WCA +1 Missão Cumprida

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Lançamento WCA em Adelaide, Austrália, 2014

Desde 2014 em Adelaide na Austrália, estávamos envolvidos com a criação de uma organização intercontinental, que pudesse representar as bicicletas e seus usuários aos grandes órgãos de fomento e lideranças mundiais, como Banco Mundial, OMS – Organização Mundial de Saúde, OCDE – Organização  para Cooperação e Desenvolvimento Econômico,  dentre outras. Na intenção de apresentar o potencial das bicicletas para o desenvolvimento humano e das cidades, sua economia e saúde, além da preservação do meio ambiente, nasceu a World Cycling Alliance – WCA. O objetivo e motivação principais, eram similares aos que buscávamos ao fundar a TA e a UCB: representatividade local, federal. Mas no caso da WCA é a representatividade mundial levando informação de qualidade para incluir a bicicleta nas discussões sobre cidades, países, planeta!

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Encontro do Conselho WCA em Taipei, Taiwan 2016.

Foram diversos anos de encontros, discussões e debates virtuais, quando isso ainda era incomum, para aos poucos elaborar estatuto, diretrizes, objetivos da organização e como alcançá-los.

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Encontro do Conselho WCA em Nijmegen, Holanda, 2017.

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Formalização e lançamento oficial da WCA no Rio de Janeiro, 2018.

Após 4 anos, chegou-se ao texto do estatuto em vigor, a WCA era lançada formalmente, com sede em Bruxelas na Bélgica e sua primeira diretoria e conselho eram oficializados, com representantes dos 7 continentes.

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Agora, em Outubro de 2021, chegou ao final o primeiro mandato, alguns diretores/conselheiros saíram, para dar espaço a novas cabeças e pensamentos que possam melhor representar seus continentes. Outros optaram por seguir em um segundo mandato, o que de certa forma é bom, para que o histórico não se perca por completo. Raluca Fiser, presidenta, Amanda Ngabirano e Zé Lobo deixaram seus cargos. sendo substituídos por um novo grupo que agora tem o desafio de levar adiante essa construção e consolidar a organização, tornando-a mais conhecida, presente e atuante.

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Novos participantes da diretoria/conselho parecem decididos e capazes de vencer o desafio! A nova representante da América do Sul é a atual presidenta da UCB, Ana Carboni, que teve sua candidatura indicada e aceita na Assembleia Geral que aconteceu no dia 15 de outubro. Abaixo uma breve apresentação da Ana, por ela mesma. Já nos reunimos e seguiremos apoiando-a, trazendo a memória do que já se passou e ajudando no que for possível para tornar a Aliança Global pela Bicicleta uma organização que faça jus ao que ela representa.

IMG_5181Com certeza chegaremos aonde desejamos, pode levar tempo, mas é um caminho a ser seguido. Uma história muito parecida com a da UCB, também fundada no Rio, em 2007, que começou tímida e pequena mas hoje, mais de uma década depois, segue crescendo, ocupando cada vez mais e melhor o espaço que busca e representando os usuários de bicicletas, em Brasília. Vemos um futuro muito parecido para a WCA, que em breve certamente alcançará seus objetivos e espaço nas decisões planetárias.

Obs.: Os desafios da Ana Carboni, são ainda maiores, pois é a única representante mulher no conselho, além das barreiras já conhecidas, terá o desafio de levar mais mulheres para decidir mundialmente sobre as bicicletas.

Obs².: Já que citamos o lançamento da UCB aqui, em breve faremos uma publicação semelhante a essa, sobre a entidade e seus caminhos!

TA 15 anos pedalando por aí!

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Hoje a TA faz 15 anos! Desde 22 de dezembro de 2003 buscamos promover as bicicletas e seus similares. Até agora foram 728 ações, 1586 mídias entre TVs, Rádios, Impressos e web, quase 2 milhões de downloads do material disponível no banco de dados do site, com destaque para os mais de 100 mil downloads do CTB de Bolso, que teve ainda 130 mil impressos distribuídos em diversas cidades do país.

Diversos projetos, publicações, sendo algumas em mais de um idioma, traduções, mais 250 palestras, apresentações e seminários em 45 cidades de 12 países, onde levamos nossa mensagem, aprendemos muito e fizemos muitos amigos. Ao longo do caminho, prêmios nos motivaram, recebendo e concedendo, algumas ações se espalharam pelo país e ainda fomos fundadores e conselheiros da UCB e WCA.

