitor Lippi, um médico, deu os motivos que achou válido para promover o uso das bicicletas e o incentivo as viagens a pé na cidade.

Valorizar um estilo da vida saudável é o melhor programa de saúde para a cidade. Cidadãos que se exercitam regularmente oneram menos o poder público com a menor necessidade por tratamentos hospitalares, remédios e atendimentos médicos em geral. O administrador precisa acima de tudo pensar na saúde dos cidadãos e não focar só no tratamento de doenças.

A bicicleta se insere facilmente no ideal de cidades mais saudáveis. Ela também cabe na pasta de esporte e lazer, na de transportes, na de meio ambiente e somando os efeitos, os benefícios se alastram para a área da saúde.

Em Sorocaba as ciclovias se somam as pistas de caminhada e a essa infraestrutura se somam passeios regulares de bicicleta e grupos de caminhada. O trânsito para uma cidade tem de ser encarado cada dia mais como um dos componentes. O ir e vir tem grande importância, mas se apenas o tráfego motorizado for levado em consideração a cidade perde qualidade de vida a cada dia. Já uma cidade que encara o ir e vir como uma necessidade humana e insere todos os tipos de deslocamentos torna-se pouco a pouco mais saudável e por consequencia, um lugar melhor para seus habitantes.