Mobilidade por bicicletas vencendo a crise


Muitas cidades mundo afora vem pensando em soluções viárias para enfrentar os desafios de mobilidade impostos pelo Coronavírus. A bicicleta vem se destacando muito nesta busca por soluções, principalmente na Europa, que já percebeu seu potencial e vem investindo nesta modalidade de transporte. A ECF – European Cyclists Federation elaborou uma página com o que vem sendo planejado e realizado em território europeu.

O painel navegável, apresentado abaixo, nos mostra um belo panorama das iniciativas. Com diversos gráficos de fácil compreensão, é possível  conhecer as medidas europeias de enfrentamento à Pandemia, que envolvem as bicicletas.

Veja o painel acima na publicação original clicando aqui e o painel aqui (o mapa aparece melhor no painel)
Veja outras práticas para superar os desafios do Coronavírus clicando aqui,

Promovendo a Mobilidade por Bicicletas – Conheça as iniciativas premiadas em 2020

Vencedora Categoria Ação Educativa e de Sensibilização:
MoBoo
FAU UFRJ – Rio de Janeiro – RJ
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A MoBoo (Mobilidade por Bambu) é um projeto de pesquisa e extensão da Fau/Ufrj coordenado pelo Professor Rodrigo Rinaldi de Mattos que tem como objetivo sensibilizar alunos(as) da graduação e do ensino médio de escolas públicas (CPII – Colégio Pedro II) para as diversas possibilidades relacionadas as bicicletas de bambu.  A pesquisa trabalha a mobilidade, a bicicleta, o bambu, a indústria 4.0 e o compartilhar dentro de uma perspectiva dialógica. Não se trata de uma questão trivial para um curso sem licenciatura ou prática de ensino. Se colocar no lugar de quem pesquisa, organiza e compartilha o conhecimento com adolescentes vem sendo desafiador para todos os envolvidos.
A colaboração constitui a marca central desse grupo de pesquisa e extensão. Iniciamos a um ano com 6 alunos da graduação da FAU e hoje estamos com mais 5 de outras faculdades. Contamos também com o apoio da professora Roberta Martinelli na interface com o CPII, com o professor Luciano Alvares do DAU-PUC/Rio e com o apoio do laboratório de bambu da EBA-UFRJ, na figura do professor José Benito. Organizamos esse projeto de extensão em etapas, uma primeira de sistematização e imersão com os alunos da graduação e sensibilização junto aos alunos do ensino médio, já experimentada com cerca de 60 alunos do CPII. Partimos agora para o entendimento de como realizar a construção desses quadros com os adolescentes, de modo que mais para frente fabriquem suas próprias bicicletas de bambu.
https://www.instagram.com/moboo.bike/

Menções Honrosas Categoria Ação Educativa e de Sensibilização:
Estação Bicicleta Subúrbio

Mobicidade Salvador – Salvador – BA
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O projeto Estação Bicicleta Subúrbio foi resultado de parcerias entre: Mobicidade Salvador com a ONG Avante, Edital Fundo Casa e as comunidades (Espaço Cultural Alagados e Ocupação Quilombo Paraíso) / ESCOLAB (Coutos). O público infanto-juvenil desses locais do Subúrbio Ferroviário de Salvador foi estimulado e convidado a conhecer sobre seu espaço urbano da região, utilizando a perspectiva da mobilidade ativa, principalmente através da bicicleta, sem esquecer recortes transversais importantes, tais como: questões sociais, raciais, gênero e ambientais. Trabalhar a ludicidade das oficinas para refletir e desdobrar situações cidadãs, foi essencial para interação e resultados promissores com a garotada. Cada localidade tinha uma especificidade o que demonstrou muita habilidade da equipe de educadores e monitores para algumas adaptações nos formatos de condução das oficinas, sem comprometer o conteúdo e a ludicidade das ações. A replicabilidade da ação é um fator a ser destacado para que estimule outras organizações e coletivos no Brasil a realizarem essa ação sócio educativa pela mobilidade por bicicleta, a metodologia e descritivo encontra se no blog do projeto.
https://estacaobicicletasuburbio.wordpress.com/

