Forte X Frágil

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O Código de Trânsito Brasileiro é claro: o maior deve zelar pela segurança do menor nas ruas. Esta regra, embora não esteja clara nas mentes e ações de muitos motoristas, bem como a percepção popular, tem ajudado a difundir a ideia de que ciclistas e pedestres são os componentes mais frágeis no trânsito. De fato, em caso de choque de um veículo motorizado com um destes dois o potencial de danos é grande (e agravado pelo contumaz excesso de velocidade). Mas em situações normais pedestres e ciclistas tem uma série de vantagens nas ruas das metrópoles, e até de algumas cidades médias que já padecem dos males do trânsito moderno.
Ciclistas não ficam engarrafados, portanto estão menos expostos à poluição – que faz muito mal em ambientes fechados como o de carros e ônibus presos no mar de veículos. Também estão menos sujeitos a assaltos visto que ficam menos tempo parados que os motoristas, mais suscetíveis a abordagens criminosas. Indo de bicicleta o estresse é menor, é mais fácil de estacionar (e a custo zero!), a saúde melhora e a economia de tempo, dinheiro e incomodação é enorme.
A bicicleta pode não ser a solução definitiva para o trânsito engarrafado, mas como este é cada vez mais comum e longo, torna-se uma opção por suas vantagens e por evitar a fragilidade que o automóvel impõe aos motoristas do século XXI.
Por fim, ciclistas e pedestres ajudam a humanizar o trânsito, lembrando a todos que a cidade é das pessoas e que o compartilhamento do espaço público é uma virtude da sociedade. Quando entendemos o próximo e nos respeitamos mutuamente nas ruas e calçadas, fortalecemos nossa comunidade, nossa cidade, nosso país e o mundo todo.

Saiba mais:
A exposição de ciclistas, motoristas e pedestres à poluição do trânsito.
Diferenças na exposição à poluição do ar por ciclistas e motoristas em Copenhagen.

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Bicicletas enfrentando o Coronavírus pós pandemia

Bicicletas tem se destacado durante a pandemia, nas restrições de circulação, quarentenas e também nos planejamentos e pensamentos para depois desse período, quando os meios de transporte passarão por grandes mudanças. Abaixo, separamos algumas matérias que apresentam algumas dessas mudanças e tendências.

· Globo Play – Hora 1: Governo francês anuncia plano para que franceses saiam do confinamento pedalando.
· Forbes: Paris vai criar 650 quilômetros de ciclovias pós-bloqueio.
· Suisse: Ciclistas suíços sentem suas asas crescerem.
· Nexo Jornal: Governo francês libera pacote milionário de incentivo ao ciclismo na esperança de esvaziar trens, metrôs e ônibus após o fim da quarentena.
· New York Post: França paga para que pessoas consertem suas bicicletas para aumentar seu uso após o bloqueio.
· The Guardian: Milão anuncia plano ambicioso para reduzir o uso de carros após bloqueio. ·
· The Guardian: Cidades do mundo mudam suas ruas para caminhantes e ciclistas.
· NY Times: Aumento no uso da bicicleta para evitar trens lotados em Nova York.
· Mobilize: Bogotá expande ciclofaixas em estratégia contra o coronavírus.
· Mobilize: Covid-19: Mapa mostra cidades abertas a pedestres e ciclistas.
· Bike League: Dos federais – o reparo da bicicleta é essencial.
· The Guardian: Oficinas e lojas de bicicletas no Reino Unido veem um aumento nos negócios.
· Bicycling: Lojas de bicicletas declaram-se essenciais em meio a paralisações por coronavírus.
· Cycling Industry: Grupos globais de bicicletas fazem chamada para permitir que lojas de bicicletas operem durante bloqueios do Covid-19.
· The Guardian:  “As bicicletas são o novo papel higiênico” boom de vendas de bicicletas enquanto residentes de bloqueio por coronavírus desejam exercício.
· Mobycon: Abrindo espaço para o ciclismo em 10 dias: um guia para ciclovias temporárias em Berlim.
· Transport Matters: Cidades chinesas reabrem gradualmente redes de transporte, pós-pandemia.

Boa leitura e fiquem bem!

