Desejos Femininos

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O conceito de “mais mulheres em mais bicicletas mais vezes” é central para o bom planejamento cicloviário. Diversos estudos apontam que elas tem maior aversão ao risco e portanto preferem sempre rotas mais seguras. Mas além disso são elas que fazem mais viagens “utilitárias”, pedaladas até o supermercado, até a escola, a creche…

Uma outra variável tem um papel fundamental em conquistar mais mulheres para o uso cotidiano da bicicleta. Homens apresentam maior facilidade no que se refere a “não precisar de um carro”, mas ainda é papel feminino um número maior de viagens que tem “funções domésticas”. A igualdade entre os sexos ainda não é completa e mesmo com ajuda masculina em casa, as preocupações com administrar uma casa ainda pesa mais para as mulheres.

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Para além do feminismo ou de disputa entre os gêneros, nossas cidades tem muito a aprender com o que querem as mulheres. A bicicleta é o veículo ideal para adequar o espaço dos pedestres nas cidades. Já as mulheres são a “espécie indicadora” no que tange melhorias cicloviárias e quanto mais fácil for para elas optar pelas pedaladas, melhor será para todos os ciclistas, sem distinção de gênero.

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As três fotos de uma mãe em Copacabana nesse post ilustram o papel da bicicleta no cotidiano feminino e o potencial para que mais ciclistas ganhem as ruas do bairro. As duas primeiras imagens foram captadas durante a realização da Contagem de Ciclistas na rua Figueiredo de Magalhães.

Mais informações disponíveis em inglês no artigo da Scientific American de Outubro intitulado: How to Get More Bicyclists on the Road

Rio 2016 – Impulso para os Transportes

As Olímpiadas deixaram de ser um sonho são agora um marco para o futuro do Rio de Janeiro e também do Brasil. As ambições vão além de um evento esportivo, trata-se de um projeto nacional e de cidade. Consolidar a importância carioca e brasileira no cenário internacional. Além é claro de promover os esportes olímpicos para a América do Sul como um todo.

Um grande evento ensina de uma maneira única. Os atletas, organizadores e a imprensa que precisam se deslocar durante o período de provas, novos prédios, estádios e é claro as milhares de pessoas que irão assistir as competições. As lições e os erros do Pan-2007 estão frescos e precisam ser corrigidos a tempo, afinal são menos de 7 anos até a cerimônia de abertura. As pretensões do país e da cidade no âmbito global serão postas a prova entre os dias 5 e 21 de agosto de 2016. No entanto no dia 18 de setembro, com o encerramento das para-olimpiadas, a cidade apagará alguns holofotes e seguirá sua história pós-olímpica.

Irá nascer uma nova cidade, construída majoritariamente na Barra da Tijuca e o Rio de Janeiro que sonhou ser olímpico terá de construir um sistema de transportes para além dos Jogos. Corredores de ônibus em faixas exclusivas, os famosos BRT, já estão a caminho e com a promessa de que tudo seja integrado a infraestrutura para as bicicletas.

Mais da metade dos atletas terá de se deslocar por uma distância menor do que 5 quilômetros, em um raio com centro na Vila Olímpica, assim também é em nossas cidades. A maioria das viagens são curtas e facilmente pedaláveis.

No horizonte do Rio 2016, pairam excelentes legados. A cidade terá muito a ganhar com a inserção de transporte público rápido e de qualidade para as grandes distâncias e das bicicletas nas viagens mais curtas. Uma política que tem sido feita cada vez mais no Rio de Janeiro e que certamente será expandida durante os preparativos olímpicos.

E a Zona Azul ficou Verde

A Vaga Viva é bastante simples, uma ação que sem rodeios devolve as pessoas o espaço público. No lugar de estacionamento de carros, pequenos parques com grama artificial e espaço de convivência. O conforto para ficar pode vir de um banco de praça ou de um belo pufe, até simples cadeiras de praia transformam o espaço.