Rodinha Zero
Instituto Aromeiazero – São Paulo – SP
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A EMEI Dona Ana Rosa Araújo, em São Paulo, adotou a bicicleta nas atividades das crianças de 4 a 6 anos. Comprou 17 bicicletinhas para serem usadas na quadra. Em 2019, por quatro meses o Aromeiazero o Rodinha Zero (com o nome de Roda no Território), iniciativa em parceria com a coordenadora pedagógica Cristiana Teixeira Magen. Primeiro, o Aro promoveu um diálogo com as professoras. Depois, durante três dias, houve bate-papos e aulas de pedalar sem rodinhas, com suporte de instrutoras do Aromeiazero. Todas as 249 crianças, inclusive as com necessidades especiais, experimentaram as bikes e 62 delas aprendam a pedalar sem rodinhas. Entrevistamos 246 alunos, 54% relataram ter bicicleta, mas pública. Se um quarto comprar 10 bicicletas, seria mais 198.275 unidades vendidas. Foram 773.641 unidades fabricadas na Zona Franca; teríamos um crescimento de 25%, o dobro da projeção de crescimento no ano de 2019 (10,8%). Bom para a infância e para o mercado da bicicleta no Brasil.apenas 5,8% pedalam sem rodinhas. “Que alegria é ver essas crianças andando de bicicleta. Traz a mesma sensação de felicidade quando aprendem a ler”, diz Carlen Bischainm, professora. No Brasil são 79310 mil estabelecimentos de educação infantil na rede.
https://emeianarosadearaujo.wordpress.com/2019/11/07/emei-da-ana-rosa-de-araujo-premiada-no-7o-premio-de-educacao-em-direitos-humanos/

Vencedora Categoria Levantamento de Dados e Pesquisas:
Perfil dos Entregadores Ciclistas de Aplicativos
Aliança Bike e Multiplicidade Mobilidade Urbana – São Paulo – SP
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Desde o segundo semestre de 2018, São Paulo viu crescer a presença de ciclistas carregando mochilas térmicas coloridas nas costas. Apenas na ciclovia da Av. Faria Lima, o crescimento foi de 5,4 vezes em apenas um ano. Os entregadores ciclistas de aplicativos vêm provocando mudanças no cenário da bicicleta na cidade. A ‘Pesquisa do Perfil dos Entregadores Ciclistas de Aplicativo’ foi o primeiro grande levantamento quantitativo com rigor metodológico feito sobre o tema no Brasil e em São Paulo. Ela se configurou como um importante registro histórico do momento, e que serviu de marco de comparação em um contexto dinâmico de mudanças, apesar de seu conteúdo não responder todas as questões pertinentes ao tema. A pesquisa exploratória objetivou, principalmente, esclarecer alguns pontos desta conjuntura, caracterizando e perfilando, com arcabouço metodológico e estatístico, os entregadores e suas relações com a bicicleta, condições de trabalho e renda. A pesquisa consistiu em entrevista de 270 entregadores em São Paulo. O questionário e a base de dados foram disponibilizados na íntegra, em formato de dados abertos, para que mais pessoas possam analisar e difundir o conhecimento gerado pela pesquisa. O projeto foi idealizado pela Aliança Bike e teve coordenação executiva da Multiplicidade Mobilidade Urbana.
http://aliancabike.org.br/pesquisa-de-perfil-dos-entregadores-ciclistas-de-aplicativo/

Menções Honrosas Categoria Levantamento de Dados e Pesquisas:
Pesquisa Rumbora se Amostrar:
Levantamento de Indicadores sobre o uso da Bicicleta
Rumbora se Amostrar – São Luís – MA
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Criar indicadores para verificação de aspectos relacionados ao uso da bicicleta em São Luís e Grande Ilha, somando com a sociedade, gerando dados para a implementação e expansão cicloviária a partir destes levantamentos, poderemos junto aos órgãos competentes incidir nas políticas públicas de mobilidade urbana, pautando o debate com o poder público. Tanto pela mobilidade ativa, quanto pela ciclomobilidade, busca-se também com esses dados, reafirmar e exigir o cumprimento do direito de participação social na revisão, elaboração e acompanhamento do plano de mobilidade urbana de São Luís e Grande Ilha, ao realizar um diagnóstico promovido pela sociedade civil organizada e de forma colaborativa. “Pedalando, é possível chegar lá, qualquer insegurança se esvai nas pedaladas que produzem felicidade e saúde, nas endorfinas da vida, a bicicleta liberta a pessoa e a cidade! A bicicleta não é apenas um meio de transporte seguro, devido à sua baixa velocidade, mas seu estímulo também ajuda a tornar o trânsito em geral mais seguro, a criação de vias exclusivas para bicicletas, um veículo limpo e sustentável, está longe de receber a atenção que merece nas cidades brasileiras”.
https://www.rumboraseamostrar.com.br/