Promovendo a Mobilidade por Bicicletas – Conheça as iniciativas premiadas em 2020

Vencedora Categoria Ação Educativa e de Sensibilização:
MoBoo
FAU UFRJ – Rio de Janeiro – RJ
PAE20laminada
A MoBoo (Mobilidade por Bambu) é um projeto de pesquisa e extensão da Fau/Ufrj coordenado pelo Professor Rodrigo Rinaldi de Mattos que tem como objetivo sensibilizar alunos(as) da graduação e do ensino médio de escolas públicas (CPII – Colégio Pedro II) para as diversas possibilidades relacionadas as bicicletas de bambu.  A pesquisa trabalha a mobilidade, a bicicleta, o bambu, a indústria 4.0 e o compartilhar dentro de uma perspectiva dialógica. Não se trata de uma questão trivial para um curso sem licenciatura ou prática de ensino. Se colocar no lugar de quem pesquisa, organiza e compartilha o conhecimento com adolescentes vem sendo desafiador para todos os envolvidos.
A colaboração constitui a marca central desse grupo de pesquisa e extensão. Iniciamos a um ano com 6 alunos da graduação da FAU e hoje estamos com mais 5 de outras faculdades. Contamos também com o apoio da professora Roberta Martinelli na interface com o CPII, com o professor Luciano Alvares do DAU-PUC/Rio e com o apoio do laboratório de bambu da EBA-UFRJ, na figura do professor José Benito. Organizamos esse projeto de extensão em etapas, uma primeira de sistematização e imersão com os alunos da graduação e sensibilização junto aos alunos do ensino médio, já experimentada com cerca de 60 alunos do CPII. Partimos agora para o entendimento de como realizar a construção desses quadros com os adolescentes, de modo que mais para frente fabriquem suas próprias bicicletas de bambu.
https://www.instagram.com/moboo.bike/

Menções Honrosas Categoria Ação Educativa e de Sensibilização:
Estação Bicicleta Subúrbio

Mobicidade Salvador – Salvador – BA
MH1AC20

O projeto Estação Bicicleta Subúrbio foi resultado de parcerias entre: Mobicidade Salvador com a ONG Avante, Edital Fundo Casa e as comunidades (Espaço Cultural Alagados e Ocupação Quilombo Paraíso) / ESCOLAB (Coutos). O público infanto-juvenil desses locais do Subúrbio Ferroviário de Salvador foi estimulado e convidado a conhecer sobre seu espaço urbano da região, utilizando a perspectiva da mobilidade ativa, principalmente através da bicicleta, sem esquecer recortes transversais importantes, tais como: questões sociais, raciais, gênero e ambientais. Trabalhar a ludicidade das oficinas para refletir e desdobrar situações cidadãs, foi essencial para interação e resultados promissores com a garotada. Cada localidade tinha uma especificidade o que demonstrou muita habilidade da equipe de educadores e monitores para algumas adaptações nos formatos de condução das oficinas, sem comprometer o conteúdo e a ludicidade das ações. A replicabilidade da ação é um fator a ser destacado para que estimule outras organizações e coletivos no Brasil a realizarem essa ação sócio educativa pela mobilidade por bicicleta, a metodologia e descritivo encontra se no blog do projeto.
https://estacaobicicletasuburbio.wordpress.com/

Rodinha Zero
Instituto Aromeiazero – São Paulo – SP
MH2AC20

A EMEI Dona Ana Rosa Araújo, em São Paulo, adotou a bicicleta nas atividades das crianças de 4 a 6 anos. Comprou 17 bicicletinhas para serem usadas na quadra. Em 2019, por quatro meses o Aromeiazero o Rodinha Zero (com o nome de Roda no Território), iniciativa em parceria com a coordenadora pedagógica Cristiana Teixeira Magen. Primeiro, o Aro promoveu um diálogo com as professoras. Depois, durante três dias, houve bate-papos e aulas de pedalar sem rodinhas, com suporte de instrutoras do Aromeiazero. Todas as 249 crianças, inclusive as com necessidades especiais, experimentaram as bikes e 62 delas aprendam a pedalar sem rodinhas. Entrevistamos 246 alunos, 54% relataram ter bicicleta, mas pública. Se um quarto comprar 10 bicicletas, seria mais 198.275 unidades vendidas. Foram 773.641 unidades fabricadas na Zona Franca; teríamos um crescimento de 25%, o dobro da projeção de crescimento no ano de 2019 (10,8%). Bom para a infância e para o mercado da bicicleta no Brasil.apenas 5,8% pedalam sem rodinhas. “Que alegria é ver essas crianças andando de bicicleta. Traz a mesma sensação de felicidade quando aprendem a ler”, diz Carlen Bischainm, professora. No Brasil são 79310 mil estabelecimentos de educação infantil na rede.
https://emeianarosadearaujo.wordpress.com/2019/11/07/emei-da-ana-rosa-de-araujo-premiada-no-7o-premio-de-educacao-em-direitos-humanos/

