Ciclo Orgânico e as bicicletas da compostagem

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Algumas ideias para solucionar problemas modernos são mesmo muito criativas, mas quando elas viram realidade podemos dizer que é o melhor da humanidade se renovando e inspirando a todos nós.

No Rio de Janeiro, um grupo de universitários juntou duas paixões em torno do desejo de um mundo melhor e, antes de se formarem, criaram um negócio que vem rendendo frutos. A Ciclo Orgânico é uma microempresa que uniu bicicletas e compostagem. Oferecem a coleta domiciliar de resíduos orgânicos e o transporte até uma composteira no bairro atendido. E isso é feito em bicicletas cargueiras comuns, garantindo o transporte limpo, silencioso, prático, barato e que ajuda na mobilidade dos cariocas.
O serviço é pago, mas não custa caro e é indicado para aquelas famílias que não possuem tempo ou espaço para manter a sua própria composteira doméstica.

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Claro que a coleta domiciliar de orgânicos se tornou famosa e a demanda aumenta gradualmente. Os jovens empreendedores já estão planejando a ampliação para outros bairros, com novas composteiras e mais bicicletas. Sabendo disso e querendo ir além dos aplausos à iniciativa a Transporte Ativo doou uma bicicleta cargueira para o grupo, que agora conta com 3 bicicletas e um triciclo. O veículo passará por pequenas adaptações para suportar a dureza do serviço e em breve estará flanando por aí levando restos orgânicos para um destino muito melhor que os depósitos de lixo da cidade.

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No último domingo, a TA e o Ciclo Orgânico participaram de um debate sobre mobilidade por bicicletas no Domingo Alternativo no SESC Tjjuca. A roda de conversa durou uma hora, público e palestrantes conversaram abertamente sobre como melhorar a cidade através do uso do nosso meio de transporte favorito.

Para contratar o recolhimento de orgânicos sem emissões: Site Ciclo Orgânico

Cidades de Baixo Carbono

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Realizado entre os dias 10 a 12 de outubro, em Medellín na Colômbia, o evento Ciudades Bajas en Carbono foi motivado pela Nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável, pelo Acordo de Paris e a importância das cidades na mitigação das mudanças climáticas. O evento, que incluiu discussões de Mobilidade Urbana e Transporte de Zero Carbono, foi fruto de uma iniciativa cidadã.

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Totalmente aberto ao público, foi marcado pela realização de pré fóruns e intervenções urbanas em diversas cidades do mundo incluindo na cidade de Medellín, antes e durante o evento.

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A Transporte Ativo esteve presente apresentando seu estudo de Entregas de Cargas em triciclos e bicicletas. Mostrando através de dados e reconhecimento da realidade carioca todas as vantagens atreladas ao transporte de carga e logística urbana em bicicletas e triciclos.

Temas como participação cidadã, urbanismo tático, espaços públicos, desenvolvimento orientado ao transporte também tiveram destaque durante a programação do evento que contou com a participação de expertos em problemática ambiental, nacionais e estrangeiros, estudantes, líderes ambientais, etc.

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Depois de participar de mais este evento fica o desafio sobre como podemos levar o conteúdo debatido intensamente em dois dias às nossas cidades e mostrar ao mundo como através da promoção do uso da bicicleta podemos alcançar cidades mais saudáveis para todos!

O potencial para o uso comercial de bicicletas de carga.

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O Ministério dos Transportes da Alemanha publicou um amplo estudo sobre o uso de bicicletas para o transporte comercial. O potencial de bicicletas de carga, para contribuir com um transporte mais amigável e eficiente de mercadorias em áreas urbanas, especialmente no último quilometro, aquele onde o produto vai da loja ao consumidor final e até mesmo dos depósitos para as lojas, ainda é muito subestimado, afirma o secretário alemão Dorothee Bär.

