Destaques
O gigante chinês
Para resolver os problemas de mobilidade nas grandes cidades do mundo, é preciso oferecer opções cômodas, rápidas e seguras. Um exemplo chinês ajuda a visualizar como um bom projeto em prol da bicicleta rende frutos para melhorar a mobilidade de uma cidade inteira.
O sistema de bicicleta públicas de Hangzhou, uma cidade no sudeste da China, já começou grande: tinha 2.800 bicicletas e 61 estações. O serviço foi lançado em maio de 2008 para uma população de cerca de sete milhões de pessoas.
Hoje, passados três anos, Hangzhou tem o sistema de bicicletas públicas que mais cresceu em todo o mundo: 2.050 estações e 51.500 bicicletas, que são utilizadas diariamente por 240 mil cidadãos, com picos de 320 mil viagens por dia.
O sucesso está no fato de que há uma verdadeira integração entre o sistema de bicicletas e a rede de transportes públicos. Após usar a bicicleta, o usuário tem até 90 minutos para pegar um ônibus, dentro da mesma tarifa. As estações de bicicletas estão a pouca distância entre elas – 200 a 300 metros, no centro da cidade – e a primeira hora de utilização é gratuita. Estes são outros dois fatores que fazem de Hangzhou um caso de estudo de sucesso global.
O sistema de bicicletas públicas obteve a maior taxa de satisfação entre todos os projetos desenvolvidos na cidade. Os cidadãos afirmam que, com o crescente tráfego e congestionamentos, as bicicletas tornam as viagens mais rápidas e convenientes.
Para melhorar a mobilidade na cidade chinesa, a previsão é que sejam 175 mil bicicletas públicas até 2020.
Confira no vídeo (em inglês):
The Biggest, Baddest Bike-Share in the World: Hangzhou China from Streetfilms on Vimeo.
Policiamento com bicicletas
Posted onAuthorDenir4 Comments
As chances de ver um policial de bicicleta são provavelmente maiores do que há 30 anos. O que está causando o renascimento?
Na maioria das cidades do Reino Unido e em outras cidades pelo mundo afora, a polícia está novamente usando bicicletas de alguma forma. Elas estão sendo utilizadas no trabalho comum de patrulha, mas também de forma mais ativa como um veículo de repressão do tráfico de drogas e demais criminalidades urbanas. Em Londres, o número de bicicletas de polícia aumentou de pouco mais de 400, em 2005, para cerca de 2.500 em 2009.
Alguns locais ainda estão encontrando dificuldades para colocá-las no orçamento da cidade, e muitos duvidam do seu valor. Mas, uma vez colocadas para trabalhar, bicicletas de polícia são um sucesso unânime.
Isto não surpreende, pois a bicicleta possui vantagens óbvias:
1) Discreta. Todas as polícias destacam o fato de serem veículos silenciosos, quase “invisíveis”. Pode-se surpreender grupos de criminosos surgindo por onde eles menos esperam, sobretudo por rotas de fuga onde não dá para passar um carro.
2) Rápida. Em Londres, onde há mais bicicletas de patrulha do que viaturas, o tempo de resposta a chamadas caiu pela metade. E em 70% dos casos elas chegam à cena antes das ambulâncias.
3) Acessível. As pessoas têm mais facilidade de acenar e conversar com policiais ciclistas. Também é comum relatos de crianças que se aproximam querendo saber sobre as bicicletas. Um sargento britânico salienta “este tipo de conversas revela algumas excelentes informações que levam a uma série de problemas de comportamento anti-social a serem abordados e resolvidos”.
4) Baixo custo. A cidade de Glasgow relatou que “podem ser empregados 15 policiais ciclistas pelo mesmo custo de adquirir e manter um carro.” Mas um gasto suplementar que não pode ser esquecido é a manutenção, que por vezes pesa tanto quanto a aquisição das bicicletas.
5) Saudável. Bicicletas mantêm os policiais em boa forma física. Além de melhorar a autoestima pessoal, a corporação e a cidade ganham porque as faltas ao trabalho por motivo de doença são reduzidas drasticamente.
Há desvantagens.
É inviável para transportar pessoas presas. E caso a situação exija, é preciso gastar um tempo preciso trancando as bicicletas. No primeiro caso, uma viatura pode ser chamada. No segundo caso, pedalar em duplas reduz as chances de uma bicicleta policial ser roubada em tumultos. Além disto, alguns modelos de bicicleta possuem um mecanismo de blocagem rápida da roda dianteira, que não precisa de chave para bloqueá-lo, apenas para abri-lo.