CicloMapa
ITPD Brasil e UCB – Rio de Janeiro – RJ
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Hoje no Brasil existe um grande desafio para entender o estado atual das estruturas cicloviárias das nossas cidades: faltam dados. As prefeituras não costumam facilitar, fornecendo mapas incompletos e usando formatos e tecnologias inconsistentes. No limite isso impede pesquisadores e a sociedade civil de fazer melhores diagnósticos sobre oportunidades e impactos destas estruturas.  Em parceria com UCB e ITDP lançamos o CicloMapa, a primeira plataforma no Brasil com dados de (quase) todas cidades brasileiras. Nós nos alavancamos dos dados abertos e colaborativos do OpenStreetMaps (OSM) e criamos um aplicativo web, open-source e gratuito onde é possível explorar os mapas, filtrar por diferentes tipos de estruturas e fazer download dos dados atualizados. Entretanto acreditamos que este é só o início. Entrevistamos recentemente pessoas atuantes na mobilidade urbana e incidência pública com dados para entender melhor suas necessidades e coletar feedbacks da versão atual. Esperamos no futuro próximo trabalhar em mais funcionalidades: maior colaboratividade, permitindo usuários deixarem avaliações sobre as estruturas sem precisar ir ao OSM; calcular indicadores com gráficos; incorporar outros dados de mapas cicloviários como bicicletários, lojas, oficinas e estações de bicicletas compartilhadas.
https://ciclomapa.org.br/

Vencedora Categoria Empreendedorismo:
Muriki Cicloturismo e Eventos Esportivos
Santarém – PA
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Desenvolver a cultura do ciclismo como prática de lazer, esporte e turismo numa das mais belas regiões da Amazônia é o objetivo da Muriki Cicloturismo e Eventos Esportivos. Desde 2018 a Muriki proporciona uma experiência natural e cultural única aos amantes do cicloturismo. Turistas de vários estados já realizaram passeios com a Muriki, apreciando de forma respeitosa e sustentável a exuberância da floresta amazônica.  A fim de promover o esporte de aventura, organizamos eventos de Mountain Bike em Santarém e incluímos as categorias feminina e infantil nas provas, o que foi inédito na região e tem atraído atletas de várias cidades e estados.  Todas essas ações incentivaram o ecoturismo, promoveram atletas e melhoram a qualidade de vida de vários novos ciclistas no Oeste do Pará.
https://www.murikicicloturismo.com.br/

Menções Honrosas Categoria Empreendedorismo:
Merenda do Rodrigo
Manaus – AM
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A “Merenda do Rodrigo” é uma bicicleta cargueira adaptada para venda de salgados e sucos no centro da cidade de Manaus. A bicicleta tem uma vitrine, um sombreiro / guarda sol e uma estrutura que permite o carregamento de bancos e tabuleiros. O projeto surgiu num momento de instabilidade financeira. Inicialmente foi pensada para ser um projeto transitório e de complementação de renda, porém, com o tempo foi se consolidando como um negócio consistente e lucrativo passando em muito pouco tempo a ser a única fonte de renda familiar. Manaus conta com inúmeras bicicletas merendeiras em toda a cidade, mas a forma com a qual o meu modo de trabalho foi implementado me diferenciou. Matemática simples, metas diárias de vendas, ótima apresentação do produto, padronização no atendimento, cuidados e zelo com higiene, ou seja, valorização e agregação de valores ao meu negócio por mais simplório que parecesse ser, me diferenciou e hoje me considero um microempreendedor com planos de expansão.
https://instagram.com/merendadorodrigo