O estudo estima que existam atualmente mais de 50 mil bicicletas de carga em uso na Alemanha, sendo 58% utilizadas para as entregas postais. O potencial calculado foi muito conservador, mesmo assim as 8% de viagens de carga realizadas hoje em bcicicletas, teriam potencial para subir à 23% do total. Os cálculos foram feitos pressupondo que o peso máximo das mercadorias transportadas é de 50 kg e a distância máxima percorrida por dia é de 20 km. Sabemos  que muitas entregas por bicicleta chegam a transportar até 250 kg em triciclos pesados e que alguns ciclcistas chegam a percorrer 80 km em apenas um dia, ou seja o potencial aumentaria muito com valores mais realistas.

Dentro do estudo, exsiste a recomendação da  European Cyclelogistics Federation em se  formar redes de cooperações, a fim de aumentar a visibilidade e a eficiencia. O Ministério alemão também pretende publicar orientações com recomendações para diferentes regiões do país.

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No Rio de Janeiro, uma vez chamado pela consultoria Dinamarquesa Copenhagenize de Cargo Bike Capital, o uso de bicicletas na logística urbana é muito comum, assim como em todo o Brasil e em cidades Latino Americanas. A Transporte Ativo já realizou levantamentos sobre o assunto em 2011 e 2015, trabalhos que renderam prêmios e diversas apresentações em conferências ao redor do mundo. Alguns resultados do potencial por aqui, podem ser vistos no Paper “Os Benefícios dos Veículos de Carga à Propulsão Humana: Cidades Podem Alcançar Menores Emissões e Maior Segurança”.  Apenas no Bairro de Copacabana foram encontradas mais de 700 bicicletas à serviço e empregos diretos, que realizam mais de 10 mil entregas por dia, gerando diversos benefícios, como economia de emissões, de espaço e de ruídos entre outros.

Além do transporte de cargas e bens, as bicicletas de carga servem também como uma extensão ao comércio local, indo mais longe em busca de resultados.

Foto: Fabio Nazareth

O estudo Alemão citado acima, pode ser encontrado, em alemão, aqui “Untersuchung des Einsatzes von Fahrrädern im Wirtschaftsverkehr

Inspirado em texto de Susanne Wrighton
Senior Project Manager at Austrian Mobility Research

Bicicleta na ladeira do senso comum

Foto: ITDP Brasil

Inauguração Ciclovia Avenida Paulista Foto: ITDP Brasil

Promover o uso da bicicleta no Brasil ainda envolve uma série de pequenas ladeiras assentadas no senso comum. O discurso de preservação do meio ambiente e dos benefícios para a saúde são rotineiramente utilizados como ponto de partida para qualquer discussão. O velho clichê de quem pedala vai salvar o mundo e ter mais qualidade de vida.

Essa abordagem funciona em reportagens televisivas e campanhas publicitárias, mas não é elemento decisivo para mudanças de atitude individual e na transformação efetiva da paisagem urbana.

Símbolo de liberdade e ferramenta de transformação urbana

Bicicleta como poster de marca de roupas é a apropriação do veículo como símbolo e certamente traz impacto mental positivo ao tornar cada vez mais as magrelas como figura onipresente no imaginário popular. No entanto, um bicicletário na porta da loja é não apenas a adoção de uma bandeira, mas a valorização efetiva de quem pedala além de encorajar mais pessoas a faze-lo.

O papel da sociedade civil, o que naturalmente inclui a Transporte Ativo, é abraçar as transformações, mesmo as superficiais, e colaborar para aprofundá-las. A mentalidade rodoviarista do século XX ainda resiste e desmontá-la requer ações conjuntas e inteligentes. No âmbito do fortalecimento de políticas públicas, a visão tem de ser ainda mais estrutural.

Nos idos de 2006 fez sucesso o desafio intermodal. Iniciativa de grande apelo midiático e que provou de forma simples o que para quem pedala era apenas o óbvio, que a bicicleta é o veículo mais rápido no congestionado meio urbano. Iniciativa menos formatada ao jornalismo televisivo, o perfil do ciclista brasileiro no entanto apresentou papel similar ao novamente apresentar a quem está longe do selim, o que nos parece óbvio. Dessa vez foi apresentada a informação do uso da bicicleta e sua importância como veículo, em especial para as pessoas mais pobres.

