Minha cidade, minha casa

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Aglomerar pessoas em espaços limitados, sem qualquer tipo de problema ou conflito, é um enorme desafio. Desde que a
humanidade deixou o modo de vida errante, para viver em comunidades com
residências fixas, a percepção de que o coletivo precisa funcionar para manter a qualidade da vida privada foi afetada.  Hoje, a maior parte
da população mundial vive em ambientes urbanos e muitos se tornaram
grandes, imensos. A vida nas cidades tem um ritmo muitas vezes frenético e, nesse contexto, questões do cotidiano, que poderiam ser facilmente resolvidas, vão se acumulando e causando transtorno a toda população. Como a remoção de um poste de sinalização de uma calçada, que aparentemente pode ser algo irrelevante, mas que se não for feita com a devida atenção, pode deixar resíduos ou pedaços de estrutura, capazes de causar ferimentos graves a quem passar distraído pelo local.

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As administrações municipais usam impostos e outras fontes de recursos para prover os cidadãos as condições de vida nas cidades. Claro que é tarefa muito complicada, mas mesmo assim isso não exime prefeituras de responsabilidades e justas cobranças por cumprir seu papel. E mesmo quando executam as obras, consertos e manutenção preventiva  necessárias muitas falhas acontecem. A maioria dos cidadãos que identifica uma dessas falhas costuma reclamar para os outros ou nem isso, raramente para a prefeitura, mas de um modo geral a idéia é de que alguém é pago para manter a cidade em ordem. Sim, é verdade e como as ruas podem (e deveriam) ser entendidas como uma extensão de nossas casas cabe também uma ação individual ou coletiva para cuidar desse espaço público que não tem um dono, mas tem usuários.

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Claro que graves problemas como o rompimento de uma tubulação de água/esgoto, vazamento de gás, afundamento de calçada estão distantes da ação popular, mas um pequeno conserto pode ajudar muitos a custo zero e sem gastar tanto tempo. E de fato nos aproxima da rua como espaço público de uso coletivo, ajudando a perceber o seu valor para si e para os outros. Quem ama cuida e isso não significa tomar para si a responsabilidade da prefeitura, mas ajudar ao próximo participando da cidade mais como um protagonista que como um coadjuvante. O espaço público é de todos mas ninguém é proprietário.

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Sabe lá quantas pessoas já se machucaram nessa ponta de poste exposta ou quantas deixaram de se machucar depois que foi rapidamente amassada com uma simples marreta? Muitas ou poucas não importa. O que importa é que a cidade é nossa e podemos cuidar dela como se fôssemos seus donos legítimos.

Medellín e as bicicletas

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O desafio das cidades é global, mas o capítulo latino americano é certamente um caso a parte. As grandes metrópoles ao sul dos Estados Unidos enfrentam problemas similares, bem como soluções.

A convite da prefeitura de Medellín, a Transporte Ativo participou da Semana da Mobilidade Humana e Sustentável na cidade. Foram quatro dias de evento nos quais pudemos apresentar muito do que fizemos e fazemos, além de realizar oficinas de planejamento cicloviário participativo e uma pequena amostra de contagem de ciclistas.

Capital da província de Antióquia, Medellín está no vale do rio que dá nome a cidade e a cerca de 1.500 metros de altura em relação ao nível do mar. Ao redor do planalto central, no entanto, muitas montanhas que chegam aos 2.500 metros.

As estradas que dão acesso à cidade são o paraíso dos ciclistas escaladores. Com ganhos de elevação dessa ordem de magnitude, pedalar pelos Andes colombianos é garantia de ganho na performance. Tanto que o talento nacional nas provas de ciclismo renderam o apelido de “Escarbajos” (escaravelhos ou besouros) aos atletas do país e é também assim que se definem os “speedeiros” por lá.

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Mas nem só de performance se faz a cultura ciclística. Bicicletas simples usadas por trabalhadores, uma malha cicloviária pequena  de qualidade, um sistema de bicicletas públicas, hipsters, dobráveis, elétricas.

Medellín tem muitos dos desafios e soluções que se espalham pelo mundo. Em relação à malha cicloviária, o desafio, para além da necessária expansão da rede, está nos cruzamentos. A quantidade de pistas velozes no coração da cidade implicam em cruzamentos e desvios que desfavorecem quem pedala. São tempos de espera longos e caminhos menos diretos.

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A Transporte Ativo em Medellín

Justamente por estarem cientes das necessidades da cidade, a prefeitura de Medellín convidou a Transporte Ativo para sensibilizar técnicos e também ensinar técnicas de colaboração entre a sociedade civil e o poder público.

Mas, como é também comum ao redor do mundo, a dificuldade está em trazer para a discussão quem está distante do debate. No geral, a participação da administração local esteve centrada nos técnicos da gerência de mobilidade humana, todos já devidamente sensibilizados.

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Nossa presença no entanto foi um ganho na interação entre poder público e sociedade civil. Pudemos espalhar nossa paixão  por levantamento de dados que ajudam a melhorar a cidade em prol de quem pedala. As contagens de ciclistas e o planejamento cicloviário participativo (a tecnologia social do projeto Ciclo Rotas Centro) deram a tônica de como promover a bicicleta de maneira positiva e propositiva.

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Por fim, aproveitamos para apresentar também o perfil do Ciclista 2017, que está sendo realizado em Medellín, além de 28 cidades no Brasil e outras 26 cidades de 9 países da América Latina. Um esforço pan-americano na promoção ao uso da bicicleta.

Conhecendo o Ciclista Latino Americano

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Popayán – Colombia

A pesquisa Perfil do Ciclista, realizada em 10 cidades brasileiras em 2015, agora está sendo realizada em 28 cidades no Brasil e outras 27 cidades de 9 países da América Latina. A seguir, fotos de entrevistas sendo realizadas em algumas destas cidades.

