Alfabetismo urbano

Amor pela bicicleta - via Instagram Transporte Ativo

Amor pela bicicleta – via Instagram Transporte Ativo

As bicicletas, todas elas, tem sido fundamentais para redesenhar as cidades que imaginamos. Contribuem para mudar a visão de mundo que quem pedala, de quem ainda não pedala e principalmente de quem planeja e influi na organização urbana.

Um vídeo das viagens feitas pelas bicicletas públicas londrinas ajudam a marcar a importância de pedalar para a reinvenção urbana necessária.

Aos poucos as rotas mais populares são mais marcadas e definem as origens e destinos preferidos pelos usuários do sistema, mas as consequências vão além de um desenho animado. A popularização do uso da bicicleta é o atalho capaz de redefinir prioridades urbanas. Um caminho com diversas etapas, que começa através de atitudes individuais de quem opta por pedalar, passa pelas atitudes coletivas de quem promove o uso da bicicleta e chega até as políticas públicas.

O meio mais comum de locomoção nas cidades brasileiras é o caminhar, mas o desenho urbano é pensado para os cidadãos que utilizam motores para cumprir distâncias curtas, médias e longas. Reverter essa lógica, construída ao longo do século XX, é um trabalho necessário e em curso. Ainda assim, muitos dos que sofrem nos congestionamentos esperam uma solução para seu problema, sem saberem ao certo o que é necessário para apaziguar o sofrimento diário que compartilham com os condutores parados ao redor.

No dia-a-dia pedalar no trânsito urbano é deparar-se com episódios constantes desse analfabetismo funcional que atinge as pessoas presas atrás do volante. O principal fenômeno certamente é a acelerada para parar no próximo semáforo fechado. E tal qual a lebre e a tartaruga, o ciclista costuma seguir devagar e sempre e ultrapassar as tensões de quem não viu as cidades serem modificadas e construídas em função da mobilidade motorizada e reconhece apenas soluções vistas de dentro do carruagem de aço.

Em silêncio, o ciclista que ultrapassa, é ultrapassado e cruza mais uma vez até sumir no emaranhado das ruas é um lição de alfabetização urbana. Ensina em silêncio que a bicicleta é a ferramenta mais eficiente para os deslocamentos humanos. Como brinde, ainda fica o aprendizado de que mesmo planejadas para deslocomentos motorizados, as cidades acabaram por ser tornar espaços de livre trânsito apenas para quem ocupa pouco espaço.

As melhores iniciativas de promoção ao uso da bicicleta

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Boas iniciativas merecem sempre serem premiadas, por isso temos todo o orgulho de dar nome a iniciativas vencedores do prêmio “A Promoção da Mobilidade por Bicicleta no Brasil”, nas suas 3 categorias.

Prêmio Ação Educativa e de Sensibilização:
Vencedor: Vá de Bike – São Paulo
Menção Honrosa: Bike Anjo – São Paulo
Menção Honrosa: Amigo Motô – Ameciclo – Recife

Prêmio Levantamento de Dados e Pesquisas:
Vencedor: Yuriê Batista – Avaliação da Ciclabilidade das Cidades Brasileiras
Menção Honrosa: Pedala Manaus – Primeira Contagem de Ciclistas de Manaus
Menção Honrosa: Ameciclo – Pesquisa Mobilidade por bicicleta no Recife

Prêmio Empreendimento:
Vencedor: Bicicletaria Cultural – Curitiba
Menção Honrosa: Public Propaganda e Marketing – Palmas Tocantins
Menção Honrosa: Las Magrelas + o Gangorra – São Paulo

Os vencedores foram avaliados de acordo com a sua capacidade de promover o uso da bicicleta, originalidade, criatividade e impacto. Quanto aos inscritos, foram 12 na categoria “Ação e Sensibilização”, 4 na categoria “Dados e Pesquisa” e 9 na categoria “Empreendimento”.

Esse pequeno retrato mostra que estamos pedalando bem no que se refere a educar e sensibilizar a sociedade e que a bicicleta tem sido uma boa impulsionadora de novos e criativos negócios. Podemos ainda ver que se faz muito pouca pesquisa sobre nossos queridos veículos. Certamente a academia e as próprias organizações que promovem a bicicleta tem muito trabalho pela frente em levantar e apresentar dados consistentes que ajudem a deslanchar a nova mobilidade mais humana pela qual tanto trabalhos.

