Pedal Acessível entre Museus – Junho

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A segunda pedalada do Projeto Entre Museus Acessíveis ocorreu no sábado 25 de junho. Desta vez tivemos mais participantes que em maio e mais pessoas com surdez ou baixa audição que pessoas com deficiência visual.

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Aproveitando a inauguração de novas ciclofaixas no centro da cidade alteramos nossa rota e fizemos 100% do caminho em calçadões, ciclovias e e ciclofaixas. Foi uma apresentação da infraestrutura até para alguns monitores que ainda não conheciam as novidades.
Mesmo com a nova rota mantivemos as sempre interessantes aulas de história da cidade do Rio de Janeiro com o Historiador David que se desdobrou para que tanto as pessoas sem audição quanto sem visão compreendessem as informações.

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Novamente uma equipe de tradutores de LIBRAS esteve conosco o tempo todo para atender aos 14 participantes com diferentes graus de surdez. Também tivemos 2 pessoas cegas, uma delas com seu próprio cão-guia que ganhou lugar especial para realizar todo o percurso entre o Museu do Amanhã e o Museu da República, onde fizemos novamente um piquenique naquele belo jardim.

Agradecemos o empenho de nossos monitores-ciclistas que não mediram esforços para proporcionar uma pedalada segura e prazerosa para os participantes.

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Se você conhece alguém com necessidades especiais indique essa oportunidade que é gratuita e aberta a todos.

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Serão mais 5 eventos até novembro, sempre no último sábado do mês, o próximo está programado para o dia 30 de julho.
Programação e inscrições pela página do Museu do Amanhã clicando neste link.

1º Encontro Bicicletas e Meio Ambiente | Bicicletas e Negócios Sustentáveis

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Semana passada iniciamos uma Série de Encontros sobre Bicicleta e Meio Ambiente, serão seis encontros até novembro, com apoio do Itaú Unibanco. Era uma noite chuvosa de sexta-feira e a sempre carismática bicicleta atraiu 12 pessoas para a sede da Ciclo Orgânico empresa de compostagem que utiliza triciclos e bicicletas para recolher os resíduos orgânicos nas residências dos assinantes do serviço. Fomos até lá para ouvir e debater sobre como a bicicleta pode ajudar na sustentabilidade das empresas ou como ela pode ser o eixo motriz de todo o negócio, que já nasce mais sustentável.

O idealizador do empreendimento, Lucas Chiabi ofereceu o mezanino da empresa em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro para contar sua história, como surgiu a Ciclo Orgânico e como os triciclos são fundamentais para o sucesso da iniciativa. A Ciclo Orgânico é um excelente exemplo de como é possível empregar um transporte ativo para inovar em um serviço que por si só já seria ambientalmente relevante. Mas o Lucas e sua turma levam a sustentabilidade muito a sério e, invertendo a “lógica” que carga precisa de motor para ser transportada, adotaram bicicletas e triciclos como veículos principais para a logística de sua operação diária. E deu super certo! Vários negócios usam a bicicleta em entregas e garantem eficiência com baixo custo, poluição zero e impacto social relevante.

Nos próximos meses vamos abordar outros aspectos e vertentes da relação da bicicleta com o Meio Ambiente. Fique ligado para saber quais serão os temas, quando e onde eles serão organizados.

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Pedal Acessível entre Museus – Maio

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No último sábado de maio participamos de um evento muito especial: a pedalada do Projeto Entre Museus Acessíveis. Idealizado pelo Museu do Amanhã, que nos convidou para organizar a parte ciclística, o projeto integra o Museu do Amanhã e o Museu da República, proporcionando visitas guiadas e a ligação por bicicleta para pessoas com deficiência visual ou auditiva. No caminho paradas estratégicas para pequenas e interessantes aulas ao ar livre sobre a história do Rio de Janeiro.

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Na primeira rodada tivemos 12 deficientes auditivos e 2 deficientes visuais que foram conduzidos em bicicletas duplas (tandens) por ciclistas especializados. Proporcionar essa experiência foi muito empolgante para todos, sejam condutores ou conduzidos.

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Se você conhece alguém com necessidades especiais indique essa oportunidade que é gratuita e aberta a todos.

