Paris ficará livre para as pessoas

Centro histório de Parati, RJ

Centro histório de Parati, RJ

A cidade de Paris não inventou a roda, mas tratou de popularizar a bicicleta e para isso o Velib foi fundamental. O primeiro grande sistema de bicicletas públicas, que se somou a uma rede de ciclovias e ciclofaixas revolucionou a cidade mais turística do planeta e com um dos mais densos sistemas metroviários.

Seguindo a lógica de investimentos da administração municipal de Bertrand Delanoe, a atual prefeita Anne Hidalgo tem planos para uma cidade livre para pessoas e com menos poluição até 2020. A poluição do ar é um problema a ser combatido no entendimento da opinião pública parisiense e a restrição aos motores diesel e motores à explosão em geral é um passo fundamental para limpar os ares de moradores e de milhões de turistas.

Centro da cidade livre de carros

Cabe ressaltar que Paris não inventou a lógica de um centro urbano livre de carros. Calçadões e até centros históricos permitidos apenas para pedestres, ciclistas e veículos de carga são realidade até mesmo no Brasil. A importância da decisão tomada na capital francesa é sobre o impacto que uma metrópole para pessoas e veículos limpos representa mundo afora.

O presente nos mostra congestionamento e poluição em todas as grandes capitais mundiais, que a mais visitada delas retome o paradigma de cidades centradas ao redor das pessoas é certamente uma decisão que definirá o futuro urbano do planeta.

Cidades radiantes

Foi também da França que veio a idéia da cidade do século XX. Através do suíço Le Corbusier, espalhou-se pelo mundo a revolução urbanísticas das cidades máquinas, espaços construídos à partir do nada e planejados de maneira rígida em zonas residenciais, comerciais e industriais. Uma proposta de uma nova sociedade, moderna, limpa e eficiente.

Como era de se esperar, o modelo de Ville Radieuse (ou Cidade Radiante) defendido por Corbusier, foi apenas parcialmente implementado e no geral falhou em seus princípios. As concentrações urbanas jamais poderiam ser pensadas como tábulas rasas a serem desenhadas no papel para funcionar de acordo com a lógica de máquinas. O elemento humano, esse “detalhe imperfeito”, mudou muito pouco (ou quase nada) com a invenção da modernidade. Natural portanto que mais importante que adequar o espaço urbano aos “novos tempos”, é preciso mante-lo adequado às necessidades de seus moradores e visitantes.

Preconceitos escancarados

Infelizmente a invenção da lógica da cidade como espaço de circulação entre “zonas” permanece viva até hoje no famoso e famigerado “senso comum”. Por mais que a elite brasileira visite e admire o quão ciclável Paris seja hoje, ainda sobrevive a defesa simbólica da rua como espaço público de uso privado dos que podem pagar.

Em (mais um) caso, moradores de São Paulo demonstram o quanto a cidade ainda pedala ladeira acima para ser um pouco mais européia. Seja ao adaptar o modelo parisiense, ou buscar se tornar uma Copenhague dos trópicos como definiu a revista inglesa The Economist.

Declarações insulfladas na cobertura midiática visam a desqualificar o debate, reforçar preconceitos na defesa infrutífera de um modelo de cidade que nasceu no século XX e que lá ficou.

O vídeo abaixo e o texto que o acompanham é material vasto para irritar ciclistas e cicloativistas e fazer corar quem acompanha as vanguardas do planejamento urbano mundial.

Antes que a marcha ciclística da história condene as metrópoles brasileiras ao congestionamento motorizado apocalíptico, é preciso sensibilizar corações e mentes sobre o futuro inevitável da reumanização urbana. Afinal, cidades foram e continuam sendo as colméias humanas por excelência. Há quem não goste de gente, ou de colméia, resta a estes buscar alternativas.

Leia mais:

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Ville Radieuse / Le Corbusier
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Contagem de ciclistas na Praça XV

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A praça XV é destino pedestre, local de integração entre os dois lados da baía da Guanabara. Barcas e catamarãs partem e chegam diariamente. O grande fluxo são de pessoas vindas de Niterói e municípios vizinhos, com destino a seus locais de trabalho no centro do Rio.

Para conhecer e entender o fluxo de ciclistas nesse grande ponto de interligação de transportes da região metropolitana do Rio, a Tranporte Ativo, com o apoio de valentes voluntários realizou mais uma contagem de ciclistas. Parte do projeto das Ciclorrotas do Centro do Rio de Janeiro.

A contagem foi realizada na terça feira, dia 22 de novembro de 2012. O número de ciclistas foi baixo em relação a outros locais, mas um dado aponta uma tendência interessante, 20,5% do total de bicicletas eram dobráveis, um número muito acima da média de todas as outras contagens.

Esse retrato deixa evidente a importância da bicicleta como veículo de integração modal. Historicamente a dupla metrô-bicicleta dobrável é sempre eficiente nos desafios intermodais cariocas. Mas os DIs também nos ensinam que a bicicleta pública, quando presente, é ainda mais rápida e eficiente na integração com o metrô.

Ou seja, uma rede de estações de bicicletas públicas ao redor do centro certamente irá colaborar para uma maior utilização desse modal no total de viagens. Já que hoje a estação praça XV de bicicletas públicas ainda é isolada das demais estações.

