Em busca de Culturas de Bicicletas de Carga: Rio e Além

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Sue Knaup da organização americana One Street, esteve no Rio para o Bicicultura e Velo-city 2018, se surpreendeu com as bicicletas cargueiras que encontrou por aqui e publicou o post traduzido abaixo em seu blog Defying Poverty With Bicycles. Autorizados pela autora e com muita honra, reporduzimos o texto aqui.

“Quando voei para o Rio de Janeiro em junho para participar da conferência Velo-city, fiquei ansiosa para me reconectar com meus colegas da promoção ao uso de bicicletas de todo o mundo. O que eu não esperava era a descoberta de uma cultura de bicicletas tão profunda e orgulhosa quanto os ciclistas de carga do Rio de Janeiro.

Nos meus primeiros passos em uma rua do Rio, encontrei uma bicicleta de carga. Estava coberta de engenhocas para os turistas, mas meu olhar pousou nas molas sob a caixa de carga dianteira, que parecia com a mola de um carro. Não muito longe, em uma praça aberta e sem carros, vi outra bicicleta de carga. Essa tinha molas em folhas, também de carro.

Enquanto caminhava pela praça, verifiquei as armações e acessórios de cada bicicleta de carga que encontrei. Desde as molas até as gancheiras, passando pelas caixas de carga, cada um desses triciclos era único, construído ou, pelo menos, consertado localmente! E cada um dos ciclistas sentava-se orgulhoso em seus selins. Na minha primeira hora no Rio, encontrei uma extraordinária cultura de bicicleta.

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Desde que retornei ao Arizona, tentei encontrar qualquer coisa por escrito ou por vídeo sobre a cultura de bicicleta de carga do Rio. Os defensores prestativos da Transporte Ativo me enviaram alguns documentos como este que demonstram os benefícios das bicicletas de carga de sua cidade. Você também pode encontrar alguns desses números postados no site Velo-city Rio. Pesquisas e documentos como esses são extremamente importantes para influenciar políticas públicas que permitam que as bicicletas de carga funcionem bem em uma cidade. Esses estudos claramente ajudaram a aumentar as bicicletas de carga na Europa. Encontre muitos destes estudos aqui.

O que eu não consigo encontrar é qualquer coisa a partir das perspectivas dos construtores e ciclistas de cargueiras do Rio. Existe uma cultura silenciosa para construir, cuidar e dirigir esses veículos. Com esse tipo de cuidado, segue o desejo de fazer parte desta cultura, incluindo pedalar e incorporar a bicicleta aos negócios locais. Esse é um sistema que nenhuma política ou financiamento governamental pode causar.

Minha experiência pessoal com tal cultura foi como mensageira de bicicleta em San Francisco nos anos 80. É onde a entrega de bicicleta nasceu nos EUA. E os anos 80 foram o auge dos mensageiros de bicicleta, logo antes da máquina de fax e, em seguida, os computadores pessoais. Eu fui Bike Messenger na crista da onda e serei eternamente grata.

No mês passado, enquanto andava e pedalava em meio às bicicletas de carga do Rio de Janeiro, foi meu primeiro encontro desse nível de cultura de bicicletas desde os meus dias de Bike Messenger. Eu sei que existem outros grupos orgulhosos de ciclistas e fabricantes ao redor do mundo também. Talvez os ciclistas de carga da Europa sejam assim, embora suas bicicletas e megaempresas extravagantes causem um pouco de dúvida. Eu suspeito que Cuba poderia ser outro enclave, depois de descobrir esta história, que eu postei há alguns anos atrás.

Pedicabs e ciclo-riquixás parecem criar suas próprias culturas orgulhosas em algumas partes do mundo. Um exemplo é o Rickshaw Bank na Índia. Este vídeo dá uma boa visão geral. Espero que o Rickshaw Bank esteja inspirando empresas sociais semelhantes em outras partes do mundo.

Pense em suas próprias experiências com trabalhadores ciclistas. Você já recebeu um pacote entregue por alguém que foi de bicicleta? Você viu os carteiros entregando correspondências em bicicletas? Você assistiu da janela de um avião enquanto os trabalhadores do aeroporto pedalavam com bicicletas pesadas sob as asas e através de um oceano de asfalto? Você já encontrou micro-empresários em calçadas vendendo mercadorias ou pedalando máquinas de bicicleta que afiam facas, moem milho ou misturam bebidas?

