Impacto social do uso da bicicleta no Rio de Janeiro

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As bicicletas andam esquecidas nesta administração carioca, o Rio de Janeiro já esteve na vanguarda do planejamento cicloviário brasileiro, era uma referência, mas perdeu a cadência em algum ponto no meio do caminho ao mesmo tempo em que muitas cidades avançam. Mesmo assim a bicicleta resiste no Rio, são cada vez mais ciclistas pela cidade, em diferentes modalidades e os mais diversos usos, algumas empresas seguem promovendo internamente seu uso assim como o cidadão segue a cada dia usando as bicicletas com mais frequência, sejam elas compartilhadas ou particulares. O ramo da pesquisa segue firme, buscando trazer mais embasamento para decisões futuras. Recentemente foi publicada uma nova pesquisa feita pelo Cebrap em parceria com o Itaú. Impacto Social do Uso da Bicicleta no Rio de Janeiro foi elaborada a partir de entrevistas domiciliares com indivíduos de 16 anos ou mais e amostragem com dois grupos distintos: população do município do RJ e ciclistas, que permitiu verificar as condições de deslocamento dos cariocas e medir os impactos individuais e sociais do uso da bicicleta no ambiente, na saúde e na economia.

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Os resultados, vale a pena conferir pois são muito interessantes, foram apresentados em um evento que atraiu um público bem diverso e interessado no tema, haviam representantes da sociedade civil, poder público municipal e estadual, academia/pesquisadores e empresas. Com a participação destes diferentes atores, a bicicleta parece prometer seguir em frente. Após a apresentação houve debate, esclarecimento de dúvidas e distribuição do relatório impresso.

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O estudo está disponível na seção Relatórios e Pesquisas do Banco de Dados ou clicando na imagem da capa, acima.

Perfil do Ciclista 2018

PerfilCilcista2018-Web-1A segunda edição da pesquisa sobre o perfil dos ciclistas urbanos, que agora contempla também algumas cidades Latino Americanas, foi lançada nesta quinta feira dia 14 de junho, durante e conferência Velo-city 2018 no Rio de Janeiro. Estiveram presentes ao lançamento representantes de algumas das organizações envolvidas, que tornaram esse projeto possível. Conheça os resultados clicando aqui. Foram entrevistados 7644 ciclistas entre setembro de 2017 e abril de 2018 por mais de 140 pesquisadores. Em breve mais detalhes sobre os dados apurados.
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Promovendo a Mobilidade por Bicicletas 2018

Em sua quinta edição, o prêmio “Promoção da Mobilidade por Bicicleta” novamente selecionou as melhores iniciativas brasileiras em prol das bicicletas. Boas ideias merecem e precisam ser reconhecidas e homenageadas.

Os nove finalistas receberão ingressos para o Velo-city 2018 e os principais premiados de cada uma das 3 categorias terá todas as despesas de viagem para o Velo-city 2018 pagas, além de um troféu e um kit exclusivo com adesivo e camiseta, que serão entregues em Junho no Rio de Janeiro.

Vencedora Categoria Ação Educativa e de Sensibilização:
La Frida – Casa La Frida

PostPTA7Casa La Frida é um espaço de afeto e encontro por\para mulheres negras ciclistas. Um espaço que busca debater e incluir as mulheres negras nos planos de mobilidade. O projeto tem como objetivo fortalecer o direito das mulheres à cidade por meio da promoção do uso da bicicleta como meio de transporte, visa a formação de uma rede de mulheres ciclistas. É uma casa de apoio às mulheres que acessam a cidade de bicicleta e principalmente as que desejam e estão começando acessar, tem a função de envolver a bicicleta para além da mobilidade, permeia o acesso a direitos básicos, processos de cura, auto-estima , sonhos, podendo pensar e conectar a bicicleta em tudo.
É a criação de um espaço de acolhimento cíclico onde é realizada de forma voluntária rodas de conversas, palestras, aulas de autodefesa pessoal, aulas de bicicleta, atendimento psicológico e jurídico (individual e coletivo), aulas de alongamento para resistência e condicionamento físico, bicicletas compartilhadas, oficina de mecânica, segurança no transito e legislação, debates com o poder publico, para além disso o espaço é ocupado como centro cultural feminino onde realizamos saraus, shows, ambiente de leitura, audiovisual…conectando a bicicleta com estas expressões artísticas.