Vencedora Categoria Levantamento de Dados e Pesquisas:
Perfil dos Entregadores Ciclistas de Aplicativos
Aliança Bike e Multiplicidade Mobilidade Urbana – São Paulo – SP
PDP20
Desde o segundo semestre de 2018, São Paulo viu crescer a presença de ciclistas carregando mochilas térmicas coloridas nas costas. Apenas na ciclovia da Av. Faria Lima, o crescimento foi de 5,4 vezes em apenas um ano. Os entregadores ciclistas de aplicativos vêm provocando mudanças no cenário da bicicleta na cidade. A ‘Pesquisa do Perfil dos Entregadores Ciclistas de Aplicativo’ foi o primeiro grande levantamento quantitativo com rigor metodológico feito sobre o tema no Brasil e em São Paulo. Ela se configurou como um importante registro histórico do momento, e que serviu de marco de comparação em um contexto dinâmico de mudanças, apesar de seu conteúdo não responder todas as questões pertinentes ao tema. A pesquisa exploratória objetivou, principalmente, esclarecer alguns pontos desta conjuntura, caracterizando e perfilando, com arcabouço metodológico e estatístico, os entregadores e suas relações com a bicicleta, condições de trabalho e renda. A pesquisa consistiu em entrevista de 270 entregadores em São Paulo. O questionário e a base de dados foram disponibilizados na íntegra, em formato de dados abertos, para que mais pessoas possam analisar e difundir o conhecimento gerado pela pesquisa. O projeto foi idealizado pela Aliança Bike e teve coordenação executiva da Multiplicidade Mobilidade Urbana.
http://aliancabike.org.br/pesquisa-de-perfil-dos-entregadores-ciclistas-de-aplicativo/

Menções Honrosas Categoria Levantamento de Dados e Pesquisas:
Pesquisa Rumbora se Amostrar:
Levantamento de Indicadores sobre o uso da Bicicleta
Rumbora se Amostrar – São Luís – MA
MH1DP20

Criar indicadores para verificação de aspectos relacionados ao uso da bicicleta em São Luís e Grande Ilha, somando com a sociedade, gerando dados para a implementação e expansão cicloviária a partir destes levantamentos, poderemos junto aos órgãos competentes incidir nas políticas públicas de mobilidade urbana, pautando o debate com o poder público. Tanto pela mobilidade ativa, quanto pela ciclomobilidade, busca-se também com esses dados, reafirmar e exigir o cumprimento do direito de participação social na revisão, elaboração e acompanhamento do plano de mobilidade urbana de São Luís e Grande Ilha, ao realizar um diagnóstico promovido pela sociedade civil organizada e de forma colaborativa. “Pedalando, é possível chegar lá, qualquer insegurança se esvai nas pedaladas que produzem felicidade e saúde, nas endorfinas da vida, a bicicleta liberta a pessoa e a cidade! A bicicleta não é apenas um meio de transporte seguro, devido à sua baixa velocidade, mas seu estímulo também ajuda a tornar o trânsito em geral mais seguro, a criação de vias exclusivas para bicicletas, um veículo limpo e sustentável, está longe de receber a atenção que merece nas cidades brasileiras”.
https://www.rumboraseamostrar.com.br/

CicloMapa
ITPD Brasil e UCB – Rio de Janeiro – RJ
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Hoje no Brasil existe um grande desafio para entender o estado atual das estruturas cicloviárias das nossas cidades: faltam dados. As prefeituras não costumam facilitar, fornecendo mapas incompletos e usando formatos e tecnologias inconsistentes. No limite isso impede pesquisadores e a sociedade civil de fazer melhores diagnósticos sobre oportunidades e impactos destas estruturas.  Em parceria com UCB e ITDP lançamos o CicloMapa, a primeira plataforma no Brasil com dados de (quase) todas cidades brasileiras. Nós nos alavancamos dos dados abertos e colaborativos do OpenStreetMaps (OSM) e criamos um aplicativo web, open-source e gratuito onde é possível explorar os mapas, filtrar por diferentes tipos de estruturas e fazer download dos dados atualizados. Entretanto acreditamos que este é só o início. Entrevistamos recentemente pessoas atuantes na mobilidade urbana e incidência pública com dados para entender melhor suas necessidades e coletar feedbacks da versão atual. Esperamos no futuro próximo trabalhar em mais funcionalidades: maior colaboratividade, permitindo usuários deixarem avaliações sobre as estruturas sem precisar ir ao OSM; calcular indicadores com gráficos; incorporar outros dados de mapas cicloviários como bicicletários, lojas, oficinas e estações de bicicletas compartilhadas.
https://ciclomapa.org.br/

