Destaques
Bicicletas e opiniões públicas
Posted onAuthorEduLeave a comment

Dizem que o Brasil tem milhões de técnicos de futebol. Bem, parece que há mais especialistas em mobilidade por bicicleta que em futebol. Todo mundo tem uma opinião sobre trânsito cheia de propriedade, muitas vezes embasada em puro ‘achismo’.
Nesse meio tempo, pessoas, instituições, governos e empresas que planejam e executam avanços na mobilidade urbana precisam passar pela provação de serem indiciados, julgados e condenados por quem acha que sabe mais. Felizmente muitos são perseverantes e os avanços se tornam realidade.
As bicicletas públicas chegaram ao Brasil há quase quatro anos numa ousada iniciativa empresarial, com o aval de uma prefeitura. Logo ganhou adeptos e também críticas, muito mais importantes que os elogios aliás.
Como toda novidade precisou de ajustes e o serviço foi interrompido. No seu retorno, já com um patrocinador, os números não escondem o sucesso alcançado. Em um ano as quase 600 bicicletas em uso fizeram mais de 1.000.000 de viagens por mais de 100.000 usuários cadastrados.
Muitos problemas surgiram e há muito o que melhorar, mas uma avaliação do sistema, precisa, por ética e profissionalismo apontar tanto os erros quanto os acertos. Apontar apenas os erros não dá a dimensão de como o sistema está funcionando e nem tão pouco contextualiza as próprias críticas. Fica parecendo que não funciona e pode até transparecer que o melhor é cancelar tudo.
Entenda a polêmica em matéria publicada no jornal O Globo.
Contagem de Ciclistas no Centro do Rio

Centro da Cidade, região com tráfego intenso e muitos ciclistas circulando, que passam despercebidos da maioria. Como parte do projeto Ciclorrotas para o Centro, algumas contagens de tráfego de ciclistas serão realizadas em pontos definidos em oficina que teve parte no Studio X, no dia 25 de agosto deste ano, onde diversos ciclistas e interessados se reuniram para traçar e discutir rotas e pontos de apoio.
Para conferir o movimento de bicicletas no local designado, a Transporte Ativo, em parceria com o ITDP, Studio X e ciclistas voluntários, realizaram na quinta feira, dia 4 de outubro de 2012, uma contagem de ciclistas na Rua Teixeira de Freitas, com o objetivo de levantar dados de apoio ao trabalho que está sendo desenvolvido, permitindo uma melhor avaliação da área.
Alguns números preliminares:
Total em 12 horas: 720 bicicletas = 1 por minuto
533 direção Lapa 74%
187 direção Aterro 26%
Horários de Pico: 8 às 9 com 79 ciclistas e 18 às 19 com 78 ciclistas
Horário de Vale: 7 às 8 com 38 ciclistas e 14 às 15 com 49 ciclistas
62 Mulheres 8.5%
121 em serviço 17%
Confira o relatório completo da contagem de ciclistas no Passeio Público, Centro do Rio.
O que sobrou das praças
Posted onAuthorJoão Lacerda1 Comment
As praças como estão hoje são retrato de como foi construída a cidade do século XX, são ilhas, muitas vezes isoladas, cercadas de fluxo motorizado pro todos os lados. Mas essa construção é recente e um desejo profundo de reverter a condição atual das praças está em curso. Essa é um pouco a história do documentário feito para a agência Pública sobre as praças de São Paulo.
A primeira pedalada
Posted onAuthorJoão Lacerda2 Comments
Bicicleta, minha primeira vez from Wev_Silva on Vimeo.
Apenas uma pergunta, quando foi a primeira vez que você pedalou uma bicicleta? Essa experiência pode estar perdida em algum canto da memória, mas reavivá-la pode sempre trazer boas lembranças.
Talvez não apareça uma lembrança clara da sensanção da primeira pedalada, afinal a infância é um mundo de memórias que aos poucos perdem clareza. Gostaria de lembrar exatamente aquele momento único em que o pé toca o pedal, o movimento começa e o vento sopra. Ainda assim, lembro claramente da bicicleta vermelha que pedalava no condomínio de casas no interior, todas as ruas eram calçadas com pedras hexagonais de concreto, um pouco irregulares, e que arranhavam desconfortavelmente os joelhos depois de cada tombo.
Dos tombos nem lembro tanto, lembro mais da alegria de passar em frente a minha casa pedalando. Tantos anos depois é um pouco dessa pequena alegria que senti, lá em meados dos anos 1980 que sobrevive até hoje. A bicicleta vermelha, provavelmente uma Monareta, talvez fosse na verdade laranja, pouco importa. Tinha pedais, rodas pequenas e foi através dela que descobri o vento no rosto e o prazer de voar movido pelas próprias pernas.
Vaga Viva 2012 – Consagração
Posted onAuthorEdu5 Comments
Quem diria que aquela idéia maluca de ‘roubar’ duas vagas de carro em pleno centro do Rio de Janeiro num país que ama automóveis teria, seis edições e sete anos depois uma verdadeira consagração como que ocorreu na vaga viva carioca de 2012.
Seguindo a tradição da TA simplificamos a 6ª Vaga Viva reduzindo a quantidade de materiais. Foi apenas a grama, um banco de madeira plástica com um lugar e quatro pufes de PET (encapados para evitar que roubem a cena). O tonel da Grama serviu de display de folhetos e a Clarisse do ITDP levou uma mesinha.
A chegada foi cedo, às 5:15 a grama já estava desenrolada e em pouco mais de 10 minutos Vaga Viva montada. Vale ressaltar que às 5:45 não havia mais vagas para carros naquele quarteirão da rua. Surreal.
Logo cedo um fenômeno emocionante que se repetiria ao longo de todo dia. Visitantes veteranos apareceram aos montes, uns me chamavam pelo nome, muitos perguntavam pelo outro (Zé Lobo) e todos eram generosos em sorrisos e apertos de mão. Dá até nó na garganta só de lembrar.
A primeira pessoa a usar a vaga viva como passagem o fez às 5:35 e dali em diante só fez aumentar chegando ao pico de 1800 pessoas por hora ali pelo meio-dia (contagem feita por amostragem).
Entregadores, triciclos, cadeirantes, gente de muleta e um sem fim de pessoas desembracaram de táxis e carros em frente à grama, uma passagem segura e confortável para a calçada.
Pouco antes do meio dia a primeira surpresa. Do restaurante vegetariano em frente sai uma funcionária que me oferece um copo de refresco de maracujá! E com gelo!
E pouco depois do almoço o mais impressionante, ganhamos um girassol para enfeitar a Vaga Viva, doado por uma floricultura ali perto. Nessa hora eu já estava meio sem voz de tanto falar com as pessoas e me dei conta que a Vaga Viva já está consagrada na Senador Dantas. E sei disso porque pelo sexto ano a reclamação que mais ouvimos é que será apenas um dia e que devíamos fazer todos os dias.