Gaia Alforges Sustentáveis
São Paulo – SP
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Há dois anos no mercado, a  Gaia Alforges  trabalha com o conceito de sustentabilidade. Acreditamos que um novo produto, fruto da reciclagem e da transformação, pode ter bom acabamento, um belo design e ser funcional.  As bolsas e alforges são confeccionados com lona usada de caminhão, baners, nylon de guarda chuva descartados, algodão tramado com fibra de bananeira, apara de algodão tramada com pet e câmara de ar. Todas as peças possuem  design atrativo e são duplamente funcionais, isso porque, as  bolsas foram desenvolvidas para tirar a mochila das costas, a sacolinha do guidom , eliminando também os “pacotinhos” presos ao bagageiro. Ao  desclipar da bike, elas  podem ser usadas como bolsa a tiracolo. Dessa forma, o ciclista só precisa de uma única bolsa para circular pela cidade, sem com  isso se preocupar com os pertences e o que precisar carregar na bike.Outra linha desenvolvida é a de alforges para cicloturismo, uma prática cada vez mais difundida no Brasil. Dentro do nosso processo de ressignificação de matéria prima, desenvolvemos alforges, bolsas,  térmicas, marmiteiras entre outros itens que fazem parte do dia a dia de cada um seja ciclista ou não. Acreditamos que dessa forma,  as pessoas dêem novos sentidos a acontecimentos da vida, a partir da sua própria mudança nos seus hábitos de consumo e na percepção do mundo.
A Gaia Alforges é uma empresa que se preocupa com isso e um dos nossos principais objetivos é contribuir de forma criativa para este novo modelo de consumo. Esta é a nossa trilha!
http://www.Instagram.com/gaia_alforges

Para saber mais sobre o Prêmio e suas edições e premiações anteriores, clique aqui.

Impacto social do uso da bicicleta no Rio de Janeiro

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As bicicletas andam esquecidas nesta administração carioca, o Rio de Janeiro já esteve na vanguarda do planejamento cicloviário brasileiro, era uma referência, mas perdeu a cadência em algum ponto no meio do caminho ao mesmo tempo em que muitas cidades avançam. Mesmo assim a bicicleta resiste no Rio, são cada vez mais ciclistas pela cidade, em diferentes modalidades e os mais diversos usos, algumas empresas seguem promovendo internamente seu uso assim como o cidadão segue a cada dia usando as bicicletas com mais frequência, sejam elas compartilhadas ou particulares. O ramo da pesquisa segue firme, buscando trazer mais embasamento para decisões futuras. Recentemente foi publicada uma nova pesquisa feita pelo Cebrap em parceria com o Itaú. Impacto Social do Uso da Bicicleta no Rio de Janeiro foi elaborada a partir de entrevistas domiciliares com indivíduos de 16 anos ou mais e amostragem com dois grupos distintos: população do município do RJ e ciclistas, que permitiu verificar as condições de deslocamento dos cariocas e medir os impactos individuais e sociais do uso da bicicleta no ambiente, na saúde e na economia.

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Os resultados, vale a pena conferir pois são muito interessantes, foram apresentados em um evento que atraiu um público bem diverso e interessado no tema, haviam representantes da sociedade civil, poder público municipal e estadual, academia/pesquisadores e empresas. Com a participação destes diferentes atores, a bicicleta parece prometer seguir em frente. Após a apresentação houve debate, esclarecimento de dúvidas e distribuição do relatório impresso.

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O estudo está disponível na seção Relatórios e Pesquisas do Banco de Dados ou clicando na imagem da capa, acima.

Inspirar nos motiva!

Untitled Cada vez que vemos iniciativas da TA inspirando iniciativas semelhantes, seja usando uma metodologia na íntegra ou a adaptando à realidade local, mais motivados ficamos para seguir adiante.

