Destaques
Na Contramão da História?
Posted onAuthorJoão Lacerda3 Comments
A nova administração municipal do Rio de Janeiro encampou uma campanha de inestimável valor para a sociedade. O lema desde o primeiro dia de governo é o “Choque de Ordem”. Uma série de ações tem mostrado ao carioca que há um novo governo e que a prefeitura irá privilegiar a organização da cidade.
No entanto a medida que segue em seus esforços, podem haver erros. Um deles foi cometido com a apreensão de bicicletas estacionadas em postes nos bairros do Flamengo e do Catete. Segundo a Prefeitura elas pertenciam a estabelecimentos comerciais e obstruíam a calçada dificultando o trânsito de pedestres.
Por mais bem intencionada que possa ser a medida de deixar livres as calçadas do Rio de Janeiro, cortar correntes e apreender bicicletas é uma medida que não só é polêmica, mas acima de tudo um enorme retrocesso na promoção da qualidade de vida na cidade. Bicicletas em todo o mundo são incentivadas e é desejo de qualquer prefeito no planeta ter uma cidade melhor. Certamente as magrelas fazem parte da melhoria na qualidade de vida urbana. Silenciosas, limpas e esguias, deslizam pelas ruas sem poluir e sem gerar engarrafamentos.
Bicicletas nas calçadas são um problema, com certeza. No entanto a solução não passa pela remoção pura e simples da bicicleta, tratando-a como um “obstáculo”. Onde bicis demais tomam o espaço do pedestre, um bicicletário torna-se necessário. Estabelecimentos comerciais fazem entrega em bicicleta, parabéns. A Prefeitura deveria facilitar o contato para que eles solicitem a instalação de um bicicletário em local adequado junto a loja.
O Rio de Janeiro tem muito a se beneficiar com a adesão cada vez maior dos cariocas as bicicletas, mas não se pode deixar de lado a mobilidade dos pedestres e a limpeza das calçadas. Bicicletários bem localizados e adequados são portanto a melhor solução para resolver um problema e ao mesmo tempo impulsionar a solução de outros.
– Mais:
Bicicletas Confiscadas – O Eco
Prefeitura do Rio desestimula o uso da bicicleta – Vá de bike
Sr. Prefeito do Rio, não ataque as bicicletas! – O Globo
Pedalada ‘Chic’
Posted onAuthorEdu2 Comments

Foto: Thiago Benicchio
O incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte mira muito no percurso casa – trabalho – casa e muitas pessoas de fato usam a bicicleta nesse percurso e em muitos outros. Pedalando se vai às compras, ao dentista, à casa dos amigos, ao cinema, à praia, ao parque e, por que não, à festa e ao trabalho. Nestes dois últimos o traje é diferente, especial, ‘chic’, por assim dizer.
Tudo bem, algumas mudanças exigem tempo, mas se pudermos experimentar fica melhor para decidir.
Nesta terça à noite, no Rio de Janeiro, um grupo vai pedalar arrumadinho, bonitinho e cheiroso. È a Pedalada Chic, que unirá ciclistas de fim-de-semana aos de todo dia em torno do traje elegante para pedalar. Numa volta pela orla e pela Lagoa Rodrigo de Freitas todos poderão experimentar o que europeus, japoneses e dinamarqueses (Copenhagen Cycle Chic) já sabem: pedalar é bom demais mesmo em roupas ‘normais’.
Mas atenção! Serão devidamente barrados os que estiverem com trajes de ciclista.
Ponto de encontro: Aterro do Flamengo, Monumento Estácio de Sá, às 19h30. Roteiro: Aeroporto, Aterro, orla, Lagoa e retorno ao Aterro.
Veja FOTOS de ciclistas elegantes
Leia um POST sobre a Bicicletada dos Executivos
Fotos e vídeos da Bicicletada de Agosto de 2008
Barreiras Psicológicas
Posted onAuthorDenir2 Comments
Instalar bicicletários e construir ciclovias até pode incentivar pessoas a mudarem rotinas diárias, trocando o automóvel pela caminhada ou bicicleta. As cidades precisam disto, o planeta depende disto, a própria saúde física e mental das pessoas exige isto pra já, mas a grande barreira a ser vencida não está fora das pessoas, mas dentro delas.
Mudar hábitos significa passar por 3 fases distintas:
- adquirir conhecimento
- mudar de atitude e
- mudar de comportamento.
Primeiro, as pessoas precisam ser convencidas racionalmente, com argumentos lógicos, explicações, números, conhecer os benefícios de andar a pé ou de bicicleta e os males causados pela dependência do automóvel. Isto é facílimo de fazer, há dezenas de estudos científicos comprovando os benefícios da bicicleta e da caminhada, e outro tanto de estatísticas oficiais apontando a rua sem saída entupida de automóveis e mortos atropelados.
Depois, o conhecimento adquirido precisa mudar sua atitude perante o problema. Atitude pode ser definida como “aquilo que estamos dispostos a fazer”. No caso do trânsito, uma mudança de atitude pode ser percebida quando você disser ou pensar: não vou encontrar vagas, vou ficar no engarrafamento… bem que eu poderia ir de bicicleta. É uma disposição para agir de uma maneira e não de outra. Esta fase passa por caminhos psicológicos mais densos, que exigem uma percepção diferente da realidade. Hoje todo mundo tem uma atitude positiva com relação às bicicletas, até mesmo os governos e prefeituras.
Ainda assim, parece ser tão difícil que as pessoas nas ruas e as pessoas dentro dos governos mudem seus hábitos e percepções e adotem a bicicleta como solução para sua vida e para nossas cidades. Na verdade, isto exige uma mudança de comportamento. Atitude é intenção; o comportamento é ação. Se mudar de atitude já exige certas escavações psicológicas, mudar comportamento é algo extremamente bem mais complexo e profundo. O ditado popular diz com sabedoria que “é grande a distância entre intenção e gesto”.
As grandes tranformações fracassadas esbarram sempre em mudanças de comportamento, pois estas dependem da personalidade de cada pessoa, da imagem que cada um tem de si, dos estereótipos e das reações condicionadas, e dos sentimentos e emoções envolvidos no processo. Por exemplo, experimentar a sensação de liberdade e o prazer de pedalar é mais decisivo do que saber quantas toneladas de CO2 um carro lança no ar por mês. De outro lado, estereótipos como “bicicleta é para atleta” ou “de carro vou mais rápido” ou “não posso chegar suado no trabalho” são barreiras psicológicas quase intransponíveis se não forem confrontadas adequadamente. Ciclovias e bicicletários, por exemplo, não serão respostas satisfatórias para a necessária mudança de comportamento nestes casos.
Esta mudança virá como crianças pequenas aprendendo a pedalar: a bicicleta está ajustada e a rua livre, alguém do lado dá incentivo, apoio e segurança, mas, sem vencer medos e bloqueios internos, toda tentativa de mudar será frustante.
Estação Paraíso, Rio de Janeiro
Posted onAuthorJoão LacerdaLeave a comment
Há pouco mais de dois anos foi inaugurada a Estação Cantagalo do Metrô. Trata-se do último acesso a rede de trilhos antes do bairro de Ipanema. Desde antes da inauguração já se sabia que o local deveria ser integrado ao uso da bicicleta.
Atualmente, com a recém inaugurada estação de bicicletas públicas, a Praça Eugênio Jardim, onde fica a Estação Cantagalo é uma espécie de paraíso para as bicicletas. Elas estão aos poucos tomando os espaços e refletem o uso crescente das magrelas. Excelente veículo para viagens curtas e perfeito para cruzar a cidade quando integradas ao transporte sobre trilhos.
Iniciativa pública e empresas estão juntas fazendo a sua parte e trazendo melhorias a mobilidade urbana no Rio de Janeiro.
Sinalização nos trens indicam que há um bicicletário,

Bicicletário gratuito dentro da estação,

Postes ao redor repletos de bicicletas,

Bicicletário externo SulAmérica em ambas as saídas,

e Bicicletas Públicas.
Uma perna e duas rodas
Posted onAuthorEdu3 Comments
Foto: Edu Bernhardt (janeiro/2008)
Alarico Alves de Moura, 62 anos, atleta e artista plástico é deficiente físico, mas não é e nunca foi limitado pela deficiência. Ele considera a amputação de sua perna esquerda o melhor presente que Deus lhe deu. Só isso já impressiona, imagine então saber que ele patina, corre, surfa, mergulha, joga futebol, frescobol e que, em 15 anos pedalando, se tornou octocampeão de provas de ciclismo.
Susto, dor, trauma, internação, amputação, reaprender a andar, pedalar e se superar. Em uma linha pode-se resumir os últimos 20 anos da vida desse carioca da Ilha do Governador. Só não dá pra transmitir a intensidade dessa vida. Há muitas histórias de superação impressionantes, mas poucas estão tão próximas da nossa realidade e são tão inspiradoras.
Acrecente-se à vasta lista de benefícios da bicicleta a devolução da liberdade aos amputados. A pé eles precisam de muletas e transitam com dificuldade, mas sobre duas rodas circulam de igual pra igual.
Atleta de mountain bike, Alarico depende de doações e auxílio toda vez que viaja pra competir. Porém, ele tem uma limitação técnica. Ladeira acima ele pedala muito bem, mas nas descidas, pra ficar de pé na bike e amortecer as irregularidades o pedal fica pra baixo, bate em todos os obstáculos do caminho, às vezes ele cai e sempre perde rendimento. Uma bicicleta com suspensão traseira ajudaria, mas é um equipamento muito caro.
Mês passado um amigo de Alarico conseguiu uma doação anônima em dinheiro suficiente pra comprar um quadro com suspensão traseira sem que ele soubesse. A entrega surpresa foi armada para o encerramento de uma palestra do Alarico na Recicloteca no Rio de Janeiro. Convidado pela Transporte Ativo ele prontamente atendeu o chamado e no dia 4 de março de 2009, às 21 horas, após uma palestra pra 38 pessoas sobre superação através da bicicleta, as cortinas se abriram no melhor estilo ‘Portas da esperança’. Pendurada no teto, a surpresa calou o sempre falador atleta. Num ambiente tomado por emoção as palmas interromperam o choro do homem-lenda que não se curva facilmente e que ficará ainda mais rápido nas trilhas.
Epitáfio
Alá esteve internado por 6 dias até que na sexta-feira 13 de janeiro de 2023, seu coração imenso parou e o Wolverine do pedal fez a passagem. Há vidas que valem por duas ou três. Esta valeu por umas 10 tanto pela sua história quanto pela inspiração e superação. Continuaremos a pedalar por ele e com ele. Alá vive!
Saiba mais:
As dez melhores fotos da palestra
Entrevista do Alá
Depoimento do Alá na Novela Viver a Vida
Alarico no Instagram


