Destaques
Carnaval, época de ruas para pessoas
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O carnaval no Brasil é o período do ano em que as ruas são devolvidas as pessoas para comemorações e festas.
Ainda assim, as cidades e suas administrações municipais ainda buscam aprender como readequar, ainda que de maneira excepcional, o espaço público para circulação e ocupação exclusiva de pedestres.
O já tradicional carioca molda a cidade semanas antes dos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Os blocos de rua atraem multidões para a festa o que impacta negativamente o fluxo motorizado.
Ciente da importância da festa para seus cidadãos e turistas, a prefeitura do Rio de Janeiro sempre faz campanha pública para que as pessoas priorizem o transporte público e também a bicicleta. 
A enormidade do fluxo humano é ao mesmo tempo beleza e drama. O fluxo carnavalesco é festa, mas dada a quantidade de pessoas que atrai, tem também graves problemas. Para listar o principal deles, resíduos da festa. Seja a serpetina, as latinhas de cerveja ou a urina.
Felizmente os fluxos diários, fora da época de festas são mais equacionáveis, mas precisam levar do carnaval a lição principal, as ruas pertencem as pessoas e é necessário garantir que o espaço público possa ser usado com prioridade absoluta para as pessoas.
A direção e o propósito dos deslocamentos é secundário, seja para festa ou para a ida ao trabalho, as ruas pertecem aos cidadãos e devem ser usadas de maneira eficiente para os diversos fluxos urbanos.
Bicicletário Cultural colaborativo
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Cidade que optou pela solução moçárabe de construir-se sobre cumeadas artificiais, como nos lembra o grande geógrafo Milton Santos, Salvador é marcada por suas praças em belvedere, sempre debruçadas do alto dos morros ora com vista para o mar, ora para os vales. Dentre estas, apenas uma funciona como pequeno parque de bairro: o Passeio Público de Salvador.
Construído dentro do paradigma da reforma neoclássico-iluminista e da expansão urbana sob o vice-reinado do Marquês de Pombal, o Passeio Público abriga em uma de suas entradas o Palácio da Aclamação, hoje um museu estadual. Dentro dele já se localizou a Galeria Oxumaré, berço do modernismo na Bahia, e hoje fica o lendário Teatro Vila Velha – complexo cultural com dois placos, quatro salas de ensaio, três grupos residentes (entre os quais o Núcleo Vila Dança e o Bando de Teatro Olodum), e que sedia diversos eventos internacionais. Do Velho Vila surgiram nomes como Glauber Rocha, lá estreou Gal Costa, e a frente dele está há décadas o hoje ex-Secretário Estadual de Cultura Marcio Meirelles.
Recentemente, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia (IPAC) resolveu erradicar as vagas de estacionamento para automóveis que equivocadamente se encontravam dentro da área do parque. Aproveitando esse fato, e aliado a enorme expansão do uso de bicicleta por freqüentadores e funcionários do Teatro Vila Velha, o Coletivo Mobicidade e a Associação Psicólogos do Trânsito e Mobilidade Humana (PATRAMH) resolveram fazer algo a respeito (veja mais sobre a ação).
No entorno do Passeio Público, dia 18 de janeiro à noite (horário de pico de demanda para o teatro), foi realizada a primeira contagem fotográfica de usuários de bicicleta, seguindo a metodologia desenvolvida pela Transporte Ativo; e no dia seguinte, 19, sábado pela manhã, fez-se um mutirão para instalar um bicicletário de seis vagas no local. Em contrapartida, o Teatro Vila Velha tem estabelecido preços promocionais nos ingressos de suas atividades para aqueles que o frequentarem de bicicleta.
A localização do bicicletário é estratégica, não só por ser perto da entrada de serviço do teatro e da rampa de acesso a sua bilheteria, mas também porque libera a visualidade do totem do teatro e a usabilidade do sofá de concreto que pode ser visto na foto. Antes vedado pela presença de automóveis, esta área tem sido sempre freqüentada por grupos de pedestres que se sentam e conversam animadamente, como numa sala de estar, uma vaga-viva permanente.
Mais ainda, é sempre bom lembrar que sendo o Passeio Público uma das entradas para o Circuito Osmar do Carnaval (Avenida Sete de Setembro e Campo Grande), quem quiser pode ir pedalando e guardar a bicicleta dentro dele.
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Nota, o post é de autoria do Lucas Jerzy Portela d’O Último Baile dos Guermantes.
Mapas urbanos
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Estudo para novo lay-out do Mapa Unificado
Um mapa pode ser muito mais do que uma representação de um espaço, pode ser uma maneira de repensar e reconstruir uma cidade.
De maneira simples e direta, buscamos consolidar as infraestruturas e pontos de interesse relacionados ao uso da bicicleta no Rio de Janeiro para criar o mapa Ciclorio. O projeto segue firme, com atualizações constantes e até página no facebook.
Por conta do potencial transformador do Mapa Colaborativo, fomos chamados a contribuir com o projeto Novas Cartografias.
O projeto propõe trabalhar o mapeamento como instrumento criativo de reconhecimento, reflexão e ação sobre o território urbano. Com o patrocínio do programa Pró-Design da Prefeitura do Rio de Janeiro (IRPH e Centro Carioca de Design), o projeto atualmente desenvolve parcerias e pesquisas sobre mapas participativos que buscam ir além da simples representação do espaço físico da cidade, tendo como foco principal a cidade do Rio de Janeiro.
Participe, contribua e espalhe em prol de uma reconstrução do Rio de Janeiro.
Ciclovias, paradigmas de planejamento
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Tem novidade na área de traduções do nosso site. Uma imagem simples, direta e que mostra quais caminhos seguir para um bom planejamento de uma infraestrutura cicloviária.
A arte foi feita originalmente em espanhol pelo amigo chileno do Bicivilizate, Claudio Olivares.
O texto é bem simples:
Ciclovias: Paradigmas de planejamento
- Desenho centrado no automóvel
Localizadas em zonas de pedestres, áreas verdes e servidões, intermitentes, desconexas, com obstáculos, indiretas, estreitas, inconsistentes, confusas, sem preferência.
- Desenho centrado no usuário
Localizadas na via no bordo direito, conectadas, amplas, consistentes, sem obstáculos, unidirecionais, com preferência e cruzamentos sinalizados.
Transporte ativo e planejamento urbano
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A vida urbana é a organização humana padrão dos nossos tempos. Não é novidade morarmos em cidades, a novidade é morarmos tantos em cidades.
Da pressão por espaço urbano, surge uma cidade que deverá buscar novas e melhores maneiras de se adequar a necessidade de seus moradores. E é sobre o planejamento urbano para essa nova cidade que fala o vídeo acima. E não é coincidência que o autor do vídeo menciona os transportes ativos, nossa maneira preferida de definir todos que dependem do próprio esforço para se locomoverem.