Após iniciativas com o Desafio Intermodal, Contagens de Ciclistas e Ciclo Rotas dentre outras iniciativas, a Pesquisa Perfil do Ciclista, edições 2015 e 2018, trouxeram motivação para serem reaplicadas, passando por cidades pequenas como Paraty e seguindo para capitais como Maceió. Agora chega às cidades mexicanas em uma realização do ITDP México,  GIZ e Ciclociudades, que realizaram uma pesquisa Perfil do Ciclista Mexicano inspirada na nossa.
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Os resultados da pesquisa Mexicana podem ser baixados aqui e a metodologia que usaram por lá, também pode ser consultada, facilitando a reprodução da mesma, nos mesmo moldes que costumamos usar, disponibilizando tutoriais sobre todas as atividades de sucesso que realizamos.

Seguimos motivados à realizar novas atividades e que elas venham a ser replicadas e reaplicadas mundo a fora, sempre em busca de cidades melhores e mais pessoas em mais bicicletas mais vezes!

A Pesquisa Perfil do Ciclista Mexicano foi uma realização de:

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Presença Brasileira na Conferência Anual EuroVelo 2018

Por Juliana DeCastroev

Desde 2015 o Núcleo de Planejamento Estratégico de Transporte e Turismo (PLANETT/UFRJ) elegeu a mobilidade ativa e o turismo sustentável como uma de suas principais frentes de trabalho. E, mais uma vez, a bicicleta se destaca como protagonista nessas áreas por meio do cicloturismo. Dessa maneira, é natural a busca por organizações de referências na disseminação de conhecimento e boas práticas sobre o assunto.

No Brasil a Transporte Ativo (TA) é uma referência há 15 anos na disseminação e produção de conhecimento sobre mobilidade ativa. E, como o PLANETT, acredita que o território nacional oferece uma diversidade regional incrível para a promoção do turismo de bicicleta. Por isso, PLANETT e TA junto com o Programa de Pós-Graduação em Turismo da Universidade Federal Fluminense (PPGTUR – UFF) organizaram o II Encontro para o Desenvolvimento do Cicloturismo em novembro deste ano no Rio de Janeiro.

E a fonte de inspiração para a realização do evento surgiu através do contato com os estudos produzidos sobre experiências bem sucedidas para desenvolver o cicloturismo no cenário internacional, onde se destaca  o trabalho da Federação Europeia de Ciclistas (ECF) que coordena o Projeto EuroVelo para fomentar o cicloturismo na Europa e organiza a Conferência Anual mais importante nessa área.

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Atualmente o EuroVelo conta com uma rede de ciclovias de alta qualidade composta por 17 rotas integradas ao sistema de transporte, que permitem cruzar 42 países na Europa de bicicleta. A Essas rotas são utilizadas não apenas por turistas, mas também por moradores dessas regiões e até 2020 a meta é consolidar uma rede de 70.000 km, subindo para 19 o número total de rotas existentes.

Ao longo da implementação do EuroVelo diversos estudos foram produzidos para avaliar os impactos do projeto. E os resultados obtidos até o momento apontam para um crescimento contínuo na demanda na utilização das rotas e também da diversificação da oferta de produtos e serviços dedicado aos ciclistas. Em números isso representa uma movimentação de 2,3 bilhões de viagens por ano e 44 bilhões de Euros em receitas, superando a movimentação gerada com o turismo de cruzeiro na Europa no último ano.

E para melhor aproveitar as oportunidades existentes nesse cenário, foram criadas as Conferências EuroVelo e de Cicloturismo que são realizadas todos os anos desde 2012 com o objetivo de reunir todos os atores interessados na trocar experiências sobre cicloturismo, destacar as boas práticas e encorajar o desenvolvimento da própria rede EuroVelo. A estratégia para incentivar o engajamento das autoridades locais com o evento é torná-las as anfitriãs da Conferência, criando assim uma conjuntura favorável para que os participantes possam da desfrutar da experiência real de testarem infraestruturas, produtos e serviços voltados para o turista de bicicleta durante os dias do evento.

Durante os preparativos para a realização do II Encontro o Desenvolvimento do Cicloturismo, surgiu o convite da TA para que o PLANETT pudesse participar da Conferência Anual do EuroVelo 2018 com a intenção de extrair o máximo de conhecimento técnico sobre o desenvolvimento do cicloturismo na Europa. A conferência foi realizada entre os dias 26-28 de setembro em Limburg, na Bégica, ainda conseguimos liberação da ECF para participar como convidado especial da Reunião Anual dos Centros de Coordenação Regional do EuroVelo para compreender como se dá o processo de gestão e monitoramentos das 17 rotas e quais são as possibilidades de adaptação desse modelo para o desenvolvimento do cicloturismo no Brasil.

