Primeiros Vestígios

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Rua Rodolfo Dantas, Copacabana. A mágica da tinta asfáltica começa a ganhar as ruas o plano cicloviário já está sendo posto no asfalto e em breve as bicicletas irão circular em massa por ali.

Seja na Suécia ou no Brasil, a população, os técnicos e a administração pública estão redescobrindo a bicicleta.

Upptäck cykeln igen – Göteborgs stad from ljudbilden on Vimeo.

Seja a Mudança

Um texto curto escrito pelo colega Palmas na lista de discussão da bicicletada paulista:

Sou uma pessoa que tenho sobrando uma vontade tremenda de mudar o mundo para melhor e por livre e espontânea vontade, faço a doação, gratuitamente, de um pouco dessa boa vontade, transferindo desde já a você toda posse, ação e domínio para que seja a diferença que você quer ver no mundo, em vez de esperar que algum poder externo faça o trabalho por nós.

Fica o convite, sejamos um pouco como Ghandi que moldou seu mundo. Fica um outro exemplo em vídeo do Doutores da Alegria.

Melhor a cada Por do Sol

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O plano cicloviário de Copacabana que será implantado em caráter piloto no próximo mês não foi um fato do acaso, nem tão pouco uma decisão tomada sem planejamentos, sugestões e pressões.

Na cronologia do que foi feito pela Transporte Ativo alguns fatos merecem destaque. O primeiro deles foi o Dia Mundial Sem Carro de 2007. Um sábado em que os moradores e visitantes de Copacabana puderam desfrutar da orla de uma maneira que só ocorre aos domingos e feriados. No entanto um detalhe pode ter passado desapercebido aos olhos menos atentos, a interdição parcial da rua Xavier da Silveira, o caminho mais tranquilo para ir do metrô Cantagalo até a orla. Nesse dia operadores da CET-Rio orientaram o trânsito motorizado e a prioridade foi total para pedestres e ciclistas. Carros e motos, somente dos moradores para trânsito local.

A Xavier da Silveira não foi interditada por acaso, mais tarde tudo ficou mais claro com o lançamento das Zonas 30 de Copacabana. Um projeto revolucionário que estava no papel passou a ser de conhecimento público. O planejamento urbano do bairro ficou definitivamente amigo das bicicletas.

Incluir as bicicletas na Princesinha do Mar passou a contar também com o projeto SAMBA, as famosas e tecnológicas bicicletas públicas já implantadas nas 3 estações de metrô e outros 5 pontos na orla de Copa. As Zona 30 casavam perfeitamente com a iniciativa. Aluguel gratuito e segurança viária garantida, fórmula de sucesso para atrair novos usuários e motivar quem já pedala pela região.

Como forma de balizar os projetos e confirmar a necessidade do que estava sendo feito, a TA realizou a primeira contagem de ciclistas. Uma quarta feira normal no Corte do Cantagalo, em doze horas praticamente um ciclista por minuto. Mesmo em condições adversas eles já estão por lá, pensar e planejar em função deles é garantir qualidade de vida para o bairro. A contagem do corte foi complementada pela contagem no túnel velho, outro acesso a Copacabana que precisa de intervenções para garantir a segurança de que já pedala por lá e em grandes números.

Foram quase 2 anos até aqui, quando um pouco do que está no papel chegou as ruas. Apenas um primeiro passo, a pedalada inicial que certamente irá ajudar a fazer do bairro mais famoso do Brasil um lugar mais agradável para todos. Seguindo as palavras de Jan Gehl, é como acordar a cada dia e ver que a cidade está um pouco melhor do que o dia interior. Que assim seja por todos os anos daqui pra frente.

O Valor de Andar a Pé

O ato de caminhar é a mais primordial forma de deslocamento do ser humano. Foi com os pés que dominamos o mundo e hoje no zoológico urbano em que a maioria da nossa espécie vive, caminhando descobrimos nossos arredores mais imediatos. Indo e vindo, movidos pelas próprias forças andamos até a padaria, a um restaurante na esquina ou ao cabeleireiro.

