Vagas Vivas no enfrentamento ao Coronavírus

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Cincinnati – Ohio   e   São Francisco – Califórnia

Dentre as diversas soluções encontradas para a volta das atividades comerciais, estão os espaços destinados aos restaurantes do lado de fora do estabelecimento. Seja nas calçadas ou em vagas de automóveis, como uma extensão do salão ou um local de espera para receber clientes, já que há limitação na quantidade de pessoas aceitas na área interna.

Diversas cidades nos Estados Unidos e na Europa, como Paris, Londres, Bruxelas e Dublin, já estão implementando esta medida e o Rio de Janeiro segue esta tendência. Uma edição extra do Diário Oficial, em 26 de junho, apenas com medidas para a reabertura de comércios e retorno ao novo normal, o decreto nº 47.550 dizia: Dispõe sobre condições de colocação de mesas e cadeiras em Iogradouros públicos, em caráter extraordinário, por restaurantes, bares, lanchonetes e estabelecimentos congêneres, até 31 de dezembro de 2020, e dá outras providências.

Já começou! Abaixo um restaurante em Copacabana e sua área de espera. Que mais bares e restaurantes venham a aderir à ideia, que com certeza ajudará a tornar nosso bares e restaurantes mais seguros e nossas ruas mais agradáveis!
BarPosCovid

E que as Paradas Cariocas, voltem a ser licenciadas de forma definitiva pela atual gestão!

Bicicletas humanizam o patrulhamento por proximidade

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A bicicleta é sem dúvida uma invenção fascinante e muito útil. Por suas qualidades como baixo custo, simplicidade de uso, manutenção e estacionamento; capacidade de carga etc, naturalmente se tornou um veículo de importantes contribuições para a humanidade. Ela tem grande sucesso no uso para mobilidade, esporte, lazer, saúde, trabalho. Suas diversas qualidades multiplicam a utilidade e expandem as aplicações. Assim, a bicicleta também serve à segurança seja pública ou privada. Deslocamento rápido, fácil e aumento da distância percorrida pelos agentes são algumas das virtudes para adoção do nossa querida bicicleta pela polícia, por exemplo. Seja patrulhando, perseguindo criminosos ou atuando em eventos ela é aplicada como uma ferramenta multitarefa dos policiais.
Infelizmente ela também sofre com as falhas de julgamento e desvio de conduta que muitas pessoas praticam e eventualmente é mal utilizada, seja por policiais como por bandidos que as utilizam para assaltar.

A morte de um cidadão norte americano numa ação policial nos EUA motivou protestos intensos em várias cidades americanas. E as imagens do enfrentamento de guardas e manifestantes mostraram algo que muito incomodou quem gosta de pedalar: as bicicletas foram usadas pelos agentes da lei para agredir alguns manifestantes.

Pensando além dos motivos para a reação dos policiais é preciso entender que a bicicleta é utilizada mundialmente como um veículo para o patrulhamento de proximidade. Ao tornar o patrulheiro mais acessível à população incentiva-se uma relação mútua de confiança e parceria com os cidadãos que não se consegue com o uso de veículos motorizados, usualmente mais segregadores e opressores que as bicicletas.

Por outro lado, como os demais dispositivos destinados ao “servir e proteger”, ela infelizmente também pode ser empregada para agredir e oprimir. Não porque ela tenha sido projetada para isso, mas porque em toda decisão há espaço para escolhas boas e ruins.

Com treinamento adequado a bicicleta pode ser uma aliada dos profissionais que ajudam a manter a lei e a ordem combatendo os crimes cometidos pelos bandidos. Mas em uma sociedade mundial que ainda enfrenta o desafio de aumentar a justiça social; a equidade de gênero, raça, credo e os direitos humanos universais, usar bicicletas como arma contra manifestantes é vergonhosamente explicado. Mas não justificado! As imagens dos EUA ilustram bem o erro de julgamento e de metodologia para dispersar aqueles manifestantes.