Fazer uma Vaga Viva é fácil, barato e prazeroso. Basta chegar cedo, convidar os amigos para uma visita e desfrutar do espaço público, aquele mesmo que pertence a todo mundo.

Confira abaixo as fotos da Vaga Viva Paulistana do dia 18 de setembro, dia em que cidades ao redor do mundo replicaram o evento, sob a tutela dos criadores dessa intervenção, o grupo Rebar de São Francisco.

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Saiba mais:
– Sobre “Park(ing) Day” (em inglês)
– Sobre as comemorações do Dia Mundial sem Carro em São Paulo.

Rivalidades Urbanas

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Rio de Janeiro e São Paulo tem uma lendária rivalidade bairrista, “competição” em nome da relevância econômica, política e cultural. Para adicionar caldo a essa informal disputa, entra em cena o Dia Mundial sem Carro. Reportagem do Estado de S. Paulo no próprio dia 22 mencionou as atitudes e atividades nos dois extremos da Via Dutra.

Na Cidade Maravilhosa a prefeitura impôs restrições ao estacionamento de motorizados em ruas do centro, o prefeito pedalou 20 km até o trabalho e foi inaugurado o projeto Zona 30 em Copacabana. Além disso a frota de trens suburbanos, do metrô e ônibus circulou em maior número.

Restringir estacionamento capacitou a cidade a ser participante oficial da jornada mundial em prol da mobilidade sustentável e encorajou a adesão da população. Já a pedalada do prefeito é um exemplo pessoal de grande impacto midiático. Finalmente, a maior disponibilidade de transporte público ajuda a população a abraçar a idéia e a Zona 30 em Copacabana serve para deixar frutos para além do dia 22 de setembro.

Enquanto isso na Paulicéia, a sociedade civil liderou a reflexão em torno do Dia Mundial Sem Carro, mas com a adesão da população pouco visível em meio a um dia nublado e com garoa. Ainda assim, o prefeito e seu secretário de transportes foram de ônibus ao trabalho, o bom exemplo que aparece na mídia. O secretário de Esportes, também deixou o carro em casa e circulou pela cidade somente de transporte público. Além disso também fechou as portas da secretaria para o estacionamento de veículos automotores. Todos tiveram de procurar alternativas, ou ao menos pagar pelo estacionamento mais distante e caminhar até o trabalho.

O exemplo dos prefeitos e secretários ilustrou a maneira de agir na cidade no Dia Mundial sem Carro, ainda centrada na ação de cidadãos, mas sem o apoio institucional da administração municipal. Mas a sociedade civil fez um belo papel. Com intervenções a beira do rio Tietê, faixas bem humoradas em viadutos, uma Vaga Viva a prova de chuva, andomóveis na avenida Paulista e mais uma belíssima Bicicletada especial com centenas de ciclistas.

Para a além das rivalidades, o Rio de Janeiro teria muito a ganhar com o engajamento dos seus cidadãos em maior número, uma realidade paulistana. Enquanto a administração municipal em São Paulo precisa saber valorizar a mobilidade sustentável, bandeira do 22 de setembro, como um símbolo de uma política em defesa do futuro da cidade.

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Foto: Luddista

Pedalear al trabajo

capa do guia

Como parte das celebrações do Dia Mundial Sem Carros, estamos publicando hoje o guia Pedalear al Trabajo.

É a versão em espanhol do Guia De bicicleta para o trabalho , que foi lançado em setembro do ano passado.

A tradução é fruto de meses de trabalho e colaboração entre a Transporte Ativo, o Mountain Bike BH e a Ciudad Viva. E resultou do interesse demonstrado pelos integrantes do Bicycle Partnership Program (BPP), no encontro internacional organizado pelo I-Ce, em Quito, no final de 2008.

A tradução foi feita pela Juliana Sá (MountainBike BH) e revisada pela Magadalena Morel (Ciudad Viva), a quem agradecemos bastante pela dedicação, empenho e voluntariado.