O foco da reunião era começar a desenhar a estratégia para dar continuidade ao desenvolvimento da rede EuroVelo até 2030, em especial, em relação à necessidade de melhorias enfrentar os desafios para o monitoramento do desempenho das rotas, padronização e manutenção da sinalização, a conectividade com os sistemas de transportes públicos, integração de soluções de TI para desenvolvimento de novos produtos e serviços para rede EuroVelo.

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E, de fato, participar da Conferência foi impactante. Tanto pela qualidade da troca de experiências proporcionadas pela conferência, que certamente nos ajuda a construir a visão do que pode vir a ser o nosso “BrasilVelo”, mas também pela oportunidade de vivenciar momentos únicos, testando alguns dos produtos e serviços oferecidos em aos cicloturistas em Limburg.

Este ano foi a Conferência for realizada na cidade de Hasselt, capital de Limburg, premiada como a capital do cicloturismo após o desenvolvimento do projeto Experience XL e, certamente um dos pontos altos do evento, foi incluir na programação do evento 5 opções de biketours para que os participantes pudessem conferir se a cidade faz jus ao título.

Dentro do Projeto Experience XL foi inaugurada em abril de 2016 uma trilha de ciclismo em um lago da reserva natural De Wijers em Bokrijk-Genk  denominada “Cycling through Water”. Desde a sua abertura já atraiu mais de 500.000 ciclistas, abrindo novas oportunidades para a criação de novos modelos de negócio pensados para fortalecer o desenvolvimento regional aliado à conservação ambiental.

A trilha de bicicleta através da água leva os ciclistas através de um caminho de concreto de 212 metros de comprimento e três metros de largura com água ao nível dos olhos em ambos os lados. Cisnes e outras aves aquáticas flutuam na borda e observam os visitantes com curiosidade. No entanto, você poderia pensar como eu, se a construção da infraestrutura não poderia causar um impacto negativo no ecossistema, certo?! Mas, através de um trabalho integrado entre as autoridades locais de turismo e meio ambiente, o projeto permitiu gerou resultados positivos na melhoria na qualidade da água e também no incremento significativo no habitat dos anfíbios que vivem no local.

Certamente, mais uma valiosa oportunidade de aprendizado para nós, pois o sucesso alcançado com a rota cênica “Cycling Trhough Water” é decorrente do trabalho de longo prazo que vem sendo desenvolvido em Limburg para incorporar projetos turísticos inovadores e sustentáveis capazes de proporcionar uma experiência única para o usuário. Através desta e de outras experiências em curso, de ciclismo semelhantes, Limburg vem se destacando no cenário internacional como um destino cicloturísticos que alia inovação e respeito ao seu patrimônio ambiental e histórico-cultural.

Embora seja possível constatar a diferença entre os níveis de desenvolvimento do cicloturismo entre Europa e Brasil, os desafios a serem enfrentados são precisamente os mesmos. Entre eles, podem ser destacadas as necessidades de parcerias público-privadas, a estruturação de uma agenda de governança estratégica que integre as Políticas Públicas de Transporte e Turismo para viabilizar a criação e manutenção de infraestruturas cicloinclusivas, a promoção dos destinos turísticos e a captação de recursos para o financiar todo o processo.

Se você é um entusiasta do turismo de bicicleta e compartilha conosco da certeza sobre o potencial que o Brasil oferece para essa atividade, convidamos você a se juntar a nós. A cada dois anos será promovido um encontro para o desenvolvimento do cicloturismo em uma macrorregião diferente do Brasil para seguirmos avançando. Sem dúvida que existe um caminho viável para desenvolvermos o nosso “Brasil Velo”, aliás o trabalho já começou. Se você estiver interessado em participar, está mais que convidado para o III Encontro para o Desenvolvimento do Cicloturismo, que acontecerá em Blumenau em 2020. Fique ligado!