As cidades do futuro serão cidades amigas da bicicleta, pedalemos.

A evolução da bicicleta

 

Certo dia alguém montou duas rodas alinhadas em um pedaço de madeira. Desde então o movimento humano nunca mais foi o mesmo. O vídeo abaixo é uma deliciosa ilustração de como a bicicleta evoluiu se adaptou até se tornar a maneira mais eficiente de deslocamento no planeta.

Com essa simples invenção, a pessoa em bicicleta gasta menos energia que o mais eficiente pássaro e nem precisa sair do chão para consumir poucos recursos e ir mais longe.

Pedalemos!

Via: Arquitetura Sustentável

Há motivo para otimismo nas ruas do Rio

Foto: Dandarah Jordão

Foto: Dandarah Jordão

Em meio aos preparativos e expectativas para Copa do Mundo e Olimpíadas uma transformação em curso nas ruas do Rio tem o potencial de deixar marcas para o futuro do Rio de Janeiro. As pressões pela melhoria do transporte público e a expansão da malha metroviária estão longe de serem atendidas. E antes das mudanças grandiosas com obras vultosas, a bicicleta foi capaz de entrar na agenda de transformação urbana pela sutileza.

O Rio de Janeiro sonha em ser metrópole mundial. O metro quadrado absurdamente caro já tornou esse lado perverso das grandes cidades mundiais uma realidade. As pressões e dificuldades para que a população se adapte estão postas nas ruas, avenidas e nas expansões urbanas mais vistosas. Novamente a bicicleta surge, sutil. Toda cidade “de classe mundial”, capaz de influenciar o futuro urbano do planeta adotou a bicicleta. Nos sonhos cariocas portanto, impossível não promover as pedaladas.

No embate entre sutileza e grandes obras, há muito debate necessário a ser travado. Mas é preciso sempre lembrar que gratuita e acessível para todos, a bicicleta é aquela ferramenta sutil anti-gentrificação. Veículo que precisa da diversidade de gente, de negócios e moradias. A cidade da bicicleta, aquelas de classe mundial e tudo o mais, integra melhor seus moradores ao tecido urbano com moradias e empregos próximos e claro, uma população com uma renda suficiente para ser capaz de arcar com os custos de moradia.

A invasão das bicicletas no centro do Rio de Janeiro traz consigo uma meio de subverter uma cidade sonhada somente para quem pode pagar (caro) por ela.

A importância de promever a bicicleta no Congresso

Na divisão de poderes do Estado o legislativo certamente é o maior mistério. As discussões, comissões, disputas e omissões para a criação de novas leis e reformas das existentes são extremamente complexas de serem entendidas por quem está de fora, isto é, a maioria de nós eleitores.

Os caminhos dentro do Congresso são longos e até mesmo tortuosos, literalmente. Por entre longos corredores é fácil se perder em meio a desumana arquitetura das esculturas de concreto de Niemeyer. É a “casa do povo”, mas não é capaz de receber as demandas populares. Corredores de teto baixo e salas com mesas e cadeiras fixas muito espaçadas tornam o ambiente a antítese da Ágora e até certo ponto inviabilizam o debate legislativo entre representantes eleitos e os cidadãos.

Apesar das dificuldades físicas e também das simbólicas, é no Congresso Nacional que se modificam as leis e também se criam novas. Influir nesse espaço costuma ser algo da prerrogativa de grupos que investem na pressão para que interesses particulares estejam acima da vontade da população.

A sociedade civil brasileira, promotores da bicicleta inclusos, ainda aprende como fazer pressão em torno das suas demandas. Desconhecemos os caminhos entre corredores do Congresso e naturalmente as forças em disputa entre os que lá circulam. Ainda assim há muitos espaços ainda vazios, prontos para serem pedalados.

Bicicletas na agenda nacional do país, com representatividade local e força de pressão nas esferas locais, estaduais e federal é uma construção possível que aos poucos começa a se desenhar.

Por hora batalhamos pela isenção do IPI para bicicletas, uma idéia que já atraiu mais de 85 mil assinaturas virtuais que funcionaram como meio de pressão para que um pequeno grupo de ciclistas tivesse força para pressionar senadores e deputados, in loco.

Entenda um pouco mais o que os ciclistas foram fazer no Congresso Nacional no Vá de Bike.