Alguns números:

350 ciclistas em 12 horas, média de 29 ciclistas por hora.

72 Dobráveis 20.5%

241 homens 97.5%
9 mulheres, apenas 2.5% do total

Horário de Pico: 08 às 09 com 43 ciclistas
Horário de Vale: 10 às 11 com 14 ciclistas

Confira o relatório completo da Contagem de Ciclistas Praça XV – Centro

Bicicletas e opiniões públicas

Dizem que o Brasil tem milhões de técnicos de futebol. Bem, parece que há mais especialistas em mobilidade por bicicleta que em futebol. Todo mundo tem uma opinião sobre trânsito cheia de propriedade, muitas vezes embasada em puro ‘achismo’.

Nesse meio tempo, pessoas, instituições, governos e empresas que planejam e executam avanços na mobilidade urbana precisam passar pela provação de serem indiciados, julgados e condenados por quem acha que sabe mais. Felizmente muitos são perseverantes e os avanços se tornam realidade.

As bicicletas públicas chegaram ao Brasil há quase quatro anos numa ousada iniciativa empresarial, com o aval de uma prefeitura. Logo ganhou adeptos e também críticas, muito mais importantes que os elogios aliás.

Como toda novidade precisou de ajustes e o serviço foi interrompido. No seu retorno, já com um patrocinador, os números não escondem o sucesso alcançado. Em um ano as quase 600 bicicletas em uso fizeram mais de 1.000.000 de viagens por mais de 100.000 usuários cadastrados.

Muitos problemas surgiram e há muito o que melhorar, mas uma avaliação do sistema, precisa, por ética e profissionalismo apontar tanto os erros quanto os acertos. Apontar apenas os erros não dá a dimensão de como o sistema está funcionando e nem tão pouco contextualiza as próprias críticas. Fica parecendo que não funciona e pode até transparecer que o melhor é cancelar tudo.

Entenda a polêmica em matéria publicada no jornal O Globo.

De Bicicleta na Rio+20


O Rio de Janeiro está no centro da discussões sobre sustentabilidade e o futuro do planeta. Em tempos de Rio+20 a cidade fervilha com discussões, painéis, mostras, mesas abertas, espaços fechados. Estarão presentes líderes do mundo e também uma enorme diversidade de povos.

Entre a diversidade da Cúpula dos Povos no Aterro e os líderes planetários no longíquo RioCentro quilômetros de vias asfaltadas, engarrafadas e com transporte público com serviço abaixo da qualidade de adequada.

A solução está na diversidade, combinar diversos meios de transporte adequados a necessidade do usuário. Nesse contexto, corre por fora a bicicleta pública. Aquela que é compartilhada por milhares de usuários, está sempre circulando e tem estacionamentos seguros espalhados pela cidade afora.

Infelizmente as estações nem sempre são próximas aos destinos ou ainda é preciso circular em meio a multidões de pedestres. Nessa hora chega o patinete. Aquela veículo de duas rodas que junta um pouco do skate, do patins e da bicicleta tudo para ir mais rápido e com menos esforço do que caminhar.

O conjunto bicicleta mais patinete é show ao unir praticidade das duas rodas em diferentes formas.

Fica assim estabelecido, o ranking. Para as grandes distâncias o ônibus e metrô, para aquelas abaixo de 10km e principalmente em torno de 5km a bicicleta, para aqueles deslocamentos ágeis em torno de 1km, corre por fora o patinete.

Por fim, pra quem pedala ou se desloca através da própria força e garante um ar limpo e menos consumo de energia, dia 21 tem pedalada da Rio+20. É a Rio+Bike, não é um protesto, é uma proposta.

Rede de apoio às bicicletas públicas

O sistema de bicicletas públicas “BikeRio” é um sucesso estrondoso com milhares de viagens de bicicleta pelas ruas e ciclovias cariocas. Muitos desses ciclistas são novatos e muitos outros ainda não pedalam pela falta de infraestrutura segura de circulação para as bicicletas.

A malha cicloviária carioca tem aumentado bastante, até o final de 2012 a cidade terá mais de 300km para pedalar com tranquilidade, mas a demanda reprimida ainda é grande. Principalmente por parte dos usuários das bicicletas públicas, as famosas laranjinhas. Para ajudar a equacionar essa questão e atender uma demanda dos ciclistas e da própria cidade, a Transporte Ativo, em parceria com o Banco Itaú, está realizando um levantamento chamado de: “Rede Cicloviária da apoio às Estações Bike Rio”. Nele mapearemos as melhores rotas entre todas as estações do sistema.

São no total 60 microrredes que levam em consideração as “rotas de desejo” dos ciclistas que já utilizam as laranjinhas, somadas elas formam a rede completa de apoio ao sistema. As microrredes passam por ciclovias, ciclofaixas, ruas de Zona 30, um roteiro completo que ao mesmo tempo que ajuda aos ciclistas, municia os técnicos da Prefeitura para que possam ser feitos melhoramentos cicloviários que beneficiarão todos os cariocas. Afinal cada bicicleta a mais que circula ajuda a aliviar a pressão por viagens no transporte público e nos automóveis particulares.