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A Cultura de ciclistas trabalhadores são muito valiosas para mim porque eu fazia parte de uma. Mas deveriam ser valiosas para todos nós, porque são os sistemas de apoio que permitem que esses ciclistas e fabricantes prosperem, mesmo em lugares onde o transporte motorizado ainda domina. Eles estão mudando silenciosamente o transporte de caminhões barulhentos, poluentes e perigosos para veículos silenciosos cheios de pessoas que se orgulham de suas ocupações autopropulsadas.

Silêncio é um termo infeliz aqui. Não consigo encontrar nada sobre os fabricantes ou ciclistas das bicicletas de carga do Rio. Por falar nisso, além de alguns livros e filmes sobre mensageiros de bicicleta e algumas entrevistas em vídeo com pilotos de riquixás no Rickshaw Bank, não encontrei quase nada do lado humano dos ciclistas em atividade.

Você conhece algum? Se sim, por favor envie-os para mim em sue{at}onestreet.org. Se eu puder reunir diversas informações, vou usá-las em um post complementar e, quem sabe, talvez algo ainda maior.”

Para ver o post original, clique aqui.
Mais sobre bicicletas de carga e logística em bicicletas no Rio, clicando aqui.

Bike Rio, 4ª Geração já está nas ruas

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Há quase dez anos era lançado o primeiro sistema de bicicletas compartilhadas do Hemisfério Sul. O Pedala Rio foi a 1ª geração das bicicletas compartilhadas do Rio de Janeiro. Na inauguração, em dezembro de 2008, eram apenas dezenove estações cinza, com 190 bicicletas prateadas distribuídas por poucos bairros da Zona Sul Carioca. Na época publicamos o post Pedalemos no ritmo de Samba.

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Após um período sem conseguir patrocínio para manter o sistema, ele foi se deteriorando. Quando surgiu um possível patrocinador a frota de bicicletas chegou a ser pintada de azul. Era a 2ª Geração, no início de 2010, quando fizemos esta postagem: E o Samba voltou. Mas a parceria não seguiu adiante e as bicicletas logo sumiram das ruas.

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No final de 2011, com patrocínio do Banco Itaú, nascia o Bike Rio, 3ª Geração das bicicletas compartilhadas cariocas, que passaram a ser conhecidas como Laranjinhas (A ordem é Samba). Inicialmente o sistema cresceu para 60 estações, mas foi entre 2013 e 2015 que houve uma grande expansão, com a instalação de 200 novas estações. Isso ampliou o número de bairros atendidos e aumentou a densidade do sistema, diminuindo a distância entre algumas estações.

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Em 2015, o sistema atingiu seu auge com uma média de 8 mil viagens por dia ou 240 mil por mês. Os números eram impressionantes:
– Mulheres eram 48% dos usuários;
– Distância média percorrida em cada viagem era de 3,3Km;
– Tempo médio de viagem: 44 minutos.
Com picos nos dias de semana e no mês de agosto, esses dados consolidaram o Bike Rio como um meio de transporte significativo no cotidiano carioca.

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Mas o sucesso do sistema o derrubou. Com uma demanda maior que a capacidade de oferta, dificuldades para fazer a manutenção das bicicletas e lidar com problemas físicos e tecnológicos o Bike Rio foi entrando em colapso. Até que em junho de 2017 houve a troca na concessionária operadora do sistema, saía a Serttel e entrava a TemBici, com a missão de fazer funcionar algo que já estava “quebrado”. O desafio foi grande, houve uma breve melhora, mas o foco da empresa já estava nas novas bicicletas e estações que estavam por vir.

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E agora elas já estão nas ruas do Rio! O novo sistema é o canadense Public Bike System Company (PBSC), um dos mais confiáveis e utilizados do mundo presente em 24 cidades, como Londres, Nova Iorque, Chicago, Washington, Melbourne, Guadalajara e Toronto. Agora no Brasil em parceria com o Banco Itaú, a TemBici opera as bicicletas no Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. O sistema é mais robusto, com uma bicicleta pensada para essa função, que oferece mais segurança e prazer na pedalada. Além disso, permite uma variedade maior de formas para se retirar a bicicleta e adquirir os passes.

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A 4ª Geração do Bike Rio foi lançada no dia 20 de fevereiro de 2018 e já começou movimentada. Apesar de inaugurada sem a cerimônia, a pompa e o alarde de outras cidades, logo no primeiro dia já teve mais de 900 viagens e mais de dois mil cadastros. No segundo dia, por volta das 21 horas o número de viagens já era o dobro em relação ao dia anterior, chegando perto de duas mil viagens. O carioca já abraçou o Bike Rio, viu, aprovou e está usando. Em breve aqueles números de 2015 serão coisa do passado e as bicicletas públicas mais do que nunca farão parte do cotidiano, da cultura e do visual da cidade.