Tudo isso só foi possível devido as pessoas que pedalaram junto, o time da TA, voluntários, patrocinadores, parceiros e entusiastas pelo mundo afora. O Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo ficaram bem mais cicláveis nesse período e temos muito orgulho de fazer parte destas mudanças em favor da bicicleta. Agradecemos a todos que estiveram conosco em algum momento, os que pedalaram conosco, debateram, criticaram, trocaram ideias, ou simplesmente ajudaram a levar os transportes ativos para outro patamar no dia a dia das cidades, que a cada dia recebem mais pessoas pedalando mais bicicletas, mais vezes!

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Seguimos pedalando, pois ainda há muito a ser feito!

Campanhas Educativas

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Para ler a mensagem do painel clique na imagem.

Se todos fossemos cordiais e educados no trânsito, certamente as infraestruturas segregadas para bicicletas só seriam necessárias em vias expressas. Mas não é o caso. Daí a importância das campanhas educativas. Elas até ocorrem, mas são muito pontuais quando deveriam ser permanentes. Em geral acontecem apenas aos finais de semana, com orçamento restrito e curta duração, alcançando seu objetivo por apenas um breve período de tempo para um público pequeno. A seguir, um panorama de boas campanhas que vem rolado no Rio de Janeiro ao longo deste século. Algumas mais abrangentes, outras menos, todas com potencial para serem permanentes, mas sempre transitórias.

Vamos começar pela campanha Pedale Legal de 2006, talvez uma das mais completas. Foi realizada em diferentes bairros, com uma rodada no domingo e outra na quarta feira, atingindo diferentes tipos de público. Foi direcionada para ciclistas, pedestres e motoristas, buscando educar todos aqueles que fazem parte do trânsito da cidade. Setenta painéis como o da foto acima foram expostos pela cidade, pena que durou apenas 60 dias. A TA deu prosseguimento à campanha por alguns anos, levando o painel para diversas atividades, além de imprimir e distribuir os folhetos. Como o poder público tem data e hora pra encerrar as campanhas, a sociedade civil tenta preencher esta lacuna.

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2006                                                                                 2009

Em 2011, a campanha educativa Rio Capital da Bicicleta percorreu diversos bairros. Foram mais de 10 edições, mas sempre na orla ou em áreas de lazer e apenas aos domingos. As barracas eram bem completas, e as atividades iam desde brincadeiras para crianças até dicas de manutenção para ciclistas. A iniciativa uniu os centros de educação da Secretaria de Meio Ambiente e da CET Rio, com participação permanente da TA. Quando novas ciclovias eram inauguradas na cidade, a campanha era realizada lá no dia da inauguração. Mais uma vez o mesmo problema, apesar de ir a vários bairros, se restringia aos domingos e áreas de lazer, passava por lá uma vez e nunca mais voltava. Apesar de ser muito boa, teve alcance pequeno e restrito a algumas áreas. Uma pena!

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2011 – Para ver a mensagem do cartaz, clique na imagem.

Em 2012, através do programa Rio Estado da Bicicleta, a Secretaria Estadual de Transportes fez uma campanha simples e barata voltada aos motoristas, e que poderia ser permanente. Além dos 300 BusDoors que circularam bem à vista dos motoristas, 10.000 adesivos forma impressos e distribuídos pela cidade.

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2012

Em 2013 o departamento de educação para o trânsito da CET Rio programou diversos painéis eletrônicos com uma mensagem simples e importante. Mais uma campanha que poderia ser permanente.

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2013

A CET Rio voltou a usar BusDoors, uma mídia bastante eficiente para este tipo de campanha, pois circula pela cidade e o motorista pode apreciar seu conteúdo enquanto está engarrafado.

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2014

Mais uma campanha da CET Rio voltada aos motoristas, nesta houveram conversas com motoristas de ônibus e cartilha educativa para eles, ciclistas puderam conhecer os pontos cegos dos ônibus, onde devem evitar se posicionar. Estas faixas também foram usadas por um periodo, por agentes de trânsito em alguns cruzamentos da cidade, que as expunham aos motoristas quando o sinal fechava.

