Uma Pedalada a Frente

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Foi promulgado na semana passada o Decreto Nº 50.708, que transfere para a secretaria de Transportes o Pró-Ciclista, o Grupo Executivo da PMSP para Melhoramentos Cicloviários criado em maio de 2006. Composto por diversos órgãos da prefeitura cuja principal missão é identificar oportunidades e articular as instituições para implantação de melhoramentos cicloviários.

No entanto o momento aponta para a necessidade de uma correção histórica no grupo, a inclusão da sociedade civil. Um dos pré-requisitos para que um grupo de trabalho em prol da bicicleta dê certo é a presença de ao menos um ciclista. Alguém que conheça a realidade das ruas, que saiba das dificuldades e aponte caminhos possíveis. Uma pessoa que diga “Jamais passarei por aí”! Ou “Precisamos disso e não daquilo”. Alguém que realmente coloque a bicicleta em seu devido lugar, com respeito motivação, que influencie os outros participantes do grupo até que este se torne autônomo por conhecimento e compreensão das bicicletas.

No Rio de Janiero foi criado também por decreto o GT Ciclovias no inicio dos anos 90 e muito se passou sem que nada de bom acontecesse para os ciclistas. Em 2003 este grupo passou a contar com os usuários e a sociedade civil. A visão das bicicletas começava a mudar, não que a sociedade civil tenha passado a comandar o GT, mas ela estava ali sempre dizendo que a bicicleta é boa também para isso , as vantagens são estas, esta solução será ignorada pelos ciclistas, sempre motivando e elevando os participantes do grupo a serem realmente pró ciclistas.
Hoje o Rio anda sozinho mas mesmo assim não dispensam nem por um minuto o apoio da sociedade civil organizada e dos usuários para os quais estão planejando. Resultado: uma cidade mais amiga das bicicletas e dos pedestres e com um futuro promissor pela frente.

A Transporte Ativo sempre se colocou a disposição do Pró Ciclista, para passar a experiência de anos no Rio adiante, para passar seu expetise no assunto, que conta com suporte técnico de organizações internacionais como ITDP e ICE, totalmente sem custo, visando apenas o crescimento do conhecimento interno do Pró Ciclista sobre seu assunto principal.

Uma parceria da TA com a cidade de São Paulo já foi feita através do Curso de Introdução ao Mundo Cicloviário (IMC). A CET ouviu os usuários e apresentou para mais de 200 técnicos da PMSP o IMC em parceria com TA e ITDP. Ali se desenhou um caminho para a mudança. A Transporte Ativo segue totalmente disponível para apoiar a administração da cidade no assunto.

São Paulo precisa melhorar a sua mobilidade como um todo e a bicicleta tem um papel fundamental nessa mudança. Trata-se de rever paradigmas e de pensar qual cidade queremos. Em que departamento as bicicletas estarão torna-se um problema menor enquanto não for construída a vontade política e o conhecimento técnico que valoriza a bicicleta e os transportes sustentáveis.

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Saiba sobre o histórico do Pró-Ciclista no Apocalipse Motorizado.

Sustentabilidade Urbana

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Cada momento histórico tem seus erros e acertos, mas todos eles tendem a ficar sempre no passado. Muito se fala e se luta em nome do conceito de sustentabilidade. Nossas cidades precisam ser capazes de manter o equilíbrio para que possamos ter um estilo de vida urbano que seja compatível com o meio ambiente.

O crescimento das cidades foi baseado na expansão do concreto, aço e asfalto durante o século XX. As consequências são visíveis em qualquer grande cidade. As perdas econômicas podem apenas ser estimadas e são imensas. Cidades nasceram para facilitar trocas, sejam elas financeiras ou não. As oportunidades concentradas nas metrópoles continuando atraindo até hoje um grande fluxo migratório. No entanto faz-se necessário planejar e antever caminhos para o futuro,
investimentos precisam ser feitos, mas não podem continuar obedecendo a mesma lógica do passado.

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Três peças da mobilidade urbana. Transporte sobre trilhos, planejamento cicloviário e transporte individual motorizado.

O conceito de sustentabilidade precisa caminhar ao lado da diversidade. Quem vive e circula pelas cidade precisa de opções em seus deslocamentos e naturalmente opções de moradia também. A aprendizagem histórica nos trouxe até aqui, mas não podemos insistir no que não pode ser sustentado indefinidamente. Precisamos aprender com nossas cidades e olhar para os acertos vindos de fora ou de dentro. Só assim será possível vivermos em cidades nas próximas décadas.