Vencedora Categoria Empreendedorismo:
Muriki Cicloturismo e Eventos Esportivos
Santarém – PA
PE20
Desenvolver a cultura do ciclismo como prática de lazer, esporte e turismo numa das mais belas regiões da Amazônia é o objetivo da Muriki Cicloturismo e Eventos Esportivos. Desde 2018 a Muriki proporciona uma experiência natural e cultural única aos amantes do cicloturismo. Turistas de vários estados já realizaram passeios com a Muriki, apreciando de forma respeitosa e sustentável a exuberância da floresta amazônica.  A fim de promover o esporte de aventura, organizamos eventos de Mountain Bike em Santarém e incluímos as categorias feminina e infantil nas provas, o que foi inédito na região e tem atraído atletas de várias cidades e estados.  Todas essas ações incentivaram o ecoturismo, promoveram atletas e melhoram a qualidade de vida de vários novos ciclistas no Oeste do Pará.
https://www.murikicicloturismo.com.br/

Menções Honrosas Categoria Empreendedorismo:
Merenda do Rodrigo
Manaus – AM
MH1E20

A “Merenda do Rodrigo” é uma bicicleta cargueira adaptada para venda de salgados e sucos no centro da cidade de Manaus. A bicicleta tem uma vitrine, um sombreiro / guarda sol e uma estrutura que permite o carregamento de bancos e tabuleiros. O projeto surgiu num momento de instabilidade financeira. Inicialmente foi pensada para ser um projeto transitório e de complementação de renda, porém, com o tempo foi se consolidando como um negócio consistente e lucrativo passando em muito pouco tempo a ser a única fonte de renda familiar. Manaus conta com inúmeras bicicletas merendeiras em toda a cidade, mas a forma com a qual o meu modo de trabalho foi implementado me diferenciou. Matemática simples, metas diárias de vendas, ótima apresentação do produto, padronização no atendimento, cuidados e zelo com higiene, ou seja, valorização e agregação de valores ao meu negócio por mais simplório que parecesse ser, me diferenciou e hoje me considero um microempreendedor com planos de expansão.
https://instagram.com/merendadorodrigo

Gaia Alforges Sustentáveis
São Paulo – SP
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Há dois anos no mercado, a  Gaia Alforges  trabalha com o conceito de sustentabilidade. Acreditamos que um novo produto, fruto da reciclagem e da transformação, pode ter bom acabamento, um belo design e ser funcional.  As bolsas e alforges são confeccionados com lona usada de caminhão, baners, nylon de guarda chuva descartados, algodão tramado com fibra de bananeira, apara de algodão tramada com pet e câmara de ar. Todas as peças possuem  design atrativo e são duplamente funcionais, isso porque, as  bolsas foram desenvolvidas para tirar a mochila das costas, a sacolinha do guidom , eliminando também os “pacotinhos” presos ao bagageiro. Ao  desclipar da bike, elas  podem ser usadas como bolsa a tiracolo. Dessa forma, o ciclista só precisa de uma única bolsa para circular pela cidade, sem com  isso se preocupar com os pertences e o que precisar carregar na bike.Outra linha desenvolvida é a de alforges para cicloturismo, uma prática cada vez mais difundida no Brasil. Dentro do nosso processo de ressignificação de matéria prima, desenvolvemos alforges, bolsas,  térmicas, marmiteiras entre outros itens que fazem parte do dia a dia de cada um seja ciclista ou não. Acreditamos que dessa forma,  as pessoas dêem novos sentidos a acontecimentos da vida, a partir da sua própria mudança nos seus hábitos de consumo e na percepção do mundo.
A Gaia Alforges é uma empresa que se preocupa com isso e um dos nossos principais objetivos é contribuir de forma criativa para este novo modelo de consumo. Esta é a nossa trilha!
http://www.Instagram.com/gaia_alforges

Para saber mais sobre o Prêmio e suas edições e premiações anteriores, clique aqui.