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2015

As campanhas pontuais do Dia Mundial sem Carro poderiam causar efeito pois eram realizadas anualmente em setembro, mas infelizmente sumiram há alguns anos. As atividades do Dia Mundial sem Carro já foram grandes no Rio de Janeiro, novas Zonas 30 chegaram a ser lançadas anualmente nestas datas, mas a cada ano vem diminuindo seu alcance e aparentemente o interesse em se manter a campanha.

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Campanhas permanentes, por toda a cidade, todos os dias do ano, seriam um sonho. De certa forma algumas empresas vem fazendo isso, como em mais um exemplo simples e eficiente deste ônibus executivo abaixo, que roda o ano inteiro e divulga a mensagem em todo o seu trajeto.

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A sociedade civil também faz a sua parte, e às vezes é mais eficiente que o poder público. É o caso da iniciativa premiada da ONG Ciclourbano Bike Blitz e do CTB de Bolso da Transporte Ativo, que distribuiu 180 mil livretos e ainda teve mais de 130 mil downloads do pdf pelo site e mais de 10 mil do aplicativo para android.

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Seguimos em busca de um trânsito mais humano e seguro, divulgando informações para o maior número possível de pessoas. Além de sensibilizar o poder público para que invista em campanhas permanentes voltadas a todos os atores do trânsito de nossas cidades.

Enquanto isso não acontece, relembramos alguns BusDoors de Carnaval elaborados pela CET Rio. Eles não estão mais por aí, como as campanhas pontuais, mas destacamos aqui para que a mensagem siga adiante e cada vez mais pessoas usem meios de transporte com menor impacto em nossa cidade!

Um carnaval 2017 com trânsito seguro para todos! E que mais campanhas educativas, eficientes e duradouras surjam por aí!

Bicicultura, de evento a movimento

Slowride, devagar para chegar mais longe

Slowride, devagar para chegar mais longe

Quem participou da edição paulistana do Bicicultura 2016 pode nem se lembrar do caminho pedalado até aqui. Dentre os números, um favorito, mais de 800 bicicletas “manobradas” pelo serviço de estacionamento.

Dentre as iniciativas que promoveram a cultura da bicicleta, vale buscar na memória qual momento mais épico.

A primeira emoção foi ver os relógios públicos da cidade convocando para o Bicicultura, um passo rumo ao “ativismo main stream”. Depois faixas espalhadas pelas ruas do centro de São Paulo indicando interdições no viário, as famosas abertura de ruas para a convivência de pessoas.

O viaduto do Chá teve arrancadas, bike polo, mas foi também espaço aberto para o caminhar errático. Perto dali, no caminho até o a estação de metrô do Anhangabaú, foi possível ter a rua Xavier de Toledo inteira para brincar, domingo foi dia de empinar bicicletas.

Memorável mesmo foi a Feira da Bici que pareceu pequena até. Estava plantada na rua que se deu o nome de praça Ramos de Azevedo. Durante os 4 dias de evento, aquele espaço voltou a honrar seu nome.

Por ali o trânsito era leve. Pelas faixas vermelhas pintadas no chão cruzavam as bicicletas, no asfalto entre as barracas e a ciclofaixa caminhavam participantes do Bicicultura e a população flutuante do centro. Foi possível flanar na rua que se chama praça. Tomar café, fazer compras, comer um hambúrguer ou saborear um churros.

Nas calçadas da mesma praça Ramos teve campeonatos e manobras, mas teve também a lentidão do Slow Ride e simples caminhadas.

Além de todas as atividades no espaço das ruas, teve ainda a praça das Artes. Daqueles locais novos, ainda sem alma própria, mas com traço arquitetônico moderno e uso público com hora para fechar.

Por lá teve Mão na Roda, estacionamento para bicicletas, espaço bicicletinha palquinho e inúmeras atividades ao ar livre. Que além dos papos e encontros, somou-se às palestras e painéis que aconteceram simultaneamente nos espaços fechados.

Mas o destaque maior dos espaços fechados foi certamente a sala Olido, antigo cinema que viu no palco a união do mais engajado ativismo unido ao poder público e a iniciativa privada.

A abertura do Bicicultura 2016 foi um pouco de música para quem acompanha há mais de 10 anos esse tal de cicloativismo.