Assista a seguir um pouquinho do que vimos ontem à noite, em alguns minutos na Orla de Copacabana.

Para saber mais sobre o novo Bike Rio, acesse o site do sistema clicando aqui.

4Gen_BR_A Transporte Ativo vem acompanhando de perto o desenvolvimento das Bicicletas Compartilhadas Cariocas, em todos os seus momentos, bons ou ruins, sempre em busca de um sistema que atenda aos cariocas com a qualidade que eles merecem.

Bicicultura 2018

bicicultVem aí o Bicicultura 2018 no Rio, coladinho no Velo-city, no Encontro Latino Americano de Bicicletas Compartilhadas e no 100 gurias 100 medo! Serão uma série de atividades envolvendo as bicicletas, tomando a cidade por 10 dias. Tudo está caminhando bem, o tema que direcionará a montagem do programa ja foi escolhido em votação nacional “O uso da bicicleta e seu impacto na vida cotidiana”, os locais e logomarca já estão sendo definidos e a abertura da chamada de trabalhos, atividades e apoio já estão abertas. Estamos negociando apoio financeiro e já existem uma série de parceiros locais prontos pra ação. Participe você também, de mais essa edição da maior festa brasileira da promoção do uso urbano das bicicletas.

 

 

 

Conhecendo o Ciclista Latino Americano

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Popayán – Colombia

A pesquisa Perfil do Ciclista, realizada em 10 cidades brasileiras em 2015, agora está sendo realizada em 28 cidades no Brasil e outras 27 cidades de 9 países da América Latina. A seguir, fotos de entrevistas sendo realizadas em algumas destas cidades.

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Salta – Argentina

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Villavicencio – Colombia

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Santa Fé – Argentina

Manaus _ Brasil

Manaus _ Brasil

Aracaju - Brasil

Aracaju – Brasil

Recife - Brasil

Recife – Brasil

Belém - Brasil

Belém – Brasil

Diversos treinamentos foram realizados online e localmente para alinhar as equipes que estão nas ruas aplicando as entrevistas.

Aracaju - Brasil Popayan - Colombia

Treinamentos para aplicação da Pesqusia em Curitiba – Brasil  e  Popayán – Colombia

Hangout América Latina

Hangout América Latina

Diversas cidades divulgaram as atividades em busca de voluntários, que nas ruas abordam, em dias úteis, pessoas que estajam pedalando, empurrando ou estacionando a bicicleta.

Divulgação e chamada para voluntários em Valencia - Venezuela; Rosaro - Argentina e Antioquia Colombia

Convocação e divulgação em Valencia – Venezuela; Rosário – Argentina e Bello – Colombia

Tudo para que possamos conhecer melhor os ciclistas brasileiros e latino americanos, o que os motiva a iniciar e a continuar pedalando pelas cidades, para que assim seja possível se realizar campanhas de conscientização e promoção do uso de bicicletas nas cidades, indo direto aos pontos de maior destaque.

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Bicicultura 2017 – A Revolução das Bicicletas

O tema do Bicicultura esse ano é “A Revolução das Bicicletas”, uma homenagem aos 200 anos da revolução Pernambucana, importante movimento da história brasileira pela democracia, e celebra os 200 anos de surgimento desse veículo de duas rodas, democrático e abrangente, a bicicleta.

Sim, a revolução é possível a partir de um novo uso da cidade, por isso existe um grande potencial desse evento, uma reunião de todas as expressões ligadas à cultura da Bicicleta, para juntos pensar ações que nos aproximem de cidades ideais.

O Bicicultura lança sua campanha de arrecadação coletiva na plataforma Benfeitoria. Todo o montante arrecadado na campanha se destina à realização da edição de 2017 do evento, que vai acontecer na cidade de Recife, entre 7 e 10 de setembro.

Em 4 dias de evento espera-se reunir mais de 12 mil pessoas, em mais de 50 atividades, entre elas, palestras, oficinas, apresentações e debates em torno do tema. É muita dedicação e amor envolvido! E pra que tudo isso aconteça, da melhor maneira possível, temos uma meta a bater: R$27.474,00! E como chegar lá? Com a sua ajuda!

Além da sua doação, que é muito importante, ajude divulgando a campanha! Envie para seu mailing, compartilhe nas redes sociais, avise os amigos, os companheiros de pedal, os vizinhos, a família, todos!

é só clicar no link :
www.benfeitoria.com/bicicultura2017
aqui você tem todas as informações que precisa pra participar!

O Bicicultura é uma iniciativa da sociedade civil e construído de maneira colaborativa, por isso sua participação é tão importante!