Serão 7 eventos até novembro, sempre no último sábado do mês. Programação e inscrições pela página do Museu do Amanhã clicando neste link.
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Mecânica Básica no Clube Aretê Búzios

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Algumas oportunidades que aparecem à TA são realmente valiosas. É o que podemos dizer da Oficina de Mecânica Básica para Ciclistas que tivemos o privilégio de ministrar em Búzios, nos dias 11 e 12 de março deste ano. Vivenciamos a bicicleta e sua mecânica em dois dias muito especiais. O convite para esta oficina ocorreu em 2019 para ser realizada em 2020, mas a pandemia atrasou os planos e nos ensinou, ainda que de maneira rude, a resiliência. Ela foi fundamental para manter a mente e o espírito afinados para que agora em 2021 pudéssemos aproveitar esta oportunidade ímpar. E ela veio de forma bem caprichada.

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A oficina fez parte do evento IL Grangiro, primeira prova de MTB da temporada 2021, realizada num circuito de Cross Country Maratona novíssimo e permanente, na icônica cidade de Búzios, em um Clube de Golf com com infraestrutura poliesportiva e com a presença de ninguém menos que Henrique Avancini, atleta da elite do MTB mundial, campeão de uma etapa do circuito internacional de MTB em 2019.

ggb3Com rígido protocolo de segurança, obrigatório em tempos de pandemia, a organização do evento montou duas barracas ao ar livre garantindo espaçamento seguro para os 7 alunos, sendo 3 mulheres super interessadas, uma participação especialíssima que nos deixou muito satisfeitos.

GGB1Durante o evento apresentamos os conceitos básicos sobre mecânica de bicicletas para moradores de Búzios e cidades próximas. A oficina aconteceu nas tardes de quinta e sexta-feira (11 e 12 de março) e os atentos participantes não ficaram só vendo e ouvindo. Em revezamento todos puseram seus conhecimentos à prova para montar uma bicicleta do zero, instalando todas as peças e componentes, fazendo os ajustes até que ela estivesse pronta para pedalar. O interesse pelos procedimentos de montagem foi tão grande que não terminamos no primeiro dia. Na sexta, depois de concluir a montagem e realizar algumas voltas de teste passamos às dicas para corrigir problemas mecânicos durante a pedalada com poucas ferramentas. Remendo de pneu, corrente partida, regulagem de freios e câmbios, troca de cabos e até conserto rápido de uma roda severamente empenada.

ggb5Foram dois dias com muitas trocas de experiências e boas conversas com quem ama pedalar. Como os participantes já possuíam alguns conhecimentos sobre mecânica, conduzimos a oficina com forte estímulo a que eles se tornem multiplicadores desse conteúdo. A partir do aprendizado sobre as técnicas básicas de mecânica, esperamos que eles compartilhem essa oficina para que mais pessoas possam fazer a manutenção das próprias bicicletas, especialmente trabalhadores de entregas. E que assim possam multiplicar o conhecimento entre grupos, familiares e qualquer pessoa que desejar saber mais sobre o universo das magrelas. Por mais pessoas em mais bicicletas mais vezes, e resolvendo problemas mecânicos para continuar pedalando.

Foto: Planeta da Bike
Os participantes receberam ao final do curso um Certificado, CTBs de Bolso, adesivos refletivos TA, folhetos Prenda ou Perca e diversos links com materiais complementares. Na próxima etapa na Serra das Hortênsias tem mais! Fique de olho na data!

Mais fotos no Instagram Grangiro.

Bicicletas, eletricidade e sustentabilidade

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A bicicleta é um veículo a propulsão humana¹ por pedais. Ao adaptar ou construir um similar com um motor acionado por acelerador, seja elétrico ou a combustão, sua classificação muda para ciclomotor², ainda que tenha pedais que também a movimentam. Já os modelos com pedal assistido³ por motor, mas sem acelerador, ainda se enquadram na categoria de bicicletas, embora sem a simplicidade e eficiência originais.
Essas diferenças entre os tipos de veículos com e sem motor, com e sem acelerador tem levado a uma confusão de conceitos e mau uso das definições, tanto ambientais quanto legais. É importante diferenciar para evitar que se utilize a boa reputação da bicicleta para emprestar empatia e virtudes que os ciclomotores elétricos não têm. Dependendo do uso, os pedais dos ciclomotores servem apenas de apoio para os pés.