Promovendo a Mobilidade por Bicicletas 2020

BrainComp

Mesmo em quarentena, o mundo segue e as bicicletas vêm se destacando durante as mudanças que vêm ocorrendo em nossas vidas. Algumas dessas mudanças são provocadas por iniciativas que acontecem independentes de pandemias, mas visando melhorar e ampliar as possibilidades que as bicicletas oferecem para um mundo mais limpo e justo. Em sua sétima edição, o prêmio “Promoção da Mobilidade por Bicicleta no Brasil” novamente selecionou as melhores iniciativas brasileiras em prol das bicicletas. Boas ideias merecem e precisam ser reconhecidas e homenageadas.

Abaixo a tabela com os resultados deste ano:20

Ao longo desta semana, publicaremos detalhes sobre os projetos vencedores, aguardem!
Para saber mais sobre o Prêmio e suas edições anteriores, clique aqui.

 

Bicicletas evitando mortes por Covid-19

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No atual cenário mundial de pandemia, o caos provocado na economia mundial, no cotidiano dos indivíduos e nos sistemas de saúde tem na morte das pessoas sua face mais angustiante. Ainda que o índice de mortes em relação ao número de infectados seja relativamente baixo toda vida é valiosa e zero era o único número aceitável. Infelizmente isso não aconteceu e a luta agora é para salvar vidas reduzindo ao máximo a taxa de mortalidade pela doença.
A ciência tem se dedicado a entender rapidamente todos os aspectos do vírus, algo fundamental para encontrar vacina, definir tratamentos, chegar à cura. A reação é fundamental para acelerar o enfrentamento, mas não resta dúvida que ainda teremos muitos meses de combate ao Covid-19. Cada dia, cada medida conta.
Neste sentido o uso da bicicleta pode ser uma aliada ainda mais relevante.

Estudo recente relaciona a poluição do ar a taxas de mortalidade bem mais altas em pacientes com Covid-19
Em estudo recente, pesquisadores da Escola de Saúde Pública T. H. Chan da Universidade de Harvard nos EUA cruzaram os dados de óbitos e poluição de 3080 condados daquele país e descobriram que a maior concentração do fino e perigoso material particulado conhecido como PM 2,5 estava associado às mais altas taxas de mortalidade por coronavírus.

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Imagens de satélites capturadas na internet, com poluição do ar antes e durante as quarentenas. (NASA/BBCESA)

Este particulado tem origem na queima de combustíveis fósseis e nas grandes cidades o transporte motorizado é o principal responsável pela sua emissão. Piora quando se analisa que os engarrafamentos, que geram ainda mais consumo de combustível e poluição do ar ocorrem em grande parte pela baixa taxa de ocupação dos carros que entopem as ruas com um número de veículos maior do que o necessário.

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Imagem: Diego Hemkemeier (Bem estar – G1)   .

Pedalar salva vidas
Pedalar sempre foi um meio de deslocamento mais humanizado, por ser silencioso, emissão zero, ocupar pouco espaço, conectar as pessoas entre si e com suas cidades e por ajudar a saúde de quem pedala. Não se deve esperar que a bicicleta resolva todos os impactos ambientais e socioeconômicos da poluição urbana, mas é fato que sua contribuição sempre foi e sempre será relevante, ainda mais com o mundo em tempos de crise pandêmica.
Além de sua ajuda imediata nos deslocamentos essenciais durante a quarentena o uso da bicicleta pode ter efeito direto na redução de mortes pela doença a partir de agora, tendo em vista a provável longa duração dessa crise.
Também com isso em mente algumas cidades estão aumentando a infraestrutura cicloviária e para pedestres de modo a incentivar o uso de transportes ativos inibir os motorizados poluentes e, de quebra, aumentar o espaço para permitir que nestes deslocamentos ciclistas e pedestres possam manter distância maior entre si.
A falsa percepção de normalidade que leva muitas pessoas a retomar suas rotinas é ajudada em parte pelo trânsito de automóveis, portanto pedalar quando o deslocamento for inevitável reduzirá essa cilada social e continuará a incentivar as pessoas a ficarem em casa, medida mais eficiente para conter o avanço da epidemia.

Não custa repetir: fique em casa!
Mas se precisar sair vá de bicicleta, sempre que possível, sabendo que estará ajudando a manter a sensação de importância do estado de quarentena e reduzindo a poluição do ar para que menos pessoas padeçam de doenças respiratórias graves, entre elas a Covid-19.

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Bicicletas na Quarentena