Para Ganhar as Ruas

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São Paulo tem nas garagens uma frota de milhões de bicicletas cobertas de poeira e que anseiam por ganhar as ruas. Os motivos para o abandono de bicicletas perfeitas para a circulação são inúmeros e as maneiras de traze-las de volta a vida também.

A melhor forma de levar mais paulistanos em suas bicicletas para as ruas é tornar as pedaladas momentos agradáveis, algo que pode parecer simples para quem já se acostumou a pedalar na capital dos engarrafamentos motorizados no Brasil.

Os milhares de ciclistas apocalípticos paulistanos já fazem dos 17 mil quilômetros de ruas e avenidas de São Paulo suas “ciclofaixas”. Mas os deslocamentos em bicicleta na cidade precisam aumentar e o primeiro passo é aumentar o desejo pelas pedaladas. Aumentar o prazer quase indescritível de percorrer distâncias como se estivesse voando, ter o poder de ir e vir em silêncio e movido pelas próprias forças.

Um projeto piloto capitaneado pela Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo irá a partir do próximo domingo 30 de agosto aumentar imensamente o poder de atração de algumas grandes avenidas paulistanas. Um circuito de 10 km de pistas segregadas para a circulação exclusiva de transportes ativos.

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Mais detalhes no blog “Vá de Bike” e no blog do secretário Walter Feldman.

A Ciclovia está Limpa, Obrigado!

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A ciclovia Varjão-Paranoá, construída no canteiro central da rodovia DF-005, faz parte do conjunto de obras cicloviárias do programa Pedala-DF. A ciclovia não estava prevista inicialmente na duplicação da DF-005, por isto a obra padece de alguns pequenos defeitos, sendo o mais grave deles a existência de pontos de acúmulo de água das chuvas e deslizamento dos aterros laterais.

Em agosto de 2008, a Transporte Ativo fez um mutirão de limpeza que retirou muita terra solta, pedras e barro endurecido da pista. Após o período de chuvas, a ciclovia voltou a ficar suja nos mesmos pontos críticos. A Transporte Ativo convocou novo mutirão para o dia 16 de agosto, domingo, exatamente um ano depois do anterior. Mandamos convite para a comunidade ciclística de Brasília, na internet, e também para a imprensa.


convite para o mutirão em 2009

veja a imagem a ampliada

 

Um dia antes do evento, ficamos sabendo que o Governo do DF se antecipou e fez uma limpeza geral na ciclovia. Fomos conferir no local – e por via das dúvidas levamos pás, enxadas e vassouras. A ciclovia do Varjão recebeu mesmo um belo tratamento de limpeza. Não só foram tiradas terra e pedras, mas também foi cortado o mato que invadia a ciclovia em vários pontos.

Não sabemos de qual órgão partiu a decisão de limpar a ciclovia. Nenhuma notícia foi colocada no portal de notícias do GDF. Nenhuma notícia saiu na mídia candanga. Então fazemos aqui nosso agradecimento público: em nome de todos os ciclistas e pedestres que usam aquela via todos os dias, muito obrigado pela limpeza! Seja governo ou sociedade, todos precisamos manter a ciclovia, que foi construída para incentivar o uso da bicicleta com facilidade e em boas condições de trânsito.
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Os voluntários Simone, Mara, Renato e Denir, que fomos prontos para pegar no pesado, aproveitamos a manhã de domingo para uma boa pedalada, agradáveis momentos de bate-papo e um lanche com muffins e barras de cereal.

Confira relato com fotos que mostram a situação antes e depois da limpeza.

Bó de bike, Salvadô?!

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Possiblidades e impossibildiade de um plano cicloviário na barroquíssima Capital da Diáspora

*Lucas Jerzy Portela

Tendo iniciado o uso de transporte cicloviário na cinquecentenária cidade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos, este blog Transporte Ativo me pediu duas ou três palavras a respeito. O pedido partiu de uma pergunta feita no twitter: “há cicloativistas em Salvador?”. Ao que respondi: “Há, mas não no sentido de promovê-la como meio de transporte cotidiano, ou de integrar a bicicleta a outros meios de transporte como ônibus e elevadores urbanos – o que não quer dizer que não existam usuários de bicicleta como principal meio de transporte urbano diário”.

Pedir para que eu escreva sobre bicicletas em Salvador implica em duas peculiaridades. A primeira, em relação a mim: vindo da psicanálise, não posso pensar qualquer relação fora da pulsionalidade – isto é, dessa coisa que é possível e impossível ao mesmo tempo. A segunda, em relação ao objeto, à cidade em questão: sem dúvida, talvez seja a capital potencialmente menos ciclística do mundo! Mas não quer dizer que não possa haver transporte cicloviário aqui – uma impossibilidade não é, do ponto de vista de um psicanalista, uma impotência (assim o é para os neuróticos).

Em psicanálise se diz que, por causa das consequências psíquicas das diferenças anatômicas entre os sexos, não existe relação sexual: ela é impossível. No entanto as pessoas transam e se divertem – é onde está a relação possível (embora sempre falhada) entre os sexos. Penso que a relação dos citadinos com uma cidade se dá na mesma lógica: por causa da anatomia (geográfica) será sempre uma relação insatisfatória – e, por causa de sua historicidade, se pode gozar dela com certa felicidade.

No entanto, assim como a impossibilidade sexual não se coloca da mesma forma pra duas ou mais pessoas (cada um tem seu modo de fazer falhar o sexo), a impossibilidade que é a vivida em grandes aglomerados urbanos não é igual pra duas ou mais cidades. Assim como não se goza da mesma forma de duas cidades diferentes. De tal modo, a impossibilidade do uso de bicicleta em Salvador não é maior do que em outros lugares – é apenas de outra ordem.

* Lucas Jerzy Portela é psicólogo, mantem o blog de crítica cultural O Último Baile dos Guermantes e é ex-namorado de arquiteto – o que acaba por ser um atributo importante para um cicloativista newbie.

Ferramentas Urbanas

Cidades são construções humanas ao longo dos anos e que apesar do asfalto e concreto inertes, são dotadas de vida. E a vida urbana emana naturalmente dos habitantes. Apesar disso, o Planejamento Urbano ao longo do século XX buscou adequar espaços historicamente construídos para as pessoas a um novo elemento: A carruagem movida por um motor a explosão.

A máquina popularizada por Henry Ford pouco mudou desde 1908, mas as cidades ao redor do mundo sofreram enormes mudanças. Um complexo conjunto de peças desenhadas para transformar energia em movimento foi responsável por redesenhar as cidades ao longo de um século. E hoje um dispositivo que foi feito para ajudar as pessoas a se locomoverem, tem sido capaz de imobilizar cidades inteiras.

A bicicleta é filha da mesma revolução industrial que deu origem ao automóvel, ela também se beneficiou do modelo de produção fordista em larga escala. Mas um trunfo fundamental diferencia a bicicleta, ela converte energia humana em movimento. Trata-se de um incrível dispositivo acelerador de seres humanos. Metade do consumo de energia e 4 vezes mais veloz do que o primordial ato de caminhar.

O planejamento urbano do século XXI vem sendo construído desde os anos de 1970 na Europa. Cidades como Amsterdam e Copenhague foram pioneiras ao vislumbrar a impossibilidade de cidades pensadas para a circulação viária de automóveis. Não é concidência que a bicicleta tenha tanta importância nessas capitais. Essas máquinas simples e eficientes ao mesmo tempo colaboram na tarefa de levar pessoas de um lado a outro sem nunca deixar de lado a energia mais importante para a vida urbana.