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Salta – Argentina

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Villavicencio – Colombia

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Santa Fé – Argentina

Manaus _ Brasil

Manaus _ Brasil

Aracaju - Brasil

Aracaju – Brasil

Recife - Brasil

Recife – Brasil

Belém - Brasil

Belém – Brasil

Diversos treinamentos foram realizados online e localmente para alinhar as equipes que estão nas ruas aplicando as entrevistas.

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Treinamentos para aplicação da Pesqusia em Curitiba – Brasil  e  Popayán – Colombia

Hangout América Latina

Hangout América Latina

Diversas cidades divulgaram as atividades em busca de voluntários, que nas ruas abordam, em dias úteis, pessoas que estajam pedalando, empurrando ou estacionando a bicicleta.

Divulgação e chamada para voluntários em Valencia - Venezuela; Rosaro - Argentina e Antioquia Colombia

Convocação e divulgação em Valencia – Venezuela; Rosário – Argentina e Bello – Colombia

Tudo para que possamos conhecer melhor os ciclistas brasileiros e latino americanos, o que os motiva a iniciar e a continuar pedalando pelas cidades, para que assim seja possível se realizar campanhas de conscientização e promoção do uso de bicicletas nas cidades, indo direto aos pontos de maior destaque.

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A Sociedade Civil e os Sistemas de Bicicletas Públicas

Gerar e compartilhar conhecimento para criar capacidade técnica para intervir na promoção da mobilidade por bicicletas é um dos compromissos da TA.

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Acompanhamos a implementação do sistema de bicicletas públicas da cidade do Rio de Janeiro desde seus primeiros passos, de lá para cá o sistema passou por modificações que incluem reestruturação e expansão do sistema, “Samba” que virou “Bike Rio”, com isso muitos aprendizados foram acumulados.

Em outubro participamos, a convite da Ente de la Movilidad de Rosario, de uma oficina sobre Sistemas de Bicicletas Públicas realizada durante durante a 15a Assembleia América Latina da UITP em Rosário, na Argentina. A oficina contou com uma manhã totalmente dedicada ao caso carioca “La sociedade civil em los Sistemas de Bicicletas Públicas y la cultura ciclista de las ciudade” (liderada por Gabriela Binatti da TA e Natalia Cerri Oliveira do Banco Itaú) em que a sociedade civil, em constante qualificação, tem sido ator fundamental na divulgação e fortalecimento deste tipo de política pública.

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O público presente foi diverso, com a participação da sociedade civil organizada de várias cidades da Argentina além da academia, operadores, vendedores de tecnologia e estudiosos do tema. Foi um momento importante onde além de compartilhamos a experiência carioca, e brasileira, tivemos a oportunidade de exercitar conjuntamente sobre nossos papéis e possíveis estratégias de fortalecimento deste tipo de política.

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Espaços dedicados exclusivamente a discutir sobre Sistemas de Bicicletas Compartilhadas/Públicas tem acontecido pela América Latina (Medellín, Cidade do México e Rosário) e a cidade do Rio será a próxima a receber esse tipo de encontro. Em junho de 2018 seremos os anfitriões de mais um evento Latino-americano sobre Sistemas de Bicicletas Públicas e Compartilhadas. Reserve a data!

Bicicleta para técnicos e gestores, um seminário que pedala pelo mundo

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Foi para apresentar os benefícios para técnicos e gestores municipais que nasceu o Seminário “Introdução ao Mundo Cicloviário” (IMC). Lá se vão 9 anos desde seu lançamento no Rio de Janeiro, com oito rodadas na cidade de São Paulo em 2008.

Repaginado e com apoio do banco Itaú o já famoso IMC, como gostamos de chamar, volta em 2017 após uma rodada teste em 2016 em Salvador, Maceió e Fortaleza. O objetivo segue o mesmo, através de uma metodologia comprovadamente eficaz, iremos difundir conhecimento, sensibilizar e conscientizar administrações públicas de diferentes cidades, a melhor compreenderem as novas vertentes da mobilidade urbana e consequentes melhorias para suas cidades.

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A construção de uma nova mobilidade urbana

O século XXI tem se desenhado como a hora e a vez da retomada da bicicleta. Nesse cenário, é fundamental difundir uma melhor compreensão de uma nova mobilidade urbana voltada para as necessidades humanas e a promoção da qualidade de vida. Com duração aproximada de quatro horas, os seminários trazem uma visão histórica e global da bicicleta com adaptações para as características e necessidades locais.

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Introdução ao Mundo Cicloviário em Curitiba

Com o nome de “Formação de Gestores”, a primeira edição desse novo IMC realizada em Curitiba no dia 05 de outubro de 2017 foi um sucesso. Estavam presentes representantes de sete municípios da região metropolitana além de alguns da capital. Eram secretários, técnicos e gestores de cincos órgãos municipais e quatro estaduais. A iniciativa de levar a formação para a capital paranaense coube ao vereador Goura Nataraj que, através da sua equipe, foi responsável pela cobertura do evento. Estavam presentes ainda representantes da sociedade civil local.

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Próximos passo

O tour do seminário de Introdução ao Mundo Cicloviário seguirá ainda em 2017. Ainda em outubro, estaremos em Medellín na Colômbia para apresentar os benefícios da bicicleta na “Capital Paisa” que já tem um plano cicloviário em implementação, mas ainda sofre com resistências na sua implementação. Nada melhor do que espalhar informações bem embasadas para técnicos municipais para que mais pessoas pedalem mais vezes em uma cidade cada vez mais amigável para as bicicletas.

Formação em Ciclomobilidade em Curitiba, veja o vídeo