Mais uma vez Copacabana

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Acontece nesse momento mais uma contagem em Copacabana no Rio de Janeiro. Dessa vez a escolhida foi a rua Figueiredo de Magalhães, esquina com a Nossa Senhora de Copacabana. Uma esquina de trânsito intenso de motorizados com a presença massiva de ônibus. Local por onde passam bicicletas em todos os sentidos e que precisa de um bom tratamento cicloviário.

Em parceria com o ITDP, a contagem está sendo feita antes da implementação da estrutura cicloviária que virá nos próximos meses. Depois de implementadas as melhorias, haverá uma nova contagem para medir o impacto delas no fluxo de ciclistas na área.

Por hora os dados já impressionam. Foram 325 bicicletas nas primeiras 4 horas, ou 1,35 por minuto.

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Novos Rumos em Copacabana

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As novas rotas cicloviárias de Copacabana são apenas um projeto piloto, mas os poucos quarteirões no bairro representam muito mais. A pintura no asfalto serve para informar da presença das bicicletas nas ruas e de seu direito de estar ali. Servem também para incentivar os ciclistas a se concentrarem nesses caminhos reforçando o conceito de “segurança pela quantidade.

Durante a inauguração, o prefeito Eduardo Paes aproveitou para pedalar um SAMBA ao lado do secretário estadual de Transportes Julio Lopes. Como não poderia deixar de ser, Paes se empolgou com o sistema. Essa empolgação, espera-se, será traduzida numa futura expansão para além das 50 estações inicialmente previstas. A praticidade e deficiência das bicicletas públicas as tornam excelentes aliadas do transporte público, mas para o efetivo sucesso, o número de estações e a proximidade delas tem de ser grande.

O futuro da cidade do Rio de Janeiro se desenha cada dia mais sobre duas rodas. Complementares ao transporte público e acima de tudo, indutoras da promoção a qualidade de vida urbana.

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Saiba mais:
Princesinha do Mar, Rainha das Bicicletas
Melhor a cada Por do Sol
Primeiros Vestígios
Infraestrutura como Incentivo

Reportagem na Tv Globo, que infelizmente utilizada o termo “ciclofaixa”, uma definição incorreta para o que foi implantado.

Planejar uma Cidade Global

O Brasil tem duas metrópoles globais. Rio de Janeiro e São Paulo são cidades cuja influência e importância vão além das fronteiras brasileiras e até mesmo Latino Americanas. No ranking urbano global (GaWC), São Paulo está entre as mais importantes dada a relevância dos negócios aqui conduzidos o que a coloca na condição de um importante nó na rede mundial das cidades. O Rio de Janeiro vem logo atrás.

Manter-se bem colocado no GaWC requer uma série de medidas e principalmente a visão dos seus administradores para que facilitem um ambiente favorável aos negócios sem inviabilizar a qualidade de vida da população desses grandes centros. As duas cidades no topo do ranking são unanimidades históricas que mantiveram desde o século XIX sua importância mundial. Londres e Nova Iorque, principalmente a primeira, inventaram o conceito de cidade global, mas para manterem seu papel de destaque, souberam se atualizar e acompanhar a marcha da história.

O progresso industrial do passado que fez explodir o tamanho das cidades deu lugar a uma nova abordagem do que é importante para que a metrópole não fique para trás no competitivo ambiente de negócios globalizados. Para não perderem competividade e principalmente produtividade, Londres e Nova Iorque tem dado muita ênfase ao transporte sustentável e ao espaço público. A qualidade de vida da população e a capacidade de “fazer mais negócios em menos tempo” são duas medidas que tem que ser encaradas de frente para que a cidade não perca importância econômica e política diante das demais cidades ao redor do globo.

São Paulo e Rio de Janeiro tem muito o que aprender com as duas mais importantes metrópoles mundiais. Em Londres e Nova Iorque o uso da bicicleta só faz crescer por meio de uma série de iniciativas da administração local. A mobilidade urbana cada vez mais irá diferenciar as cidades que ficarão presas no passado e as que irão seguir rumo ao futuro.

O Rio de Janeiro até hoje não se recuperou totalmente da perda política da transferência da capital federal para Brasília e do êxodo empresarial para São Paulo. Os atuais administradores de ambas as metrópoles precisam encarar a mobilidade com a devida seriedade e também como uma importante maneira de promover a sustentabilidade urbana. Precisam deixar de lado a velha mobilidade centrada no uso do transporte individual motorizado e dar prioridade absoluta para o transporte público e os descolamentos de pedestres e ciclistas. A palavra “progresso” mudou de sentido e esse novo significado está intimamente relacionado com a sustentabilidade ambiental.

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No Blog: Velha Mobilidade.
Confira na Wikipédia o conceito de Cidade Global.