Por falar em modelos de bicicleta, confiabilidade e resistência são mais importantes do que desempenho. Suspensão dianteira para subir e descer degraus ou meio fios, e forros de pneus kevlar anti-furo são muito úteis. Numa frota grande, cada bicicleta deve ter identificação única, para facilitar os registros de serviço, semelhante às demais viaturas.
O kit que acompanha as bicicletas é a roupa (bermuda, capas, faixas/coletes fluorescentes, luvas, sapatos, etc), bagageiros e alforjes, sirenes, capacetes, trancas e outros opcionais. Em alguns lugares, bicicletas podem usar as luzes piscantes que identificam os veículos da polícia, mas isto depende de cada legislação.
Por fim, o uso da bicicleta pela polícia é bom para melhorar o status dos ciclistas em geral, um grupo ainda considerado como delinquentes por muitos motoristas. Se a própria polícia usa bicicletas, mostra que elas são uma forma inteligente e rápida de se locomover.
[traduzido e adaptado de Police on mountain bikes]
Clique nas imagens para baixar os PDFs ou diretamente aqui:
– Policiamento com bicicletas – como criar uma unidade de patrulha
– Policiamento com bicicletas – controle de multidões
Ciclovias Integradoras da Zona Oeste
Posted onAuthorZe LoboLeave a comment
Como toda nova obra de um tipo ainda incomum no país, ciclovias, existem erros e acertos. Você pode escolher falar sobre os benefícios e acertos fazendo matérias e artigos positivos ou focar nos erros e fazer matérias difamando a obra.
Preferimos deixar que vc tire suas próprias conclusões conferindo o vídeo abaixo.
Veja outro vídeo sobre as Ciclovias Integradoras da Zona Oeste Carioca clicando aqui.
Bicicleta todo dia XXVIII

Rio de Janeiro
Superpoderes Ciclísticos: conectar gerações
Posted onAuthorJoão LacerdaLeave a comment
Não por causa de juntar pontos no espaço. Nossas pernas fazem isso. A bicicleta cumpre algo mais difícil: unir dois eventos isolados no tempo. Criar ligações entre duas ou mais gerações.
Por suas ligações com os primeiros estágios de vida, a bicicleta simboliza vigor juvenil que revitaliza o ciclista que está no controle. O jovem, ao contrário, tem na bicicleta um símbolo de responsabilidade de estar crescendo.
Realmente não importa o motivo. Uma vez no selim, a natureza essencial da bicicleta nos obriga a descartar o supérfluo, o oposto de ficar em um carro. O biciclo pode transportar apenas nós mesmos, sob o risco de nos transformar em um motor dois tempos. Para o ciclista, uma declaração de independência.
Libertado de sua situação precária de ser bípede, responsáveis por manter o equilíbrio tênue, pai e filho, tio e sobrinho, avô e neto estão prontos para compartilhar a riqueza da estrada. Uma experiência muito grande.
Esta não é a comunicação típica de palavras, tão imperfeitas e enganosas. A comunicação é muito mais abrangente, sentimentos internos que se afloram a medida que nos tornamos parte de certas paisagens. A conversa, se ocorrer, é casual. Mas como sempre, sua musicalidade está cheia de notas profundas.
Ao ar livre o caminho volta a ter o sentido de promessa de quando éramos nômades. As hierarquias não se desfazem, tornam-se toleráveis. A criança finge ser um adulto no estilo de dominar uma máquina. O adulto tenta ser uma criança na maneira de desfrutar de uma curva.
Pela primeira vez, ao mesmo tempo, eles parecem estar dispostos a prestar atenção um ao outro. Dois conjuntos fechados que se cruzam em um ponto. Dois solitários que formalizam uma trégua. Não importa o que o ciclista tenha vinte ou trinta anos a mais ou a menos, ou que pelo resto de seus dias voltem para o isolamento das tarefas diárias.
Compartilhar um passeio de bicicleta é um mistério que restabelece a possibilidade de estarmos juntos, independente da nossa idade ou relação de parentesco. Uma virtude que as caminhadas foram perdendo por estarem contidas em centros comerciais luminosos que eufemisticamente chamamos agora de “cidades”.
Texto traduzido livremente do espanhol, publicado originalmente em: “Ciclovía: Transportes y comunicaciones“. Vídeo visto primeiro aqui: ‘Sonho: a bicicleta’.


