Encruzilhada Urbana

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Foto André Pasqualini.

Um acostamento a beira da Marginal Pinheiros acabou gerando grande repercussão e um debate dentro da esfera municipal e entre os cicloativistas. A discussão foi além da transformação de uma faixa de acostamento da via expressa em faixa de rolamento.

Vias expressas são locais inadequados para o compartilhamento entre ciclistas e o restante do tráfego, mas para os “apocalípticos” o acostamento acabava sendo o único caminho. E como tem sido notório, o número de ciclistas que pedalam “apesar de qualquer condição desfavorável” tem aumentado constamente em São Paulo.

A evidência da presença crescente das bicicletas nas ruas e a notória imobilidade urbana que acomete São Paulo aos poucos colocam a cidade diante de uma escolha que remete a mesma encruzilhada macroeconomica mundial. Qual o tipo de desenvolvimento que podemos e queremos ter?

Economicamente o automóvel a a indústria automobilística tiveram um importante papel para a geração de riqueza para o Brasil e principalmente para a região metropolitana de São Paulo. Hoje o mesmo dinheiro que fez e faz girar a economia na cidade é responsável pelos congestionamentos que imobilizam a população, independente do meio de transporte escolhido.

Bogotá nos provou que mais do que dinheiro, o desenvolvimento urbano precisa de vontade política para traçar seus rumos. São Paulo e seus administradores precisam decidir se seguem rumo a promoção da qualidade de vida e da mobilidade sustentável ou se irá continuar a ser privilegiada a “Velha Mobilidade” e os efeitos negativos que conhecemos.

Saiba Mais:
Carta Aberta aos Secretários de Transporte e Meio Ambiente da cidade de São Paulo.

Le Bikeour

Seria o Biketrial a versão ciclística do Le Parkour? O nome do artista é Danny MacAskill.

Utilizar o mobiliário urbano, gradis, bancos escadarias, cancelas. Voar por cima de tudo pedalar em lugares inimagináveis. Não é um uso comum a bicicleta, requer muita prática e habilidade, mas a plasticidade das imagens é acessível a todos.

Pedalar como meio de transporte é uma atividade bem mais acessível, mas o vídeo apenas comprova que não é também o único uso para as magrelas.

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Via @lucianocoelho, visto no blog Update or Die.

Bicicletas no Coração de Brasília

Brasília, com suas superquadras, escolas classes, calçadas largas e comércios locais, é uma cidade planejada para pedestres.

Apesar disto, a idéia inicial de Lúcio Costa foi e vem sendo corrompida por políticas públicas equivocadas, centradas no automóvel. Hoje, o que era uma utopia no papel, virou um caos. Contudo, a cada dia mais e mais pessoas descobrem que o caminho tem volta, e que há outras opções.

O Conjunto Nacional é o shopping mais antigo da cidade, até tornou-se referência. Está localizado ao lado da Rodoviária, bem no centro de Brasília, onde o Eixo Monumental cruza com o Eixo Rodoviário. Não é à toa que usa como slogan “o shopping do coração de Brasília”.

Há muitos anos o Conjunto Nacional tinha um bicicletário. Era só uma barra na parede. Depois houve uma reforma na garagem e o bicicletário sumiu. Reapareceu como um cantinho e uns ganchos para pendurar, onde mal cabiam duas bicicletas. Alguns meses atrás até este cantinho sumiu. E o coração de Brasília se fechou para bicicletas.

Agora, o Conjunto Nacional dá um presente para os ciclistas de Brasília. Construíram um bicicletário ótimo, gratuito, com bons suportes para prender a bicicleta. Fica na área do estacionamento para motos, próximo da saída.
bicicletário Conjunto Nacional Brasília
O patinho feio virou um cisne! Atualmente é o melhor bicicletário do DF, falta apenas sinalização adequada.
bicicletário CNB

Agora são três shoppings em Brasília que possuem bicicletários: além do Conjunto, o Pier (os suportes são inadequados) e o Brasília (para usar o bicicletário paga-se a mesma taxa de estacionamento para carros). De outro lado, shoppings bem mais novos que o CNB não oferecem bicicletários e alguns chegam a expulsar os ciclistas da sua área.

Antiguidade, neste caso, é sinônimo de sabedoria. Oferecer estacionamentos adequados para bicicletas é uma das formas mais eficientes para incentivar o uso deste transporte que colabora com o planeta, desafoga as cidades, tonifica os músculos e fortalece o coração. Agora o coração de Brasília bate mais forte com bicicletas.

Dez Mandamentos para uma Cidade Melhor

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  • 1° Serás um cidadão solidário; darás valor aos intereses coletivos; serás sensível às necessidades de seus semelhantes.
  • 2° Não descuidarás de teu ambiente. Cuidarás de mantê-lo sempre limpo e seguro; nunca o poluirás e deixarás que o degradem.
  • 3° Não vilipendiarás o espaço público.
  • 4° Obedecerás às leis, exigirás reformas, permanecerás crítico e ativo.
  • 5° Respeitarás teu próximo e teu distante. Nada farás que incomodaria a ti mesmo, como cidadão.
  • 6° Exigirás teu lugar na tua cidade. Tomarás o espaço público também como teu.
  • 7° Lutarás pela recuperação da paisagem natural de tua cidade.
  • 8° Respeitarás o ambiente público como público. Exigirás das autoridades públicas o cumprimento de seus deveres na fiscalização, manutenção e melhoria de sua cidade.
  • 9° Circularás a pé pelo bairro onde moras e onde trabalhas. Frequentarás seus bares, as lojas, os restaurantes, cinemas, teatros, museus e galerias. Privilegiarás a rua como lugar de passeio e convívio.
  • 10° Nunca desistirás de tua cidade.

Esses mandamentos fazem parte do artigo: “O Caos se(m) cura – Dez Mandamentos para uma cidade combalidade.” Escrito por Sergio Kon e publicado no livro: “A (Des)construção do Caos: Propostas Urbanas para São Paulo” – Sergio Kon e Fábio Duarte (orgs.) – Editora Perspectiva.

A Bicicleta Usada

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Quem realmente gosta de bicicletas, não compra simplesmente por comprar, não escolhe apenas o melhor negócio e não fecha negócio de qualquer maneira. Principalmente quando se trata de bicicletas usadas. Aquelas que já tem uma história com seus donos anteriores agregam ao uso da bicicleta mais um valor: amizade entre ciclistas.

É estranho pensar o quanto a “bicicleta física” pode assumir uma posição mais sentimental do que material. Não é apenas uma bicicleta da marca X modelo Y. É a bicicleta de fulano que já viajou pra lá, pra cá e transportou isso ou aquilo, que foi companheira de aventuras e desventuras. Foi ela que salvou aquele dia.

Se for comprar uma usada, vale a pena perguntar mais do que a marca dos componentes, estado do quadro, pneus etc. Se o dono realmente gostar de bicicleta vai querer que o novo dono saiba os outros atributos daquela magrela.

O negócio de troca de dono entre pessoas que gostam de pedalar pode gerar grandes amizades. Realmente a bicicleta une as pessoas.

A Dahon Matrix trocou de mãos. Ela que se tornou uma bicicleta a mais em São Paulo e conheceu a cidade pelas bordas.

Boas Pedaladas ao Boney ao lado dessa excelente companheira.