Livros a pedal

A bicicleta permite interações e novos usos para o espaço. Um exemplo que pode e deve ser difundido é o projeto Bicicloteca, uma iniciativa que distribui livros gratuitamente em um bairro da periferia de São Paulo. Idéia simples que muda as pessoas, um livro de cada vez.

E eu, no entanto, livro nas mãos
sentado no banco
viajo além do vai-vém
daqueles a quem o ponto é um pranto
que escorre porquanto o busão não vem

A pressa é um manto
cobrindo a visão dos homens
que de correr tanto
não vêem nem céu nem chão
Que dirá o livro em branco
que cada olhar manso têm
(…)

Leia o restante do poema.

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O futuro é hoje

labirinto - caminho da escola

O trânsito nas cidades oprime as pessoas, causa estresse e medo da violência. As cidades são construídas por adultos e para adultos, que têm uma carga racional e emocional mais apta a lidar com situações extremas – ou deveriam ter.

Crianças sofrem muito mais com a degeneração do espaço urbano, porque elas não são “pequenos adultos”. Elas têm uma dimensão própria e uma forma lúdica de lidar com o espaço onde moram e se movem. Precisam de liberdade para explorar e descobrir o mundo. Desconhecem os perigos reais e os fictícios.

As crianças são totalmente esquecidas e alienadas pelo urbanismo, pelos arquitetos e planejadores das cidades. Os espaços públicos, os meios de transporte e as ruas são projetadas para adultos. Adultos que dirigem um carro. Mas estes adultos estão abandonando as cidades, mesmo morando nelas. Estamos cada vez mais nos fechando em conchas de aço e vidro.

Movidos pelo medo, que brota nesta cidade fragmentada, há todo um movimento de pais e mães no sentido de deixar as crianças o mais longe possível das ruas. Cada vez mais as crianças caminham menos, andam menos de bicicleta e adquirem doenças típicas de adultos mais cedo, como estresse e obesidade.

O projeto “Transporte Ativo na escola” tem a intenção de contribuir para este debate. Mais do que isto, queremos que as bicicletas voltem a ser coisa de criança! Que as ruas sejam espaço de encontro, não um canal de violência e medo.

Em dezembro do ano passado, entramos em contato com o renomado ilustrador Lelis e ele doou para a TA cinco desenhos infantis inéditos e exclusivos. Com estas ilustrações produzimos folhas para colorir, labirintos e palavras cruzadas. Os jogos estão disponíveis na página do Projeto Transporte Ativo na escola e podem ser usados livremente.

Se você é professor, leve para sua sala de aula. Se você é pai ou mãe, divirta-se com seus filhos e indique na escola deles. Se o presente parece escapar das nossas mãos, vamos construir o futuro agora: uma cidade onde meninos e meninas possam andar a pé e de bicicleta.

para colorir - menino de bicicleta - coloring page boy riding a bicycle

Lelis é ilustrador mineiro, atualmente contribui para o Jornal Estado de Minas. Tem albuns de quadrinhos publicados, inclusive na França; participou do projeto Cidades Ilustradas, da Editora Casa 21, para quem fez um livro sobre Ouro Preto “Cidades do Ouro“; está trabalhando na ilustração de Clara dos Anjos, obra do Lima Barreto que vai sair em quadrinhos.
Lelis tem um traço marcante. Confira 3 de suas ilustrações:

  • City monster
  • Cavaleiro do apocalipse
  • Cidade para carros
  • e faça um passeio pelo blog dele em busca de mais bicicletas!

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    A madrugada é capaz de maximizar os efeitos positivos e viciantes de ser ciclista. Lançar-se nas ruas e avenidas tranquilas da madrugada é sentir o silêncio da noite e apreciar a liberdade dentro do espaço de circulação que durante outros horários parece sempre apertado e por vezes até um grande estacionamento.

    A noite permite ao ciclista olhar para uma grande e ampla avenida e em silêncio voar por ela. Discretamente fluir tendo à frente a amplitude urbana. É possível abrir os braços e sentir que há apenas o vento. A mente ilude o corpo a acreditar no voo imaginário que é pedalar sem barreiras. E então, a bicicleta simplesmente deixa de existir.

    Quando a bicicleta se torna apenas um simples instrumento torna-se possível imaginar outras cidades possíveis em que mais silêncio, mais conversas, mais interação e mais prazer possam acontecer sobre as mantas de asfalto que revestem o espaço de circulação urbano.

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    As pessoas mudam as cidades

    As bicicletas não mudam as cidades, mudam as pessoas que vivem nas cidades. Isso é o que mostra um vídeo sobre “Bike Boulevard”, um termo em inglês para um conceito ainda sem tradução oficial em português.

    Ruas dentro de um bairro formam uma rede com baixo fluxo de trânsito motorizado, em baixa velocidade. Além disso, a sinalização vertical e horizontal informa sobre a total prioridade as bicicletas e bloqueios nos cruzamentos e medidas de acalmia de tráfego impendem o uso da rota como caminho direto para os automóveis.

    A falta de conhecimento técnico de como projetar esse tipo de via, tão importante para as cidades, serviu de motivação para a elaboração de um manual que aborda todos os conceitos por trás da elaboração de uma rede de vias cicláveis.

    Muito se fala em ciclovias como forma de induzir e facilitar a bicicleta como modal de transporte urbano. No entanto, ruas cicláveis trazem benefícios para além da circulação viária, já que a diminuição do tráfego motorizado em ruas de bairro trazem benefícios inestimáveis a qualidade de vida das pessoas, valorizando até mesmo o patrimônio dos moradores.

    Faça o download do Manual de Planejamento de Ruas Cicláveis. (em inglês). Saiba mais no site do departamento para a inovação em prol de pedestres e cicilistas da Universidade Estadual de Portland.

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    O que nossas ruas são hoje, é resultado de decisões tomadas no passado. O que faremos com o espaço público de circulação em nossas cidades é tarefa para o presente.

    No mês de fevereiro, esteve no Rio de Janeiro, à convite do ITDP, o arquiteto Michael King. Ele falou sobre as mortes no trânsito, e foi enfático ao declarar que para reduzir o número de mortos, tem de haver reduções no limite de velocidade do trânsito motorizado. Um pequeno diálogo imaginário ajuda a ilustrar a idéia.

    – Você deixaria seu filho de 7 anos atravessar a rua para ir a escola? Então: quais as medidas que precisam ser tomadas para permitir que uma criança de 7 anos possa atravessar a rua?

    – Projetar conversões que se adaptam a caminhões proporcionam que automoveis possam fazer o giro a 43km/h. É esta a velocidade que gostaríamos que um automóvel realizasse uma curva em qualquer lugar?

    Outras questões ficaram no ar: Porque nos cruzamentos da cidade do Rio de Janeiro as travessias de pedestres estão recuadas da esquina se os pedestres não fazem desvios?

    Como parte do workshop, King visitou, com diversos técnicos da prefeitura do Rio, a Lapa e os arredores da Central do Brasil, lugares com um enorme fluxo de pedestres. Espera-se que trabalhadores e boêmios sejam beneficiados.

    Com informações do site do ITDP (em inglês) e do blog Urbanismo e Transporte.

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