Menções Honrosas Categoria Ação Educativa e de Sensibilização:
Bike Anjo Belém – Bike na Obra
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Bike na Obra surge da constatação que a maioria dos usuários da bicicleta em Belém-PA são trabalhadores da construção civil e vislumbra empoderá-los quanto ao direito à cidade e brecar o sonho da motorização, além de orientar para o deslocamento seguro. Palestras são realizadas em canteiros de obras, sindicatos e centros de formação para profissionais da área, com distribuição de infográfico em formato de calendário 2018, que contém dicas, direitos e deveres no trânsito e placa refletiva a ser colocada nos selins ou bagageiros das bicicletas.

ACERGS – Pedal da ACERGS
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O Pedal da ACERGS, ação da Associação de Cegos do Rio Grande do Sul, é um grupo de ciclismo que se propõe a possibilitar a pessoas com deficiência visual a oportunidade de pedalar. O grupo utiliza bicicletas tandem, para que uma pessoa com visão normal (guia) e uma pessoa com deficiência visual pedalem juntas. Desta forma, além de proporcionar as sensações de liberdade e aventura às pessoas cegas ou com baixa visão, o grupo incentiva um ambiente de troca entre os participantes, uma vez que as pessoas sem deficiência podem conhecer melhor as habilidades e dificuldades das pessoas com deficiência, ao mesmo em tempo que os últimos podem perceber os roteiros dos passeios através das descrições dos guias.

Vencedor Categoria Empreendedorismo:
Bike Tour SP – Bike Tour SP
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O Bike Tour SP é um projeto que oferece passeios de bicicleta gratuitos e guiados, unindo bicicleta, cultura, solidariedade e acessibilidade. Fundado pelos irmãos André e Daniel Moral. desde maio de 2013 a iniciativa já apresentou a cidade de São Paulo para mais de 45.000 pessoas. Os participantes conhecem marcos da história através de um sistema de áudio, o áudio-tour e por meio da bicicleta, retomando o prazer da pedalada. Existem atualmente 6 roteiros fixos que acontecem todos os finais de semana e eles emprestam as bicicletas e todos os equipamentos, pedindo apenas a doação de 2kg de alimentos não perecíveis por participante, o que resulta em 2 toneladas por mês, direcionados a instituições de caridade. A equipe ainda atende crianças, idosos, deficientes físicos, cegos e recentemente implantaram um roteiro especialmente gravado em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para o público com deficiência auditiva. Basta realizar a inscrição no site www.biketoursp.com.br e conhecer a cidade pedalando.

Menções Honrosas Categoria Empreendedorismo:
Bike Fácil – Design Thinking Bicicletários
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A Bike Fácil é uma empresa especializada em desenvolver e executar projetos de bicicletários. Com o diferencial do método Design Thinking, além de priorizar a ergonomia e segurança, os espaços são planejados do ponto de vista de um ciclista. Desta forma, fazem do “estacionar” uma experiência completa. Os principais projetos implantados são o Bicicletário Pátio Batel e o Bike Station Shopping Estação. Saiba mais em www.bicicletarios.com.br

 La Ursa Tours – La Ursa Tours
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La Ursa Tours nasceu há muito tempo, mas só recentemente nos demos conta disso. Vários amigos (e amigos dos amigos) vinham ao Recife e nos pediam ajuda para planejar seus roteiros. Isso se tornou um hábito (e um prazer) tão grande, que em 2017 decidimos transformá-lo num trabalho. Queremos que nossos viajantes saibam, entendam e compartilhem as experiências locais de maneira mais original e verdadeira possível. Para isso, promovemos experiências a partir da perspectiva da bicicleta e do caminhar, pois acreditamos que são as melhores formas de explorar uma cidade.

Vencedor Categoria Levantamento de Dados e Pesquisas:
Ciclocidade – Advocacy para a redução de mortes de ciclistas e pedestres em São Paulo

PostPTA6Advocacy para a redução de mortes de ciclistas e pedestres em São Paulo é um projeto de 18 meses desenvolvido pela Ciclocidade em parceria com a Cidadeapé e financiado pela Iniciativa Global de Segurança Viária (Global Road Safety Initiative). Ainda em andamento, os primeiros meses foram dedicados a uma introspecção profunda em grandes bases de dados públicas, com o objetivo proporcionar um advocacy baseado em evidências para as duas associações, complementar às demais pesquisas já realizadas pela Ciclocidade. A segunda etapa do projeto será focada em consolidação dos resultados, comunicação e campanha.
Dos resultados alcançados até o momento, temos pedidos de LAI que abriram caminho para uma nova forma como alguns dados públicos estão sendo publicados; o georreferenciamento de 12 milhões de multas aplicadas por agentes fiscalizadores entre 2014 e 2017, evidenciando que a fiscalização a infrações mais graves para ciclistas e pedestres está longe de ser considerada uma política pública; uma análise sobre o impacto da implantação das áreas de velocidade reduzida (zonas 30 e 40) na diminuição de mortos e feridos no trânsito; um mapeamento colaborativo dos vereadores maiores proponentes de projetos de lei relacionados à mobilidade ativa; e indicadores que podem auxiliar a focar o treinamento dado a motoristas de ônibus de São Paulo, posto que nos últimos anos, ônibus estiveram envolvidos em um quarto das mortes de ciclistas e um quinto das de pedestres.