Vamos analisar a sustentabilidade do uso de motores elétricos em veículos de duas rodas, sejam eles a pedal assistido ou ciclomotores. A ideia é discutir o perfil do usuário da motorização elétrica, bem como a coerência das definições e do marketing dos fabricantes, que não deveriam classificar de sustentável um produto que não é de fato. A indústria automobilística é craque nessa prática.
Veículos com motores elétricos, seja pedal assistido ou não, tem suas vantagens especificamente em relação aos motores a combustão. São mais baratas de adquirir e de se manter, além disso não poluem durante o uso e são silenciosas. As de pedal assistido são mais amigáveis a quem quer fazer exercício enquanto se desloca e não tem preparo ou condições físicas mínimas. Além disso, levam mais peso e sobem aclives com menos esforço devido à ajuda do motor. Contribuem ainda para humanizar o trânsito, pois os condutores de bicicletas e ciclomotores elétricos compartilham da mesma posição na hierarquia das ruas. Transporte de carga, de passageiros e necessidade de vencer ladeiras íngremes ou grandes distâncias são algumas das demandas ideais para a motorização elétrica como opção vantajosa aos veículos com motores a combustão. Entretanto, na comparação, a sustentabilidade verdadeira é uma qualidade mais adequada às bicicletas puras.

A sustentabilidade é uma condição exclusiva daquilo que é ao mesmo tempo ambientalmente correto, economicamente viável e socialmente justo. Sempre os três juntos, pois se atender somente um ou dois aspectos, não é sustentável.

Quanto mais complexo o veículo menor a chance de atender aos três requisitos acima.
Então, analisando sob a luz da definição correta de sustentabilidade e da eficiência das bicicletas convencionais temos algumas considerações:

– Bicicletas e ciclomotores elétricos são mais caros que bicicletas convencionais, tanto para aquisição quanto na manutenção, e isso restringe a democratização desses veículos. A troca da bateria é cara, e mesmo a manutenção de peças comuns às bicicletas será mais custosa ao longo do tempo, já que as elétricas são mais pesadas e atingem maiores velocidades, o que reduz a vida útil de freios, rodas e pneus;

– Alguns fabricantes ainda oferecem ciclomotores com baterias de chumbo, como as de carro. Considerada uma tecnologia ultrapassada estas baterias são recicláveis, mas apenas no ano passado o setor assinou acordo com o IBAMA para organizar a logística reversa no Brasil e sua reciclagem ainda é uma atividade potencialmente poluidora.  São bem mais pesadas e mais baratas (R$ 500 e R$ 600) que as de Íons de Lítio, mas tem vida útil menor, em torno de 300 ciclos de recarga, enquanto as de lítio são mais leves, mais caras (R$ 800 a R$ 1.500) e aguentam 600 recargas;

– A suposta vantagem das baterias de lítio é confrontada com o alto custo social e ambiental de sua produção. As extrações de lítio e de cobalto são socialmente injustas, impactam o meio ambiente e, diante da perspectiva de explosão de demanda por veículos elétricos, suas reservas mundiais podem se encerrar em algumas décadas (2030 para o cobalto e 2037 para o lítio). O desenvolvimento de tecnologias de reciclagem ou de novos tipos de baterias ainda é lento demais para equacionar a sustentabilidade com a demanda atual e futura.

– Ao contrário da suposta evolução econômica e ambiental da migração dos motores a combustão dos carros para elétricos, no caso das bicicletas com a adição de um motor elétrico essa seria uma involução já que a tríade custo-benefício-eficiência da Bicicleta é imbatível em relação a um veículo similar eletrificado, como no exemplo acima sobre o custo de troca de baterias. Além disso, se a legislação federal que equipara ciclomotores elétricos aos que tem motor até 50cc fosse seguida, seria exigido dos condutores uma ACC (Autorização para Condução de Ciclomotor) ou CNH A, o que significa um custo de aproximadamente R$ 2.300,00 em aulas teóricas, práticas, exames de saúde e documentação;

– O ciclomotor elétrico é uma opção melhor em relação ao veículo de uso individual, seja carro ou motocicleta movidos a combustão. No entanto, até agora esse tipo de migração não é tão volumoso a ponto de representar uma contribuição significativa para a melhoria das cidades através da mobilidade eletrificada. A porcentagem de participação na matriz de transportes teria que ser muito maior. Ainda assim, ambientalmente ajudaria apenas na qualidade do ar nas cidades, e ainda que isso seja muito importante, a ajuda ocorre de uma forma muito menos prática, rápida e barata que o uso das bicicletas já faz há muitos anos.