O perfil do ciclista apareceu em mais de 56 notícias, desde blogs especializados ao Jornal Nacional. Uma pequena pedalada para dar visibilidade aos ciclistas e mostrar a importância de encarar com seriedade a urgência de políticas públicas sérias em favor da mobilidade em bicicleta.

Bicicleta na agenda política

Iniciativas como o perfil do ciclista, contagens fotográficas e outras são atalhos possíveis para criar um ambiente favorável para a promoção ao uso da bicicleta. O fornecimento de dados mensuráveis e confiáveis são um caminho fundamental para fortalecer quem já trabalha o mobilidade cicloviária dentro da máquina pública.

As análises e recomendações do ITDP Brasil para São Paulo é uma dessas iniciativa. Já parte do pressuposto que infraestrutura é fundamental e buscar ir além. Promove ao mesmo tempo uma perspectiva favorável em relação à bicicleta e facilita mudanças de comportamento para modos suaves de deslocamento.

São dois eixos principais:

  • identificação do histórico de ações, programas e políticas de mobilidade por bicicleta;
  • análise da rede cicloviária implantada no município de São Paulo.

Conhecer o longo caminho até a adoção da bicicleta como ferramenta de transformação urbana é fundamental para que se possa seguir esse caminho, ultrapassando bandeiras partidárias.

Saiba mais:

De volta para o futuro de utopias

Imagem do livro 'Repaisagem São Paulo' / Marcelo Zocchio - Fujocka

Imagem do livro ‘Repaisagem São Paulo’ / Marcelo Zocchio – Fujocka

O futuro está sempre preso a nossa capacidade de imaginação e esta, reside firme no presente. Talvez a maior dificuldade da arte da ficção científica seja vislumbrar um por vir  menos centrado em avanços tecnológicos cercado de distopias.

A mensagem geral é de que a humanidade é um projeto biológico que falhou. Certamente falhamos, principalmente em nossa capacidade de sonhar com utopias. Mas sempre é tempo de desbravar caminhos.

Para imaginar o futuro de São Paulo

Um futuro inspirado no passado. / Revista Trip - Fujocka

Um futuro inspirado no passado. / Revista TripFujocka

Um projeto quer desencavar rios, primeiro de maneira simbólica, para em seguida promover as modificações físicas necessárias. A cidade deve voltar a ser azul, da cor da água de seus mais 300 km de rios espalhados por mais de 4.000 km de extensão.

A premissa é simples, é preciso ver para cuidar. Mas antes mesmo de ver, é preciso imaginar e aí entram as utopias. Uma utopia com mais natureza, árvores urbanas, permacultura, criatividade, convivência, espaço público.

Felizmente pequenas ações já podem nos ajudar a definir caminhos e sonhar com paraísos terrenos. A promoção ao uso da bicicleta e o cicloativismo é um desses caminhos, as hortas urbanas e todo uma organização em torno do trabalho que não está centrado no dinheiro, mas na dedicação voluntária pela transformação do entorno. Ao mesmo tempo, até na Fernando de Noronha já está com bicicletas em seu território. Foi o arquipélago brasileiro que inspirou Thomas More a conceber sua ficção “Sobre o melhor estado de uma república e sobre a nova ilha Utopia”, conhecida simplesmente como Utopia.

Valores desastrosos, escolhas equivocadas e mau comportamento são características que podem levar sociedades ao colapso, histórias de fracassos e sucessos ao longo do tempo ajudam a rever o passado com uma noção clara da importância das encruzilhadas de escolhas com as quais nos deparamos diariamente.

Mobilizar a comunidade local para agir em uma praça, redecorar uma esquina ou redesenhar espaços públicos e parte fundamental para que os não-lugares de nosso presente quase distópico tornem-se no futuro a realização de sonhos.

Saiba mais:

Cidade Azul (ajude a financiar no Catarse)
City Repair Project: Portland Gems and Growing Pains
Começa o projeto Bike Noronha, a ilha tem bicicletas públicas com uso grátis

Livros:

Colapso – Jared Diamond
Nowtopia – Chris Carlsson