Menções Honrosas Categoria Levantamento de Dados e Pesquisas:
Aliança Bike – Ciclologística: entregas de bicicleta e triciclo no Bom Retiro
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Para se compreender a participação da Ciclologística no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, a Aliança Bike e o Labmob (UFRJ) aplicaram este estudo de caso com o objetivo de se realizar contagem e caracterização dos estabelecimentos comerciais (atacadistas e varejistas) que fazem entregas por bicicletas ou triciclos, dentro de um recorte territorial (Bom Retiro) caracterizado pelo perfil de subcentro – ou seja, onde há expressiva concentração de serviços e comércios.
O levantamento, além de dimensionar as cicloentregas, teve também a oportunidade de estimar o quanto este cenário poderia estar afinado com a realidade de outros locais com características análogas e, ainda, o potencial desta atividade – para a macro-economia, social e também para a vitalidade econômica do bairro.
Alguns dados revelados pelo levantamento:
48,1% dos estabelecimentos que realizam entrega no bairro o fazem
por meio de transporte ativo – a pé, bicicleta ou carrinho de mão.
2.349 entregas são feitas diariamente no bairro por bicicleta ou triciclo, o que dá uma média de 98 entregas por hora
220 é o número de pessoas que trabalham com entrega de bicicleta, sendo que: 97% são homens e 3% mulheres
87,7% dos estabelecimentos que fazem entregas, escolheram este método pela rapidez e praticidade

Rio Estado da Bicicleta SETRANS-RJ – Disponibilização de Bicicletas Integrados ao sistema Ferroviário.
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A Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro (SETRANS)/Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (CENTRAL), contratou através de financiamento junto ao Banco Mundial (BIRD), estudo tendo como objeto desenvolver um modelo de disponibilização e gestão de bicicletas integradoras ao sistema ferroviário – SuperVia, sob a coordenação do Programa Rio Estado da Bicicleta. Visando desenvolver o modelo de demanda para quantificar o potencial de usuários ao programa de bicicletas integradoras,  foram realizadas Pesquisas de Barreiras aos ciclistas no entorno de 06 estações ferroviárias (Japeri, Engenheiro Pedreira, Santa Cruz, Bangu, Realengo e Saracuruna), Análise qualitativa realizada através de grupos focais a fim de identificar as percepções e motivos dos clientes atuais e potenciais da SuperVia para usar a integração bicicleta + trem e Análise quantitativa (2.424 pesquisas) para identificar o potencial de novos clientes propensos a utilizar a integração bicicleta + trem, realizada através de uma pesquisa de preferência declarada.

Nesta edição foram 42 inscrições nas 3 categorias, maior número de inscrições até hoje, com destaque para a categoria Levantamento de Dados e Pesquisas, que teve o dobro de inscrições em relação as edições anteriores. Outra boa supresa foi o aumento de inscrições vindas das regiões Norte e Nordeste, ambas superando pela primeira vez o número de inscritos da Região Sul. Houve também um aumento expressivo de trabalhos enviados por mulheres, que representaram 62% dos trabalhos enviados.

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Bike Rio, 4ª Geração já está nas ruas

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Há quase dez anos era lançado o primeiro sistema de bicicletas compartilhadas do Hemisfério Sul. O Pedala Rio foi a 1ª geração das bicicletas compartilhadas do Rio de Janeiro. Na inauguração, em dezembro de 2008, eram apenas dezenove estações cinza, com 190 bicicletas prateadas distribuídas por poucos bairros da Zona Sul Carioca. Na época publicamos o post Pedalemos no ritmo de Samba.

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Após um período sem conseguir patrocínio para manter o sistema, ele foi se deteriorando. Quando surgiu um possível patrocinador a frota de bicicletas chegou a ser pintada de azul. Era a 2ª Geração, no início de 2010, quando fizemos esta postagem: E o Samba voltou. Mas a parceria não seguiu adiante e as bicicletas logo sumiram das ruas.

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No final de 2011, com patrocínio do Banco Itaú, nascia o Bike Rio, 3ª Geração das bicicletas compartilhadas cariocas, que passaram a ser conhecidas como Laranjinhas (A ordem é Samba). Inicialmente o sistema cresceu para 60 estações, mas foi entre 2013 e 2015 que houve uma grande expansão, com a instalação de 200 novas estações. Isso ampliou o número de bairros atendidos e aumentou a densidade do sistema, diminuindo a distância entre algumas estações.