Caminhar é um ato que carrega consigo uma alta simbologia, a passos lentos e ritmados somos capazes de percorrer grandes distâncias. No entanto em nossas cidades o pedestre e a “caminhabilidade” tem perdido espaço para formas motorizadas de deslocamento. Ainda que as viagens a pé sejam as campeãs dos deslocamentos, mesmo em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

Quatro pontos fundamentais acabam pondo de lado o grande valor de andar a pé. Como aponta o documento em inglês: “O Valor Econômico de Andar a Pé” de Todd Litman.

  • Primeiro, é difícil medir a “caminhabilidade”, para contar o fluxo motorizado câmeras e computadores são usados. Já o fluxo de pedestres é errático, é difuso. Levando-se em conta os atrativos de uma determinada região para que mais pessoas caminhem nela, a medição torna-se ainda mais complexa. De qualquer maneira, muito pode ser feito em prol dos pedestres.
  • Um segundo fator ajuda a deixar de lado o valor das caminhadas, o baixo status social dessa ação tão primordial. O que se convencionou definir como “progresso” está associado ao fluxo motorizado, as grandes obras. Felizmente exemplos como o de Bogotá e Seoul nos fazem lembrar que qualidade de vida também rende dividendos políticos.
  • Outro fator contrário a valorização do pedestrianismo é o baixo custo. Quem caminha não precisa se abastecer em postos de gasolina, nunca visita uma oficina mecânica para consertar o motor, nem troca pneus furados. Portanto caminhar não gera dividendos imediatos, nem faz a “roda da economia girar”. Mas essa visão é bastante míope, já que a obesidade e a poluição atmosférica causam enormes prejuízos a toda população. O pedestre portanto tem grande valor na redução de custos sociais associados a mobilidade urbana.
  • Por fim, a última barreira política a ser enfrentada é a crença de que o fluxo de pedestres “se resolve sozinho”. Certamente uma percepção errada e que felizmente tem perdido espaço entre planejadores urbanos. O pedestre é capaz de desbravar caminhos em quaisquer condições, seja em uma calçada esburacada ou em uma trilha de terra a beira de uma estrada asfaltada. Mas as consequências de deixar os atrativos para os caminhantes são graves, comunidades sem calçadas de qualidade tendem a ter mais viagens motorizadas e sofrem mais com os efeitos negativos do uso excessivo dos motores.

Dirigir ou ser passageiro é um ato transitório, todo o ser humano é pedestre. Planejar para quem caminha é portanto mais do que priorizar os mais de 30% da população cujo principal meio de transporte são os próprio pés, trata-se de pensar a cidade em função da figura mais importante no ambiente urbano, as pessoas.

Mais:
– Baixe o PDF “O Valor Econômico de Andar a Pé” de Todd Litman no site da TA.
– Saiba o índice de caminhabilidade de qualquer endereço nas 40 maiores cidades norteamericanas.

Princesinha do Mar, Rainha das Bicicletas

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Será lançado em Copacabana no próximo dia 5 um projeto piloto com as primeiras vias com velocidade limitada a 30 km/h e sinalização voltada a proteção dos ciclistas. Tudo isso depois de 14 meses da apresentação do Plano Cicloviário de Copacabana e as “Zonas 30”.

Trata-se de um piloto em 3 ruas, com sinalização vertical e horizontal, bicicletas “oficiais” pintadas no asfalto e simbolos de 30km/h também.

Ainda não é uma Zona 30 propriamente dita, pois estas tem tratamento diferenciado, mas já é algo que se aproxima deste conceito. As vias darão suporte ao sistemas de bicicletas públicas cariocas SAMBA, ligando as estações as ciclovias da orla.
Algo como o já apresentado para o bairro da Tijuca.

Até Bike Boxes foram pensados para alguns cruzamentos, mas ainda não é certo que eles chegarão às ruas neste primeiro momento.

Amanhã (dia 27), a Transporte Ativo fará a capacitação dos agentes da Prefeitura que estarão nas ruas na semana anterior a inauguração educando e conscientizando a população, os lojistas, os motoristas entre outros.

O Prefeito, o Governador e os Secretarios de Transporte do Municipio e do Estado confirmaram presença, pedalando, no dia da inauguração, 5 de junho, em plena semana do Meio Ambiente.