A história do Bicicultura

Foi exatamente em 2006 que São Paulo sediou o II Fórum brasileiro de mobilidade por bicicletas também conhecido como  2º Encontro Nacional de Cicloativistas. Nascido em Florianópolis em 2005, o evento foi embrião da fundação da União de Ciclistas do Brasil, que aconteceu no III Fórum no Rio de Janeiro.

Muitas das pessoas presentes no modesto espaço da Biblioteca Anne Frank em 2006 puderam testemunhar o crescimento da cultura da bicicleta em São Paulo nessa última década.

Mais do que um crescimento no número de participantes, cresceu a importância da bicicleta como movimento em prol da humanização das cidades. A cada revolução dos pedais do cicloativismo aumenta a intensidade e principalmente a diversidade de um grupo tão leve e forte quando as rodas das nossas amadas magrelas.

Esse foi apenas uma impressão do Bicicultura, centenas de outras seguirão circulando pela internet, nas festas e na alegria de uma verdadeira União de Ciclistas do Brasil.

Doutor Carrocrata

Ou porque parei de falar de carros e passei a amar mais a bicicleta.

Trocar idéias sobre bicicletas, trânsito, espaço urbano e cidades em geral pode ser um grande desafio na esfera doméstica. Eventualmente em um jantar de família irão surgir perguntas sobre “indústria da multa, radares, ciclovias…” Eis que então surge o desafio.

Impactos do automóvel na organização das cidades

Antes de mais nada é preciso entender o papel da popularização do transporte individual motorizado na organização urbana. O viés histórico rende muitas horas de conversa e naturalmente teses de mestrado e doutorado.

Foi exatamente para simplificar a discussão e exemplificar as transformações em prol das pessoas em Amsterdã que a canadense radicada na Holanda, Cornelia Dinca, mergulhou em fotografias antigas da cidade paraíso para as bicicletas. Daí nasceu a tese para seu mestrado em planejamento urbano. A idéia foi explorar a conexão, muitas vezes esquecida, entre transporte e planejamento urbano.

Automóvel, luxo, privilégio ou necessidade?

Invarialmente, apontar os malefícios do uso desenfreado do automóvel nas cidades gera reações adversas. A tese de que a mobilidade individual motorizada é um privilégio soa agressivo para quem por ventura nasceu e cresceu vendo no carro particular um símbolo de status, ascenção social e principalmente de conveniência. Mas do que seu valor simbólico, as carruagens com motor carregam aspectos práticos das pessoas que sentem como imutável suas escolhas de mobilidade.

Exatamente pelos riscos de confronto, o caminho mais confortável para repensar a mobilidade em conversas no ambiente doméstico é deixar de lado a história e a sociologia do planejamento urbano e trazer à tona os aspectos práticos. Ao olhar para qualquer grande cidade brasileira, Amsterdã pode parecer utopia, mas como provam as fotos desse post, a cidade holandesa já foi muito parecida com a distopia urbana em que milhões de brasileiros vivem hoje.

Os custos sociais da mobilidade individual

Tema ainda mais espinhoso é o dos custos sociais do uso do carro particular, uma conta que passa por cima e extrapola IPVA, IPI e qualquer outra fonte de arrecadação. O governo dinamarquês, através da sua “Embaixada da Bicicleta”, calcula periodicamente o quanto custa para todas as pessoas as decisões de mobilidade de cada uma delas.

Para se chegar ao total os métodos são complexos, a lógica é simples. Cada quilômetro pedalado, economiza dinheiro de todos pelos benefícios individuais e coletivos que gera. Por outro lado, cada quilômetro percorrido em automóvel gera prejuízos sociais imensos, que passa pelos congestionamentos, poluição do ar, mortes no trânsito etc.

Qual o modelo de cidade que queremos?

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Certamente não somos dinamarqueses, muito menos holandeses e como define a mestranda Cornelia: “Não se trata de tornar todas as cidades iguais à Amsterdã. Trata-se de tornar cada cidade uma versão melhorada delas mesmas”.

Então, da próxima vez que surgir o assunto mobilidade urbana no jantar de família ou no almoço de Páscoa, tenha na memória as origens e os processos de desenvolvimento urbano, mas leve a conversa para o lado da esperança, trazendo as mudanças possíveis na sua cidade para que ela venha a ser melhor a cada dia.

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