– O impacto ambiental global da fabricação, manutenção e descarte de um ciclomotor ou bicicleta elétrica é bem maior do que de uma bicicleta. Emissões de gases poluentes, demanda de energia e de matéria-prima são muito relevantes e pesam mais do que se imagina na pegada de carbono da dupla motor+bateria ao longo de sua vida útil. A energia para movê-lo tem apenas uma fração da responsabilidade por seu alto impacto ambiental;

– A matriz elétrica brasileira é composta predominantemente de fontes renováveis como hidrelétrica, biomassa, solar e eólica. No entanto, o sistema de transmissão ainda é ineficiente com desperdício de cerca de 20% do que é gerado por uso de tecnologias ultrapassadas e os impactos ambientais das hidrelétrica são subestimados.

Então todo e qualquer aumento na demanda por energia deve ser muito bem justificado, o que nem sempre se aplica no caso da eletrificação das bicicletas.

A humanidade é ótima em criar soluções para reduzir problemas e ampliar sua capacidade de desenvolvimento. A mobilidade por bicicletas atende muito bem a vários aspectos desse desafio. Os veículos com motores a combustão trouxeram avanços, mas por diversos motivos o modelo tem acumulado problemas importantes. Trocar a tecnologia é uma das alternativas, mas ela precisa ser feita com responsabilidade e bom senso para que as pessoas entendam suas qualidade e imperfeições, e consigam escolher corretamente. O motor elétrico e a bateria representam melhorias em alguns aspectos, mas tal qual o motor a combustão ainda tem limitações significativas.

A bicicleta usa tecnologia simples, mas que segue cumprindo muito bem o papel de ajudar na mobilidade humana sendo ao mesmo tempo prática, eficiente, ecológica e acessível. Uma invenção ímpar, forte aliada da sustentabilidade que pode servir de inspiração aos que buscam revolucionar o transporte, com o cuidado de não tentar reinventar a roda e ignorar que, muitas vezes, menos é mais.

Devagar e sempre… se vai mais longe.

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Links:
· Saiba mais sobre vida útil, preço e troca da bateria:
E-bike: Reposição da bateria – Revista Bicicleta
· Impactos ambientais e sociais da exploração e exposição ao cobalto:
Cobalto: um ingrediente necessário, mas tóxico para a sociedade e os negócios –  Época Negócios
Gigantes da tecnologia não conseguem refutar alegações de trabalho infantil em cadeia de fornecimento de cobalto – anisitia.org
Ficha de Informação Toxicológica – Cobalto – CETESB
· Outras facetas das Bicicletas Elétricas
Bike elétrica é a resposta neoliberal à resistência do ciclismo – Revista Bicicleta
· Divulgação positiva, consciente e sem artifícios da Caloi
· Composição de matérias-primas nas baterias da Tesla e possíveis gargalos.

Legislação:
· Resolução CONTRAN nº 465, de 27/11/2013
Dá nova redação ao art. 1º da Resolução nº 315, de 8 de maio de 2009, do Contran, que estabelece a equiparação dos veículos ciclo-elétrico, aos ciclomotores e os equipamentos obrigatórios para condução nas vias públicas abertas à circulação e dá outras providências.
· Resolução CONTRAN nº 315 de 08/05/2009
Estabelece a equiparação dos veículos ciclo-elétricos aos ciclomotores e os equipamentos obrigatórios para condução nas vias públicas abertas à circulação.
· Documento para facilitar a compreensão da Legislação para Bicicletas Elétricas.

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¹ Conhece-se como propulsão humana aquela que se gera através da força dos músculos de uma pessoa. Segundo o Código de trânsito Brasileiro a Bicicleta é: veículo de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo, para efeito deste Código, similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor.
² O ciclomotor, por definição do Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, é o “veículo de duas ou três rodas, provido de um motor de combustão interna, cuja cilindrada não exceda a cinquenta centímetros cúbicos (3,05 polegadas cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a cinquenta quilômetros por hora”.
De acordo com as Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito n. 315/09 e 465/13, a bicicleta elétrica é equiparada a ciclomotor, EXCETO se, cumulativamente, apresentar as seguintes características:
I) potência até 350 watts;
II) velocidade máxima de 25 km/h;
III) sem acelerador;
IV) motor somente funcionar quando condutor pedalar.
Se cumprir todos esses requisitos, deve ser tratada como bicicleta. Caso contrário, aplicam-se as mesmas normas dos ciclomotores.
Requisitos para Conduzir: Ser habilitado em ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor) ou ser portador de CNH na categoria A.
³ Pedal Assistido é o que distingue a bicicleta elétrica de uma comum. O motor elétrico entra em ação quando se pedala, ao parar de pedalar ou acionar o freio, o motor se desliga automaticamente.