Cabe a todos multiplicar as boas práticas, reprimir e condenar o mal, sem importar quem o pratica e com qual objeto para evoluirmos como cidadãos e como sociedade. A imagem carismática da bicicleta não será maculada pela violência cometida com ela. Se houvesse um placar mundial ela certamente estaria vencendo no quesito de bom uso. Quem pedala quando pode está sempre fazendo o bem sem olhar a quem.

Forte X Frágil

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O Código de Trânsito Brasileiro é claro: o maior deve zelar pela segurança do menor nas ruas. Esta regra, embora não esteja clara nas mentes e ações de muitos motoristas, bem como a percepção popular, tem ajudado a difundir a ideia de que ciclistas e pedestres são os componentes mais frágeis no trânsito. De fato, em caso de choque de um veículo motorizado com um destes dois o potencial de danos é grande (e agravado pelo contumaz excesso de velocidade). Mas em situações normais pedestres e ciclistas tem uma série de vantagens nas ruas das metrópoles, e até de algumas cidades médias que já padecem dos males do trânsito moderno.
Ciclistas não ficam engarrafados, portanto estão menos expostos à poluição – que faz muito mal em ambientes fechados como o de carros e ônibus presos no mar de veículos. Também estão menos sujeitos a assaltos visto que ficam menos tempo parados que os motoristas, mais suscetíveis a abordagens criminosas. Indo de bicicleta o estresse é menor, é mais fácil de estacionar (e a custo zero!), a saúde melhora e a economia de tempo, dinheiro e incomodação é enorme.
A bicicleta pode não ser a solução definitiva para o trânsito engarrafado, mas como este é cada vez mais comum e longo, torna-se uma opção por suas vantagens e por evitar a fragilidade que o automóvel impõe aos motoristas do século XXI.
Por fim, ciclistas e pedestres ajudam a humanizar o trânsito, lembrando a todos que a cidade é das pessoas e que o compartilhamento do espaço público é uma virtude da sociedade. Quando entendemos o próximo e nos respeitamos mutuamente nas ruas e calçadas, fortalecemos nossa comunidade, nossa cidade, nosso país e o mundo todo.

Saiba mais:
A exposição de ciclistas, motoristas e pedestres à poluição do trânsito.
Diferenças na exposição à poluição do ar por ciclistas e motoristas em Copenhagen.

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Bicicletas evitando mortes por Covid-19

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No atual cenário mundial de pandemia, o caos provocado na economia mundial, no cotidiano dos indivíduos e nos sistemas de saúde tem na morte das pessoas sua face mais angustiante. Ainda que o índice de mortes em relação ao número de infectados seja relativamente baixo toda vida é valiosa e zero era o único número aceitável. Infelizmente isso não aconteceu e a luta agora é para salvar vidas reduzindo ao máximo a taxa de mortalidade pela doença.
A ciência tem se dedicado a entender rapidamente todos os aspectos do vírus, algo fundamental para encontrar vacina, definir tratamentos, chegar à cura. A reação é fundamental para acelerar o enfrentamento, mas não resta dúvida que ainda teremos muitos meses de combate ao Covid-19. Cada dia, cada medida conta.
Neste sentido o uso da bicicleta pode ser uma aliada ainda mais relevante.

Estudo recente relaciona a poluição do ar a taxas de mortalidade bem mais altas em pacientes com Covid-19
Em estudo recente, pesquisadores da Escola de Saúde Pública T. H. Chan da Universidade de Harvard nos EUA cruzaram os dados de óbitos e poluição de 3080 condados daquele país e descobriram que a maior concentração do fino e perigoso material particulado conhecido como PM 2,5 estava associado às mais altas taxas de mortalidade por coronavírus.

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Imagens de satélites capturadas na internet, com poluição do ar antes e durante as quarentenas. (NASA/BBCESA)

Este particulado tem origem na queima de combustíveis fósseis e nas grandes cidades o transporte motorizado é o principal responsável pela sua emissão. Piora quando se analisa que os engarrafamentos, que geram ainda mais consumo de combustível e poluição do ar ocorrem em grande parte pela baixa taxa de ocupação dos carros que entopem as ruas com um número de veículos maior do que o necessário.

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Imagem: Diego Hemkemeier (Bem estar – G1)   .

Pedalar salva vidas
Pedalar sempre foi um meio de deslocamento mais humanizado, por ser silencioso, emissão zero, ocupar pouco espaço, conectar as pessoas entre si e com suas cidades e por ajudar a saúde de quem pedala. Não se deve esperar que a bicicleta resolva todos os impactos ambientais e socioeconômicos da poluição urbana, mas é fato que sua contribuição sempre foi e sempre será relevante, ainda mais com o mundo em tempos de crise pandêmica.
Além de sua ajuda imediata nos deslocamentos essenciais durante a quarentena o uso da bicicleta pode ter efeito direto na redução de mortes pela doença a partir de agora, tendo em vista a provável longa duração dessa crise.
Também com isso em mente algumas cidades estão aumentando a infraestrutura cicloviária e para pedestres de modo a incentivar o uso de transportes ativos inibir os motorizados poluentes e, de quebra, aumentar o espaço para permitir que nestes deslocamentos ciclistas e pedestres possam manter distância maior entre si.
A falsa percepção de normalidade que leva muitas pessoas a retomar suas rotinas é ajudada em parte pelo trânsito de automóveis, portanto pedalar quando o deslocamento for inevitável reduzirá essa cilada social e continuará a incentivar as pessoas a ficarem em casa, medida mais eficiente para conter o avanço da epidemia.

Não custa repetir: fique em casa!
Mas se precisar sair vá de bicicleta, sempre que possível, sabendo que estará ajudando a manter a sensação de importância do estado de quarentena e reduzindo a poluição do ar para que menos pessoas padeçam de doenças respiratórias graves, entre elas a Covid-19.

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Leia também:
Bicilogística na pandemia do novo coronavírus
Bicicletas na Quarentena

Cegos pedalando, cadeirantes e muita história pra contar

Já imaginou uma pedalada com cegos, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida? Foi isso que aconteceu na tarde de sábado, dia 13, no entorno do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

O evento, batizado de Mauá 360, contou com participação de aproximadamente 30 pessoas e a presença de um historiador especializado na região. Deslizando pelo Boulevard Olímpico, todos descobriram fatos e curiosidades sobre a região, famosa por seus prédios do período colonial que marcaram a história do nosso país.

Exclusivamente nessa postagem, estamos utilizando um recurso para descrição das imagens, a hashtag #pracegover,  que serve para mostrar o conteúdo das fotos para pessoas com deficiência visual.

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#pracegover – Imagem 1 – Grupo de pessoas reunidas para dar início à pedalada. O grupo já está pronto para começar o roteiro, com os participantes posicionados nas bicicletas e nas cadeiras de roda. Nesse momento, recebem orientações iniciais sobre a atividade

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#pracegover – Imagem 2 – Imagem final da atividade, com os participantes reunidos, com cadeiras de roda posicionadas à frente das bicicletas e o prédio do Museu Histórico Nacional ao fundo.

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#pracegover – Imagem 3 – Foto com grupo de pessoas que conduziu a pedalada, a partir da esquerda temos o voluntário Rodrigo Souza, do projeto Pedala Junto, que conduziu a bicicleta tandem, ao lado do cego Álvaro, que foi seu companheiro na atividade. Seguido por Fábio Nazareth, representando os Pedalentos, que cedeu a bicicleta tandem para a atividade. Na sequência temos Zé Lobo e Erika Cordeiro, da Associação Transporte Ativo, que em parceria com o Museu do Amanhã, promoveram a pedalada. Fechando com Maurício, Tati e Mônica, Bike Anjos, que estavam com a bicicleta ODKV, sigla para o projeto “O de cá, vê” que usa duas bicicletas conectadas lateralmente, onde um condutor pedala ao lado de um deficiente visual.

Estiveram conosco nessa pedalada, funcionários e colaboradores do Museu do Amanhã, representantes do Kit Livre, Pedala Junto, Bike Anjo Rio e Pedalentos.