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Em 2015, o sistema atingiu seu auge com uma média de 8 mil viagens por dia ou 240 mil por mês. Os números eram impressionantes:
– Mulheres eram 48% dos usuários;
– Distância média percorrida em cada viagem era de 3,3Km;
– Tempo médio de viagem: 44 minutos.
Com picos nos dias de semana e no mês de agosto, esses dados consolidaram o Bike Rio como um meio de transporte significativo no cotidiano carioca.

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Mas o sucesso do sistema o derrubou. Com uma demanda maior que a capacidade de oferta, dificuldades para fazer a manutenção das bicicletas e lidar com problemas físicos e tecnológicos o Bike Rio foi entrando em colapso. Até que em junho de 2017 houve a troca na concessionária operadora do sistema, saía a Serttel e entrava a TemBici, com a missão de fazer funcionar algo que já estava “quebrado”. O desafio foi grande, houve uma breve melhora, mas o foco da empresa já estava nas novas bicicletas e estações que estavam por vir.

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E agora elas já estão nas ruas do Rio! O novo sistema é o canadense Public Bike System Company (PBSC), um dos mais confiáveis e utilizados do mundo presente em 24 cidades, como Londres, Nova Iorque, Chicago, Washington, Melbourne, Guadalajara e Toronto. Agora no Brasil em parceria com o Banco Itaú, a TemBici opera as bicicletas no Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. O sistema é mais robusto, com uma bicicleta pensada para essa função, que oferece mais segurança e prazer na pedalada. Além disso, permite uma variedade maior de formas para se retirar a bicicleta e adquirir os passes.

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A 4ª Geração do Bike Rio foi lançada no dia 20 de fevereiro de 2018 e já começou movimentada. Apesar de inaugurada sem a cerimônia, a pompa e o alarde de outras cidades, logo no primeiro dia já teve mais de 900 viagens e mais de dois mil cadastros. No segundo dia, por volta das 21 horas o número de viagens já era o dobro em relação ao dia anterior, chegando perto de duas mil viagens. O carioca já abraçou o Bike Rio, viu, aprovou e está usando. Em breve aqueles números de 2015 serão coisa do passado e as bicicletas públicas mais do que nunca farão parte do cotidiano, da cultura e do visual da cidade.

Assista a seguir um pouquinho do que vimos ontem à noite, em alguns minutos na Orla de Copacabana.

Para saber mais sobre o novo Bike Rio, acesse o site do sistema clicando aqui.

4Gen_BR_A Transporte Ativo vem acompanhando de perto o desenvolvimento das Bicicletas Compartilhadas Cariocas, em todos os seus momentos, bons ou ruins, sempre em busca de um sistema que atenda aos cariocas com a qualidade que eles merecem.

Bicicleta nos planos

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Com o objetivo de sensibilizar sobre a inclusão da bicicleta nos Planos de Mobilidade Urbana (PMU) das cidades brasileiras, a rede Bike Anjo, a Transporte Ativo e a União de Ciclistas do Brasil se uniram para realizar a campanha Bicicleta nos Planos.

A iniciativa busca orientar a sociedade civil organizada e cidadãos, bem como técnicos municipais, gestores e decisores políticos, sobre como garantir que a legislação em favor da mobilidade ativa seja implementada.

A bicicleta na Política Nacional de Mobilidade Urbana

A Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), que determina sobre a obrigatoriedade de elaboração dos Planos de Mobiblida Urbana, cumpre o papel de orientar, instituir diretrizes para a legislação local e regulamentar a política de mobilidade urbana, trazendo consigo uma mudança no modelo de gestão no que diz respeito à forma como sempre tratamos as necessidades de deslocamento urbano da nossa população. No entanto, os governos locais devem ter vontade política e corpo técnico capacitado para desenvolver e implementar o seu Plano de Mobilidade Urbana, que deve estar em consonância com o Plano Diretor da Cidade.

Os impactos positivos da inclusão da bicicleta nos PMUs são inúmeros, seja no âmbito econômico (redução nos custos com saúde pública e aumento da arrecadação de tributos advindos do aumento no faturamento do comércio nos locais seguros para bicicletas), social (vias mais movimentadas e mais seguras, democratização do espaço público, inclusão social), ambiental (redução da poluição) e político (melhoria da imagem da cidade diante dos cidadãos).

Uma grande motivação para que os gestores públicos elaborem um Plano de Mobilidade Urbana está nos orçamentos, pois os munícipios que não elaborarem o seu ficam impedidos de ter acesso a recursos federais para obras de mobilidade.

Saiba mais: