Monitoramento da Poluição do Ar com bicicletas

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Podemos passar uns 30 dias sem comida, apenas 7 sem água, mas poucos conseguem ficar mais que 2 minutos sem respirar. Sim, nossa respiração é fundamental e ao mesmo tempo que o ato involuntário de respirar nos mantém vivos, também é a porta de entrada de poluentes para o nosso corpo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a poluição do ar é um dos mais importantes perigos à saúde humana. Os veículos são as principais fontes de poluição atmosférica e quanto mais pessoas deixam o carro em casa para usar a bicicleta em seus deslocamentos diários, melhor será a qualidade do ar. No entanto, os mesmos usuários da bicicleta que ajudam o planeta se expõem à fumaça dos motores e a uma série de doenças decorrentes da inalação de poluentes, em especial o Dióxido de Nitrogênio (NO2) e o Monóxido de Carbono (CO). Saiba mais sobe esses compostos na página do Ministério do Meio Ambiente.

Numa parceria com a Swissnex no Brasil, recebemos um BeMap sensor de poluição para bicicletas desenvolvido na Escola Politécnica Federal de Lausanne na Suíça. Simples e prático, o aparelho instalado no guidon da bicicleta mede a concentração de CO, NO2, além de temperatura e umidade. Dotado de um GPS interno esses dados são geolocalizados e podem ser visualizados através de um software instalado no computador pessoal do ciclista. Assim ele pode descobrir quais ruas são menos poluídos e traçar uma rota mais saudável para seus deslocamentos diários.

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Nosso sensor BeMap devidamente personalizado e instalado na bicicleta

No alto um dos mapas e gráficos de poluição atmosférica criados com a ajuda do aparelho. Os mapeamentos ainda estão no início mas em breve teremos dados suficientes para indicar não só as rotas mais seguras como as menos poluídas. Esperamos contribuir para uma experiência de deslocamento urbano mais saudável e prazerosa, afinal de contas pedalar é uma atividade tão gratificante para quem pratica quanto para a cidade. Nada mais justo que a saúde de ambos seja igualmente melhorada.

Ciclo Orgânico e as bicicletas da compostagem

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Algumas ideias para solucionar problemas modernos são mesmo muito criativas, mas quando elas viram realidade podemos dizer que é o melhor da humanidade se renovando e inspirando a todos nós.

No Rio de Janeiro, um grupo de universitários juntou duas paixões em torno do desejo de um mundo melhor e, antes de se formarem, criaram um negócio que vem rendendo frutos. A Ciclo Orgânico é uma microempresa que uniu bicicletas e compostagem. Oferecem a coleta domiciliar de resíduos orgânicos e o transporte até uma composteira no bairro atendido. E isso é feito em bicicletas cargueiras comuns, garantindo o transporte limpo, silencioso, prático, barato e que ajuda na mobilidade dos cariocas.
O serviço é pago, mas não custa caro e é indicado para aquelas famílias que não possuem tempo ou espaço para manter a sua própria composteira doméstica.

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Claro que a coleta domiciliar de orgânicos se tornou famosa e a demanda aumenta gradualmente. Os jovens empreendedores já estão planejando a ampliação para outros bairros, com novas composteiras e mais bicicletas. Sabendo disso e querendo ir além dos aplausos à iniciativa a Transporte Ativo doou uma bicicleta cargueira para o grupo, que agora conta com 3 bicicletas e um triciclo. O veículo passará por pequenas adaptações para suportar a dureza do serviço e em breve estará flanando por aí levando restos orgânicos para um destino muito melhor que os depósitos de lixo da cidade.

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No último domingo, a TA e o Ciclo Orgânico participaram de um debate sobre mobilidade por bicicletas no Domingo Alternativo no SESC Tjjuca. A roda de conversa durou uma hora, público e palestrantes conversaram abertamente sobre como melhorar a cidade através do uso do nosso meio de transporte favorito.

Para contratar o recolhimento de orgânicos sem emissões: Site Ciclo Orgânico

A inauguração da mais bela das ciclovias

“Imaginação é a faculdade de criar a partir da combinação de ideias; criatividade.”

Quem poderia imaginar uma ciclovia como a que foi feita ao lado da Avenida Niemeyer no Rio de Janeiro? Contornando o costão rochoso entre os bairros de Leblon e São Conrado ela será inaugurada dia 17/01/2016 como a primeira etapa da futura ligação cicloviária completa de toda a orla carioca.

A criação e ampliação da malha cicloviária carioca não é fruto da imaginação de ninguém, apenas uma adequação urbana aos novos tempos. Pedalar em ciclovias faz parte do cotidiano carioca desde os anos 1990 e como a cidade tem uma beleza natural famosa  as bicicletas circulam com paisagens belíssimas ao fundo. Mas a da Niemeyer extrapolou essa qualidade da capital fluminense. Quem imaginaria que a mobilidade urbana carioca acrescentaria uma obra com tamanha capacidade de gerar empatia (e antipatia também) no Rio, no Brasil e mundo afora?

Feliz a cidade que explora os novos tempos de liberdade de opinião para discutir abertamente a validade e qualidade da ciclovia da Niemeyer. A (polêmica) ciclovia ganhou cores fortes, opiniões apaixonadas, declarações de amor ao Rio e de ódio a quem construiu. Há quem queira vir de outros estados para pedalar e há quem pense que a hora é de se mudar do Rio de mala e cuia.

Nossa imaginação pode nos permitir sonhar com o dia em que a bicicleta será uma unanimidade e que a ciclovia da Niemeyer será o ícone dessa nova matriz urbana, voltada mais para as pessoas que para veículos motorizados. Mas como toda a unanimidade é burra quem pedalar pela nova e mais bonita pista da cidade o fará não só com a vista deslumbrante, mas também com a certeza que pode debater de forma aberta e democrática como será a cidade que queremos.

Para lembrar

A avenida Niemeyer foi palco do famoso vídeo “Como ultrapassar mais de 100 carros em 5 minutos”. Um desafio apocalíptico em uma avenida que só agora permite o acesso seguro e confortável para quem pedala.

Nas obras do metrô carioca, de bicicleta

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“Quantos aqui possuem 1 bicicleta? 2? 3? 4?
Muitos tem não é mesmo? Acessível, a bicicleta está presente nas casas de muitas pessoas.  E no Rio de Janeiro há duas bicicletas para cada carro.”

Assim começaram as diversas palestras ministradas nas obras do Metrô Carioca. De magrela fomos até debaixo da terra. E no canteiro de obras os operários ficaram sabendo que os pés são o meio de transporte mais popular no Rio. E que a bicicleta segue por fora e teve um aumento no seu uso de 153% entre 1994 e 2004.

Todos também ficaram sabendo que são feitas 1,2 milhão de viagens de bicicleta por dia na região metropolitana do Rio de Janeiro. Um número considerável e que se espalha de maneira difusa pelas ruas e calçadas até se tornar quase invisível. Afinal só no metrô no trem as pessoas ficam concentradas em vagões ao longo de uma linha.

Contamos também sobre o dia Mundial Sem Carro, surgido na Europa para convidar as pessoas a refletirem e discutirem outros modelos de mobilidade, diferentes do carro em prol da mobilidade coletiva e sua decorrente qualidade de vida.

Lembramos, claro que o nome da data deveria ser mais adequado e deveria promover alternativas sem ser a negação de outra coisa. Afinal os motoristas e seus veículos também tem direito as ruas, mas é preciso repensar seu papel para evitar o mau uso, ou seja, dirigir sozinho em trajetos curtos. Afinal esse é um dos principais motivos dos extensos engarrafamentos pela cidade.

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Os números comprovam. Um levantamento da prefeitura carioca aponta que 70% dos motoristas dirige sozinho e outros 70% o fazem em distâncias inferiores a 10 km, algo que pode ser feito de bicicleta ideal para trajetos até 7-8 km ou por transporte público.

Foi bom lembrar que em distâncias maiores a bicicleta é mais útil em combinação com meios de transporte de massa como trem, metrô, ônibus e barca. Pedala-se até a estação/terminal e de lá segue-se viagem no coletivo. Essa prática é muito comum na zona oeste carioca, região distante do centro e com menos opções de transporte local.

Aliás, buscamos quebrar a noção que a Zona Sul é a região das bicicletas. A Zona Oeste tem uso muito maior e mais quilômetros de ciclovias que qualquer outra região da cidade. Os bairros com mais uso da magrela são Santa Cruz, Bangu, Campo Grande, Realengo e Barra da Tijuca.

Em diversos bairros da cidade a bicicleta já é uma realidade de transporte e pode aumentar ainda mais. Para usar esse transporte observe dicas de segurança como manter a bicicleta em dia com freios, pneus, guidão, transmissão e tudo mais em dia.

Coube ainda encorajar as pedaladas dos operários perto de suas casa em ruas calmas e usufruir do antigo meio de transporte, super antenado nas necessidades do século XXI, quais sejam, praticidade, custo baixo, poluição zero e saúde individual.

Pedalemos!

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Pensar e fazer

O estímulo ao uso da bicicleta como meio de transporte permeia muitas áreas e muitas técnicas diferentes. Felizmente quem labuta nessa área tem a seu favor o aspecto conciliador e amigável de uma agenda positiva. Ser a favor de algo tende a conquistar mais adeptos e simpatizantes para uma causa do que a abordagem da crítica e da reclamação, mas claro que esta não deve ser ignorada ou menosprezada.
No Rio de Janeiro, há muitos anos que o poder público, algumas empresas, coletivos e indivíduos já tomam iniciativas positivas para incentivar e respaldar aqueles que querem se locomover pedalando. Enquanto muitos discutem e reclamam sobre o que deve ser feito, alguns simplesmente fazem. E os resultados são irrefutáveis, embora ainda haja um caminho longo a percorrer.
Na semana passada, o Setor de Educação da CET-Rio começou a programar painéis de trânsito, móveis e fixos para exibirem a mensagem ‘Respeite o ciclista’, exclusivamente ou alternadamente com as informações de trânsito. Pode parecer pouco, mas uma mensagem subliminar funciona para muitas pessoas, e sem dúvida é mais uma prova de que o papel da bicicleta no trânsito não para de crescer, já está na pauta do dia de muitos formadores de opinião, gestores públicos e empresários.
Adote a bicicleta, compartilhe a via com os ciclistas e seja parte da transformação de nossas ruas em espaços realmente coletivos.